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Sir Bobby Robson 1933 - 2009: O maior embaixador de futebol

02.08.2009
 
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Tudo que se lê acima pode ser encontrado na Internet. Contudo, o que não se pode encontrar é o legado que Sir Bobby Robson deixou-me como pessoa e o que deixou como meu mentor, ensinando-me a sua ética de trabalho passando isso à minha ética de trabalho como jornalista, pois recuso-me a escrever histórias de “interesse pessoal” ao custo da dignidade dos outros. Depois de conhecer Bobby Robson na minha terra natal e de re-encontrá-lo em Lisboa, começámos uma relação de longa duração em contacto pessoal e depois por correspondência.

Bobby Robson foi sempre um homem muito privado e escolheu desde o inicio o tema de futebol nas nossas conversas…porque entendeu que foi aí que focado o nosso ponto de interesse comum. Nada da sua família, nada da política. Futebol, só.

Ficou sempre bem evidente que ele vivia o jogo com uma paixão e sentido de aventura e vontade de trabalhar e aprender, que ele achava fascinante. Apesar dos pontapés injustiças que ele levava ao longo da sua carreira, dizia sempre “ninguém é maior que o jogo de futebol”, e aceitava sempre tudo que aconteceu como “parte do jogo”. Mesmo quando foi vítima do acto mais vil, mais estúpido na história do futebol, quando foi demitido pelo Presidente Cintra do Sporting Clube de Portugal (Lisboa) quando SCP estava em primeiro lugar na Liga Portuguesa, ele confiou “Nós teríamos ganho o campeonato e teríamos continuado a fazer do Sporting um dos grandes clubes da Europa”, Bobby Robson encolheu os ombros e disse-me “Assim seja. O quê posso fazer??”

Adorou sua estadia no FC Porto e respeitou muito o Presidente visionário deste clube, Jorge Nuno Pinto da Costa, Presidente que mais sucesso gozou na história do jogo. Nas palavras de Bobby Robson, Pinto da Costa foi um “homem inteligente e um excelente gestor de homens que sabe trazer o sucesso ao seu clube e que, como eu, vive a sua vida mais por trazer felicidade aos outros do que vangloriar-se pessoalmente naquilo que fez. Uma pessoa muito especial.” Respeitou muito também a estrela crescente, José Mourinho, que previa “seria o melhor treinador numa nova geração de treinadores científicos, que eu compreendo, mas que pertencem à próxima geração”.

Não vou revelar mais, apesar de ter nas minhas mãos uma riqueza de comentários sobre futebolistas e dirigentes de futebol ao longo das últimas três décadas por uma razão muito simples: foi-me revelado “off the record” e prometi ao Sir Bobby Robson que honraria sempre o meu compromisso.

E assim será sempre. O que posso dizer é que Bobby Robson aprendeu durante a sua vida a importância de respeitar os outros, de viver uma vida com humildade e dedicar-se a criar bem-estar, concentrando-se em trazer alegria às comunidades onde trabalhava e sentindo esta necessidade de forma constante apesar de travar uma batalha durante quase duas décadas contra o câncer. Apesar disso até tinha umas boas palavras a dizer sobre os mais vis de jornalistas desportivos: “Eles apenas fazem seu trabalho” – mesmo aqueles ligados ao FC Barcelona, onde ele lamentou “ Eles escolhem sua equipa antes de você e se você escolher a mesma equipa que eles, eles mudam a equipa deles e depois espetam a faca nas sua costas se algo correr mal. Às vezes é exasperante porque você trava uma batalha perdedor desde o momento em que acorda até que deitar mas o que posso fazer, a única coisa que possa fazer, é continuar a trabalhar. Mesmo quando confrontado com o pior tipo de pessoa, tem-se de manter a dignidade e se se mantiver fiel a isso, ganhou”.

Numa palavra só, Sir Bobby Robson representa a dignidade, algo que o jogo de futebol precisa e algo que o jogo não deve esquecer. Não só o futebol inglês e internacional aprendeu muito do Sir Bobby Robson durante a sua vida, mas ainda tem muito a aprender da sua memória. Que seja o Sir Bobby Robson Foundation o seu legado ao lado da grande alegria e dignidade que ele trouxe a tantos milhões de pessoas no mundo inteiro.

Até sempre, Sir Bobby, mas nunca adeus. Estará nos nossos corações e na alma do futebol para sempre. E muito obrigado.

TimothyBANCROFT-HINCHEY

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