Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Liga uruguaia de Basquete 2007-2008

O campeão 2006-2007 - Malvín acabou devastando no clássico - Malvín 95 x Unión Atletica 60 - O 5 de fevereiro deste ano, o clube Malvín de Montevidéu, acabou atingindo o alvo que procurou no decorrer dos 69 anos de vida esportiva.

Tentando mostrar aos nossos leitores tudo quanto conhecemos do clube, é bom fazer uma descrição, das ruas, da praia, da história e até dos lugarzinhos mais aconchegantes que o Bairro Malvín (deu o nome ao clube) tem. Para isso, deixamos voar nossas lembranças da época de menino que curtimos por ter morado nessa vizinhança nos decênios de 1960 e 1970.

O clube localiza-se num dos bairros de Montevidéu que ficam acima da areia das praias, “montando” uma orla sempre movimentada que é privilégio daqueles que vem de fora Uruguai desde o Aeroporto até o centro ou até dos próprios vizinhos da cidade que nem só no verão, pegam o cimarrão, do jeito que poderia-se encontrar no Rio Grande do Sul e Santa Catarina no Brasil para descontrair algumas horas o estresse da semana de olho na batida sossegada das ondas beijando a beira, seja areia ou rocha.

Levando em consideração que a famosa orla é privilégio dos montevideanos todos, há “brigas” nos diferentes bairros querendo “vender” á sua como o melhor trecho de todos.

Nessa briga, Malvín apresenta seu crachá com um código de barras que mostra-o como o único com uma ilha na frente da praia. Apenas uns 700 metros das quadras de futebol desenhadas pela imaginação dos jogadores amadores do bairro acima da areia. A natureza fez sua obra, inserindo no Rio da Prata a Ilha das Gaivotas, que é destino dos “golfinos” malvinenses assim que as ondas descansam.

Quanto tem a ver com o bairro e o basquete, divide-se em duas metades, os “azuis” de Malvín com uma gaivota como “logomarca” na camisa e a azul-grana com faixas alternadas horizontais de Unión Atlética (bem mais conhecido com a UA ou simplesmente União) com um farol com logo.

Brigas que surgiram desde que foram fundados, mesmo que por muitos anos diminuiram deixando apenas lembranças pois a UA ficou muito tempo um degrau por baixo dessa primeira categoria que hoje chama-se Liga Nacional Uruguaia e Malvín quase sempre nessa elite do basquete uruguaio, naquele Torneio Federal, hoje LUB.

Felizmente faz alguns anos que as “quedas de mãos” voltaram para o bairro e muito tiveram á ver as novas gerações de torcedores que planejam tudo a cada dia tentando deixar bravos os vizinhos do time rival, tornando o bairro bem mais colorido, bem como as ruas, as lojas e a praia que são de um e dos outros.

São apenas quinze quarteirões que dividem os ginásios dos rivais do bairro Malvín sendo que a praia e a orla, acabam sempre atraindo os torcedores feitos cidadões seja no inverno na hora da “academia” ou com o sufoco que provoca o sol deixando seu bronze e as marquinhas na pele do pessoal.

Foi essa praia que até o verão 2006 conseguiu trair sempre os jogadores da camisa azul do Malvín que de um jeito amador concorreram na procura do sucesso no Torneios que iam acontecendo sem arvorar o caneco nem uma vez na historia.

O espírito amador e a juventude dos jogadores dos decênios passados de mãos-dadas com a belíssima “praia” foram responsáveis pelos insucessos constantes das turmas “azuis” pois tendo partida oficial ás nove da noite, no decorrer da tarde, tinha sempre alguns bate-bolas ou vôlei-praia derrubando a muralha do sucesso.

A praia, desgraçada e ímpar mas linda pra caramba !!

Praia única em Montevidéu, tem e terá Ilha na frente e teve Cinema com tela gigante de cimento dando de costas para o Rio da Prata e poltronas também de cimento debruçando para essa tela que nem sempre mostrava as pré-estreias que aconteciam nas grandes salas montevideanas.

Nessas noitadas mornas e com uma aragem super agradável com cheirinho incrível que provoca á maré, as vezes as poltronas desse tal cinema ao ar livre ficavam com alguns pagantes curtindo o filme em cartaz do dia mas como sempre acontece nestes países sul-americanos, os muros da orla ficavam lotados de cimarrões segurados pelos os braços dos malvinenses todos.

No caso específico do clube Malvín, foi berço dos craques mais importantes do basquete uruguaio nas últimas três décadas mas o a verba tipo “flash” vinda dos poderosos concorrentes do antigo Federal, acabava tirando fotos desses jogadores com as camisas do outros times e levando o caneco para um outro bairro da capital uruguaia.

A dúvida sem fim vai continuar por sempre mas clubes como o Malvín, Trouville e Bohemios (do bairro Pocitos também com namorada linda chamada “praia”) iam na frente até a metade do torneio (início do verão) mas muito devagarinho iam perdendo sua força perante essa “assassina” quente feita de graõzinhos creme e água salgadinha que acavaba matando as ilusões dos fãs.

Sempre com lembranças do passado, Malvín assinava a cada ano uma aliança com um vento feito “furacão” que vinha direto desde a praia do Cinema (uns 4 quarteirões) até a quadra ao ar livre que foi a sede das partidas do clube pelo torneio oficial uruguaio.

O vento “azul” mergulhava na quadra pelo lado de um dos cristais (um dos poucos acrílicos da época que nasceram translúcidos virando foscos por causa das batidas que dava a laranja neles), tornando-se amigo do time do bairro, e inimigo dos rivais que só conseguiam furar as redes arremessando do interior do garrafão.

Na hora que Uruguai abriu as portas para os norte-americanos e panamenhos tentando aprimorar o basquete local, o primeiro casal de estrangeiros do Malvín foi integrado pelo Thomas Scates (2,13 m e camisa nove) e o Felix Yeoman (2,03m e camisa treze) que agüentavam a gritaria de um torcedor como o Morango (apelido ganho pela cor das bochechas) que do lado da quadra e embaixo do cristal mais próximo do único ingresso tentava ganhar á partida de fora o retângulo.

Não da para esquecer um dos poucos marcadores “eletrônicos” que com orgulho maquiavam a face do basquete uruguaio dos setenta, propriedade do Malvín.

Lá no fundo, nas costas do outro “cristal” e por cima dele, uma coluna de cimento de grande espessura foi sustentação para uma “tela” retangular que dava uma de espião para o jogo, com espaço para cinco “dígitos”, feitos com lâmpadas incandescentes dessas convencionais que colocavam-se nos soquetes dos abajures das residências.

A tecnologia da época mostrava o dígito central da tela com apenas duas opções, 1 ou 2, marcando desta forma a metade do jogo que estava acontecendo sendo que tinha dois dígitos á cada lado deste central, com espaço para 99 pontos.

Com certeza ficava estranho na hora que o melhor dessa partida conseguia alcançar os cem pontos pois aquele que ia perdendo ficava na frente com diferença ampla perante o vitorioso em um abril e fechar de olhos.

Aprofundando nas lembranças é difícil esquecer do careca de óculos, Leonidas Moltedo (9) brigando no garrafão com os gigantes do time rival, bem como os arremessos que hoje seriam de três pontos do lateral do Nelson Castro (12 - hoje delegado do clube na mesa de controle nas partidas na LUB) e Rodi Pazos (5), ou o Nelson “Cigano” Iglesias (11) como capitão, distribuindo o jogo pois não gostava arremessar para dois pontos.

A camisa 6 desses dias foi propriedade do Arq. Alejandro Dibarboure, sendo um dos primeiros jogadores em emigrar para o basquete argentino, junto com os conhecidos internacionais uruguaios, Carlitos Peinados e Herman Haller.

Laçudo, usava uma faixa na cabeça tentando deter a movimentação dos cabelos nos olhos, pois numa oportunidade esse vento amigo do Malvín acabou traindo até o próprio Alejandro que fez com que falhasse uma bola simples do lado da argola e pior ainda perdendo o jogo no encerramento.

Seria injusto esquecer o “Colorado” Jorge Barbadora (13), apelido ganho pela cor do cabelo, sem alcançar os dois metros mas brigando com todo o que pudesse ficar por perto dos garrafões.

Fora estes que no 2007, seguraram a glória houve uma geração extremamente boa que vamos salientar á partir de agora.

Alejandro “Manteiga” González ( 4 - também seu irmão mais novo !!!), Daniel Pérez (6 - pai de dois Campeões e um vice-campeão 2007), Edgardo Otatti (6), Rodolfo “Pelu” Santellán (7). Sergio “Tano” Somma (8 e atual Presidente do clube), Antonio “Chipo” Ferreira (9), Gerardo Baubeta (10). Juan Javier Fittipaldo Mendaro (10), Edward Yern (11 e Gerente da empresa Tenfield com os direitos do futebol e basquete uruguaio na tevê), Arq. Juan Carlos Mignone (14 e Olímpico em Los Angeles 1984), Fernando “Maça” López (4), Marcelo Capalbo (10), Enrique Tucuna (8), Giuliano Rivera e mais alguns idosos que são ícones do clube como o Alfredo Bendito y Poconé Fossa.

“Regredindo” para o presente, é bom salientar a justiça do caneco ganho pelo Malvín na LUB 2006-2007, tendo um time equilibrado, sem muitos sobe e desce no decorrer do torneio, porém com o declínio lógico na hora que a descida poderia ter o controle das estratégias de um grande treinador como o Pablo López (38 anos) que nas últimas quatro LUB participou na final em três oportunidades.

Pablo nasceu com treinador nas Categorias de Base do Montevideo Basket-Ball Clube (conhecido com o “Vermelho do Mercadão Agrícola), tendo fundamental participação na “montagem”, do equipe, pois levou jogadores que ele mesmo criou desde o berço nos Torneio de 2da. Divisão aonde são sucesso só aqueles que tendo carinha de criança furam as redes rivais sob pressão das torcidas mais duras.

É o caso do Pablo “Cabeça” Viera (3), que pede sempre a bola nos instantes que alguns somem na multidão.

Fernando “Enano” Martínez (44) que com apenas 1,73 m já tem ganho carimbo de internacional classe “A” nos últimos Pan-Rio 2007 levando a vitória uruguaia para o bolso perante Argentina pelo Bronze.

Também o caso do cestinha Emilio Taboada (11) que nasceu no Clube Yale do bairro Jacinto Vera, agüentando as piores marcações no decorrer dos 40 minutos do jogo.

Dois pretos norte-americanos ótimos com o caso do Kim Adams (32) que voltou para a LUB 2007-2008 e Lee Benson (52) que foram diferentes perante seus patrícios, motivo pelo qual foram trazidos e mantidos.

Os juvenis também participaram de um jeito bom na Final perante o Biguá do Bairro Villa Biarritz e no torneio todo mas com realce especial para o Alfonso “Fonchi” González (10) e o último capítulo desta homenagem para o capitão do time, Marcelo Pérez Penot, “azul da praia” da gema que com apenas 1,95m lutou perante os grandões a cada instantes, contagiando raça para os jogadores do clube e até para os torcedores que ficaram nas arquibancadas provocando os epicínios deles na hora que o time estava precisando na quadra.

Um cara com maturidade, amador da camisa do clube como os jogadores dos decênios passados, chegando até o pranto na hora de comemorar a vitória na LUB 2006-2007 no Cilindro Municipal de Montevidéu na arquibancada abraçado com sua vovozinha María Celia e a tia Adriana que com certeza tivessem desejado que o vovozinho Dom Luis A. Penot estivesse presente nesse abraço familiar.

Dos torcedores famosos que para o Uruguai e o mundo todo eis aquí alguns destaques:

Do ambiente político, o Secretário da Presidencia de República, Dr. Gonzalo Fernández além do Ministro de Economía Cdor. Danilo Astori.

Do futebol, o Dr. Amadeo Otatti, reconhecido comentarista da Rádio Universal no passado e atual delegado do Peñarol perante a Associação Uruguaia de Futebol, Enzo Francescoli (não precisa apresentação) e o guardião Fernando Alvez (México ’86 e Itália ’90).

Confirma agora o time todo que conquistou o caneco mais desejado da história.

Pablo Viera, Marcelo Pérez, Santiago Monterroso, Sebastián Muñoz, Alfonso González, Emilio Taboada, Sebastián González, Enrique Elhordoy, Kim Adams, Nicolás Borselino, Fernando Martínez, Lee Benson, Diego Pérez y Gastón Crócano.

Aliás o Campeão deu início a LUB 2007-2008, com a coluna vertebral que o ano retrasado encerrou o sucesso, mantendo o treinador, porém o estilo de trabalho que poderia ser fundamental para xerocar a vitória no fim desta nova versão da Liga.

Neste “negócio” do basquete, obter o triunfo com o apito final é uma beleza mas abrir uma vantagem de 35 pontos no fim da partida e na frente do rival clássico é bem melhor, quase um sonho para uns e pesadelo para os outros.

Das doze rodadas que aconteceram até hoje, houve uma que foi marcante para os “azuis de Malvín” perante á U.A. com lotação de 4500 pessoas nas arquibancadas do Palácio Peñarol, tevê ao vivo e o marcador inesquecível de 95-60.

Esta é a homenagem do JORNAL PRAVDA para o MALVÍN, time Campeão do Basquete Uruguaio 2006-2007.

A homenagem para o Jornal ia ser dar uma lida desta matéria no site oficial do clube.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai

Terça, 23 de Outubro de 2007