Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Montevidéu tornou-se pequena Hollywood sul-americana

Um livro do prêmio Nobel português José Saramago está sendo o responsável para que a Cidade Velha montevideana esteja extremamente movimentada nestes últimos dias pois baseado nele, um quarteirão da Rua Colón está virando Cinderela na hora que o Príncipe segura as mãos e acaba percebendo que essa mulher foi sua dançarina sonhada em um castelo da vida.

Calcorreando as ruas da história do século XIX com sotaque português pela Antiga Cidade de Montevidéu, hoje Cidade Velha, deu para descobrir que estava ocorrendo uma situação estranha é tanto nessa rua Colón enforcada pelos cabos das câmaras desde a travessa Cerrito até Piedras indo rumo ao Porto.

“Pulamos” por cima do filme amarelo feito faixa, desses que nos filmes enlatados gringos encontram-se contornando a vítima na cena do crime para andar alguns metros por perto de um casal quase como uma mochila deles começando um bate-papo em português pois eram parte da produção que muito tem a ver com o Brasil, dessa peça que daqui a pouco tempo você leitor vai assistir nos cinemas do mundo.

Uma sugestão deles fez com que descêssemos pela rua Colón dando uma virada na Piedras até encontrar um “placa” de cartão da cor branca pendurada dum parafuso segurado numa porta antiga e com o endereço escrito com letra que nada tinha a ver com a chanceleresca mostrava-se a localização precisa desse escritório com vida curta, Piedras 310.

Uma escada de mármore na frente, chão com desenho xadrêz até alcançar o topo e mais uma vez tendo que xerocar nossas palavras para uma outra pessoa da produtora que ficava querendo saber de nós e o Pravda em Montevidéu.

Assim que decidíramos falar português para uma loirinha simpática, sem entender nada pois era uruguaia, deu um pulo até o quarto do lado na procura de alguém que pudesse ajudá-la na tradução desse tal correspondente que “incomodava-a” querendo averiguar algumas novidades dessa longa-metragem “desconhecida” que estava nascendo devagarinho.

E o Rei chegou, como fala numa música o apresentador dum Show do Reginaldo Rossi ao vivo

Dois castelhanos começaramos conversar do projeto canadense-brasileiro e uruguaio que já deu início em Toronto, está chegando em Montevidéu para meados de Setembro e vai continuar logo em Sampa.

Mistêrio absoluto quanto ao filme, só deram-nos algumas dicas de abrangência muito ampla que mesmo desse jeito o Pravda teve o raro privilégio de conferir ao vivo.

Arroz desse lado, pegamos logo, feijão, também uma carninha de porco e laranja, ligamos o gás da fornalha e começamos cozinhar uma feijoada gostosa que vai se intitular “Ensaios da Cegueira”.

Os destaques são Mark Buffalo e Giuliana More, e o diretor Fernando Meirelles, esse que fez famosa Cidade de Deus. Dando uma de pesquisador ou mínimo de curioso, conseguiamos imaginar que mesmo que a Rua Colón vai agüentar o maior peso desta porção montevideana do filme, é muito provável que mais algumas cenas sejam filmadas nalguns recantos lindos da tal Cidade Velha.

Uma sugestão para os cinéfilos, seria uma boa ficar de olho na pré-estréia desta peça pois aos poucos vamos lhe oferecer algumas dicas deste filme para logo se lembrar delas no cinema e verificar ao vivo que tudo aquelo que está lendo agora virou realidade.

Uma faixa que diz: Pet Shop, uma outra com o nome carimbado em bronze da empresa Mario Santana S.A. ( essa não é da ficção, existe mesmo), fachadas cor rosa e amarelo tão brilhante assim que só poderia agüentar o olhar acima delas com óculos com cristais pretos, os meios-fios trasladaram-se mais para o eixo da rua pois com certeza o tráfego não vai ser importante lá e só vai dar calçadão e muitos barzinhos do jeito Vila Madalena paulista.

Quase com certeza não por acaso a escolha dessa filmagem “caiu acima” da rua Colón pois no século XIX “andaram” os tílburis, com ou sem capota, tirados por um cavalo só levando para o porto querendo pegar o navio rumo ao Rio, á França ou Lisboa, as celebridades da época como Dona Ana Fleury, Manuela Luisa Osores Mascarenhas, o famoso médico José Ignacio de Barros Pimentel, a Viscondessa de Soarez Franco, o Cónsul português Luis A. Ribeiro, alguns Guimarães famosos, Anita e Giusseppe Garibaldi, a família Sá, os Braga e muitos outros.

Fora isso, o 13 de Março de 1889, o número 71 dessa rua Colón, por incrível que pareça nesse quarteirão que hoje está arrumando tudo para a filmagem de “Blindness” foi a residência do Cónsul português em Montevidéu, Luis A. Ribeiro, que terá ouvido o tilintar das esporas dos gaúchos da época mas nunca na vida teria imaginado que os flashes do cinema iam refletir nas paredes da sua casa.

Regredindo alguns anos damos um mergulho no decênio de 60 do século XX, descobrindo a rua Colón mostrando uma outra cara pois também foi plataforma comercial que fizeram famosa os judeus uruguaios, aliás toda loja lá tinha sotaque israelense do outro lado do balcão de atendimento.

Uma Igreja como São Francisco de Assis é histórica para a cultura luso-brasileira ficando apenas um quarteirão desse trecho da rua Colón que hoje é destaque desta matéria sendo que o ùltimo dia da filmagen foi alvo das camarinhas e quase do lado foi o Quartel Geral da produtora colocando um grande barraco branco com “janelas” feitas de filme transparente para os atores comessem, bebessem e conversassem.

Pode conferir mais alguns dados da produtora do filme no site á seguir:

WWW.elcaminofilms.com

Quase poderiamos dizer que ouvem-se as marteladas e o barulho que produzem as furadeiras da “nova” rua Colón desde um novo cenário cinéfilo internacional que ergueu-se apenas cinco quarteirões daí pois a logomarca mais famosa do mundo quanto á refrigerantes se refer começava gravar mais um videoclipe.

Abrangendo quase a metade do comprimento da rua Rincón entre ás travessas Treinta y Tres e Misiones, no eixo central, colocaram-se uma dúzia de mesinhas, uma diferente da outra, contornadas por duas fileiras de cadeiras alinhadas a cada lado, todas lotadas pelos “destaques” dessa tal chamada como sempre reunindo todo tipo aparências tentando mostrar que o produto cativa clientes do mundo inteiro, seja qual for a raça e a cor da pele.

Acabou descobrindo a logomarca ?

As ferramentas para começar “brigar” com as massas, nesta oportunidade feitas fios estavam acima dos pratos no aguardo dessa engolida dos extras, que mais logo iam receber alguns bolos com desenho Lemon Pie que chegaram desses “camiões-restaurantes” que do lado do ônibus-vestiario, maquiavam o ambiente.

Logistica gastronómica e cinéfila estourava acima da rua Treinta y Tres, para um lado e para o outro da Rincón, fora que no trecho mais próximo da Praça Matriz sempre tendo como referência a Rincón, maquiavam a Old City montevideana como se fosse a “Maça” de Nova Iorque, ganhando o apelido de Pequena Manhattan sul-americana mínimo nestes últimos dias.

Caminhões e ônibus desses modelinhos que assistiamos nos filmes enlatados americanos das décadas de 50 e 60, foram parte fundamental nesse enfeite da rua que não vai se perceber no clipe, pois é apenas material de apoio.

Mas, houve um detalhe, o bem melhor, vários que fez com que qualquer um que estivesse dando uma de curioso na região poderia imaginar que estava curtindo mesmo o “cheirinho” da grama do Central Park.

Três carros com placas autênticas de Nova Iorque esperavam sua vez para ser os destaques nesta peça da publicidade mundial.

Aí do lado, um Jeep com a placa NEW YORK – DAC 1052 – THE EMPIRE STATE, mais alguns metros apoiado no mesmo meio-fio mais um carro BMW cinza, modelo 74 que tinha como placa a seguinte: NEW YORK – VLA 7553, acabando com o show das placas um TAXI desses típicos amerelinhos, desta vez marca NISSAN que tinha por “CPF” o código: 38377 TX, é claro, também de Nova Iorque.

Tendo como referência o Jeep, do outro lado da calçada e na porta duma Garagem um sinal de tráfego desses redondinhos sustentado pelo poste cilíndrico de sempre, mostrava o “P” apagado e algumas sugestões tentando avisar para os motoristas que proibia-se estacionar lá:

11 am to 12:30 pm Tues & Fri – No Access to West St. from N. Moore St. – Use Harrison St.

Das onze da manhã até meio-dia e trinta, Terças e Sextas - Acesso proibido pela rua West desde a rua N. Moore – Usar a rua Harrison.

Duas faixas coloridas com jeito típicamente nova-iorquino tingiam ainda mais a zona dessa “cor” que os organizadores da chamada estavam querendo oferecer para o cliente da tevê.

Um DO-N´T desenhado em dois andares contendo duas letras cada, foi imã de muitos que ficavam de olho nele, por enquanto, os produtos mais famosos do mundo inteiro vendem-se á partir destes clipes que continuam fazendo decolar aviões e idéias na capital uruguaia, seja por causa da qualidade das montadoras cinéfilas uruguaias que continuam aumentando como indústria não tradicional, ou de mãos dadas com a qualidade, o preço de banana que cobram estas montadoras se compararmos com algumas de fora que produzem com qualidade idêntica.

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai

Sexta, 14 de Setembro de 2007