Pravda.ru

Mundo

O American way of life e a Casa Grande

21.10.2007
 
Pages: 12


Quanto ao pobre camponês resistente, este vive, a duras penas, melhor que os favelados que se desfizerem dos seus sítios, e o coronel, para exibi-lo como um pobre infeliz, compara sua casinha simples à Casa Grande; compara o carro de bois ou carroça do sitiante aos seus carrões e, com isso, tenta convencer os que estão vacilando entre vender ou continuar vivendo do que suas terras produzem, dizendo: "Olha lá como ele é infeliz".


O coronel continua tentando se apossar do sitiozinho cujo dono resiste bravamente à venda de suas terras, de onde tira o seu sustento, cria seus filhos sob orientação dignas de ser o verdadeiro exemplo. Para forçar o camponês a vender seu lote de terra, o coronel provoca vários embaraços a este sitiante teimoso, chegando mesmo a proibir o acesso às suas terras através de estradas que passem pelo grande latifúndio. Informa a seus fornecedores de ração e adubo que, se venderem ao camponês "cabeçudo", deixará de comprar o produto de suas empresas distribuidoras. Proíbe seus empregados de participar de festas no sitiozinho ao lado. Manda arrombar a cerca de sua fazenda e deixa o gado comer a plantações do sitiante "turrão"; enfim, faz qualquer coisa para que o "infeliz" venda suas terras e desapareça, vá morar numa favela como já fizeram tantos outros pequenos sitiantes.

Propaganda e deslumbramento


Muitos daqueles que venderam seus sítios se deslumbram com a Casa Grande, sonham em ter uma fazenda daquelas, viver daquela maneira faustosa; seus filhos até vibraram com a idéia de vender as terrinhas e ir morar numa cidade grande, pois já ouviram muita propaganda sobre as facilidades que encontrariam: escolas, hospitais, lazer, água encanada, luz, rádio, televisão, geladeira e até carro, milhares de carros; são tantos carros que, para eles, na cidade, todo mundo deve ter um. (Se alguém acha que estou exagerando, saiba que esse tipo de argumento ainda é usado nesses casos.)


Há 50 anos, os EUA continuam tentando se apossar de Cuba, um "sitiozinho" ao lado do seu "latifúndio". A propaganda dos ianques se espalha mundo afora alertando aqueles que já vivem usufruindo as benesses do capitalismo: "Estão vendo aí? Vocês que me venderam suas terrinhas estão felizes, mas, olhem lá, aquele infeliz está sofrendo, é teimoso".


Os EUA já provocaram vários embaraços a Cuba, chegando mesmo a proibir o acesso às terras cubanas através das vias que passam pelo "grande latifúndio da América". Até já informaram aos seus fornecedores de matéria prima e produtos agrícolas que, se venderem ao povo teimoso, deixarão de comprar os produtos de suas empresas distribuidoras ou produtoras. Já proibiram seus próprios cidadãos de fazer turismo na ilhota. Já permitiram que o seu "gado" ultrapassasse a fronteira e tentasse comer as plantações do "sitiante teimoso"; enfim, fazem qualquer coisa para que os "infelizes" entreguem suas terras, querem ganhar pelo cansaço. Mas não descartam mais uma investida de peso e, se preciso for, soltam novamente seu "gado" nas terras cubanas.


O coronel faz propaganda de seu estilo de vida, de como vive na Casa Grande, criando naqueles pobres "infelizes" a esperança de que um dia viriam a ter o que ele própri possui. Faz muita gente acreditar que seus filhos estudarão nas grandes cidades e se tornarão doutores. Mas o coronel não mostra aos possíveis incautos a verdadeira vida que aqueles que venderam suas terrinhas estão passando.


Os EUA têm Hollywood, a fábrica de sonhos, a propaganda do "american way of life". Fazem grande parte da turma do quintal acreditar que, entregando-se ao seu domínio, vendendo-se aos seus interesses, teriam chances de viver à sua maneira, na opulência, na fartura, no "Paraíso".
Repeteco: Se a Revolução Cubana fosse um fracasso, os imperialistas nem se incomodariam com uma ilha como Cuba. Até acho que prefeririam que aquele país se mantivesse como exemplo de um sistema fracassado. Seria uma espécie de "vitrine do fracasso", imagem que vendem, há cinco décadas, ao "resto do mundo".

Pages: 12