Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

2006 – O Ano Revisto

Vamos dar um olhar sobre os principais eventos deste ano, em que mais uma vez o unilateralismo nas relações internacionais seguido pelo Eixo de Washington cria desastres e crises que vão de mau a pior. No Continente africano, de louvar, o processo na RD Congo e de lamentar, a continuação da violência em Darfur, Chade e RCA. Mas houve vitórias claras: as forças da razão provaram indiscutivelmente que só por diálogo se chega a qualquer lado, as forças do Eixo de Maldade estão cada vez mais humilhadas. 2006 foi também uma grande vitória para a condição da mulher.

Janeiro

A primeira Presidente no continente africano – Ellen Johnson-Sirleaf – tomou posse na Libéria no dia 16 enquanto na Bolívia, Evo Morales se tornou o primeiro Presidente indígena deste país e Hamas venceu facil e democraticamente as eleições na Palestina, que causou tamanho dor de cabeça para aqueles países que gostam de pregar, mas nem sempre praticar, a democracia.


Dois atentados no Irão, contra o Comandante da Guarda Revolucionária, Ahmad Kazemi, que morreu num estranho desastre de avião (dia 9) e contra Presidente Ahmadinejad, em Ahvaz, dia 24, tentativa que falhou. Estranho começo do ano.

Em Paquistão, um ataque dos EUA (com suas sofisticadas armas de precisão) massacrou 18 pessoas na aldeia de Damadola e em Tel Aviv, um bombista suicida começou as atrocidades da parte a parte este ano, causando 32 feridos.

Também em Janeiro eclodiu a controvérsia sobre os desenhos de Maomé, uma infantilidade desnecessária e de mau gosto numa altura delicada que precisava da construção de pontes e não insultos.

Fevereiro

Reunião dos Ministros de Finanças dos G8 em Moscovo, no ano em que a Federação Russa presidiu este organismo. Hamas foi convidado por Moscovo para discussões e em Jamaica, foi eleita pela primeira vez uma Primeira-ministra, Portia Simpson-Miller.

O Parlamento Europeu e a ONU declararam que o campo de concentração de Guantanamo, mantido pelos Estados Unidos da América, é ilegal. Uma conversa telefónica entre o Presidente norte-americano Bush e o Primeiro-ministro britânico Blair em 2003 foi revelada num memorando, em que concordaram atacar o Iraque com o sem a autorização da ONU e Bush considerou provocar um acto de guerra com um avião Lockheed-U2 com marcações falsas. Afinal, os norte-americanos acabaram por optar pelo relatório “sexy” da Inteligência britânica, nomeadamente uma tese com 19 anos, copiada e colada da Internet.

Março

Massacre zionista em Gaza, seis crianças chacinadas com equipamento militar e no Iraque, 11 civis massacrados pelas forças dos EUA.

Em Moscovo, Sergei Lavrov tenta empurrar o Hamas para uma posição política e reitera a necessidade de uma solução negociada, pacífica e política à crise no Médio Oriente. Presidente Lukashenko venceu a eleição em Belarus com 82,6 por cento do voto e Viktor Yanukovich venceu a eleição parlamentar na Ucrânia.

Slobodan Milosevic morreu misteriosamente na Haia depois de ter sido raptado ilegalmente e preso contra qualquer norma da lei internacional por forças da OTAN.

Em Chile, Michele Bachelet se torna a primeira Presidente feminina neste país.

Abril

Marcos Pontes, cosmonauta brasileiro, chega à ISS, a bordo de um navio russo. Rússia levou o Brasil para a época espacial. Com muito carinho e muito prazer.

Na Hungria, vence o Partido Socialista a eleição parlamentar e Berlusconi (direita) perdeu na Itália a Romano Prodi (esquerda) num mês em que Presidente Ahmadinejad anunciou que seu país conseguiu enriquecer o urânio com sucesso. Começou a crise no Nepal.

Maio

Um novo Primeiro-ministro foi nomeado em Nepal – Girija Prasad Koirala, que pôs fim à grave crise social e aos poderes executivos do Rei.

Evo Morales nacionalizou o sector de gás na Bolívia.

A Comissão da ONU contra a tortura disse aos EUA que Guantanamo é uma violação da lei internacional. Tortura, no terceiro milénio. Nos EUA, o caso de Khaled el-Masri foi fechado por um tribunal em Alexandria, Virgínia, porque poderia provocar graves danos à imagem dos Estados Unidos da América, acusado de reptar e torturar este cidadão sem qualquer motivo. Condoleeza Rice anunciou uma viragem a 180 graus na política externa dos EUA, dixendo que poderia haver negociações com o Irão.

No referendo em Montenegro, os eleitores votaram a favor da separação da Sérvia com 56% do voto.

Álvaro Uribe foi re-eleito na Colômbia, resultado de uma campanha baseada na manipulação do medo. Colômbia, país onde 71 sindicalistas foram assassinados este ano, é assim o último bastião do Bushismo e de subserviência a Washington neste continente, uma espécie de cancro para ser tratado.

Junho

Massacre zionista na praia em Gaza – 7 civis assassinados. Foi negado por Israel mas confirmado por testemunhos oculares e fontes independentes. No meio de tumultos em Timor-Leste, Presidente Xanana Gusmão pede e recebe a demissão de Mari Alkatiri, primeiro-ministro sem qualquer competência para o posto.

Começa a incursão assassina israelita em Gaza, depois do rapto do soldado Gilad Shalit e do lançamento de foguetes no território israelita.

No Iraque, dados oficiais apontam para 6.025 mortos civis desde o início do ano.

Em Cape Town, África do Sul, foi realizado o 16º Fórum Económico Mundial.

Julho

Helicópteros militares israelitas atacam o escritório do Primeiro-ministro palestiniano, Ismail Haniyeh – um acto de terrorismo de estado. Depois de vários ultrajes, a U.E. avisou Israel contra o uso de força desmedida em Gaza. Dias depois, Israel destruiu o edifício do MNE palestiniano em Gaza.

A guerra no Líbano começou depois da captura de 2 soldados israelitas em território libanês, mas não nos mapas israelitas (mais 3 foram mortos na acção e depois, outros 5 iniciando o conflito). No Líbano, houve o massacre de 4 observadores da ONU por Israel depois de 10 (dez) telefonemas avisando os militares onde estavam e que estavam em perigo.

Um ano depois da iniciativa de Gleneagles, Bono disse que a comunidade internacional não estava a honrar seus compromissos para com os países em desenvolvimento. Fradique de Meneses foi re-eleito Presidente de São Tomé e Príncipe, o Governo angolano e a FLEC de Cabinda assinaram um acordo de paz.

Entre 15 e 17, foi a Cimeira dos líderes dos G8 em São Petersburgo, onde discutiram a questão de segurança energética, educação e a luta contra doenças infeccionas e contagiosas.

No Iraque, quatro soldados norte-americanos acusados de assassinaram civis disseram que tinham recebido ordens de superiores para matar todos os homens de idade militar. Liberdade e democracia, ganhando corações e mentes através de tácticas de choque e pavor.

No dia 31, Fidel Castro abandonou temporariamente o poder executivo por questões de saúde. Seu irmão Raul o substituiu.

Agosto

General John Abizaid (EUA) referiu a uma guerra civil no Iraque. Militares norte-americanos foram julgados por violar uma menina de 14 anos e depois chacinar toda a sua família para destruir as provas.

Na Ucrânia, Viktor Yanukovich foi nomeado Primeiro-ministro. Onde está a revolução laranja agora??

Depois do cessar-fogo marcando o fim de um mês de violência no Líbano, Amnistia Internacional acusou Israel de cometer crimes de guerra por deliberadamente destruir infra-estruturas civis e pelo uso “imoral” de bombas de fragmentação.

Presidente Ahmadinejad do Irão desafiou George Bush a uma entrevista televisiva, que o Presidente norte-americano recusou.

Setembro

Amnistia Internacional condenou também Hezbollah por escolher alvos civis em Israel.

Na Hungria, começaram os protestos contra o Governo por o PM ter mentido durante a campanha eleitoral e na Tailândia, PM Thaksin Shina Watra foi derrubado num golpe de estado militar.

Em Transdnistria, a grande maioria da população votou a favor da integração na Rússia e a separação da Moldova.

Outubro

Acto de terrorismo de estado pelas autoridades da Geórgia, quando 4 oficiais do exército da Federação Russa foram raptados. Na Rússia, foi lançado um novo partido da esquerda, liderado por Sergey Mironov. A Rússia Justa agrupa o Partido Russo da Vida, a Rodina, e o Partido Russo dos Pensionistas.

Coreia do Norte realizou um teste nuclear.

No Brasil, Presidente Lula foi re-eleito com 61 por cento do voto.

John Hopkins, da Bloomberg School of Public Health afirmou que 655.000 iraquianos tinham morrido em consequência da invasão do Iraque. Em Afeganistão, OTAN massacre 14 civis em Kandahar num ataque aéreo com armas de precisão. Na mosca!

Novembro

Saddam Hussein (o quem eles dizem ser Saddam Hussein) foi sentenciado à morte por enforcar por ter assinado 148 mandatos de morte. George Bush assinou 152 enquanto Governor do Texas, mas…

Daniel Ortega, que venceu os Contras/Fascistas apoiados pelos norte-americanos há 20 anos, foi eleito Presidente da Nicarágua e Saddam Hussein venceu as eleições intercalares nos EUA (Bush e os Republicanos perderam sua posição de força no Senado e na Casa dos Representantes). Rumsfeld, o Torturador, caiu.

Em Gaza, mais um massacre sionista, desta vez de uma família de 14 pessoas. Hoje uma criança, amanhã um terrorista parece ser a filosofia.

Num referendo na Ossétia Sul, 99 por cento da população votou a favor de uma separação da Geórgia. Os Socialistas venceram a eleição nos Países Baixos e no Nepal, um acordo de paz foi assassinado entre PM Prasad e o líder dos maoistas, Prachanda.

Dezembro

Felipe Calderón foi eleito no México.

No continente africano, Marc Ravalomanana saiu à frente na eleição em Madagáscar.

O Grupo de Estudo sobre o Iraque descreveu a situação como “Grave e a piorar” e Kofi Annan, no seu discurso final como Secretário-Geral da ONU, criticou duramente Presidente Bush e a política do Governo dos EUA pelos abusos de direitos humanos e unilateralismo.

Muhammad Yunos, economista de Bangladesh, ganhou o Prémio Nobel de Paz pelo seu trabalho na área de micro-crédito, combatendo o terrorismo por combater a pobreza.

É nesse sentido que teremos de avançar no próximo ano.

Fica claro para quem lê estes eventos principais de 2006 que os maus da fita, os que praticam actos de chacina, massacres, os que abusam o poder, são aqueles que outrora falavam em direitos humanos e inventaram histórias para justificar seus actos nefastos. Há 2.000 anos houve alguém que referiu a aqueles que têm telhados de vidro.

Seria bom lembrarmos das palavras deste Senhor durante 2007 e as práticas dele.

Timothy BANCROFT-HINCHEY

PRAVDA.Ru

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