Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Advogado Gabriel Baum – Árbitro Uruguaio de Basquete no Mundial Feminino na República Tcheca

O advogado Gabriel Baum tornou-se um dos melhores árbitros uruguaios nas últimas 5 temporadas tirando nota dez na última Liga Uruguaia de Basquete 2009 – 2010 pela escolha dos jornalistas esportivos como o Árbitro de Maior Valia. Além do caneco no encerramento da última LUB, ganhou nomeação para o Mundial de Basquete Feminino em Setembro próximo na República Tcheca e o orgulho profissional na Faculdade de Direito da Universidade da República pois é o Professor da Cátedra de Direito do Esporte, quarta no mundo.

PRAVDA: Faça que os nossos leitores saibam bem mais do Gabriel Baum. CV. Porquê no ambiente do basquete? Herança?

DR. BAUM: A tal herança vêm de mãos braços dados aquele jogador de basquete muito ruim que fui nas categorias de base do Club Atlético Bohemios no decorrer da minha criancice. Minhas escolhas acabaram sendo as seguintes: ficar de jeito permanente no plantão, pular na quadra no último minuto com o jogo encerrado ou até acabar me envolvendo com o uma atividade que tivesse a ver com o basquete. Embora, acabei encaminhando minhas energias para a última escolha. No início do ano 1990 encontrei num painel informativo do clube Bohemios, um folheto pedindo candidatos para árbitro de futebol sendo que nessa data também comecei a minha carreira de advocacia na Faculdade de Direito. Por enquanto, achei interessante tomar parte de uma atividade envolvida com o basquete e numa outra beira a aplicação da justiça.

P: Mesmo que agora temos três árbitros na quadra, você participou das duplas. O que é mais sedutor para você? Porquê?

DR. BAUM: Veja só, comecei como árbitro oficial uruguaio em 1990 e internacional em 2004. Bem mais que a metade da minha vida neste negócio da arbitragem no basquete. Acho que todas as mudanças que o basquete veiculiza com uma freqüência muito importante que da para salientar quanto a maioria dos outros esportes, vá de mãos dadas como o aprimoramento dos destaques, do espetáculo e quanto tem a ver com os árbitros, a arbitragem triple melhora de jeito específico a possibilidade que os erros aconteçam mas diminuindo bastante. Fica extremamente claro que os erros ocorrem e faz parte do jogo compreender que são mais uma engrenagem do espetáculo numa partida. É óbvio, que uma mecânica de três árbitros minimiza os erros sem dúvidas. Falando em erros, trata-se de um erro dizer que seis olhos precisam se focar na mesma coisa pois essa mecânica de três faz que o angular de cada um dos árbitros consiga abranger uma parte diferente da quadra. Porém, caso houver meia-dúzia de olhos focando-se na mesma coisa, trata-se de um erro de todos aqueles que aplicamos o sistema e não do sistema em si próprio. É bom remarcar que o sistema foi tirado da NBA e trasladado nos estatutos da FIBA.

P: O que acha quanto ao sistema de arbitragem internacional da FIFA no futebol que na grande maioria dos jogos os três árbitros são do mesmo país. Poderia aprimorar a arbitragem no basquete internacional?

DR. BAUM: Trata-se de uma hipótese interessante de olho no futuro. A cada oportunidade que uma turma de árbitros se desenvolve com maior fluência no segmento humano e profissional, isso reflete de jeito automático na diminuição dos erros, a maior compreensão da mecânica, das funções e da própria coesão dum equipo, seja qual for o caso, quando costuma trabalhar em parceria. Então acho que é uma hipótese interessante que a FIBA poderia levar em consideração logo.

P: Acha que a arbitragem dos decênios de 1930 e 1940 poderia ter cativado o Baum com posse de bola eterna, sem esses 30 ou 24 segundos que fizeram as partidas agílimas quanto ao passado? Mergulhe um instante apitando nesses jogos.

DR. BAUM: Vamos ver, é difícil imaginar pois a realidade é uma outra hoje. Nasci nos inícios do decênio de 1970, então, as únicas lembranças ou marcações desses fatos são fotos, comentários ou alguma filmagem isolada. Agora temos árbitros profissionais e regredindo no passado, apitar nessas décadas era simplesmente ser homenzarrão com cara-fechada. Na atualidade, ser homenzarrão não garante ser árbitro no Uruguai nem fora da nossa divisa. Também não da para imaginar um time vencendo numa partida por ter uma turma de sansões e aquele que acha que poderia aplicar o sistema de 1930 em 2010, deu uma de ré de 80 anos na história e ás vezes acontece com os uruguaios que achamos somos muito espertos ou tentando utilizar sistemas em desuso no mundo inteiro, como refletir a grande experiência dos delegados de mesa no controle da partida tentando tirar vantagem do outro. Esses «dribles» na realidade de hoje quase não existem.

P: Já tem tido parceiros mulheres na arbitragem? O que pode refletir dessa integração da mulher no basquete no teu segmento arbitral?

DR. BAUM: Acho ótimo que essa tal integração exista. No Uruguai temos vários árbitros femininos tendo compartilhado a tarefa na quadra. A mais conhecida no ambiente que alcançou apitar nos jogos de elite do basquete adulto nos últimos anos foi a Andrea Guriano, antes a Ana Surra, a María Arocena que foram pioneiras na arbitragem feminina no Uruguai, contribuindo bastante perante essa cabeça em prol do masculino que sobrevoava o basquete na hora que elas começaram apitar. Felizmente conseguiram pular por cima dessa barreira e pela própria valia ganharam seu espaço até que hoje a arbitragem feminina tem ancorado de forma definitiva em todos os países do mundo. De fato, na última Taça do Mundo Brasil 2006 que acabei sendo árbitro, tinha uma grande maioria de árbitros femininos e com certeza vai acontecer de novo no próximo Mundial da República Tcheca em Setembro de 2010.

P: Quais foram tuas experiências marcantes nesse Mundial Brasil 2006? Acha que poderia aprimorar mais alguma coisa com uniforme de árbitro de olho no torneio da República Tcheca?

DR. BAUM: Pode ter certeza absoluta que nem só na Taça do Mundo vou ter que corrigir senão que a cada jogo tento fazer uma avaliação íntima e severíssima, ás vezes acho que até tornam-se exagero mas é o meu cardápio para continuar corrigindo erros. A gente fala assim: «Faço mais erros dos que gostaria e felizmente uma quantidade bem menor daqueles que o pessoal da arquibancada percebe». A cada partido continuo tirando benefício das situações e vivências que acontecem na minha frente. O dia que acredite que não posso apreender mais alguma coisa na quadra, esse vai ser o dia marcado para me aposentar.

P: Estava querendo parabenizar você pois é o melhor árbitro uruguaio de basquete dos últimos cinco anos segundo a imprensa uruguaia. Esse reconhecimento, o impulsiona para continuar trabalhando no futuro?

DR. BAUM: Sem dúvida. O reconhecimento dos últimos cinco anos em cachoeira como melhor árbitro uruguaio, me completa como pessoa e tornam-se mais um estímulo para continuar progredindo a cada dia não afundando a âncora nessa última marcação senão que seja uma plataforma para continuar evoluindo dando um retorno para todo mundo, de jeito especifico á Federação, ao grêmio, aos meus colegas, o apoio que percebi sempre nestes 20 anos de carreira profissional esportiva.

P: Mantêm conversas com os jogadores dentro da quadra? Os jogadores podem bater um papo contigo? Tem um jeito de agir diferente no basquete feminino e masculino?

DR. BAUM: No Uruguai, não faço diferencia nenhuma pois infelizmente o basquete feminino não se desenvolveu bem nos últimos anos. Faz muitos anos que não faço parte de uma partida de basquete feminina no Uruguai. Quanto aos bate-papos que a gente pode manter como árbitro numa quadra de basquete, acho que faz parte da psicologia do árbitro, escolher os instantes que pode manter uma conversa, quando não pode, a forma do diálogo, qual é o alvo desse papo, e pelo jeito de ser tento que haja sempre um relacionamento fluente com os destaques do jogo, ou seja, jogadores e treinadores e também não coloco barreira nenhuma na hora de conversar com os torcedores ou até com os policiais. Sempre senti um grandíssimo respeito pela tarefa desenvolvida, nunca tive problema nenhum por causa de um bate-papo.

P: Acha que essa formatura profissional de advogado te da vantagem na hora de manter esse tal diálogo em quadra?

DR. BAUM: Acho que ter título universitário não oferece vantagem nenhuma. Tenho certeza que ter educação boa reforça o crescimento das pessoas dando chances de interpretar situações, compreender o reagir deles, conseguindo se auto-avaliar e como estou muito envolvido com a função acadêmica, avaliar situações de jeito permanente faz que possa fazê-lo raciocinando bem mais e tendo em claro que o princípio de igualdade não quer dizer que todos sejamos idênticos, ou seja, existem diferenças. Porém. Teríamos que dar tratamento igual para aqueles que são iguais e são diferentes ás situações diferentes. Cada partida joga-se de forma diferente e acho que a valia do árbitro tem a ver com a condição de interpretar que o esporte, neste caso o basquete, é um só; cada jogo apresenta-se de forma diferente, e compreender o contexto desse jogo primeiro, e logo daquilo que está acontecendo nessa partida mais logo, faz parte dessa capacitação que tem tido a oportunidade de absorver.

P: Quais foram os árbitros referências que teve no Uruguai e no ambiente internacional?

DR. BAUM: São muitos mas «arremessar» nomes sem refletir, ás vezes faz que a gente esqueça alguns que poderiam ter sido importantes no decorrer da minha carreira. Da para entender? Uruguai foi berço de grandíssimos árbitros, desde o Julio Sánchez Padilla com seu estilo marcante e inesquecível; Mario Hopenhaym, que foi meu instrutor nacional que carimbou o crachá de árbitro internacional em Santiago de Chile em 2004; o Félix «Coco» Fares, o Donato Rivas, o Santiago Ortuño, o Roberto Fernández, o Raúl Cames, todos eles que já penduraram o uniforme de árbitro; uma lembrança especial para o «grande» Julio Dutra, que acabou de falecer faz dos meses, todos eles tem gerado um histórico maravilhoso da arbitragem do basquete uruguaio, no Uruguai e no próprio ambiente internacional

P: Qual é o par perfeito dentro da quadra nos torneios internacionais?

DR. BAUM: Nos torneios internacionais e levando em consideração que não temos dois parceiros permanentes acho que a grande habilidade teria que tentar aplicar o mesmo sistema de arbitragem quando a cada dia mudam os colegas dessa trindade. Acho que estamos preparados para que isso aconteça e na América e também acho que tenho arbitrado com quase todos os árbitros internacionais do Continente, sendo que os argentinos e brasileiros são destaque mesmo, tem venezuelano de primeira linha mas de jeito específico com argentinos e brasileiros temos uma grande coordenação na de desenvolver a mecânicada arbitragem.

P: Tua língua inglesa é fluente? É fundamental para os torneios internacionais.

DR. BAUM: Tenho tido bons conhecimentos de inglês desde criança, negócio que agradeço de coração aos meus pais que desde que completei seis anos transmitiram quanto ia ser importante o inglês no meu futuro, que estudei no decorrer de quinze anos e ainda hoje continuo aprimorando-o com cursos de diálogos.

P: O que mais lembra numa quadra de basquete. Até poderia ser para dar risada.

DR. BAUM: Acho interessante que os leitores conheçam o que me aconteceu numa Final da Liga Sul-Americana na cidade de Sunchales – Argentina, no jogo Libertad de Sunchales e Flamengo de Rio de Janeiro, faz três anos, numa quadra muito próxima ás arquibancadas, acabou se aproximando um torcedor e fora os palavrões convencionais e até folclóricos neste ambiente, num tempo morto acabou falando o seguinte: «Apita bem, uruguaio poluente». Pelo jeito engraçado e o ambiente que foi dito achei super interessante. (é bom salientar que nessa data deu início a obstrução por conta de alguns cidadãos de Gualeguaychú da ponte Gl. San Martin que por cima do Rio Uruguai, une as beiras de Fray Bentos no Uruguai e Gualeguaychú na Argentina. O motivo tudo mundo já conhece, a localização da fábrica finlandesa BOTNIA produtora de pasta de celulose na divisa uruguaia que segundo esses e outros argentinos ia poluir as águas do Rio Uruguai).

P: Faz parte da UJOBB (União de Árbitros Oficiais do Basquete Uruguaio)?

DR. BAUM: Pertenço sim. Sou parte da UJOBB desde o primeiro dia do ano 1990 e sócio ativo da tentando contribuir dentro das minhas possibilidades e das necessidades da Diretoria da época em tudo quanto tenha a ver com assessoria profissional jurídica que é o que a gente conhece. Além das Diretorias que já passaram confirmo sempre que ofereço meu apoio para o grêmio pois acho que existe uma frase que saliento sempre: «A união torna-se força». As discordâncias devem ser tratadas no interior do grêmio e para fora desse grêmio os grupos precisam se mostrar fortes bem mais num ambiente com tantos metros quadrados de vitrine, em oportunidades com opinião pública muito forte e até injusta, com exigências várias, com críticas, ás vezes justas, outras não, com condições nem tão boas para desenvolver a tarefa, com salários fracos. Embora, são os grêmios que precisam trabalhar unidos, de forma solidaria, resolvendo os assuntos sem abrir as janelas para que tudo o mundo saiba desse assunto, com intercâmbio de opiniões. Essa é a melhor forma de defender os interesses dos grupos.

P: Lembra todos os torneios dos quais participou como árbitro?

DR. BAUM: Felizmente foram muitos, as últimas Ligas Sul-Americanas, as últimas Ligas das Américas, dois Campeonatos do Mundo, um Campeonato Européio juvenil.

P: Alguém tentou sonegá-lo em alguma oportunidade?

DR. BAUM: Nem por acaso. Ninguém tentou sequer se aproximar, pode ter certeza. Também não encaminharam comentário nenhum. Acho que nem pensaram fazer uma proposta desse estilo para mim. Também poderia acreditar que isso não aconteceu nunca no histórico da arbitragem.

P: Tentaram «enforcá-lo» tentando que um time conquistasse a vitória?

DR. BAUM: Nãão...tem quadras mais pequenas que outras, nessas que a torcida é mais fervente mas o negócio acaba nessa. Já tinha falado disso, em 2010, ninguém consegue vitórias com sansões na quadra nem nas arquibancadas. Hoje vence aquele time que é melhor que o rival, com basquete de melhor qualidade, aquele que defende melhor. Porém, se continuássemos pensando nessas situações, o basquete não vai acabar evoluindo. O mundo é diferente e o Uruguai e o basquete uruguaio estão progredindo. Essas são coisas do passado.

P: Estamos na Faculdade de Direito e são inúmeros os painéis com folhetos que refletem que o Advogado Gabriel Baum é catedrático de Direito do Esporte. Compartilhe comentários!!

DR. BAUM: Faz dez anos que sou professor nesta Faculdade de Direito da Universidade de República, Professor Adito do Instituto de Direito Comercial e faz alguns anos após um Mestrado e Pós- grado que fiz no exterior envolvendo «Direito e Gestão no Esporte», acabei fazendo uma proposta nesta Faculdade que ganhou o apoio absoluto do Instituto de Direito Comercial e do Conselho todo da Faculdade de Direito tendo incluído a Cátedra de Direito do Esporte no 6º grau da Carreira de Advocacia. Está certo, Uruguai tem a quarta Faculdade de Direito no mundo, junto com Argentina, Equador e Espanha em incluir esta Cátedra, posicionando á Universidade de República na liderança institucional quanto á educação num assunto que faz parte do dia-a-dia de hoje. A temática da carreira tenta envolver tudo quanto tem a ver com o esporte, ou seja, Direito Laboral, entre esportistas e artistas e o relacionamento com as instituições esportivas ou associações nacionais que eles representam; contratos esportivos, apoios financeiros ou contrato com a tevê; contratos esportivos com sanções, normas públicas com o código penal mas também temos códigos privados como os códigos de penas das federações de futebol e basquete, códigos mundiais como o Código Mundial Anti-dopagem, tudo aquilo que envolve direitos econômicos do esporte, bem mais conhecidos como Direitos Federativos, Direitos de Formação, mecanismos de solidariedade. Este ano foi sucesso total, você percebeu que nos painéis da Faculdade anunciava-se a inauguração da Cátedra com acima de 100 alunos, estamos desenvolvendo o projeto do Mestrado, com apoio político importante, com a participação do Ministro de Esporte, do Presidente e ex- Presidentes da República, as autoridades todas do Ministério de Turismo e Esporte, o próprio Ministro e o Diretor Nacional de Esporte, o Diretor de Coordenação Institucional, o Reitor da Universidade da República tem inaugurado a Cátedra e atividades que temos desenvolvido. Fora que é uma conquista pessoal, trata-se sem dúvida de um objetivo institucional concretizado, tendo posicionado a Faculdade de Direito na vanguarda mundial que se refletiu na imprensa do mundo inteiro. Hoje, o principal site jurídico da Espanha que é www.iusport.es coloca esta manchete como uma das principais notícias do mundo. Aliás, acho que é um orgulho para a Universidade de República.

P: Está querendo dizer mais alguma coisa que não tivéssemos perguntado?

DR. BAUM: Acho que falei muito.

CLUB ATLÉTICO BOHEMIOS – www.bohemios.com.uy

FEDERAÇÕO URUGUAIA DE BASQUETE – www.fubb.org.uy

UNIVERSIDADE DA REPÚBLICA – www.universidad.edu.uy

Gustavo Espiñeira

Correspondente PRAVDA.ru

Montevidéu – Uruguai