Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Racing de Montevidéu vence o Junior 2 X 0 no GPC mergulhando na Libertadorees 2010

Racing bem mais conhecida como a «Escolinha» de futebol bonito de Montevidéu, vence o Junior de Barranquilha no Grã Parque Central 2 x 0 conseguindo que um time uruguaio pela primeira vez ultrapasse a Pré-Libertadores. O artilheiro da noite foi o Líber Quiñonez e o Corinthians secular fica no aguardo dos alvi-verdes do bairro Sayago na Libertadores da gema.

Racing Club de Montevideo trouxe empate com sabor a classificação da Colômbia na hora que tinha conseguido furar as malhas do Junior da cidade de Barranquilha em duas oportunidades, deixando-o com a classificação quase no bolso com o resultado do início do segundo jogo nesse mata-mata ou até com empate de 1 x 1. Uma vitória com certeza ia colocá-lo na primeira fase regular da Taça Libertadores 2010 e o sonhos dos torcedores além do planejamento do treinador uruguaio, Engenheiro Juan Verzeri iam se concretizando aos poucos. Passaram 13 minutos do apito inicial do árbitro brasileiro De Oliveira e o meia-armador canhoto Matías MIrabaje subindo pela faixa esquerda do campo e pertinho do ângulo da grande área do Junior chutou forte e raso para o gol colombiano e o guardião uruguaio, Adrian Berbia ajoelhando-se na área pequena não conseguiu encaçapar a bola dando rebote para que o atacante do Racing, Nestor «Falucho» Silva, a roubasse com o bico da chuteira e assim que gerava espaço para furar as malhas foi derrubado pelo braço do Berbia.

Das três arquibancadas habilitadas para o jogo desceu o grito de PÊNALTI !!!

O árbitro De Oliveira enfiou com o dedo apontador rumo ao ponto cruel...a responsabilidade toda por conta do camisa onze, Líber Quiñonez um dos jogadores trabalhando há mais tempo sob o esquema do treinador Verzeri.

Antes do chute do Quiñonez, o goleiro Adrian Berbia, um cara acima de 1,90 m tentou fazer tremer o atacante do Racing ficando em pé do lado de uma das colunas do gol e mudando o esquema da maioria dos goleiros que ficam sempre sossegados no eixo central embaixo do travessão. Quiñonez com certeza fechou os olhos e chutou extremamente forte apenas fora desse eixo do gol. O Berbia nem teve tempo para reagir. Pênalti concretizado e Racing na frente de 1 x 0.

É bom salientar que daquele time de Racing que conquistou a classificação na Pré-Libertadores no Torneio Liguilla uruguaio, muitos jogadores destaques acabaram saindo da turma. O primeiro da listagem foi o gigante de 1,97 m, Sebastián «Toureiro» Balsas, que era o centroavante e agora faz parte do Club Nacional de Football de Montevidéu que também vai participar desta Edição da Taça Libertadores. Juan Pablo Rodríguez, o filho do Presidente do clube, também enfiou a carreira rumo ao exterior faz tempo e nos últimos dias, o lateral esquerdo Ernesto Goñi virou companheiro do Balsas no Nacional e um dia antes do jogo perante o Junior o Andrés Scotti, fundamental na faixa central do campo para o Eng. Verzeri foi embora para o Córdoba da Espanha.

O orçamento do clube fica bem por baixo de qualquer um dos rivais da Libertadores mas até com essa desvantagem pois verba em contratos reflete na maioria dos casos qualidade dos jogadores o Racing de Montevidéu acabou conquistando um alvo que até 2009 foi uma barreira impossível de pular para os times uruguaios, progredir da Pré-Libertadores até a série regular da própria Libertadores.

Houve um Racing campeão da Libertadores em 1967 vencendo na final o Nacional de Montevidéu mas nessa oportunidade foi o argentino do bairro Avelhaneda de Buenos Aires com jogadores com o Alfio Basile e o «Chango» Cárdenas entre os principais destaques da alvi-celeste, o time do ex Presidente argentino Juan Domingo Perón e até do próprio Nestor Kirchner. O Estádio desse Racing portenho foi batizado Juan Domingo Perón em lembrança do ex Presidente que fez muito pelo time. Mais logo o Racing argentino ia vencer o Celtic de Glasgow de 1 x 0 no Estádio Centenario de Montevidéu com gol do Cárdenas de fora a grande área.

Mesmo que o Racing de Montevidéu é conhecido como a «Escolinha» pelo estilo de jogo aprimorado e lindo, a camisa do time embaixo do pescoço dos jogadores fala mais alto: A ACADEMIA, do jeito que é conhecido internacionalmente o Racing argentino.

Voltando mais uma vez no decorrer do jogo de ontem no Grã Parque Central, estádio da Primeira Taça do Mundo e propriedade do Nacional de Montevidéu, os colombianos tentaram progredir em campo com vontade mas sem sucesso pois as poucas oportunidades que conseguiram se aproximar na grande área do Racing, encontraram o goleiro Jorge «Louco» Contreras bem localizado embaixo do travessão, ou as pernas dos zagueiros uruguaios floresceram no gramado e deram uma de barreira para os chutes com destino de gol dos colombianos.

Fora que os jogadores do Racing trabalham sob o esquema preciso do Eng. Verzeri faz quase dois anos além das mudanças dos jogadores, sempre há destaques dentro desse bloco. Indo do goleiro para o ataque, o «Louco» Contreras com a camisa UM do Racing é quase sempre um cara que exprime tranqüilidade para os torcedores fora que arrisca demais.

O zagueiro Ignacio Pallas, que é conhecido no ambiente Sul-Americano pois já tinha vestido a camisa tricolor do Nacional de Montevidéu em edições anteriores dos torneio do continente, enfiou as chuteiras sempre para o lado correto e a bola fora da grande área. Sem erros no decorrer do jogo interior. Como acréscimo para ele, por conta de uma cabeçada enxuta dele no primeiro jogo do mata-mata na Colômbia colocou vantagem para o Racing de 2 x 1 que logo ia empatar o Junior no tempo suplementar.

A faixa central horizontal do gramado é o ambiente para que o Santiago «Vasquinho» Ostolaza faça sua tarefa, um vaivém constante em paralelo á área grande do Contreras impedindo o ingresso dos meias e atacantes rivais na zona de risco máximo. Sem muito cartaz, pegou um pano e vai começando dar brilho ao nome e sobrenome do pai, Campeão de América e do Mundo com o Nacional de Montevidéu em 1998. Um meia estratégico no eixo de 1,90 m que ontem ganhou a faixa verde fluo de capitão no braço esquerdo.

Incomodando os zagueiros e laterais do Junior estiveram o Nestor «Falucho» Silva (21) que foi fundamental no primeiro gol do Racing provocando o pênalti, Matias Mirabaje (10) também fundamental na criação desse pênalti e ganhando quase sempre pela faixa esquerda do campo. Um capítulo especial para o Líber Quiñonez (11) que tentou sempre estragar o esquema colombiano galgando rápido perto da grande área alvi-vermelha.

Ele conquistou o pênalti chutando com força e precisão e quase no finalzinho do jogo em um contra-ataque desde o centro do gramado e subindo pela faixa direita do ataque uruguaio, chutou mais uma vez forte e apenas fora do contato com o gramado marcando o segundo gol sem que o goleiro Berbia conseguisse defender a bola que «quebrou» a mão esquerda do gigante na hora que tentou que o angular do Quiñonez fosse bem mais pequeno.

Chuteiras verde fluo, as únicas que salientaram no esverdeado do Grã Parque Central vestiram os pés do artilheiro Quiñonez ontem na maior façanha internacional do time uruguaio até hoje...agora a caneta fica em propriedade do Eng. Verzeri e sua turma...têm como escrever uma outra página de glória perante o timaço dos «mosqueteiros» de São Paulo, o Cerro Porteño de Assunção e o DIM (Deportivo Independiente Medellin) da Colômbia.

Uns 15 colombianos foram os torcedores do Junior na Arquibancada Principal do Grã Parque Central, que continua evoluindo quanto tem a ver com a construção de arquibancadas de olho no alvo de 30 mil pessoas. Ainda não forma habilitadas mas a graninha que o Nacional vai arrecadar pelo passe do Nicolás Lodeiro para o Ajax da Holanda fará que o projeto seja concretizado daqui a pouco.

Umas 9 mil pessoas acompanharam o Racing no cimento do Estádio. O verde do gramado prolongou-se nas arquibancadas cinza e flâmulas que são ícones para a torcida do Racing foram mostradas para o mundo pela tevê internacional.

Não sou bolso (torcedor do Nacional), nem carbonero (torcedor do Peñarol), eu sempre vou ser cervejeiro. (torcedor do Racing).

O Racing de Montevidéu nasceu no bairro Reducto da capital uruguaia extremamente perto da Fábrica Nacional de Cervejas e do próprio Sindicato dos Funcionários dessa fábrica porém ganhou carimbo de «cervejeiro» nos inícios e mesmo tendo se mudado de bairro em 1940 para o atual Estádio do Parque Osvaldo Roberto no bairro Sayago, acima da Avenida Millán 4712. Com antecedência o time teve como sede a Rua Vilardebó 1306 e Avenida Millán 2761.

O Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – Pacaembu vai ser o próximo grande palco para os CERVEJEIROS uruguaios que quem sabe se aproveitam da velhice desse timaço secular alvinegro e fica bebum.

Parabéns Racing por ter conquistado uma façanha para um time humilde no continente em 2010...uma sugestão apenas para a Diretoria, seria adorável encontrar o time vestido com a antiga camisa branca com três faixas magrinhas verticais em um dos laterais da camisa.

Fotos: Dupla – De esq. á dir. Ignacio Pallas (17) e Santiago «Vasquinho» Ostolaza (05 - Capitão)

O artilheiro da noitada cervejeira, Liber Quiñonez (11) apontado pelos microfones dos colegas de rádio e da tevê.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai