Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Nacional de Montevidéu: Aniversário

Em um país como Uruguai que tudo quanto acontece é por acaso, sem planejamento e pior ainda na hora que envolve história pois ninguém tira benefício financeiro, o PRAVDA continua descobrindo marcações no histórico do esporte «charrua» e repassa para que o povo «tricolor» mínimo lembre-se deste fato e se for com comemoração e placa honorífica, bem melhor. O dia 14 de Abril de 1934, vão se lembrar (nem sabemos ainda se comemorar) 75 anos que o Nacional abria as portas da nova sede na Avenida 18 de Julho 1746 entre as travessas Gaboto e Magallanes.

Neste caso que com certeza ninguém pode falar do fato hoje pois caso haja alguém era criança nessa data e sem possibilidades de refletir tudo quanto aconteceu, é bom transcrever o que o Jornal El Ideal (O Ideal) de Montevidéu mostrava naquela matéria do tablóide.

Na página 4, da Terça 10 de Abril de 1934 o cabeçalho da matéria era o seguinte:

NACIONAL GANHA NOVA SEDE NA 18 DE JULHO E GABOTO.

Trata-se de uma mansão extremamente confortável.

Faz um tempão que os sócios do Nacional tinham como objetivo mudar a sede do clube, pois a que tinha faz alguns anos debruçando á Praça Independência carecia de espaços confortáveis, até o mais essencial, levando em consideração que trata-se da entidade do Parque Central. A nova Diretoria recebendo o sentimento dos sócios, apertou o passo, resolvendo o problema deles, e adquirindo uma nova sede localizada na esquina da Avenida 18 de Julho e a rua Gaboto, em uma região lotada de privilégios. Trata-se então de um casarão no qual os sócios «albos» (quer dizer «alvi» pela cor branca da camisa), vão se encontrar com todo tipo de conforto e adequado ao paladar deles.

A mudança de residência, que está ocorrendo nestes instantes, vai ser mais uma plataforma para que o bloco social do clube, sob a Presidência do Doutor Narancio (Atílio), mantenha um contato bem mais fluente com todos eles, negócio que na antiga sede era muito difícil, quase impossível. Porém, temos que parabenizar a Diretoria do popular clube.

Quanto as fotos, a matéria contem duas.

Foto 1 - Texto traduzido: A nova sede do Nacional, na 18 de Julho e Gaboto. Trata-se de uma mansão muito ampla na qual os sócios do clube vão se sentir extremamente confortáveis.

Comentários deste correspondente: Tirada do exterior da sede abrangendo a esquina toda com uma árvore quase na porta de entrada e uma outra na própria esquina (hoje não tem árvores na Avenida 18 de Julho) , duas pessoas batendo papo subindo pela Gaboto rumo á 18 e um «carro velho» tipo FORD-T com pneu no aguardo de uma furação dos quatro titulares nas costas e estacionado na frente da sede.

Foto 2 - Texto traduzido: Instante no qual os funcionários do clube descarregam os inúmeros troféus na nova sede. São tantos os canecos que precisaram várias viagens de carro.

Comentários deste correspondente: Dois funcionários do clube concretizando a mudança. Um deles ainda no interior da FORD tentando sair segurando um grande caneco com a mão direita e uma poltrona do carro com a esquerda tentando manter o equilibro. Um outro funcionário sorridente e em pé do lado da porta do carro segurando dois canecos mais pequenos. Quase formando barreira junto com o último, uma pessoa de fraque, óculos tipo Lennon (que ainda não era famoso pois ia nascer 6 anos depois) e gravata borboleta. Branco e Preto as duas fotos!!

Agora é a hora de aumentar dados e «dar polimento» aos que já temos.

O Nacional desse ano tinha tido problemas com a Associação Uruguaia de Árbitros, e sob chefia do Presidente Atilio Narancio, (apelidado como o «Pai da Vitória» pois dez anos antes foi fundamental na roteiro prévio que concretizou a seleção uruguaia de futebol para arvorar o caneco de Campeão nos Jogos Olímpicos de Colombes), ia resolvendo esses problemas junto com o Delegado do clube na AUF, negócio que os árbitros apreciaram.

Tudo deu início na agressão que sofreu o árbitro Telésforo Rodríguez de parte de alguns jogadores «bolsos» em um jogo clássico perante o Peñarol.

Quanto á nova sede, substituiu á antiga da Praça Independência (Rua Buenos Aires 706 – Fone: 8 41 15) nesse trecho de quarteirão que agora abrange um grande edifício vestido com vidros-espelhados que daqui a pouco o Presidente uruguaio, oncologista Tabaré Vázquez vai ter como sede do Governo.

Veio então a mudança dessa sede do Centro montevideano pela outra do Bairro Cordón, na Avenida 18 de Julho com a travessa Gaboto.

Uma sede com «espiões» de perto que ficavam de olho o dia todo nela. Os cinemas Paris (18 de Julho 1701) e Continental (1725) e vizinhos como o Conrado Nin Lavalleja, sobrenomes envolvidos com a história do clube tendo o endereço 1797 da «18» apenas um quarteirão da sede. O fone do destaque de hoje e antiga sede tricolor foi o 4 48 22. Na hora da estréia da sede atual, o «Palácio de Cristal» e herdeira dessa da «18», teve como únicas lembranças daquele neném de 1934, os canecos das vitórias do histórico do clube e o número de telefone, mesmo número, 4 48 22 que ia tocar na Avenida 8 de Octubre (Oito de Outubro 2847) acrescentando mais um aparelhinho para ligações no 40 18 17.

No decênio de 1980, o ex Presidente do Clube Nacional de Montevidéu, o Ceferino Rodríguez era proprietário de um dos mais famosos bares da cidade, a Pizzaria «La Fiaca» que localizava-se na frente mesmo dessa antiga sede que hoje é nossa homenageada.

Quanto tem a ver com a antiga sede «tricolor» da Avenida 18 de Julho 1746 e Gaboto, foi derrubada e logo ergueram-se três prédios. Um deles, um ícone da avenida no bairro Cordón como o caso do Bar «Las Palmas» que hoje fica no térreo de um edifício de vários andares com placa 1750 e na própria esquina. Aliás, no 1748 localiza-se um instituto para ensino dos futuros cabeleireiros e no famoso 1746 um grande edifício também com vários andares.

Quanto ao Bar «Las Palmas», telefonamos agora para o ++ 598 2 401 76 22 e foi o Héctor Rossi que deu o «bom dia» para nós. Trabalhando como encarregado faz um dez anos foi fundamental para confirmar alguns dados para o PRAVDA. O proprietário é o Milton Vertiz e mesmo que pareça brincadeira, os dois são torcedores do Peñarol, o rival histórico do Nacional de Montevidéu.

O PRAVDA foi um dos meios de imprensa convidado a participar das comemorações de mais um ano de vida do clube e dos 50 anos do Palácio de Cristal (atual sede do Club Nacional de Football) tendo montado matéria deste evento do time tricolor uruguaio.

Quanto ao «Palácio de Cristal» transluz história da gema do clube mas é impossível esquecer do Arquiteto Ildefonso Aroztegui que entre outros ícones da cidade e fora o país, desenhou o tal «Palácio». Nesses anos, o Arquiteto Aroztegui morava apenas uns cinco quarteirões do Palácio, na Rua Itacabo 2647 (hoje Gerardo Grasso) com fone 4 93 58.

É bom salientar alguns instantes profissionais na vida do Aroztegui que marcam o perfil de qualidade do arquiteto uruguaio. Ele viajou para os EUA sendo ainda muito novo, quase com o diploma que acabava de ser assinado pelo Decano da Faculdade, obtendo lá vitórias profissionais importantes em concursos arquitetônicos entre as Universidades. Aroztegui,foi Professor e Conselheiro como docente da Faculdade de Arquitetura como de Montevidéu. Além disso, os alunos tinham o professor andando de perto, corrigindo e aprimorando croquis com o lápis, negócio que quase com certeza hoje não acontece. Os grandes professores da época tinham turmas de alunos, que envolviam-se com seu estilo profissional, com o jeito de agir e até com eles como seres humanos, fazendo parte dos “Talheres” batizados com os nomes desses tais professores. Aroztegui teve o seu «Talher».

Aroztegui nasceu em julho de 1916, na cidade de Melo (Estado de Cerro Largo) na fronteira com o Brasil. Completa o ensino primário e secundário nessa cidade e ganha uma bolsa de estudos para o “vestibular”. Os Preparatórios para Faculdade iniciam-se para ele o mesmo ano que a sede do Nacional abria as portas na «18», 1934. Formou-se arquiteto em 1940 matando a carreira no tempo mínimo.

Em 1941, ganha um concurso chamado de «Grande Prêmio» que traz como presente, mais uma bolsa de estudos para os EUA e não para a Europa por causa da Guerra, do jeito que tinha acontecido sempre.

De Maio de 1942 até Junho de 1945 ele fica na Universidade de Illinois (EUA), obtendo o título de «Master of Science». Em 1944, foi parte do time do professor Mr. A. F. Deam, em Illinois até que um dia teve mais um desafio aceite, ficou com um cargo dele no decorrer de um tempo, no curso de «Senior Design», mostrando o tamanho do Professional uruguaio até fora da divisa do pequeno país.

Um dos maiores protótipos arquitetônicos na metade do século XX foi e continua sendo um edifício do BROU (Banco da República Oriental do Uruguai), filial conhecida como «19 de Junho» na frente da Ex Praça Artola e apenas 100 metros da sede do Nacional em 1934, que também foi do Arquiteto Aroztegui em 1957.

Tendo voltado no Uruguai, em 1946 ele ganha por concurso a Cátedra de Projetos de Arquitetura. Em 1948, sua carreira deu um pulo até Porto Alegre – Brasil, pois no decorrer de um ano, desenvolve um curso de Grandes Protótipos Urbanísticos no Instituto de Belas Artes. Mais logo, de 1961 á 1963 foi Presidente da Sociedade de Arquitetos do Uruguai. Até o decênio de 1970, só dois arquitetos tinham atingido o privilégio de Presidentes da Associação Universitária do Uruguai, o Mario Abadie Santos e o Ildefonso Aroztegui.

Faz alguns meses o PRAVDA acabou de contribuir com três arquivos históricos para o clube que encaminhamos para caixa eletrônico do Licenciado e Master em Organização de Estádios Esportivos, Pablo Martínez (Diretoria do clube) formado em Barcelona – Espanha. O conteúdo foram todos anúncios fúnebres dos irmãos Carlos e Bolívar Céspedes (jogadores que faleceram sendo muito novos e vestindo a camisa tricolor uruguaia no início do século XX) e da mãe deles, Luisa Polanco. Esses irmãos tricolores uruguaios e famosos acabaram dando-lhe nome á concentração do clube: Los Céspedes (em homenagem aos Irmãos Céspedes).

Sendo o único meio de imprensa do mundo em ter se lembrado deste fato histórico, encaminhamos um pedido para o Presidente do Nacional, Dom Ricardo Alarcón e a Diretoria toda. Ficamos no aguardo de uma placa de bronze ou mármore honorífica na porta desse Bar «Las Palmas» lembrando-se desse fato histórico para o clube e com certeza o convite para o PRAVDA na hora que for instalada.

O PRAVDA agradece os dados obtidos da matéria do Arquiteto César J. Loustau no Jornal El Día.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai