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Piedad Córdoba: Crônica de uma noite de lembranças

18.04.2010
 
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esclarecimento dos números sobre os seqüestros, “país livre” (Vice-presidente F. Santos/Salud Hernández) e outras instâncias que trabalham o assunto falavam de mais de 3.000 seqüestrados, na realidade o número baixou a 132, nós descobrimos que muitas fundações que tratam deste assunto recebiam dinheiro em proporção direta ao número insuflado dos supostos seqüestrados. O fenômeno existe, mas não na magnitude que apregoam certas organizações na Colômbia, nem os 18 milhões de pobres, nem os cinco milhões de deslocados.

Dos cinco mil jovens mortos pelos falsos positivos, onde a responsabilidade do Estado colombiano é inegável, são

fatos que nos animam a não desistir do nosso empenho, e não somos apátridas por dizê-lo.

A lei de justiça e paz, e como se extraditou a verdade

“Eu tenho sido uma opositora desta lei, mas temos que reconhecer que é através desta temos conhecido certas confissões e testemunhos que demonstraram os laços com o Estado”, através do exército, policia e os paramilitares e seu compromisso nestes massacres contra o povo colombiano, mas veja bem, o governo se assustou com estes testemunhos e, por isso, extraditou os paramilitares para os EUA, o que na realidade significa extraditar a verdade. Eu presido uma comissão de DDHH criada para tentar recuperar estes depoimentos, nossa tarefa foi, e tem sido dura, nós reunimos com Don Berna, Mancuso, entre outros. Estas reuniões permitiram-nos conhecer a realidade. Don Berna, por exemplo, deu a ordem para matar o senador Cepeda, também soubemos, e conseguimos reconstruir o modus operandi destas operações, como funcionaram, como e quem colaborou com esta empresa criminosa.

O relatório que estamos preparando para ser apresentado ao congresso, conterá informação importante que revelará informação que até agora era desconhecida, por isso necessitamos construir uma comissão que busque a verdade na Colômbia.

O preço que tivemos que pagar pela verdade

Numa das visitas que fiz a Mancuso, o pessoal do consulado da Colômbia nos EUA mandou me prender para evitar que tivéssemos acesso aos depoimentos. O que temos passado por encontrar e preservar a verdade do horror paramilitar não tem nome. Mancuso, na primeira visita, pediu-nos perdão por tudo o que nos tinha feito, pelo meu sequestro, pelo desaparecimento da minha filha, e por outros crimes, nós levantamos o assunto das terras, que para a constituição da verdade é muito importante, e nos surpreendemos de que o próprio Mancuso nos dize, que as principais terras expropriadas aos 5 milhões de deslocados agora estão nas mãos de políticos e apoiadores dos paramilitares.

Apesar dos obstáculos e dificuldades, temos avançado, poderíamos tornar a guerra mais fácil ao juntar-nos ao coro dos cultuadores da guerra, como o fazem muitos oportunistas, mas não, nos acreditamos nestes gestos das libertações, que abrem portas para a negociação política. Acreditamos que a paz é possível na Colômbia, apesar da tentativas de nos processar (um dia antes de vir para cá deram entrada em outro processo judicial por supostas ligações com a guerrilha), Colombianos e Colombianas pela Paz, comprometidos como estamos com a solução política, venceremos todos esses obstáculos. Não podemos observar o conflito das nossas casas, nos somos membros da sociedade colombiana, e temos o direito e a obrigação de lutar para viver em paz e com justiça social. (Alguém grita na sala: “Intercâmbio humanitário já”, seguido de aplausos).

Suíça, mediador privilegiado

Já pedimos ao governo suíço ajuda para a solução política do conflito, pois é um país que dá seriedade e segurança às partes, sobretudo para criar um ambiente propicio de confiança para se sentar a conversar. Mas é claro, esperamos que o governo colombiano aceite a mediação e a intervenção internacional.

Mensagem aos colombianos no exterior

Nós gostaríamos que voltassem para lutar juntos pela paz, e se o retorno não é possível, onde estejamos devemos lutar pela paz. Atualmente o paramilitarismo está mais vivo do que nunca, elegeram parte do novo congresso, não podemos perder a perspectiva de que país viemos e o compromisso diante dele. Estamos armados de vontade e da palavra para continuar lutando pela solução política.

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