Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

SINDIUVA: Motivos da Greve

SINDIUVA - Informa resposta das seções sindicais ao Governo do Estado e Direito de resposta de estudante da UECE

Este documento foi encaminhado e protocolado no dia 19 de Novembro de 2007 no gabinete do Governador e serve para termos uma base do andamento das negociações sobre o nosso PCCV e o movimento paredista das universidades estaduais.

Os professores e estudantes das Universidades Estaduais do Ceará – UECE, URCA e UVA - em luta unificada em defesa de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, exigem do Governo Cid Gomes imediata providências em relação à grave situação em que se encontram essas instituições.

Por isto, vimos perante V. Sas. expor os motivos que levaram os docentes UECE e URCA a deflagrarem greve, com amplo apoio dos estudantes, e, ao final, reivindicar abertura de negociações em torno de uma pauta específica, conforme abaixo.

a) DOS MOTIVOS DA GREVE:

1. A não implantação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), conforme compromisso assumido pelo governo Cid Gomes;

2. A proposta unilateral de PCCV apresentada pelo governo não atende as reivindicações básicas da categoria docente, tendo sido rejeitada nas assembléias dos docentes das três universidades (UECE, URCA e UVA);

3. O governo permaneceu intransigente, quanto a sua proposta inicial de PCCV, não considerando, durante as audiências, nem um dos itens propostos pelos docentes;

4. O governo encerrou unilateralmente o diálogo na audiência do dia 24 de setembro último, contradizendo princípios fundamentais de sua retórica;

5. O governo desobedece a determinação judicial exarada pelo Supremo Tribunal Federal, que dá ganho de causa aos professores referente ao Piso Salarial;

6. O aprofundamento da precarização das condições gerais de funcionamento das três universidades públicas estaduais, ocasionado pelo contingenciamento das verbas de custeio e investimento praticado pelo atual governo;

7. Ausência de uma política de assistência estudantil condizente com as necessidades do corpo discente das universidades estaduais cearenses.

b) DA SOLICITAÇÃO E PAUTA DE NEGOCIAÇÃO:

Pelos motivos acima arrolados, o movimento paredista unificado de professores e estudantes solicita abertura imediata das negociações para tratar da seguinte pauta:

1. O estabelecimento de agenda para implantação do PCCV ainda este ano;

2. Mediação em torno dos pontos de impasse do PCCV:

a. O percentual de recomposição salarial

b. O prazo de escalonamento da recomposição

c. Conteúdo do Projeto de PCCV

3. O Piso Salarial

4. A Política Estadual de Assistência Estudantil

5. Um Plano de Melhoria das Universidades Públicas Estaduais do Ceará – UECE, URCA e UVA -, em curto prazo, garantindo verbas de custeio e investimentos à altura das necessidades dessas instituições.

Reiteramos nossa inequívoca disposição para dialogar, negociar e resolver esses problemas, que ferem de morte as Universidades Públicas Estaduais do Ceará.

PARTICPE DA ASSEMBLÉIA GERAL DOS PROFESSORES

21 DE ABRIL AS 19HS NO AUDITÓRIO CENTRAL DO CAMPUS DA BETÂNIA

VENHA DECIDIR SOBRE O MOVIMENTO DE GREVE DA CATEGORIA

By Tiago Viana™ - 20/11/2007 - RastreadoreS de ImpurezaS - http://rastreadoresdeimpurezas.blogspot.com

Dire i to de resposta de um aluno da UECE

Os jornais de ontem (19/11) vieram com uma nota publicada pelo Governador do Estado do Ceará à sociedade cearense. A nota do governo foi produzida com o objetivo de fazer pressão à sociedade para com os professores em greves das Universidades Públicas do estado (URCA, UVA, EUCE) voltem a dar aula. A nota mostra também dados de como o estado tem aumentado os salários dos professores, e assim, "valorizado" a educação pública do estado. A mensagem subliminar desta nota morta noticiada nos jornais de ontem quer dizer mesmo é isso aqui: "O Governo do Ceará fez e faz o que pode para enaltecer os professores que estão em greve sem motivos algum, fizemos nossa parte, tentamos o diálogo, e não podemos atender as reivindicações injustas dos professores, agora queremos que os professores voltem a trabalhar para não levar prejuízos para os coitadinhos dos alunos – cambada de professores vagabundos, anarquistas, baderneiros, especuladores e carrascos do pobre governo".

Como aluno daquela instituição de ensino (EUCE), como cidadão, como não foge ao tema do Blog dos RASTREADORES DE IMPUREZAS , que é a comunicação oferecida pelos meios tradicionais de comunicação, seja em publicidades, em notas de jornais, na TV ou outro órgão parecido de manipulação de massas, não poderia deixar de comentar aqui e nem de dar minha resposta a este caos que há muitos anos assola as universidades públicas deste país. Segue meu direito de resposta:

Sou aluno da UECE. É a segunda greve em um ano e meio que enfrento. Se quero que os professores voltem a trabalhar? Apenas depois que o Governo crie vergonha na sua administração e modifique de forma positiva o ensino público. Queremos uma educação de qualidade. Com infra-estrutura de primeiro mundo. A luta que se reverteu em greve não se trata apenas para aumentar salários defasados dos professores. É muito mais que isto. Se realmente o Governo do Ceará estivesse preocupado com o ensino, jamais teria deixado chegar nesta situação de calamidade pública. Somos mais prejudicados com as precárias condições de ensino do que uma greve que tem o objetivo de reverter este quadro e trazer reais benefícios a toda população. A greve é o único poder democrático que os trabalhadores têm para despertar um interesse de negociação com os governantes, e assim, sensibilizá-los do que algo errado esta acontecendo. Negociações sérias eram para ter acontecido e não apenas impor migalhas a classe que era para ser a mais respeitada neste Brasil.

Senhor Governador resolva o caso da UECE. Por que será que quando se trata de educação pública os governos tratam este tema de forma mesquinha, empurrando com a velha barriga. É como se a educação fosse um grande empecilho para o desenvolvimento do país. Prejuízos maiores para nós alunos é formar cidadão sem a mínima estrutura física da universidade. Resolver o problema definitivo agora se faz necessário, para que no futuro o risco de greve seja mínimo. Dinheiro o governo tem. A questão maior é a prioridade de aproveitamento da verba. Dar incentivos fiscais, ceder a pressões de grupos econômicos é não respeitar a imensa maioria que o colocou neste governo, sentado nesta cadeira confortável. Senhor Governador, o imponente é funcionário público, gestor do nosso estado, deve ceder apenas às reais pressões que surjam da coletividade, do maior grupo que se chama população. Somos alunos e queremos respeito dos governantes. Não somos mendigos a pedir favores, somos estudantes e queremos nossos direitos na prática, em ação. Vamos continuar lutando pela Universidade Pública com condições reais de funcionamento em suas muitas instâncias.

Tiago Feitosa Viana (20/11/2007)