CPI para a moralização do futebol carioca

Por Nestor Cozetti - Jornalistas Populares


A moralização do Campeonato Carioca de Futebol é o meio. O fim é o bem do torcedor. Com esta afirmação em defesa do futebol no Rio de Janeiro o deputado estadual Marcelo Freixo (P-SOL) quer criar a Comissão Parlamentar de Inquérito para os escândalos de diversas naturezas envolvendo a Federação de Futebol do Estado (Ferj), entidade organizadora do campeonato, nos últimos dez anos. A CPI, segundo Freixo, resultará em benefício para o "torcedor/consumidor”, com o cumprimento do Estatuto do Torcedor".

A Ferj, segundo denúncias do Ministério Público, tem feito pagamentos com dinheiro vivo, sem contracheque e/ou recibos. "Então - prossegue o deputado - como esta falta de transparência não pode continuar o pedido pela instalação da CPI gerou uma grande campanha de coleta de assinaturas pela moralização do futebol no Rio de Janeiro, o que acho extremamente importante em vista do peso do futebol na vida das pessoas e da sociedade".

É uma CPI focada na Federação (Ferj), e não uma CPI do futebol (que já existe). Esta é para investigar a gestão da Ferj. O futebol é uma questão de interesse público, como basta ver o que acontece na cidade do Rio de Janeiro todos os domingos. "A população não estará falando em outro assunto. É algo que tem um grau de mobilização e de interesse na sociedade como um todo, e aí ultrapassa todas as classes, todas as barreiras, é algo muito interessante. Então, por tudo o que envolve obviamente que é de interesse público", justifica o deputado.

A campanha de adesão popular na coleta de assinaturas pela instalação da CPI terminou domingo (06/05) nas portas do Maracanã, com o último jogo do Campeonato Carioca, quando venceu o Flamengo sobre o Botafogo numa disputa de pênaltis. Foi uma campanha massiva com barraquinhas nas ruas, com faixas e camisas. Forma de mobilização e pressão política, já que a opinião do deputado deve estar ligada à opinião pública. É a mobilização popular chegando e partindo da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo Marcelo Freixo, 40 anos, professor de história em seu primeiro mandato como deputado estadual, "o papel do mandato popular é este, não só em relação ao futebol com em qualquer outro assunto".

Os cartolas

A Ferj, entidade privada, é formada e eleita pelos dirigentes dos clubes de futebol, também conhecidos como 'cartolas'. A CPI vai investigar a gestão financeira dos recursos apurados nas partidas do Campeonato de Futebol em face do seu vínculo direto com a arrecadação de recursos destinados à Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj), no que diz respeito, por exemplo, ao valor que pagam à Suderj, por cada jogo, já que esta é responsável pelo Maracanã. E o cumprimento dos dispositivos do Estatuto do Torcedor.

Já existem as assinaturas dos deputados para a abertura da CPI, agora só falta aprovação em plenário para ser imediatamente instalada. "Almocei - relata Freixo - com o presidente do Flamengo, Marcio Braga; com o do Botafogo, Bebeto e com o do América. Esses três clubes apóiam a instalação da CPI pela moralização do futebol e o cumprimento do Estatuto do Torcedor. O futebol é vida, é sentimento, é algo identificável com a história do povo brasileiro. Tem que se trazer e se ter este debate para o bom campo da política, não para a política suja, que já é hegemônica no futebol".

Questionado sobre a situação do futebol no restante do país, concluiu Freixo: "A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também tem vários problemas que precisam de um olhar mais cuidadoso do próprio poder legislativo federal, mas está fora da minha alçada como deputado estadual".


Fonte: Rede Nacional de Jornalistas Populares - Renajorp. Saiba mais em www.renajorp.net

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