Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Henry Giménez – as camarinhas da tevê e as pancadas pousaram-se nele no estádio cruz-serrano

A camisa onze do River Plate de Montevidéu, Henry Giménez acabou sendo o imã das câmaras das redes da tevê dos noticiários do mundo inteiro pois levou pancada de um torcedor foragido do Blooming da Bolívia nas costas e na nuca no decorrer do jogo pela Taça Sul-Americana.

Mesmo que pareça incrível, no início do século XXI em um espetáculo organizado pela Confederação Sul-Americana de Futebol, o meia-armador e cérebro dos alvi-vermelhos uruguaios foi agredido por um torcedor do Blooming da Bolívia no próprio gramado do Estádio «Ramón Tahuichi Aguilera» da cidade de Santa Cruz de la Sierra no decorrer da segunda metade do jogo pela Taça Sul-Americana. Ainda surpreso fala do fato nas redondezas do Estádio «Federico Omar Saroldi» do esverdeado bairro do Prado.

O atual Club Atlético River Plate, nasceu como River Plate Football Club que na era amadora até 1932 conquistou o caneco de Campeão Uruguaio. O time surgiu como união dos clubes Olimpia e Capurro, os dois com sede na Cidade Velha de Montevidéu no início do século retrasado. Aliás, é a segunda participação em cordão do time na Sul-Americana.

Nem beijoqueiro, nem caras nus caíram em campo tentando atrair o facho da camarinha da tevê e dos pagantes do estádio sem riscos para os vinte e cinco destaques. Foi um maluco apenas que deu uma de boxeador no jogo entre cruz-serranos e montevideanos que poderia ter sido até um assassino.

Com gol do Federico Puppo após um erro do goleiro boliviano querendo segurar a bola num escanteio do River Plate, o jogo tinha os uruguaios na frente de 1 x 0 até que o insucesso do torcedor aconteceu no minuto 67. A partida foi suspensa pelo árbitro em uma atitude lógica e o Tribunal da CSF que mexe nesses assuntos acabou confirmando a vitória do River Plate perante o Blooming decretando o resultado final de 3 x 0 favorável para os uruguaios.

Mesmo que trata-se de um jogo mata-mata de 180 minutos e jogaram-se apenas 67 (90) é extremamente difícil que os bolivianos consigam dar uma virada nos últimos 90 no Estádio Centenario de Montevidéu. Embora, a história desse jogo ainda não foi escrita e vamos ter que esperar até Quinta 27 de Agosto ás 22:15 h para conhecer o rival do vencedor do jogo Vitória da Bahia e Coritiba.

Só agora pode conferir a reportagem.

PRAVDA : Percebeu que semana passada você acabou sendo o jogador de futebol mais famoso do mundo por causa das imagens que mostraram aquela agressão do torcedor do Blooming?

HENRY : Tenho consciência absoluta da brutal agressão que acabei levando nesse jogo e o instante ruim que eu tive que agüentar além dos nervos dos parentes aqui no Uruguai pois foi imprevisível. Um torcedor isolado que entrou em campo correndo uns 40 metros sem ninguém que o segurasse até atingir o alvo dele que acabei sendo eu. Felizmente, não entrou com faca nem coisa semelhante que pudesse ter me ferido grave. Tudo acabou numa agressão que deu para me recuperar de jeito rápido e esse foi o fim da história.

P : Na verdade, o que aconteceu? Houve soco? o cara deu uma de boxeador? Alguém gritou para ti que ele estava se aproximando?

HENRY: No início, acabei levando um golpe forte na nuca e uma joelhada do agressor nas costas. Não sabia o que estava acontecendo pois eu tinha prestado atenção á bola que estava sendo voltada em campo desde a faixa lateral. Regredi no gramado dois passos apenas e acabei ganhando uma pancada na nuca e nas costas que fiz que eu caísse no relvado. Assim que comecei me derrubar achei que o responsável dessa agressão poderia ter sido o encarregado da minha marca mas nunca tivesse imaginado que fosse um torcedor que mergulhou no gramado para me agredir. O mais importante foi que os seguranças deixaram ele progredir no gramado desde a arquibancada mas logo na hora seguraram ele direto.

P : Segundo teu sentimento, acha que a tevê ao vivo acabou sossegando ou deixando bem mais nervosos aos teus parentes?

HENRY : Todos os meus parentes e amigos, ficaram extremamente nervosos pelo fato até que eu consegui entrar em contato com eles. Estavam muito longe do Estádio e a camarinha central da emissão do jogo não refletiu nada daquilo que tinha acontecido. Uma outra câmara com facho diferente conseguiu registrar o que acabou acontecendo, o ponto de saída do torcedor desde a arquibancada e a percorrida toda até me atingir. Logo liguei para minha família tentando sossegar eles confirmando que tudo estava ótimo pois assim que mergulhamos no túnel rumo ao vestiário houve uma artilharia de coisas acima de nós que a tevê tinha mostrado.

P : Quanto ao jogo, tinha sido difícil até esse instante? Houve agressões?

HENRY : Com certeza, o jogo estava duro, tem que levar em consideração que eles foram os anfitriões mas acho que a partida estava ocorrendo de jeito normal pois trata-se de uma Taça Internacional que são sempre dificílimos fora de casa. De nosso lado, ninguém provocou aos torcedores na arquibancada porém não dava para imaginar que isso acabasse acontecendo. Até esse instante foi um jogo que poderíamos carimbar como típico internacional mas só isso. Primeiro veio o gol do River Plate, logo mais uma jogada na qual participei com risco perto da cidadela do Blooming e o próximo degrau da escada foi a tal agressão. Juro, não dava para imaginar!!!

P : Na hora que o jogo foi suspenso pelo árbitro, alguém da Diretoria do Blooming deu aquele pulinho até o vestiário do River Plate pedindo que os desculpasses?

HENRY : Ninguém entrou em contato comigo mas quem sabe são eles os que teriam que pedir desculpas. Acho que acabou sendo mais chocante para eles do que para mim. Se o jogo tivesse continuado, poderiam ter conquistado o empate primeiro e a vitória logo. Nem sei se eles são os responsáveis pela agressão, tinha muita torcida lá no Estádio e nem sempre pode-se conter cada um dos torcedores. Acho que a lotação foi de 10 mil e fora esse torcedor, o resto estava torcendo da forma que sempre acontece neste tipo de torneio. O resto acabou curtindo uma festa de futebol.

P : Faz pouco tempo foste seduzido por uma proposta de Portugal, não é?

HENRY : Dois anos atrás tive uma possibilidade no México, logo algumas da Europa mas nada acabou se concretizando, ainda estamos aqui no River Plate de olho nesta Sul-Americana e o Torneio Uruguaio que vai começar semana que vem. Tento aprimorar o meu jogo a cada dia procurando ganhar uma possibilidade para emigrar logo. Por enquanto, foco-me neste River.

P : Caso passar este mata-mata na Sul-Americana, conhece os possíveis rivais?

HENRY : Olha aí, acho que com o vencedor do jogo entre os times brasileiros, Vitória e Coritiba. Eu assisti o primeiro jogo que o Vitória venceu de 2 x 0 em casa. Os dois são rivais duros e tanto, do estilo brasileiro mas para aí que o nosso primeiro degrau é ultrapassar o Blooming no Estádio Centenario . Não estou querendo me surpreender mais uma vez, mais logo vamos ter tempo para planejar de olho nestes dois times brasileiros. Vamos ter que ficar muito concentrados para progredir na Taça perante qualquer um deles.

P : Achou que o Vitória é melhor do que o Coritiba na hora da avaliação do resultado final?

HENRY : Sabe o que, tratou-se de um jogo muito equilibrado. Acho que o Vitória conquistou os gols, esses que contagiam á torcida em casa e o Coritiba não. No outro jogo acho que o Coritiba vai vencer só que não posso chutar se vai absorver esses dois gols de diferença. Mais uma vez vou te repetir, nosso primeiro alvo é ultrapassar o Blooming, os brasileiros só vão vir logo caso continuarmos na Sul-Americana.

P : Fora a classificação ou não do River na próxima rodada da Sul-Americana, ficou cativado pelo estilo de jogo de alguns jogadores do Vitória e o Coritiba?

HENRY : Todos os jogadores brasileiros são de grande qualidade técnica e até no físico. As quadras parecem ter bem mais superfície mas é incrível quanto eles galgam pelo gramado, do jeito que eles tocam a bola, Não vou descobrir nada, trata-se de times brasileiros, isso aí só fala mais alto.

P : Nesse processo da seleção uruguaia que treina o Maestro Washington Tabarez, acabou tendo sua oportunidade, não é?

HENRY : Felizmente tive minha oportunidade já. Joguei duas partidas de confraternização com a seleção da Turquia e da Noruega; na Classificatória rumo a África do Sul 2010 tive minha chance na turma perante a Venezuela e o Peru. Foi o maior orgulho para mim até agora e tomara consiga xerocar no futuro, bem melhor se fosse daqui a pouco perante o Peru em Lima e a Colômbia em Montevidéu pois Uruguai tem muitos desafios importantes na frente.

P : Qual é aquele grande jogador que teve como espelho desde o início da tua carreira profissional?

HENRY : Tem muitos jogadores de qualidade no mundo todo e os brasileiros tem esse acréscimo que os «vestem» sempre como grandes destaques. Kaká para mim é um grandíssimo jogador e profissional. Como referência uruguaia o Álvaro «Chinês» Recoba foi um destaque mesmo que agora não está na cimeira. Um jogador que tem esse diferencial quanto ao resto. Na posso me esquecer do Cristiano Ronaldo que além de popular trata-se de um grande jogador. Adoro assistir aos jogos nos quais o Cristiano Ronaldo faz parte pois, ele é proprietário de uma magia especial e fora isso, prodiga-se em campo de jeito único. O argentino Messi. Daria para continuar mas ao meu ver, esses são os craques internacionais hoje.

P : Tiro conclusões e... o Real Madrid pode conquistar todos os canecos da temporada, com essa parceria do Kaká e o Cristiano Ronaldo vestindo a mesma cor de camisa?

HENRY : Tomara para os «Cremes» de Madri der para concretizar essas promessas no gramado. Nem sempre juntar no mesmo time os melhores craques do mundo é sinônimo de sucesso, acabou acontecendo com o próprio Real Madrid. É bom lembrar que futebol continua sendo uma parceria de todos os membros do time, são muito poucas as oportunidades que os craques isolados conseguem sucesso.

P : Qual é o estilo de jogo você gosta bem mais para continuar tua carreira fora a divisa uruguaia? O brasileiro vá de mãos dadas com o teu próprio estilo?

HENRY : Se lembra, já tinha dito que o futebol brasileiro é muito agradável, com extrema dinâmica e quanto tem a ver com técnica e físico. Porém ser parte desse futebol seria uma escolha boa pois sempre exprime qualidade, o negócio é absorver tudo.

P : Compartilhe conosco o seu Currículo?

HENRY : Nasci num povo do interior do Departamento (Estado) de Durazno, aqui no Uruguai, o dia 13 de Março de 1986, comecei jogar futebol sendo criança no eixo dos 5 ou 6 anos em vários times daquela cidadezinha, o Santa Bernardina, o Artigas e o Central. Tendo completado 15 anos fui parte da Seleção de Durazno ficando mais um ano lá. Um ano depois ancorei no futebol de Montevidéu no Centro Atlético Fénix e fiz minha estréia com 18 anos. Minha carreira logo continuou no decorrer de um ano no time Tacuarembó Fútbol Club e faz dois anos e meio que faço parte do River Plate que acabou sendo minha decolagem, brigando pelos canecos dos torneios e tendo participado ano retrasado e nesta atual edição da Taça Sul-Americana, tendo arvorado o caneco do artilheiro de um torneio uruguaio.

P: Sempre sob a vistoria do Juan Ramón Carrasco como treinador principal ainda no Fénix?

HENRY : Juan já não estava como treinador daquele Fénix que participou da Taça Libertadores. Os meus treinadores foram Miguel Ángel Piazza (Campeão da Libertadores de América e da Intercontinental como jogador no Olimpia de Assunção em 1979) , Miguel Ángel Puppo (Campeão Uruguaio em 1976, quebrando esse ida e volta constante entre os grandões uruguaios, o Jorge «Culaca» González, logo Juan Carlos Carrasco, o filho do Juan Ramón no Tacuarembó y o último Carlos Manta também nesse time.

P : Obrigado Henry por ter compartilhado os teus comentários com os leitores do PRAVDA LUSÓFONO.

HENRY : Imagina, fico ao dispor de você e do JORNAL sempre.

Gustavo Espiñeira

Correspondente PRAVDA.ru

Montevidéu – Uruguai