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Entrevista - Martín Almada : 'Brasil oculta arquivos do Paraguai'

25.06.2008
 
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-­ A Argentina, sem dúvida, lidera este movimento. O Chile é uma vergonha regional, um governo socialista incapaz de honrar com a memória de Salvador Allende. O Chile se vendeu a acordos internacionais e tudo foi privatizado, a começar pela mente das pessoas e o conceito de público. Quando abrirem os arquivos no Brasil, muitos generais serão presos, é isto que freia. Com a Usina de Itaipu, criou-se uma nova classe: os barões de Itaipu, que enriqueceram com a corrupção e não querem ser descobertos. Mas também falta mobilização do povo. Sou amigo pessoal do ministro brasileiro de Direitos Humanos, Paulo Vanucci, verei o que posso fazer. Me interessa muito o caso brasileiro por uma especial desconfiança. 

11. Qual?

-­ Sustento que Juscelino Kubitschek e João Goulart foram vítimas da Operação Condor. Investigo como o condor voou e segue voando.

12. Como assim?

-­ Sob controle da Conferência dos Exércitos Americanos (CEA), criada em 1961 e dirigida pelo Pentágono, continua-se a perseguir terroristas na América do Sul. O Brasil não falta nunca às reuniões, que acontecem a cada dois anos. Argentina, Venezuela, Cuba, Equador e Bolívia já não são integrantes, e nós vamos pedir que Lugo se retire. A CEA é a globalização da Operação Condor


Perfil

Martín Almada
Nascido em Puerto Sastre, Paraguai, o advogado, escritor e professor, de 61 anos, liderou o movimento pela abertura dos arquivos da ditadura no Paraguai. Preso durante a Operação Condor, foi libertado após uma campanha da Anistia Internacional. De 1986 a 1992, trabalhou na Unesco.


"Suspeito de que toda região fronteiriça do Paraná, onde está a Usina de Itaipu, é do Paraguai e foi tomada na guerra.

Mas não queremos terras, apenas reivindicamos nossa História "

História


Guerra do Paraguai (1864-1870) Também chamada Guerra da Tríplice Aliança, foi o maior conflito armado internacional do continente americano. Temeroso de que a instabilidade política no Uruguai prejudicasse a estabilidade no recém-pacificado Rio Grande do Sul, Dom Pedro II interferiu na política interna uruguaia, que foi seguida de uma reação do Paraguai, desencadeando a guerra. 

Após cinco anos de luta, Brasil, Argentina e Uruguai, aliados, derrotaram o Paraguai. Dois terços dos paraguaios adultos morreram e praticamente só restavam vivos idosos, mulheres e crianças. A economia paraguaia, a mais pujante da região no momento, foi devastada. A derrota tornou o Paraguai, um dos países menos desenvolvidos da América do Sul. 

Operação Condor Aliança político-militar entre os regimes militares de Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras instalados nos países do Cone Sul.

Montada no início dos anos 1970, durou até a onda de redemocratização, na década seguinte. A operação foi batizada com o nome do condor, ave típica dos Andes e símbolo da astúcia na caça às suas presas. O governo americano tinha conhecimento dela, conforme demonstram documentos secretos divulgados pelo Departamento de Estado, em 2001.

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