Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Montevideo Wanderers pode ser o próximo rival do Mengão

Jorge “Tito” Gonçalvez, o treinador do “boêmio” uruguaio na libertadores - o clube presenteia o pravda com o livro do “século” - o «Barão de Amazonas» teria sido torcedor dos boêmios.

O 15 de Agosto de 1902 os conhecidos “boêmios” uruguaios comemoraram o primeiro século de vida tendo como Presidente ao empresário Walter Devoto com seu cabelo cinza faz muitos anos, assunto que confirmamos pois conhecêramos ele sendo criança quanto o senhor “andava” da matriz do Supermercado Devoto para a primeira filial, as duas no adorável bairro Malvín de Montevidéu.

Na época que o Mateo Giri era o presidente dos alvinegros que conseguiam pela primeira vez uma das duas vagas uruguaias na Taça Libertadores de América deixando o Nacional fora, quebrando porém essa “parceria que tinham assinado” os dois grandões uruguaios no “único” torneio sul-americano montado para times.

No começo do decênio de 1960, a Libertadores tinha uma vaga só que colocava no bolso o Campeão. Essa tal vaga continuava indo e voltando da beira do Peñarol para a do Nacional.

Na hora que a Libertadores virava negócio e começava cheirar gostoso, a Confederação Sul-Americana de Futebol mudava os estatutos do torneio permitindo que cada um dos países do continente ganhasse duas vagas na primeira fase, que no caso uruguaio iam sempre para o Nacional e Peñarol que extremamente poderosos conseguiam atingir dez das doze finais desde o início no ano 1960 até 1971.

Do jeito que o “antigo” Club Atlético Defensor (hoje Defensor Sporting Club) quebrou uma história de 46 anos desde o início do profissionalismo uruguaio em 1932, obtendo o primeiro Campeonato Uruguaio um dos times em desenvolvimento. o 25 de Julio de 1976, perante o Rentistas de 2 x 1 no Parque Franzini; o Montevideo Wanderers conseguia quebrar esse pingue-pongue cansativo dos “tricolores” e “aurinegros” indo de mãos dadas para o grande torneio internacional do continente no finalzinho do decênio de 1960 e no início do 1970.

O ano 1975 foi marcante para o futebol uruguaio mas bem mais para o WANDERERS que ia jogar sua primeira Libertadores junto com o Peñarol, tendo como guardião áquele laçudo “Maluco” Ortiz que com “design” do argentino Hugo Orlando Gatti do Boca Jrs. mais logo ia jogar no futebol brasileiro.

Mais um desses jogadores que vestiram a camisa boêmia nessa histórica classificatória para a Taça Libertadores 1975 foi o agora treinador da seleção uruguaia, Maestro Oscar Washington Tabarez que “quase” do lado do goleiro do “W”, tentava afastar cada uma das bolas que caiam na grande área alvinegra.

Essa de ´75 foi a primeira sendo que a 2008 vai ser a última até uma outra participação que com certeza haverá pois Wanderers é um dos poucos times uruguaios com organização Nota Dez no futebol “celeste”.

Faz 33 anos o treinador foi o reconhecido careca Professor Omar Borrás, que logo segurou a barra daquela Seleção Uruguaia na Taça do Mundo México 1986 e agora é a vez do Jorge Gonçalvez, bem mais conhecido como “Tito” Gonçalvez, nome que é herança e tem história no futebol uruguaio pois seu pai foi um grande Campeão com o Peñarol desde 1957 até 1970 e a seleção uruguaia nos decênios 1960-1970, tendo inúmeras batalhas com aquele também poderoso Santos do Rei Pelé.

Felizmente os times uruguaios estão oferecendo seu apoio ao trabalho do PRAVDA desde Montevidéu. O 1° de Março de 2007 foi o Danubio que presenteou o jornal com o Livro dos 75 de vida do clube e agora mais um alvinegro como o Wanderers, presenteia-nos com o livro do primeiro século do clube, montado pelo advogado e pesquisador Manuel Paredes.

Quanto ao livro se refer o PRAVDA agradece ao Presidente, Dr. Advogado Álvaro Escurra, a Diretoria toda e ao Gerente Sr. Claudio Pagani que perceberam quanto é importante para nós aumentar nossa coleção de livros VIP que sejam plataforma para nossos leitores receberem as melhores matérias.

Aprofundando nossas pesquisas quanto ao Barão de Amazonas, esse herói brasileiro com monumento no Rio de Janeiro, temos certeza absoluta que mínimo no Uruguai teria sido torcedor do Montevideo Wanderers pois algumas dicas refletem essa possibilidade.

Foi, foi, foi ele quem o 11 de Junho de 1865, ficou na frente da Marinha Brasileira na Batalha do Riachuelo, obtendo-a. Vinte anos e uma semana antes da fundação do Wanderers de Montevidéu, foi o dia da “despedida” do Barão de Amazonas deste mundo e por incrível que pareça uma das duas pessoas que assinaram a ata de falecimento do Barão, amigo e português como ele, Dom José António Nicolich foi o Primeiro Vice-Presidente dos «boêmios» aquele 15 de Agosto de 1902.

Não da para imaginar o Barão torcendo pelo Wanderers nas arquibancadas da vida ?

Imagina só aquele barbudo impondo o respeito da torcida e jogadores rivais do jeito que conseguiu acima de seu navio “chutando” gritos tentando organizar estratégias.

Será que poderia ter torcido pelo autêntico decano do futebol uruguaio que foi o Albion (naceu Julio de 1891), pelo Libertad, Montevideo, Saturno, Júpiter, Uruguay Athletics, Universitario, Criket, Arroyo Seco, Defensa, Titan, River Plate, Progreso ou Beagle ?

Difícil né ?

Na pior hipótese pelo Beagle (nome de um navio), com jogadores-tripulantes ingleses que ancoravam no Porto de Montevidéu e treinavam o esporte que eles descobriram e fizeram conhecer para o mundo todo, tendo ganho alunos ótimos no Rio da Prata.

Com certeza que não tivesse torcido sequer pelos dois grandões pois sua amizade com o José António Nicolich, além da origem lusa ia garantir sua fidelidade com o Montevideo Wanderers.

A Libertadores 2008 está pertinho e mesmo que os jogadores estão treinando faz alguns dias, agüentando o calor insuportável do verão montevideano e até “mudando” a data das feiras que a Associação de Jogadores do Futebol Uruguaio conseguiu para todos eles como parte de seus direitos como profissionais, anteontem viajou mais um jogador da turma rumo á Noruega e a fileira poderia se acrescentar.

Procuram-se ainda mais alguns jogadores tentando reforçar o time de olho no 2008 que vai conter Libertadores e Torneio Uruguaio.

Por enquanto a lista de jogadores para o torneio internacional só vai se apresentar na CONMEBOL alguns dias antes desse 31 de janeiro da estréia do Wanderers perante Cenciano de Cuzco. O jogo de volta em Montevidéu vai acontecer o 7 de Fevereiro e caso o «boêmio» continuar na frente, haverá muitos «urubus-guerreiros» querendo conhecer mais do time uruguaio no site do clube, que só vai conter essas informações no eixo do dia 31, aprimorando-o do jeito que a Diretoria está desejando, remarcou o Gerente da Insituição, Sr. Claudio Pagani.

WWW.mwfc.com.uy

Caso o Wanderers ultrapassar o carro peruano e mergulhar definitivamente na Libertadores no grupo do FLA, é bom salientar que aqueles que vão receber os delegados do Mengão em Montevidéu vão ser o Presidente Dr. Advogado Álvaro Escurra e o RR.PP..

Mais alguns que vão torcer muito pelo Wanderers é o Staff da Embaixada do Brasil em Montevidéu, como é o caso do Embaixador José Felício e o 1° Secretário da Cultura, Sr. Ademar Seabra da Cruz Júnior que são torcedores e tanto do rubro-negro e caso o Wanderers continuar na Libertadores vão ter a possibilidade de assistir a duas partidas do FLA em Montevidéu perante Nacional (confirmado) e Wanderers se o azar estiver de seu lado.

Agora confira conosco a reportagem ao Jorge “Tito” Gonçalvez feita na Arquibancada Cayetano Saporiti do Estádio Parque Alfredo Víctor Viera.

PRAVDA: Tito, nesses bate papos com o pai (Nestor Gonçalvez) falaram daquelas partidas históricas que teve com o Rei Pelé ?

TITO: Ele nunca conversou do assunto comigo mas na hora que a turma daquele Peñarol junta-se comemorando alguma das muitas Taças obtidas ouço tudo quanto eles conversam e ter o privilégio de fazer parte dessas reuniões é ímpar pois são comentários ainda com vida, de jogadores que costumaram-se vitoriosos e “montaram” parte da grande história do futebol uruguaio.

P: Mas Tito, me diga. Houve um bocado de confrontos com o grande Rei Pelé ? Nem um só desses comentários que estamos esperando ?

T: Sabe o que...eles não falam dessas partidas e tudo quanto aconteceu nelas. Na maioria dos casos falam das viagens, mas assuntos pessoais nada. É verdade que nessa época aqueles times que avançavam nas Taças Libertadores eram sempre os mesmos, pois eram incríveis e os encontros nos hotéis eram muitos, porém dava para manter conversas e aprimorar os relacionamentos que acabaram sendo ótimos. Então encontros como é caso do Pelé, craque e pessoal legal fora da quadra, aconteciam e foram agradáveis, logo no gramado a história mudava e tanto (o Tito acabou sorridente).

P: Se lembra de algum jogador daquele Santos que acabou tendo amizade ou mínimo relacionamento ótimo com o pai ?

T: De olho no Santos de Pelé, foram muitas as lembranças pois sem dúvida foi o time que sempre estavam querendo vencer...é lógico, nessa sacola também tinham o River Plate argentino, alguns times chilenos mas a maioria das vezes o Santos era o alvo, mais alguns times brasileiros, River Plate, Boca, mas nesse primeiro decênio da Libertadores o time forte foi o Peñarol.

P: Pedro Virgilio Rocha e Pablo Forlán, destaques e jogadores desse Peñarol, também foram no São Paulo...pode compartilhar comentários destes dois grandes jogadores fora do relvado ?

T: Infelizmente acabei não conhecendo o Rocha. Compartilhei muito pouco tempo com o filho dele nas categorias de base do Peñarol e deu para quebrar o galho conversando de tudo quanto viveram nossos pais nessa época de glória do Peñarol.

Por enquanto, com o Forlán tenho um relacionamento ótimo com ele, sua família toda, os filhos. O pai adora o Pablo, o Pablo adora o pai mas trata-se de um relacionamento quase de uma família. Pablo foi o caçulo da turma, o revolucionário, esse que vestia diferente ao resto, com os cabelos fugindo-lhe do lado da bochecha quase até o queixo, usava os óculos estilo Elton John.

Tudo quanto era “estranho” nessa turma foi feito pelo Pablo e mesmo que nem sempre cai bem esse tipo de atitude, tratava-se do Pablo Forlán, um cara super agradável, que todos eles adoravam e tinha o OK de todos para fazer tudo quanto tinha vontade (o sentimento que exprimiram as palavras do Tito quando se refer ao Pablo Forlán só poderiam se perceber ouvindo nossa fita).

P: Quanto tem a ver o Maestro Oscar W. Tabarez como treinadores de hoje como é teu caso tendo nascido jogadores daquele Peñarol Campeão de América 1987 sob chefia dele. Acabou influindo nesse desenvolvimento que acabaram tendo até agora ?

T: Acho que não. Fica claro que terá contribuído mas na minha carreira esportiva, tive muitos treinadores, desses bonzinhos e dos outros só que tentei sempre “segurar” tudo quanto era bom e também aquilo que estava errado tendo a possibilidade logo de reconhecer as duas opções para aproveitá-lo mais logo do melhor jeito possível nesta minha carreira na fase “treinador”. Teve um grande professor como o Roque Gastón Máspoli que foi meu primeiro treinador no Peñarol na hora que fiquei parte da turma profissional do clube.

Tudo quanto ele ensinava eu soube absorver.

Também reconheço o trabalho feito pelos treinadores nas categorias de base do Peñarol, “Chiquito Malinowski, Luis Prais que foram fundamentais pois são os anos que “montamos” nossa estrutura para logo perceber qual é a “rua” que temos que escolher na vida.

No final, Tabarez acho que foi marcante para mim tendo ganho o mais importante na minha carreira internacional neste negócio do futebol, a Taça Libertadores 1987.

Infelizmente também tive alguns treinadores que não gostaria imaginar tê-los tido na minha vida e nunca faria o que eles fizeram comigo e o resto dos jogadores. Melhor esquecê-los !!!

P: Voltando ao Máspoli, (goleiro da Seleção Uruguaia 1950) compartilhou alguns comentários contigo daquele 16 de Julho de 1950 ?

T: De jeito nenhum...nunca na vida falou do assunto. Era só ficar por perto desse senhor, ouvir os comentários envolvendo sempre “ensino puro” e dava para imaginá-lo nesse Maracanã reconhecendo-o como um grande Campeão, um cara nascido para a vitória.

P: Regredindo até 1987. Final Intercontinental Peñarol x Porto. Ficou aquela raiva por ter perdido a partida acima da neve ? Da para imaginar que acima da grama teriam ganho o jogo ?

T: Não temos que supor o que poderia ter acontecido nesse jogo sem neve esbranquiçando a grama.

Não dá para imaginar o que poderia ter acontecido, não dá.

Logo houve mais uma partida de confraternização Peñarol x Porto e conseguimos a vitória em Nova Jersey mas a final Intercontinental foi para sua beira e isso foi o mais importante.

Acabamos perdendo a final do Mundo e teríamos tê-la ganho com ou sem neve.

Infelizmente eles tiveram bem mais sorte do que nós pois uma bola que ia beijar a rede do Porto ficou detida na última linha pela famosa neve e no caso deles a mesma jogada a bola acabou se detendo. mas após ter ultrapassado essa última linha.

Tratava-se duma turma de jogadores novinhos com o raro privilégio de ter ganho uma Final da Taça Libertadores de América e carimbando o passe para essa final perante o Porto que acabou sendo uma partida extremamente diferente.

Tanto faz, essa partida teríamos que tê-la ganho com neve, sem neve, com 40 °C, a final teria que ter sido nossa para felicidade nossa própria trazendo mais uma alegria para o Peñarol.

P: Foste jogador de uma das finais da Libertadores de América que envolveu maior emoção, conseguindo-a no tempo suplementar com aquele gol do centro-avante e camisa nove, Diego Aguirre impedindo a defesa do Julio César Falcioni.

Até esse gol, a Taça ia ser do “Diabo calenho”.

Iam acontecer alguns “socos” caso a partida tivesse acabado de 0 x 0 logo ter agüentando aos paraguaios Battaglia, Romerito e o goleiro argentino Falcioni a partida toda ?

T: Acho que foi a final das mais importante na história do Peñarol mesmo que houveram outras que também foram super importantes para o clube e conquistadas por jogadores com histórico ímpar.

Mas a situação foi diferente...o ambiente foi diferente.

Na Final da Libertadores 1982 que Peñarol consegue quase no final perante o Cobreloa no Estádio Nacional de Santiago de Chile, com o empate em Santiago ia acontecer uma terceira partida em Buenos Aires, possibilidade que não íamos ter a geração 1987 pois os estatutos da Libertadores tinham mudado.

Em 1987, essa partida perante o América de Cali em Santiago, era nossa última chance e no último segundo, o gol, e por incrível que pareça acho que até os torcedores do Nacional de Montevidéu gritaram nosso gol.

As diferenças entre os jogadores daquela turma jovem do Peñarol e o “idoso” América eram muitas. Eles jogavam a terceira final em fileira da Libertadores (tinham perdido perante o Argentino Jrs. do barbudo 5 argentino, Sergio “Checho” Batista, em 1985, logo perante o River Plate argentino e nesse 1987 Peñarol) e nós tínhamos nalguns casos jogos nas categorias de base do clube.

Eles tinham aproveitado sua grande experiência provocando-nos a partida toda e sabe o que...somos seres humanos e da para agüentar até que acaba explodindo.

Quase no final da partida o Diego (Aguirre) falou para mim...fica por perto da gente pois vai começar a guerra. Há um cara do América que está me provocando e matando a cada vez que fico por perto dele...vou começar com ele, remarcou o Diego para o Tito ainda na quadra e com a partida 0 x 0. Porém o Diego coloca-se do lado desse tal jogador, a “última” bola fica para sua perna canhota e chuta vencendo o Falcioni. Uma grande emoção acabou envolvendo-nos e todos nós esquecêramos aquela briga que ia acontecer.

P: Da para imaginar seu time do peito, Peñarol na categoria B do Torneio Uruguaio do jeito que já tinha acontecido com o FLU ou agora com o Timão no Brasil ?

T:Nem por acaso, não da para imaginar coisa semelhante.

Brasil é muitoooo grande, um time pode planejar um ano investindo U$D 100 milhões sendo que ano seguinte o mesmo clube poderia investir apenas U$D 2000 (é um exagero mas da pra entender). Uruguai é diferente, não existem esses sobe e desce nos investimentos. Peñarol talvez não consiga arvorar o caneco mas também não vai descer um degrau. Lá no Brasil existem muitos times desses que aqui conhecemos como GRANDES com muitos torcedores oferecendo o apoio. Em resumo todos os times são grandes e no caso uruguaio existem apenas dois equipes grandes levando em consideração que tem alguns que planejam tudo de um jeito enxuto mas mesmo assim vão continuar sendo dois times os que poderiam lotar o Estádio Centenario.

P: Quais foram as camisas que acabou vestindo antes de pendurar as chuteiras ?

T: Peñarol, Cerro, Basañez, River Plate no Uruguai, Cruz Azul de México, Ferrocarril Oeste argentino, e Santiago Morning de Chile.

P: A carreira sendo treinador ?

Deu início no Peñarol ?

T: Minha primeira experiência como treinador foi no River Plate de Montevidéu (vizinho de Montevideo Wanderers). Pouco tempo mas foi do lado do treinador principal o Ricardo “Tato” Ortiz (Campeão Sul-americano Juvenil 1975) além de ter a responsabilidade de treinar o clube na 3ª. (categoria que mostra as caras que vão ser craques logo no time principal).

Logo na 3ª. do Peñarol, daí acabei dando um “pulinho” até Montevideo Wanderers como treinador da 3ª e do lado do Diego Aguirre como principal do clube.

Na hora que Diego teve sua chance no Alianza Lima peruano, acabei ficando como o primeiro treinador dos “boêmios” até agora que me faz super feliz pelo tratamento que está oferecendo o clube.

P: Levando a reportagem para o Portugal mais uma vez, foste treinador do Cristian “Cebola” Rodríguez nas categorias de base do Peñarol né ?

T: Fui treinador do “Cebola” mas é bom salientar que aquele que acabou trazendo-o do interior para a capital e o Peñarol foi meu irmão mais velho, Nestor Gonçalvez. Seu trabalho é esse, procurar os futuros craques uruguaios. O Cebola não foi a única escolha pelo irmão, houve mais alguns.

P: O que pode dizer do “Cebola” na fase jogador ?

Será que ele atingiu o topo?

T: O “Cebola” é um jogador maravilhoso e nem por acaso ele conseguiu atingir o topo.

Deveria jogar “futebol” e nem tanto “bate bola” que faz muito bem mas...

Tem muita confiança nessa condição de grande jogador procurando porém resolver situações de jogo sozinho. Na hora que ele consiga jogar futebol formando parte dessa engrenagem que é seu time vai ser um jogador incrível.

P: Caso “ultrapassar” o carro peruano do Cenciano vai ter como rivais o Nacional de Montevidéu e o FLA.

Com certeza está á par do Nacional mas o que conhece do Mengão, mantêm essa estrutura do time que concorreu perante o Defensor Sporting faz alguns meses ?

T: Faz alguns minutos tinha dito que os clubes brasileiros poderiam ter o melhor time da história. Neste segmento o Brasil poderia te surpreender num zás. O FLA também desceu esse degrau trágico mas agora poderia montar o melhor time do mundo de olho desta Libertadores 2008. Quanto tem a ver com a torcida é a maior do mundo. Se por acaso cada um dos torcedores dessem de presente para o clube um dólar, poderiam ter o melhor time do mundo num abrir e fechar de olhos.

Imagina só !!

Respeito pelo futebol brasileiro, muito respeito e mesmo não tendo estourado como craques os jogadores brasileiros possuem uma técnica enxuta e fora isso agora melhoraram as possibilidades pois acrescentaram um item fundamental, tem raça e entra na quadra com cada um deles.

P: Foi o Dunga o responsável desta mudança na cabeça dos jogadores brasileiros ?

T: Acredito que o futebol brasileiro mudou de mãos dadas com o Dunga na hora que ele foi jogador. Assim que entrava no gramado ele “avisava” ao rival que estava aí.

Hoje como treinador ele está pedindo essa raça que mostrou como jogador.

Caso o futebol brasileiro consiga manter essa técnica única aumentando a raça, se cuida...

P: Quais são os jogadores «boêmios» com experiência nos torneios internacionais ?

T: Temos o homen da fronteira uruguaio-brasileira (Rivera – Santana do Livramento) Fernando Fadeuielle e Danilo Peinado que mínimo jogaram a última Taça Libertadores perdendo o passe ás Semis perante o Grêmio porto-alegrense nos penalties.

Mais nenhum mesmo tendo alguns com experiência no Uruguai.

P: O filho do internacional uruguaio, Carlos María Morales pertence á turma ?

T: Pertence sim mas ainda está na 3ª. e tem bastante para absorver. Ele e mais alguns dessa geração têm que andar devagar e perceber que são profissionais. Estamos trabalhando de olho nos jogadores da 3ª- tentando que possam pular de categoria quase sem percebê-lo.

P: O Sergio “Polaco” Martínez que foi o guardião da Seleção Uruguaia Juvenil faz alguns anos é o goleiro de Wanderers né ?

T: É mesmo...mas também temos o Fernando González vindo do Peñarol que fica na reserva e teve sua estréia ano retrasado na hora que o Diego Aguirre foi o treinador.

Estou muito feliz com os goleiros que possuo, com a turma toda e mesmo sabendo que a fileira de jogadores do clube não é muito compridatemos sede de vitórias.

P: Uma estratégia segundo o time que fique na frente no gramado ?

T: Com certeza, tendo nosso esqueleto, cada rival tem sua proposta e temos que ser muito espertos, descobrindo a sua para logo oferecer o nosso.

P: Estão faltando alguns jogadores para esta Libertadores ?

T: Está faltando sim mas temos consciência o lugar no qual estamos...

Temos nossas armas para ir á luta, tentando mostrar para todos os jogadores que são importantes para mim.

Fora isso, estão faltando alguns jogadores...o meia-esquerda. Infelizmente acabou de ir embora o Ronald Ramírez, internacional uruguaio fundamental na montagem deste time.

Vamos ver o que acontece...vamos dar briga, tenha certeza absoluta disso.

Os jogadores são bons e tenho confiança neles e prova disso é o resultado obtido na primeira metade do torneio uruguaio. Felizmente não tivemos jogadores machucados no decorrer do torneio mas nas últimas três rodadas a turma acabou sofrendo não ter um grupo bem mais importante. Não tínhamos mudanças á fazer.

P: Porquê acha que o Betinho Acosta acabou tendo sucesso no Náutico de Recife sendo que no Uruguai ele tinha ganho o carimbo de jogador “devagar”. Levando em consideração que o futebol brasileiro é rápido parece difícil que isso tivesse acontecido.

T: Não sei, não sei mesmo. Maravilha, o futebol é uma maravilha.

Além disso, ele começou a carreira não sendo muito novo, acabou deixando o futebol e logo após alguns anos voltou jogar. Nosso futebol é Incrível !!! Peñarol assinou contrato com o Beto tentando que fosse o motorista do carro. Ele chegou no Peñarol sem ter essa mochila de história que as vezes faz que o jogador assine o contrato. O assunto foi que Peñarol levou o Betinho, teve sua hora H mas o time está passando um instante difícil da sua história e nada é simples.

Ter sucesso vestindo a camisa do Peñarol agora não é fácil pois na hora que alguém acaba chegando no time não existe um esqueleto para começar trabalhar sob essa base.

O Betinho foi para o Brasil e também teve algumas dificuldades nos primeiros meses mas percebeu que essa no Náutico poderia ser sua última chance da vida. Foi muito profissional, com muita vontade de ter sucesso e fora isso ele tem muita qualidade, condição que o jogador tem no sangue. Acrescentou um pouquinho de raça e tudo deu certinho.

P: Acha que o tal interesse do Dunga pelo Betinho na seleção brasileira é real ou simplesmente manchetes desses que vendem nos jornais ?

T: Nada a ver, nada. Isso aí não acho certo.

P: Acha que o goleiro Juan Guillermo Castillo, reserva do Fabián Carini na Seleção uruguaia pode ter sucesso no Botafogo ?

T: Tem tudo para ter sucesso. É um atleta (professor de Educação Física), goleiro ótimo que mostrou já no Defensor Sporting, Peñarol, tomara que na Seleção uruguaia quando seja sua vez e acho que tem tudo para fazer boas defesas. No melhor futebol do mundo como é o brasileiro tem tido sucesso muitos goleiros importantes do futebol uruguaio, mas vai ter que tirar boa nota. Na prévia é provável mas só na hora que a bola começar “andar” acima da grama vamos saber o que acontece com sua carreira no Brasil.

P: O time técnico que contorna o Tito na frente do Wanderers que sempre é importante nos sucessos do treinador ?

T: Com certeza, trabalho com o Edinson Machin como treinador, o Professor Diego Tchadkigian no segmento físico, o conhecido pelos tricolores gaúchos, Obdulio Trasante.

Na 4ª Divisão do clube o responsável é mais um internacional uruguaio da seleção Campeã sul-Americana 1983 dessa final no Estádio Fonte Nova da Bahia perante o Brasil, Luis Alberto Acosta.

Também o Professor Curbelo foi parte deste time mas agora trabalha no Gimansia Esgrima de la Plata na Argentina.

P: De olho na Libertadores, o Estádio Parque Central de Nacional de Montevidéu ou o mítico Estádio Centenario ?

T: Eu tinha confirmado o Parque pois achei importante que o rival ia perceber que está jogando em um estádio visitante e fica claro que o Parque Central é bem mais pequeno que o Centenario.

Mas os jogadores decidiram que a melhor escolha era o Estádio Centenario pois alguns jogadores uruguaios percebem que os rivais “sofrem” no decorrer das partidas pois o Centenario ainda continua exprimindo respeito para os visitantes.

Meus jogadores são os que devem jogar numa quadra na qual possam-se sentir confortáveis e a turma acabou escolhendo o Estádio Centenario.

P: Posso tirar a conclusão que caso continuar na frente nesta Libertadores o Mengo também vai jogar no Centenario ?

T: Vai, claro que vai.

P: Sensação estranha esse teu desejo de jogar no Parque Central sendo que trata-se da casa do Nacional ?

T: Estranho nada. Sou objetivo e na hora que um clube faz as coisas de um jeito ótimo, temos que salientá-lo, um bate palmas para eles. O Nacional tem um estádio que é destaque, acho que o gramado é o melhor no Uruguai todo, e acho que na América do Sul, sem dúvida. Posso desenvolver então um futebol fluente e gostei dessa possibilidade. Fora isso o estádio é pequeno, confortável, localizado no centro e achei que os “torcedores” nesta primeira partida perante o Cenciano (não muitos) que assistissem ao jogo poderiam oferecer seu apoio ao time ficando bem mais perto de nós e os rivais.

Talvez obtendo um resultado positivo no Peru e com preços dos bilhetes bem econômicos nem só para os torcedores do Wanderers sinão para todos aqueles que gostam do futebol, a lotação do estádio seja bem mais importante e isso acho que poderia influir no rendimento dos rivais.

P: Voltando mais uma vez ás lembranças do pai, ficaram alguns amigos do Nacional ?

Ele teve na frente o Ayrton Correia de Arruda (Manga), Célio Tabeira Filho...

T: Amigos não ficaram mas um relacionamento ótimo e um grande respeito por todos eles.

Jogaram muitos anos “juntos”. Os times mantiveram os jogadores no decorrer desses anos, e hoje isso não acontece. Agora quase não da para conhecer um jogador do próprio time bem mais longe fica ainda tentar conhecer um jogador do time rival.

Eles conviveram 14 anos jogando sempre os mesmos jogadores e isso refletia que todos eles ganhassem o respeito mútuo.

P: Obrigado Tito.

T: Grande prazer, um abraço para os leitores do PRAVDA.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguaio

Quinta 10 de Janeiro de 2008