Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Com carimbo uruguaio - Sofrendo Uruguai ganha última vaga na África do Sul 2010

Após a vitória no Estádio Saprissa da cidade de San José de Costa Rica, Uruguai consegue empate com sufoco perante os «ticos» costarriquenses 1 x 1 no Estádio Centenario de Montevidéu e ganha a 32ª vaga na Taça do Mundo África do Sul 2010. Vai ser a 11a participação charrua no maior evento do futebol mundial.

Uruguai junto com o Brasil, são as únicas seleções Sul-Americanas em participar das Taças do Mundo Sub-17 na Nigéria 2009, Sub-20 no Egito 2009 e agora Adulta na África do Sul 2010, que talvez reflitam um processo de trabalho que o Brasil dispõe faz muito tempo mas Uruguai vem montando muito devagar de olho no futuro.

Uruguai acabou participando em dez Taças do Mundo a partir da primeira edição na qual foi anfitrião em Montevidéu inaugurando em 1930 o mesmo Estádio Centenario que ontem foi palco para o jogo uruguaio perante os ticos, vencendo naquela oportunidade á seleção peruana 1 x 0.

A segunda participação foi em 1950 conquistando o maravilhoso Maracanaço tendo na frente a seleção do Brasil que mudou as cores para verde-amarela pelo insucesso desse evento perdendo da final perante os celestes de 2 x 1 suportando uma virada e quanso Brasil precisava apenas o empate para arvorar o caneco de Campeão.

Por enquanto, Uruguai com duas participações nas Taças do Mundo, tinha conquistado dos títulos de Campeão nesses dois evento que só conseguiu atingir a seleção da Itália em 1934 e 1938 como anfitriã e na França, evento que Uruguai desistiu participar tendo grandes chances de continuar nesse roteiro de sucessos que tinha começado em 1930 e continuado em 1950. Por enquanto sanduíche com fatias italianas com pão uruguaio nas quatro primeiras Taças do Mundo.

Em 1954, Uruguai ia conquistar a quarta vaga, perdendo o invicto nas Semis nas Taças do Mundo desde o primeiro jogo perante os incaicos em 1930. Segundo os veteranos uruguaios, a melhor seleção uruguaia da história. Alemanha arvorou o caneco de Campeão pela primeira vez.

1958, na Suécia, ia marcar a primeira ausência uruguaia, perdendo a classificação na primeira Classificatória Sul-Americana perante os paraguaios (pois até a versão 1954 tinha participado como Campeão) e dando o início para o Penta da «canarinha» com a estréia do Edson Arantes do Nascimento (Pelé) com 17 anos.

1962, no Mundial de Chile, Brasil ia repetir o título, se posicionando bem para conquistar em propriedade a famosa Taça Jules Rimet com duas conquistas assim como Itália e Uruguai, que nesse evento cis-andino, não ultrapassaria a primeira fase.

Em 1966, na Inglaterra, Uruguai inaugurou o evento perante os anfitriões empatando 0 x 0 no Estádio de Wembley. O moçambiquenho, «naturalizado português», Eusébio ia ganhar brilho nas Taças do Mundo nesse evento e o Pelé alvo das travas dos rivais sem piedade. Foi em 1966 que o mundo assistiu a uma das maiores vergonhas do futebol até essa data. Nos jogos das Quartas, Uruguai do goleiro Ladislao Mazurkiewicz, do meia Nestor «Tito» Gonçalvez e do artilheiro logo palmeirense Héctor «Lito» Silva jogou perante a Alemanha do «Kaiser» Beckembauer com árbitro inglês e a Argentina do centro avante Luis Artime (bem conhecido no Palmeiras do Brasil á partir de 1967), perante a Inglaterra do Bobby Charton com árbitro alemão. Os europeus saíram vitoriosos com arbitragens que prejudicaram com extrema clareza aos Sul-Americanos. Os ingleses conseguiram a Taça do Mundo nessa edição.

Em 1970, ainda com dezesseis participantes, Uruguai ia ficar mais uma vez com a quarta vaga perdendo a chance de progredir na Final perante o Brasil 3 x 1 que acabou dando uma virada no resultado conquistando o empate no finalzinho do primeiro tempo e mudando o evoluir do jogo. As Semis foram uma maravilhosa vitrine para o evento em si próprio pois três dos quatro membros dessa grade tinham dois canecos ganhos faltando apenas um para conquistar a Taça Jules Rimet em propriedade levando-a nas vitrines da Associação Uruguaya de Football, Federazione di Giocco Calcio ou na Confederação Brasileira dos Desportos que acabou sendo o destino final assim que Brasil derrubou a Itália de Borissegna 4 x 1 num jogo que nem sequer tingiu-se final de nada. Foi a última grande participação uruguaia que nessa época foi julgada como ruim pela imprensa charrua. O treinador foi o cordobês argentino, naturalizado uruguaio, Juan Eduardo Hoberg que como jogador foi o grande destaque na Taça do Mundo Alemanha 1954, chutando uma bola nas Semis que ia vencer a Hungria no final do tempo reglamentar (até esse instante 2 x 2) e na hora que tudo o mundo percebeu que o chute raso ia furar a rede magiar e começavam comemorar o gol, a bola foi amarrada pelo lodaçal na linha de fundo no centro do gol. Logo com jogadores machucados, titulares importantes fora do jogo, os húngaros iam vencer os uruguaios em tempo suplementar 4 x 2. Ainda ouço emocionado com voz rouca e estrondosa ao narrador uruguaio que ainda arrepia minha pele, Don Carlos Solé, narrando os gols do Hoberg nesse jogo, repetindo uma e mil vezes...gol uruguaio, gol uruguaio, Hoberg, Hoberg, Hobeeeerg empatando o jogo logo ter começado 0 x 2.

Em 1974, veio mais uma vez Alemanha sem o Pelé em campo desde a estréia dele na Suécia 1958. Nesse evento mesmo com o Bi conquistado pela Alemanha mais uma vez anfitrião após 20 anos do primeiro evento por eles organizado, o timaço foi a Holanda do camisa 14, Johan Cruyff, os gêmeos Willy e René Van de Kerkoff, Krol, o goleiro camisa 8, De Bleu com aquele piscar de olhos constante embaixo do travessão da Laranja Mecânica que além do Vice-Campeonato, completou o paladar os amantes do futebol mundial. A estréia uruguaia aconteceu perante a Holanda que respeitou demais a cor da camisa celeste pelo histórico que acarreava e a quarta vaga conquistada no México 1970. Ladislao «Chiquito» Mazurkiewicz ia ser o melhor dos uruguaios no gramado e a Holanda só jogou descontraída á partir do apito final da estréia. Mais logo, Suécia venceu dos uruguaios e Uruguai conquistou o único gol uruguaio nessa Taça do Mundo para o empate do Elbio Ricardo «Chivo» Pavoni (jogador do Independiente Campeão de tudo na América nos decênios de 1960 e 1970). Uruguai voltava para casa muito rápido mesmo tendo ganho camisa de seda brilhante nessa edição pela primeira vez, apresentada na prévia pelo Víctor Rodolfo Espárrago em uma reportagem que concretizou o repórter Julio Alonso no programa «A Outra Cara do Mundial». Conhecidos dos brasileiros como Pedro Virgilio Rocha, Pablo Forlán, Luis Alberto Cubilla e do mundo como Juan Masnik; Julio Montero Castillo, Denis Milar, Baudilio Jauregui e Fernando Morena foram parte daquela turma.

1978, na Argentina, foi o grandíssimo fracasso uruguaio nas Taças do Mundo pois acabou ficando fora tendo a sede do lado.. Com rivais que pareciam ter sido escolhidos pelos próprios uruguaios, Bolívia e Venezuela, os torcedores celestes começávamos fazer planos para cruzar o Rio da Prata e Rio Uruguai querendo lotar os Estádios argentinos. A Bolívia deixou a histórica camisa celeste fora da Taça do Mundo mais desejada de todas. Bolívia logo ia perder a chance de classificar numa repescagem perante a Hungria que acabou sendo rival dos argentinos no início. Uruguai acreditou em jogadores novos, muitos campeões Sul-Americanos Sub-20 de Lima 1975 como grande valia mas eram muito novos e acabou não dando certo no final.

Na hora da Espanha 1982, com uma das melhores seleções brasileiras da história do futebol mundial, sem o caneco ganho por ter descuidado o Paolo Rossi três vezes em 90 minutos, Uruguai ficou fora na Classificatória perante a Colômbia e Peru que com uma turma incrível dos Juan Carlos Oblitas, Larrosa, Cueto e Chumpitáz, que eliminaram os uruguaios vencendo-os em Montevidéu 1 x 2 e obtendo a vaga definitiva em Lima com empate 0 x 0 com o Hugo Eduardo De León como zagueiro e o goleiro do Maracanaço, Roque Gastón Máspoli vestindo o uniforme de treinador.

Na segunda versão mexicana do Mundial, em 1986, Uruguai classificou tendo uma estréia ótima pois nos primeiros minutos perante os alemães, o ponta direito, Antonio Alzamendi Casas vestindo a camisa 7, roubou uma bola fora da grande área e com chute enxuto que deu na parte baixa do travessão, acabou quicando só alguns centímetros dentro da cidadela do Tommy Schumacher gerando dúvidas da autenticidade da conquista. Já no final, com os arianos indo de jeito constante rumo ao gol do goleiro Fernando Álvez, conseguiram o empate faltando apenas 4 minutos. Segunda partida foi para esquecer mesmo com resultado com jeitinho de set de tênis 6 x 1 para os dinamarqueses que ficaram na frente 2 x 0 até que o Enzo «Príncipe» Francescoli diminuía por conta da cobrança de um pênalti no final do primeiro tempo. Segundo tempo foi uma cachoeira de desventura e tristeza pois querendo sempre conquistar o empate primeiro e logo absorver as vantagens o negócio piorava a cada instante. Última chance com o Professor Omar Borras como treinador dessa turma foi com a Escócia do loiro Stracham e com o José «Charlie» Batista expulso no primeiro minuto de jogo pelo árbitro galo Joel Quiniou, Uruguai ia passar a primeira fase mas na hora encontrar o rival, topou o Diego Armando Maradona e sua turma na frente perdendo de 1 x 0 com gol do Pedro Pablo Pasculli que aproveitou um erro importante do zagueiro uruguaio Eduardo Acevedo que hoje é o treinador do Nacional de Montevidéu. Segundo um jornalista conhecido da Colômbia, Uruguai era uma trilha sonora maravilhosa mas sem uma batuta apropriada.

1990 na Itália, mais uma turma interessantíssima uruguaia desta vez com o Maestro Oscar Washington Tabárez como treinador logo da vitória do Peñarol de Montevidéu conquistando a Taça Libertadores de América em 1987 com um time muito novo que o enfiou como candidato na seleção. Um Ruben «Principito» Sosa, já como destaque do Real Zaragoza da Espanha e muito respeitado pelos espanhóis que tinham até «medo» pelo estilo de jogo uruguaio naquela estréia, com o meia-armador Michel do Real Madrid como chefão da equipe. Tudo até que o Ruben Sosa teve a cobrança de um pênalti que com chute canhoto e forte movimentou o travessão do Zubizarreta por alguns segundos. A história ia mudar daí para frente como essa «celeste» com o empate 0 x 0 perante a Fúria. Segundo jogo perante os belgas do goleiro Pred Homme, aquele barbudo camisa 2 que logo ia se aposentar, e o grandão canhoto e loiro camisa 11 que foram figurinos em 1986 já. 3 x 1 para os Diabos Vermelhos européios sendo que o único gol uruguaio após o 3 x 0 foi do Pablo Javier Bengoechea vestindo a camisa 16. Sempre há uma última oportunidade e os uruguaios a tiveram perante a Coréia do Sul que foi vencida no tempo suplementar com cabeçada do Daniel «coelho» Fonseca (impedido segundo a tevê brasileira) após a cobrança de uma falta vinda da faixa direita por conta do José «Pepe» Herrera. Hugo Eduardo De Léon, zagueiro titular uruguaio foi um dos primeiros em procurar e abraçar o artilheiro com apenas 19 anos, comemorando o gol que ia classificar aos uruguaios para o jogo perante a Itália que era o anfitrião. Salvatore Schilachi foi a última lembrança uruguaia daquele evento. 2 x 0 para os «azurris».

1994 nos EUA, começaram os problemas do Luis Alberto Cubilla, como treinador uruguaio com os jogadores representados pelo agente Francisco «Paco» Casal. Isso aí foi o encerramento da eliminação assinada com antecedência. No último jogo com a necessidade uruguaia de ganhar perante o Brasil em Maracanã, foi triste, Uruguai não ultrapassou a linha média do campo e o guardião Robert Siboldi foi o grande destaque até que o baixinho Romário começou se ligar. Uruguai ia faltar mais uma vez.

O negócio ia piorar ainda mais pois em 1998 na França Uruguai com o novo sistema classificatória na América do Sul jogando numa série só, ia ficar sétimo porém fora do «Parque dos Príncipes» e suas redondezas.

2002 de olho na Taça do Mundo Japão-Coréia, Uruguai voltou participar tendo conquistado a quinta vaga Sul-Americana e ganhando mais uma chance perante o Campeão de Oceania, que foi Austrália. 0 x 1 na Austrália, 3 x 0 em Montevidéu e mais uma vez no maior evento do futebol mundial. Dinamarca na estréia, 1 x 2 logo aquele gol de placa de fora da grande área do Dario Rodríguez que entrou no ângulo superior-esquerdo do goleiro dinamarquês. Faltando 9 minutos, o camisa 9 rival ia deixar o Uruguai um degrau por baixo. Resultado final 2 x 1 para os vermelhos. O Campeão do Mundo foi o segundo rival e com o Henry expulso no primeiro tempo Uruguai não conseguiu deslocar aquele 0 x 0 no final do jogo. Grande oportunidade feita trem que passou por perto mas Uruguai não o parou para continuar. Terceiro jogo perante Senegal, que no primeiro tempo dava para desligar o aparelhinho da tevê pois os africanos iam na frente de 3 x 0. Houve quase milagre pois o Richard «Chengue» Morales, conquistou o primeiro gol uruguaio andando os primeiros minutos da segunda metade. Quase nos 70¨ o Diego Forlán, ainda reserva, amorteceu a bola com um dos mamilos chutando canhoto rumo ao gol senegalês. Foi golaço do lorinho. Uruguai acabou empatando apenas dois minutos do fim do tempo reglamentar por conta do pênalti chutado pelo Álvaro «Chinês» Recoba. Já no tempo suplementar, um chute ótimo do Gustavo Varela, de fora a grande área encontrou a cabeça de um zagueiro senegalês na linha de fundo impedindo o grito de gol uruguaio que confirmava a virada e a classificação. Essa bola começou cair acho que bem mais devagar que sempre na cabeça do «Chengue» Morales (1,96m) que na hora da cabeçada dentro da pequena área, ainda não sei o que acabou acontecendo pois pifou, errou, quem sabe..a bola não beijou as malhas da cidadela senegalesa por dentro e a classificação foi africana. O treinador Víctor Púa, ainda tem dor no pescoço tentando dar a cabeçada enxuta na banca de reserva, essa que o Chengue errou.

2006, mais uma vez Alemanha a sede do maior evento futebolístico mas desta vez sem Uruguai no gramado como tinha acontecido em 1954 e 1974. Mais uma vez quintos na América do Sul e mais uma briga com os «cangurus» australianos só que nesta oportunidade com o John Travolta na arquibancada de lá os Aussies venceram os uruguaios 1 x 0, o mesmo resultado que Uruguai obteve em Montevidéu, porém encaminhando pênaltis que acabaram com a conquista do grandão Viduka encaçapando a bola na rede uruguaia e carimbando passaporte na Alemanha.

A história continua agora com Uruguai classificado mais uma vez da mão do Maestro Tabárez como aconteceu em 1990 na Itália.

Quanto ao jogo de ontem no Estádio Centenario, foi estratégia pura que ia se confirmando a medida que o jogo ia progredindo.

É bom salientar que houve confirmações super importante para Uruguai ontem á noite pois o Nicolás Lodeiro (14) jogando como meia-armador foi grandíssimo jogador até que foi substituído no segundo tempo. Um drible canhoto e ótimo, sempre com o alvo do gol rival foi a supressa no gramado do Centenario lotado. Mais uma vez o chefão Diego «canário» Lugano foi uma parede no final da quadra de ataque dos costarriquenhos e o Diego «russo» Pérez um ícone do estilo do futebol uruguaio galgando o relvado todo no decorrer dos 90 minutos. Scotti um cara super sério e simples sendo fundamental pelo segundo gol conquistado perante a Colômbia em Montevidéu e o lance de ontem para o gol uruguaio. O goleiro Fernando Muslera, acabou fazendo pouso na cidadela uruguaia na hora que os erros tinham ancorado na pequena área uruguaia, mudando apenas os proprietários dos insucessos: Fabian Carini (Atlético Mineiro), Sebastián Viera (Villarreal) e Juan Guillermo Castillo (Botafogo).

O pretinho Álvaro «Palito» Pereira, pela faixa esquerda num sobe e desce constante abriu uma nova chance de progredir em campo rumo ao gol rival. Na outra beira, o Maximiliano «Macaco» Pereira, numa tarefa correta no decorrer da classificatória toda. Sebastián Eguren com o mesmo conceito dele, com dois gols importantes perante os colombianos na Colômbia e em Montevidéu. Os outros zagueiros que tomaram parte do time foram Diego Godin que impõe respeito junto com o Lugano na última linha uruguaia e nos últimos jogos o Mauricio Victorino.

Quanto tem a ver com atacantes, os pontas uruguaios mais famosos como o Luis Suárez de jeito específico é o artilheiro da Liga Holandesa mas fora o empate perante os equatorianos na altura de Quito, nos últimos jogos não tem participado como o faz a cada fim de semana na Holanda. O Diego Forlán é o craque desta geração uruguaia com avaliação da torcida. Fora isso, ele já foi”Chuteira de Ouro” na Europa faz alguns meses além de «Pichichi» (maior artilheiro) na Liga Espanhola com o Athletic Madrid e alguns anos antes também «Pichichi» com o Villarreal vencendo nas duas oportunidades o Samuel Etoo. Agora não está ganhando cabeçalhos nos jornais mas vai continuar sendo o grande craque da seleção uruguaia. Quanto aos artilheiros, tem períodos bons e dos outros....agora estão andando no vale e o topo da montanha está longe ainda.

Um baixinho super importante rumo ao Mundial é o jogador do Banfield da Argentina, Sebastián Fernández que está sendo um dos destaques do time no Torneio Argentino mantendo-o na cimeira do Campeonato, Um jogador com drible incrível que vai ser uma peça extremamente na engrenagem uruguaia no mínimo para dar viradas e fazer tremer aos zagueiros rivais vindo do plantão. Mesmo assim da para acreditar nele no time titular.

Mas Uruguai acabou carimbando o passaporte na África do Sul 2010 pois tem um cara maluco, extremamente maluco que com 1,93 m de altura, que deu aquele pulinho de jogador de basquete do Club Trouville de Montevidéu no garrafão batendo a bola com uma cabeça e marcando a vantagem quase final perante os costarriquenhos. Um artilheiro que fica no aguardo da chance desde a banca de reserva, que contribui nas concentrações, que da uma de conselheiro dos mais novos e torna-se mais um da Comissão Técnica mesmo não tendo nada a ver ainda. Uma menção especial para o Martín «Careca» Cáceres que com título de Campeão da Europa com o Barça da Espanha agora vai ganhando uma vaga na Juventus da Itália. Ele é muito ágil, bem sucedido e vai ser um dos melhores da África do Sul 2010. Álvaro «magrinho» Fernández é mais um jogador diferente ao estilo uruguaio e serve para aliviar situações difíceis driblando e mantendo posse de bola.

Daqui a duas semanas vamos ter o sorteio dos grupos do Mundial no qual Uruguai vai jogar perante uma seleção cabeça de grupo que não seja Sul-Americanos (Brasil e Argentina), um européio, um da Ásia. A Taça do Mundo vai ter sua estréia na Sexta 11 de Junho encerrando Domingo 11 de Julho. Só «apenas» oito jogos para chegar na cume, e todos imaginam-se bracejando a bandeira da pátria e o caneco de Campeão um mês depois do início.

JOGO: URUGUAI 1 x COSTA RICA 1

Estádio Centenario de Montevidéu - Uruguai

Data: Quarta 18 de Novembro de 2009

Lotação: 53 mil ingressos.

Hora: 21 – Temperatura: 16°C

ÁRBITROS: Massimo Bussacca (Central – 06 Fev 1969 - Suíça); Bandeirinhas: Matthias Arnet (02 Jun 1968 – Suíça) e Manuel Navarro (19 Dez 1973 – Suíça) árbitro no plantão: Carlo Bertolini (16 Set 1965 - Suíça).

ESCALAÇÃO URUGUAI: (01) Fernando Muslera (Lazio – Itália – Goleiro – 16 Jun 1986 – 1,90m); (06) Andrés Scotti (Argentinos Jrs. – Argentina – 14 Dez 1975 – 1,83m); (02) Diego Lugano (Fenerbahce – Turquia – Capitão – 02 Nov 1980 – 1,87m); (03) Diego Godin (Villarreal – Espanha – 16 Fev 1986 – 1,86m); (11) Álvaro Pereira (Porto – Portugal – 28 Nov 1985 – 1,82m); (15) Diego Pérez (Mónaco – França – 18 Mai 1980 – 1,76m); (14) Nicolás Lodeiro (Nacional - Uruguai – 21 Mar 1989 – 1,73m); (16) Maximiliano Pereira (Benfica – Portugal – 08 Jun 1984 – 1,73m); (08) Sebastián Eguren (Villarreal – Espanha – 08 Jan 1981 – 1,86m); (09) Luis Suárez (Ayax – Holanda – 24 Jan 1987 – 1,82m); (10) Diego Forlán (Atlético Madrid – Espanha – 19 Mai 1979 – 1,78m).

PLANTÃO: (12) Juan Guillermo Castillo (Botafogo – Brasil – Goleiro – 17 Abr 1978 – 1,82m); (04) Mauricio Victorino (Universidad de Chile – Chile – 11 Out 1982 – 1,80m); (05) Walter Gargano (Nápoli – Itália – 27 Jul 1984 – 1,68m); (17) Álvaro González (Nacional – Uruguai – 29 Out 1984 – 1,76m); (13) Sebastián Abreu (Aris Salónica – Grécia – 17 Out 1976 – 1,93m); (07) Álvaro Fernández (Vitória Setúbal – Portugal – 11 Out 1985 – 1,85m) e (18) Sebastián Fernández (Banfield – Argentina – 23 Mai 1985 – 1,67m).

COMISSÃO TÉCNICA:

TREINADOR: Oscar Washington Tabárez (03 Março 1947 – estréia na seleção – 09 Ago 1988) - Treinador Adito: Mario Rebollo; Treinador goleiros: Celso Otero (Goleiro reserva no México 1986); Preparador físico: Professor José Herrera; Chefe Médico: Dr. Alberto Pan; Médico: Edgardo Barbosa; Fisioterapeuta: Walter Ferreira; Ropeiros: Edgardo Di Mayo e Guillermo Revetria; Chef: Aldo Cauteruccio; Chefe Segurança: Miguel Zuluaga; Gerente Esportivo: Eduado Belza; Funcionário Administrativo: Miguel Neira; Secretário de Imprensa: Matías FaraL; Adito de Imprensa: Álvaro Núñez.

ESCALAÇÃO COSTA RICA: (01) Keilor Navas (goleiro); (03) Luis Antonio Marin; (04) Michale Unaña; (05) Celso Borges; (10) Walter Centeno; (11) Bryan Ruiz; (13) Roy Miller; (14) Christian Bolaños; (15) Junior Díaz; (16) Víctor Núñez e (17) Pablo Herrera.

PLANTÃO:; (18) Ricardo González (goleiro); (02) Ángel Sirias; (06) Michael Barrantes; (07) Rolando Fonseca; (08) Christian Montero; (09) Álvaro Saborio; (12) Douglas Sequeira

TREINADOR: René Simões (brasileiro)

CARTÕES AMARELHOS: (14 – CR) Christina Bolaños; (13 – CR) Roy Miller

ALTERAÇÕES: (06 – CR) Michael Barrantes x (05 – CR) Celso Borges; (07 – CR) Rolando Fonseca x (16 – CR) Víctor Núñez; (13 – UY) Sebastián Abreu x (09 – UY) Luis Suárez; (09 – CR) Álvaro Saborio x (03 – CR) Luis Antonio Marin; (04 – UY) Mauricio Victorino x (06) Andrés Scotti; (07 – UY) Álvaro Fernández x (14 – UY) Nicolás Lodeiro.

Do jeito que sempre acontece com a seleção uruguaia jogando no Estádio Centenario, fica amarrada e além de ter a iniciativa toca na frente mas não concretiza no gol rival. Por enquanto a maioria dos rivais como aconteceu ontem á noite com os costarriquenhos tem duas chances e são perigosas para o goleiro «celeste».

No segundo tempo foi bem mais estratégico que o primeiro. Um gol poderia ser importante para Uruguai mas bem mais para os ticos que caso concretizarem, iam conseguir empatar o resultado global de 1 x 1 indo para tempo suplementar e logo pênaltis. Então dava para perceber que assim que os uruguaios tinha a cobrança de uma falta favorável, só três o quatro jogadores iam na grande área tentando vencer o goleiro tico. Os contra-ataques eram bem-vindos para os uruguaios que não iam arriscar demais. Nessa mesma situação os ticos deixaram perto daqueles poucos jogadores uruguaios uns sete ou oito jogadores pois tinha certeza que caso chegar o primeiro grito de gol uruguaio, o negócio ia ficar muito difícil tendo que furar duas vezes as malhas charruas.

Assim que o Sebastián «Louco» Abreu entrou em campo, no eixo dos 20 minutos da segunda metade, teve uma oportunidade ótima para furar a rede pulando alto no ponto de cobrança dos pênaltis após um lance vindo da faixa esquerda por conta do Diego Forlán. Se a faixa da cabeça não tivesse amarrado seu cabelo, a gol teria acontecido.

Três minutos depois daquela chance, mais uma após uma tabelinha que montaram o Nico Lodeiro e o Andrés Scotti na faixa direita do ataque. Acabou sendo o Scotti quem fez lance perfeito apontando na cabeça do Louco Abreu que dando mais um pulo desta vez machucou a malha do goleiro Keilor Navas. Uma vantagem que parecia difícil de absorver para qualquer um dos que ficamos nas arquibancadas do Estádio Centenario. Os únicos que acreditaram no empate foram os ticos que quatro minutos depois do grito do Louco Abreu, encontrou o centro-avante Saborio chutando uma bola rasa que deu na chuteira do Lugano, que cuidava dele e na hora do rebote, percorreu a faixa central da grande área até se topar com a chuteira do capitão Walter Centeno que chutando raso e forte, quebrou a resistência do goleiro Muslera.

1 x 1, uma força extra para os ticos que ficavam mais perto do objetivo de classificar na África do Sul. Foi nessa hora que o olhar do estádio mudou o facho, ficando na banca de reserva dos visitantes pois abriu-se uma briga entre os reservas e alguns jornalistas uruguaios que faziam cobertura quase do lado. Socos pra lá e pra cá até que os policiais arrumaram a situação distribuindo-se em duas fileiras que contornavam a banca. Desse jeito assim o jogo deu uma resfriadinha em favor dos uruguaios mesmo não sabendo qual foi o responsável pelo início dessa briga.

Foram quase mais sete minutos de tempo suplementar até que tendo atingido os 52´03” o árbitro poliglota suíço Massimo Busacca acabou apitando o final e gerando o descontrole dos uruguaios no gramado e nas arquibancadas.

Na hora da Rodada de Imprensa, o primeiro foi o treinador brasileiro dos costarriquenhos, René Simões quem abriu seu discurso falando que houve malícia nos jornalistas uruguaios que provocaram a briga após o empate dando uma resfriada no jogo. Isso não acontece na Costa Rica, sim acontece no Brasil mas podem ter certeza que em Costa Rica não acontece....poderiamos ter feito perante os EUA para classificar e ziguezaguear esta repescagem mas não aconteceu, confirmou logo o treinador.

Como resposta á pergunta da repórter do Canal 10 de Montevidéu, Ana Inés Martínez, perguntando para o Simões se achou que poderia ser uma chance boa para ele de dar um Maracanaço com seleção tica, o Simões respondeu que com certeza a moça uruguaia teria ficado muito nervosa na hora que o centro-avante Saborio entrou pela faixa esquerda da grande área para chutar no gol...foi apenas para fora mas com certeza poderia ter acontecido um Centenariaço. Após as cinco perguntas, o Simões acabou parabenizando aos uruguaios que classificaram na África do Sul 2010. Logo veio uma outra pergunta lógica de um jornalista. Porque o centro-avante Saborio que tinha sido titular no Estádio Saprisa de San José de Costa Rica não participou do jogo.

Ele respondeu que o Saborio gosta brigar em campo e esse é o estilo de jogo que gostam os zagueiros uruguaios como o Lugano. O Lugano não gosta do estilo do Luís Fabiano que mexe pelas diagonais, ele prefere briga, porém não acabei incluindo-o nos onze titulares, remarcou o treinador brasileiro.

Logo veio a vez do Maestro Tabárez, treinador uruguaio que respondeu mais cinco perguntas. Uma dessas, a quarta deste correspondente do PRAVDA.

Foi deste jeito assim: Gustavo Espiñeira – JORNAL PRAVDA – Maestro: Vai viajar para o sorteio dos grupos no início de Dezembro? Mais uma, O objetivo na Taça do Mundo é ultrapassar o grupo do início. Quanto a primeira pergunta, ele confirmou que a FIFA convida uma turma uruguaia para o sorteio e quanto á segunda, disse que o objetivo foi concretizado classificando para o Mundial mas como foi que a seleção classificou, é a imprensa a responsável de refletir o que aconteceu.

No final o Maestro mostrou extrema felicidade pela classificação pois sabe que as crianças até oito anos não conhecem o que foi a participação uruguaia no Japão-Coréia 2002 e aqueles que ultrapassam os 12 anos, apenas se eles conseguem lembrar de alguma coisa.

Tabárez também confirmou que as mudanças devem ser feitas gradativamente e Uruguai ficou pela primeira vez com a possibilidade de classificar na África do Sul 2010 sem participar da repescagem se tivesse vencido em Montevidéu a seleção argentina. Negócio que sabe não aconteceu mas a chance existiu.

É verdade que Uruguai, na hipótese que futebol virasse boxe, poderia ter ganho a classificação sem aquele sufoco. Também é bom remarcar que sufoco é parte do convívio esportivo dos uruguaios. Não tem nada simples a fazer com mão de obra uruguaia.

Na hora das comemorações dos jogadores, foi no decorrer da Rodada de Imprensa que ela começou e só alcançamos tirar fotos do chefão Lugano indo para o ônibus da seleção que ia levá-los na Concentração «Uruguai Celeste» perto do Aeroporto Internacional de Carrasco. O resto da turma dentro do ônibus estava pulando e batendo o teto com as mãos e aquelas que ficaram livres foram destinadas a puxar as rolhas das garrafas de champanha que logo daquela grande sacudida segurando a boca do gargalo deixavam o liquido espirituoso explodir de face na torcida e os jornalistas que ficáramos mais perto. Camisas e tudo quanto tiverem nas poltronas do ônibus, os jogadores jogavam como presente aos torcedores que reclamaram uma lembrança da classificação. O Sebastián «Louco» Abreu como sempre com a camarinha acessa focando tudo quanto tinha de bom para poupar na gaveta das lembranças de olho na velhice que vai curtir com alegria, como a própria vida dele.

É bom fazer um comentário quanto á briga que aconteceu nas redondezas da banca de reservas costarriquenho. Um dos jornalistas envolvidos nesse ida e volta pouco elegante foi o conhecido «careca» Miguel Pastorino, repórter da TENFIELD sempre do lado das bancas visitantes e no mínimo que eu saiba, sem problemas até agora. Numa reportagem para uma rádio uruguaia tendo encerrado a Rodada de Imprensa do Maestro Tabárez, o Pastorino confirmou que os reservas costarriquenhos tinha segurado mais de uma vez seus genitais mostrando-os para a torcida uruguaia na arquibancada. Aliás, eles já tinham mostrado para os torcedores uruguaios o dedo maior para cima, que no ambiente internacional fica ruim mesmo. Até aí, tudo ótimo, da para entender num jogo quente mas na hora que aconteceu o empate costarriquenho, fora ter xerocado tudo mais uma vez, um reserva cuspiu na camarinha de um colega do Pastorino, negócio que o câmara não agüentou e tudo acabou acontecendo do jeito que aconteceu.

Quanto tem a ver com o hino uruguaio no início do jogo, pela primeira vez na história foi cantado pelo conhecido homem do Carnaval uruguaio, de jeito específico MURGA, o Freddy «Canhoto» Bessio que com certeza terá tido o maior orgulho na hora de vociferar o hino da pátria perante 57 mil pessoas. É bom salientar que trata-se de uma das melhores vozes nem só do atual Carnaval uruguaio senão do histórico do Carnaval uruguaio e poderia concorrem em qualquer palco do mundo com sucesso mas a versão carnavalesca e muito duradoira foi até muito doce para o meu paladar. Hino é um dos símbolos pátrios, como é a bandeiras ou o escudo que não sofrem alterações no decorrer de mais de um século. O hino fica fora desse esquema dos símbolos? Não foi uma versão que gostei para um espetáculo esportivo mesmo que posso aceitar que o meu não é o único olhar quanto ao assunto.

ESPN BRASIL e SPORTV BRASIL mostraram sua cara no Estádio Centenario. De longe, muito longe, a Rede de Tevê norueguesa TV 2 – www.tv2.no com o jornalista Kristian Oma como repórter montou seu projeto de trabalho no mítico Centenario de Montevidéu.

Foto: (De esq. á dir.) Diego «Canario» Lugano, capitão com raça da seleção uruguaia e ex são-paulino e o Sebastián «Maluco» Abreu, centro-avante da cidade de Minas – Uruguai. Os dois furaram as redes costarriquenhas, em San José e Montevidéu com um gol cada.

Gustavo Espiñeira

Correspondente PRAVDA.ru

Montevidéu – Uruguai