Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

192ª Festa do Divino de Pirenópolis em 2010

Desde 15 de Abril de 2010, a cidade de Pirenópolis, no Estado de Goiás, ergue-se orgulhosa, pois o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural registrou a Festa do Divino Espírito Santo como patrimônio cultural imaterial brasileiro com inscrição no Livro das Celebrações. A Festa do Divino acontece anualmente desde 1819 sendo que o final da festa tem como marcação as Cavalhadas que foram introduzidas desde 1826.

O reconhecimento do PRAVDA, torcedor e tanto da cultura, ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

O sagrado e o profano; a realeza e o popular; a diversidade e a singularidade.

A Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis, considerada uma das mais expressivas celebrações do Espírito Santo no país, pelo grande número de rituais, personagens e componentes, como as Cavalhadas de mouros e cristãos e os Mascarados montados a cavalo, vem sendo realizada anualmente desde 1819. Os rituais têm início na Páscoa e seguem até o domingo seguinte ao feriado de Corpus Christi, o clímax da Festa se dá no Domingo de Pentecostes ou do Divino, cinqüenta dias após a Páscoa, com as Cavalhadas.

Enraizada no cotidiano dos Pirenopolinos, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis é a mais rica expressão da religiosidade popular da cidade, determinando padrões de sociabilidade, consolidando-se como elemento fundamental de sua identidade cultural, onde os moradores se dedicam e se preparam ao longo de um ano inteiro para festejar e participar desta celebração histórica, considerada seu maior bem cultural . Uma festa feita pelos moradores, para a comunidade Pirenópolina e visitantes.

As festas de santos, de devoção religiosa cristã e como expressão da cultura popular, foram trazidas por jesuítas e colonos açorianos e se popularizaram por todo o país. Aqui, se fundiram aos cultos de matriz africana, às crenças religiosas indígenas e encontraram a celebração judaica de Pentecostes ou Domingo do Divino.

Desde sua origem em Portugal, a figura mais importante da Festa do Divino é a do Imperador, escolhido atraves de um sorteio a pessoa tem que ser catolico e morador local e independe de classe social. O Imperador, a quem cabe toda a responsabilidade de promover e cuidar para que tudo se realize com ordem, incentivando, angariando fundos e mobilizando a população nos afazeres da festa , tem como principais atributos a generosidade, a hospitalidade e a distinção .

Vários ritos em uma mesma festa, com destaque para; As Folias, as novenas e missas, o Império e As Cavalhadas. As diferentes manifestações mesclam festejos religiosos e profanos, como Folias na roça e na cidade, Alvoradas com as bandas de Couro e de música Phoenix, grupo de Congado, Repique de Sinos e descarga de Roqueiras, Missas, apresentação de grupos de Tradições Regionais, Procissões, Novenas, cortejos do Imperador, Reinados e Juizados, a peça teatral “As Pastorinhas” e as tradicionais Cavalhadas.

O costume de se homenagear o Divino Espírito Santo vem do tempo do Brasil Colônia, sendo encontrado em várias cidades por todo o país, principalmente naquelas onde a mineração, somada a mão de obra de índios e de escravos. Em Goiás, as festas foram se difundindo a medida que a Igreja ia ocupando espaço nos arraiais emergentes em função das descobertas auríferas, a partir do século XVIII.

O símbolo da festa é uma Pomba Branca sobre uma mandala. A pomba significa o Divino Espírito Santo e a mandala de fogo o momento em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos , a Pentecostes . As cores da festa, branco e vermelho, significam paz e o sangue de Jesus.

A Festa do Divino chega ao seu final com As Cavalhadas introduzida na festa em 1826, têm início na manhã do domingo de Pentecostes, cinquenta dias após a Páscoa, e vão até terça-feira à noite. Num autêntico quadro vivo, As Cavalhadas evocam batalhas medievais entre mouros e cristãos em uma complexa encenação equestre em honra do Imperador e do Espírito Santo : De um lado, vestindo azul, o rei cristão: Carlos Magno e os doze pares da França; do outro, o rei mouro, o Sultão da Mauritânia, com seu "exército de infiéis" trajando vermelho . As Cavalhadas chegam aos seu final quando critãos e mouros, já batizados, rezam ao Divino e descarregão suas armas celebrando e confraternizando .

Anunciando a abertura das Cavalhadas pelas ruas da cidade, no sábado, bem como durante, no intervalo das encenações, Os Mascarados, ou Curucucus, dão um ar brincalhão a festa fazendo algazarras com suas roupas extravagantes e máscaras enfeitadas, tanto a cavalo, também enfeitados, como a pé, numa manifestação de alegria e uma maneira de espantar os maus espíritos. Os Mascarados estão presentes em todas as cavalhadas realizadas no Brasil, quanto à origem: acredita-se ser africana, porém, a máscara de boi é típica de Pirenópolis.

Quando se torna uma Festa só para os pirenopolinos

Apesar de por quatro finais de semana consecutivos haver um maior número de pessoas na cidade para assistir aos diversos festejos dessa complexa festa, o grande momento que a cidade se abre para o mundo é o fim de semana em que ocorre o ritual do Império e se iniciam as Cavalhadas, que apesar de ter a duração de três dias (domingo, segunda e terça), na segunda e na terça a cidade se esvazia, transformando a Festa numa comemoração doméstica, já que esses dias são feriados municipais e os turistas retornam aos seus compromissos em suas cidades de origem.

Observações: Dez dias depois da festa celebramos o dia de Corpus Crist . Neste dia de madrugada se enfeita a rua Direta com um belo tapete de flores por onde passa a prossição de Corpus Crist as 05:00 da manhã,

Ao meio dia ainda saiem alguns mascarados pelas ruas ao 12;00, as 19:00 celebra-se na igreja matriz a missa de Corpus Crist quando o imperador da festa de 2010 passa a coroa do Divino para o novo imperador Thales Jayme responsável pela festa de 2011, após a missa o novo imperador e conduzido ate sua casa onde a Coroa do Divino Espirito Santo ficará ate a festa de 2011 a noite termina com uma grande festa salgadinhos, refrigerantes, chope a vontade e muita musica tipica “ forró”. No dia seguinte iniciam-se as cavalhadinhas mirrin, uma festa do divino só com crianças é quando de fato termina esta festa Brasileira. “ São tantas coisas que só Pirenópolis pode mostrar” ( frase da Canção por Pirenópolis).

Iphan elegeu a festa em Pirenópolis como patrimônio cultural imaterial brasileiro

Todos os rituais da festa foram apresentados ao Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que se reuniu no dia 15 de abril no Rio de Janeiro, com a proposta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan para registrar a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis como patrimônio cultural imaterial nacional. Depois do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará, em outubro de 2005, a Festa do Divino Espírito Santo de Pirenópolis é a primeira manifestação religiosa encaminhada à análise do Conselho Consultivo e registrada como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, com inscrição no Livro das Celebrações.

Fotos:

1 ) Cristiano da Costa (guia coordenador pirenopolino) e Geovana S. Leite (Técnica da Agência Estadual de Turismo - Goiás Turismo)

2 ) Cristiano da Costa e Dona Celia de Pina. (dona do Museu das Cavalhadas)

Caso precisar verificar as nossas informações, contatar ao Iphan - Assessoria de Comunicação

Adélia Soares – adelia.soares@iphan.gov.br

Fones: ++ 55 61 2024 6187 – 3326 6864

Gustavo Espiñeira

Correspondente PRAVDA.ru

Montevidéu - Uruguai