Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

UNICEF anuncia queda nas taxas mundiais de mortalidade infantil

Pela primeira vez mortes de crianças menores de cinco anos são inferiores a 10 milhões por ano.

LUANDA, 14 de Setembro de 2007 - Os dados estatísticos mais recentes do UNICEF indicam que houve queda nas taxas de mortalidade entre crianças menores de 5 anos. O número global de mortes de meninas e meninos caiu para níveis inéditos, atingindo 9,7 milhões de mortes por ano. Em 1990, esse número chegou a quase 13 milhões.

Os dados estatísticos resultam de diversas fontes de dados dos países e de duas pesquisas: a de Indicadores Múltiplos (MICS) e a de Demografia e Saúde, ambas conduzidas pelo UNICEF. A série mais recente foi feita em mais de 50 países entre 2005 e 2006. Juntamente com as Pesquisas de Demografia e Saúde patrocinadas pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), as de indicadores múltiplos constituem a mais importante fonte individual de informação sobre os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio e formam a base para trabalhos de avaliação a respeito da sobrevivência infantil.

“Vivemos um momento histórico”, afirmou a Directora Executiva do UNICEF, Ann Veneman, “Mais crianças estão sobrevivendo hoje do que em qualquer outro momento. Devemos aproveitar o impulso deste êxito na área da saúde pública para conquistar os Objectivos de Desenvolvimento do Milênio”.

Dos 9,7 milhões de crianças que morrem todo ano, 3,1 milhões correspondem à Ásia Meridional e 4,8 milhões à África ao sul do Saara. Nos países em desenvolvimento, em geral, as taxas de mortalidade na infância são consideravelmente mais altas entre os meninos e meninas que vivem em áreas rurais e cujas famílias são mais pobres. Nos países desenvolvidos, a taxa de mortalidade infantil é de apenas seis por 1.000 nascidos vivos.

As taxas mais elevadas de mortalidade na infância continuam a ser registradas nos países da África Ocidental e Central. Na África Meridional, entretanto, a propagação do VIH tem impedido o progresso em prol da sobrevivência das crianças, que havia sido conquistado com grande esforço.

Grande parte dos avanços obtidos em diversas partes do mundo deve-se à adopção generalizada de acções e políticas de saúde básica, como o aleitamento materno precoce e exclusivo, a vacinação contra o sarampo, a oferta de suplementos de Vitamina A e o emprego de mosquiteiros impregnados com inseticida para evitar a malária.

Os resultados divulgados em Nova Iorque confirmam o progresso obtido com a queda nas taxas de mortalidade por sarampo, observado desde 1999, com uma redução de cerca de 60% no número de mortes causadas por essa doença. Nos países da África ao sul do Saara, a proporção caiu cerca de 75%.

Situação em Angola

Angola não possui dados actualizados que permitam indicar com certeza qual o contributo do país para esta redução mundial. Por isso, o Ministério da Saúde ( MINSA) conta com o apoio do UNICEF para a realização de um inquérito sobre Nutrição Infantil que vai decorrer entre Outubro e Novembro de 2007. Em Abril de 2008, vai então implementar-se um inquérito de Indicadores Múltiplos (MICS) para aferir o nível correcto ou aproximado e as tendências das actuais taxas de mortalidade materno-infantil, dentre outros.

Entretanto, o Governo angolano começou este ano uma nova batalha para fazer baixar a mortalidade das crianças menores de cinco anos e reduzir a mortalidade das mães grávidas. Para conseguir alcançar esses objectivos, o MINSA está a revitalizar os serviços de saúde a nível municipal utilizando uma abordagem de Cuidados Primários de Saúde, com vista a acelerar o acesso universal às intervenções vitais de saúde e melhorar os indicadores de saúde. Esta revitalização será implementada através do investimento em 2007-2013 no Plano de Aceleração das Acções de Sobrevivência e Desenvolvimento da Criança. Este plano será implementado em 3 fases até atingir todo o país, com o apoio do FNUAP, UNICEF e OMS, bem como outros parceiros a nível global e regional.

Angela Kearney, Representante do UNICEF em Angola, confirmou que “c om a revitalização dos serviços de saúde, vamos actuar não só no tratamento mas também na prevenção das doenças que afectam as crianças e as mães, desde a gravidez , através de um enfoque integrado que inclui serviços de saúde, água e saneamento e também educação.”

Fonte: UNICEF Angola