Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Após apagão o Timão vence o Racing de Montevideu no GPC: 0 X 2

Corinthians vence o Racing Club de Montevideo 2 x 0 no Grande Parque Central da capital uruguaia e garante liderança no grupo mas procura ficar com o número um na classificação geral desta fase da Libertadores de olho nos mata-mata do futuro. Racing vai ter difícil tarefa para continuar na Taça fora ter que visitar uma igreja em Assunção pedindo o milagre da classificação.

Data: Quarta-Feira 14 de Abril de 2010.

Horário: 21:50

Estádio: Grande Parque Central (pertence ao Club Nacional de Football de Montevidéu)

Lotação: 4 mil pessoas.

ARBITRAGEM: Héctor Baldassi (central), bandeiras: Alberto Casas e Hernán Maidana (argentinos) com camisa e calção amarelo fluo; Quarto árbitro: Advogado Líber Prudente (Uruguai)

ESCALAÇÕES

RACING (0): (01) Jorge «Louco» Contreras (goleiro); (13) Juan Tejera; (19) Jorge Hernández; (17) Ignacio Pallas; (02) Rodrigo Brasesco; (05) Santiago «Vasco» Ostolaza (capitão); (16) Federico Vega; (10) Matías Mirabaje; (11) Líber Quiñones; (18) Martín Cauteruccio; (07) Jorge Casulo.

PLANTÃO: (12) Martín Góngora; (14) Jean Pierre Barrientos; (15) Darío Larrosa; (21) Néstor «Falucho» Silva; (06) Alejandro Reyes; (09) López e (23) Avero.

Treinador: Engº. Juan Verzeri

CORINTHIANS (2): (22) Júlio César (goleiro); (03) Chicão; (4) William (capitão); (05) Ralf; (06) Roberto Carlos; (07) Elias; (09) Ronaldo; (10) Danilo; (17) Dentinho; (18) Jucilei (24) Moacir.

PLANTÃO: (12) Rafael Santos (goleiro), (11) Iarley; (13) Paulo André; (14) Leandro Castan; (20) Defederico; (23) Jorge Henrique e (25) Edú Gaspar.

TREINADOR: Mano Menezes

CARTÕES AMARELOS: (13) Juan Tejera (Racing); (24) Moacir (Corinthians); (23) Jorge Henrique que acabava de entrar em campo (Corinthians).

ALTERAÇÕES: Aconteceram todas no segundo tempo.

RACING: (14) Jean Pierre Barrientos x (07) Jorge Casulo; (09) López x (16) Federico Vega e (06) Alejandro Reyes x (19) Jorge Hernández.

CORINTHIANS: (23) Jorge Henrique x (09) Ronaldo; (11) Iarley x (17) Dentinho e (13) Paulo André x (10) Danilo.

GOLS: 18´ Dentinho e 84´ Elias.

Com certeza que tendo andado os noventa minutos de jogo o destaque nessa noite fria de futebol acabou acontecendo um minuto e cinqüenta segundos depois do apito inicial do árbitro internacional argentino, Héctor Baldassi pois pela primeira vez no histórico do Grande Parque Central os fachos das luminárias do Estádio do Club Nacional de Football de Montevidéu sumiram. O gerador de energia caiu e o apagão acompanhou o espetáculo no decorrer de quinze minutos até as lâmpadas acabassem a folga noctívaga. Na escuridão deu para perceber um facho de luz de uma grande luminária propriedade de um vizinho do Grande Parque Central, num prédio bastante alto das redondezas do Estádio que brincalhão e tanto movimentava o facho tentando que as camarinhas da tevê internacional focassem nessa sua brincadeira.

Ronaldo foi o primeiro da lista dos 22 jogadores que pegou parte do uniforme de treino para esquentar o corpo e logo dar um pulinho até o túnel dos vestiários. Aos poucos ele voltou e continuou com o aquecimento até que as luzes voltaram acima do gramado do GPC.

Os goleiros dos times usaram camisa azul fluo no caso do Júlio César do Corinthians e vermelha, quanto teve a ver com o «Louco» Jorge Contreras. Cores muito bonitos mas são grandes alvos para os falcões dos atacantes rivais.

Os árbitros argentinos junto com os dois capitães, Santiago Ostolaza (Racing) e William (Corinthians) olharam com atenção a moeda em caída livre decidindo logo o vitorioso no sorteio a metade do campo que iam se localizar no primeiro tempo.

Quanto ao jogo, houve justiça no resultado final pois do jeito que sempre acontece nos jogos e de forma especial entre uruguaios e brasileiros , o ponto de inflexão é o gol que logo regula o resto da partida segundo o paladar desse que da a primeira furada nas malhas rivais.

Não tinha acontecido nada fora o apagão até o minuto dezoito que subindo pela faixa esquerda do ataque alvinegro, acontece um cruzamento raso e forte rumo ao eixo da área pequena do Racing que encontra uma chuteira de um zagueiro alviverde quase caindo e dando rebote para o centro da grande área. O Dentinho dava uma de curioso entrando lá na procura dessa bola linda que ficou ao dispor dele. Chutou mesmo, chutou bem forte e foi a primeira alegria para os mil e tantos torcedores mosqueteiros. A cada instante o jogo ia se tornando mais fraco pois o Racing tinha posse de bola mas sem sitiar a grande área rival. Por enquanto, o Corinthians assim que segurava a bola dava algumas carícias nela mas sem penetrar na zona de risco do Racing. Deixando o futebol fluir e o tempo passar.

Ainda na primeira metade, o Ronaldo com sua chuteira imã, procurou uma bola apenas entrando em campo do Racing, na faixa central e num piscar de olhos percebe que o goleiro Contreras está longe da cidadela. Espertinho o camisa nove, chuta alto , estilo parabólico tentando que a bola entrasse por cima do «Louco» que regredia rapidinho para segurar a bola. Ocorreu nada, a melindrosa ficou torcendo pelo Racing no teto das malhas.

Quarenta minutos e uma outra para o Corinthians por conta de uma subida pela faixa esquerda do ataque do Timão que desta vez não é raso encontrando a cabeça do Danilo que após a cabeçada, segura a cabeça e a face com as mãos pois não acreditar ter falhado uma oportunidade dessas.

Na segunda metade, mais uma vez o Dentinho é pesadelo dos zagueiros uruguaios. Apenas dois minutos e um chute raso, forte e meigo dele quase entra para beijar as malhas do Racing mas acabou beijando nada. Bola fora.

Mais dois minutos e uma outra oportunidade na grande área para o Dentinho que logo requebrar duas vezes, ultrapassa o marcador e chuta canhoto, forte e alto. Desta vez um «Louco» estica as mãos e provoca escanteio.

Início ótimo para o Corinthians procurando matar o rival desde o apito inicial do argentino Baldassi. Alguns minutos depois o Racing joga pressão acima da grande área do Timão no decorrer de sete ou oito minutos que após algumas dúvidas do goleiro Júlio César, deu para ouvir da boca de alguns dos torcedores corintianos pertinho de nós, “Goleiro do caralho”. A torcida começava ficar brava com o guardião.

Falta acima do Santiago Ostolaza, fora da grande área alvinegra e na faixa central, cobra o canhoto meia-armador, Matías Mirabaje por cima da barreira e o «goleiro do caralho» que da um toque por cima do travessão. Escanteio para o Racing. Nada aconteceu logo.

O jogo tornou-se com a noite mesma, frio, ruim e triste. Ás vezes dava para dar uma olhada para o céu e perceber por causa dos fachos das luminárias que os pingos da chuvarada continuavam atingindo o relvado, as arquibancadas e as cabeças e os guarda-chuvas dos torcedores. Em um instante tivesse dado para dar um pulo até o disjuntor geral do Estádio e provocar mais um apagão pois o jogo era ruim e tanto.

Logo após alguns minutos o Racing percebeu que sua grande chance de empatar o jogo e visitar o Cerro Porteño paraguaio bem mais sossegado, estava saindo do alcance. Porém logo mais alguns minutos de pressão acima do Corinthians que bem posicionado lá no fundo, ficava no aguado de uma oportunidade só que matasse o Racing para sempre. Tanto procurá-la assim que o num contra-ataque super rápido pela faixa direita do ataque corintiano, alguém lança para o centro da grande área e o Elias começava comemorar após cabeçada enxuta. 2 – 0 foi o resultado final.

00: 50 h da madrugada, o Roberto Carlos que passou do lado da gente no túnel do vestiário alvinegro, foi o último das escolhas do sorteio de anti-dopagem em sair do quarto das amostras. A delegação estava no aguardo dele para sair rumo ao Aeroporto Internacional de Carrasco pois o vôo com destino a Guarulhos (São Paulo) ia decolar ás 4:30 da madrugada, segundo comentários do Assessor de Imprensa do Corinthians, Guilherme Prado, que confirmou que na hora que o jogo acabou, o Aeroporto ainda estava fechado pelo clima ruim das últimas 24 horas que atingiu Montevidéu.

Em uma das primeiras noites frias do ano 2010 em Montevidéu (10º C), pode ter certeza que o apagão foi o principal destaque junto com os 1.200 torcedores que acompanharam o time alvinegro na Arquibancada Principal do Grande Parque Central. A faixa de «Tatuapé», bairro sede do time em São Paulo e uma outra de «Indaiatuba» contornavam aos torcedores do Timão que cantaram o jogo inteiro e deram brilho com luzes da cor rosa que geraram muita fumaça nas redondezas impedindo respirar de jeito normal e incomodando até para assistir o jogo assim que várias juntas foram acessas.

O Racing agora fica no aguardo de um milagre caso vencer o time paraguaio no Estádio «La Olla» de Assunção pois deve vencer com amplia vantagem tentando conquistar uma das melhores 6 segundas vagas dos grupos. Quem sabe se da para alcançar com dez pontos. Do lado do Corinthians segundo o treinador Mano Menezes em uma Rodada de Imprensa nos vestiários e após o jogo, confirmou que além da classificação como líder do grupo agora tem como objetivo ganhar mais três pontos perante o DIM (Deportivo Independiente Medellín) para tentar ficar na cimeira dessa classificação geral da primeira fase da Libertadores, sempre importante nos mata-mata que vão ter na frente a partir das Oitavas.

Foto: Mano Menezes – Treinador do Timão.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai