Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Brasil: Controle aéreo normalizado

Brasil: Controle aéreo normalizado
Brasil: Controle aéreo normalizado

"Não há mais atrasos por problemas de controle aéreo", diz DECEA

Em entrevista ao Em Questão, o brigadeiro afirmou que o sistema de controle do tráfego de aviões no País é seguro, que estão sendo formados novos controladores para suprir a atual deficiência desses profissionais e que os equipamentos estão dentro das normas de funcionamento previstas. Responsável pelos quatro Cindactas (Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo) do País, o brigadeiro Ramon Cardoso, formado pela Academia da Força Aérea em 1971, está no comando do DECEA desde novembro do ano passado.


Em Questão - Qual a situação hoje do controle do tráfego aéreo no País?


Major Brigadeiro Ramon Cardoso - Nós temos duas variáveis em relação ao controle aéreo. A primeira é relativa ao volume de tráfego, que teve crescimento muito grande, inclusive maior que a média mundial. É processo que se vem desenvolvendo há vários anos. O segundo aspecto é quanto a nossa capacidade. Temos condições de controlar todos os vôos que queiram ser realizados no nosso espaço aéreo no que se refere a consoles, radares, sistemas de comunicação. Nossa limitação é no número de controladores que conseguimos pôr em operação simultaneamente. E isso faz com que haja espaçamento de vôos.


EQ - O que está sendo feito para suprir essa deficiência? As novas contratações de controladores vão resolver o problema?


Maj Brig A Cardoso - Recebemos autorização para fazer a contratação de controladores que já se haviam aposentado. Esses controladores estão sendo contratados para suprir um pouco a nossa deficiência. E também estamos ampliando a formação desses técnicos de modo que até o final de 2008 nós tenhamos formado aproximadamente 600 novos controladores para assumir as funções em todo o Brasil e suprir nossa necessidade atual.


EQ - Como está a relação com os controladores?


Maj Brig A Cardoso - Colocamos as pessoas que tinham comportamento inadequado fora das áreas de controle. Obviamente, houve todo um desgaste entre os controladores e os oficiais diante de tudo o que aconteceu. Mas, ao mesmo tempo, temos de dar apoio a todos os outros controladores que estão trabalhando muito bem para que a gente tenha o controle do tráfego aéreo seguro.


EQ - Quantos controladores há hoje?


Maj Brig A Carsoso - Cerca de 2.500 controladores no Brasil, dos quais 2.100 militares e 400 civis. Esse é o total de controladores existentes para cumprir todas as atividades. Não só o controle da aviação civil, mas também a parte de defesa aérea.


EQ - Qual é o tempo que leva para formar um controlador?


Maj Brig A Cardoso - O curso básico é de um ano. Depois disso, nós temos outra fase de especialização, que varia de acordo com o órgão operacional onde o controlador vai trabalhar. É importante registrar que trabalhamos para diminuir o tempo de formação especializada, sem prejuízo da qualidade, e aí teríamos os novos controladores entrando mais cedo em operação.


EQ - Os equipamentos dos Cindactas estão em ordem?


Maj Brig A Cardoso - Os equipamentos são instalados com expectativa de uso de aproximadamente 10 anos. Nós temos dois sistemas que estão na hora de trocar: o de Curitiba fica pronto em outubro deste ano. A substituição do de Recife começa a partir do término do serviço feito em Curitiba, de modo que aquele esteja pronto em outubro do ano que vem. Em relação aos radares, todos estão em ordem. Estamos fazendo a última modernização para prorrogar o tempo de vida deles por mais 10 anos. Na parte de comunicação, estamos substituindo alguns equipamentos, que estão chegando próximo desse limite de vida útil de 10 anos.


EQ - Não há, portanto, problemas com equipamentos?


Maj Brig A Cardoso - Não temos problemas com equipamentos. Nós temos planejamento de substituição e à medida que recebemos os recursos orçamentários estamos cumprindo essa substituição, que inclusive já estava planejada. Não é coisa nova. O documento que fez esse planejamento foi de 2005. Então, nós estamos realmente cumprindo o que já estava planejado anteriormente.


EQ - O que é possível dizer sobre a ocorrência no Cindacta 4? (Na sexta-feira passada, houve pane elétrica no Cindacta 4, em Manaus, que prejudicou o controle dos vôos na região.)


Maj Brig A Cardoso - Existe uma investigação em curso. Mas tudo leva a crer que nós tivemos ali um erro da pessoa que estava executando o serviço, erro humano. O técnico que estava executando os procedimentos o fez de maneira errônea. Estamos fazendo avaliação técnica daquela ocorrência e também sindicância para sabermos se o erro foi intencional ou não.


EQ - Quais os parâmetros internacionais de controle aéreo que o Brasil segue?


Maj Brig A Cardoso - Os estabelecidos pela Organização da Aviação Civil Internacional, que tem 188 países filiados. Ela estabelece critérios, procedimentos e recomendações,que são cumpridos por nós aqui no Brasil. Atendemos perfeitamente aos requisitos internacionais, tanto de segurança quanto de operação de equipamentos e de sistemas.


EQ - O que o senhor diria aos passageiros no Brasil com relação ao controle do tráfego aéreo?


Maj Brig A Cardoso - Os passageiros podem ter certeza de que estão voando em sistema de controle seguro. Casos de atrasos, cancelamentos ou situações como a do Cindacta 4, de Manaus, ocorrem justamente para manter a segurança do tráfego aéreo e nenhum vôo correr riscos. É importante que os passageiros saibam que o vôo em si é apenas uma parte do controle feito e que estamos trabalhando intensamente, em conjunto com a Infraero e a Anac, para que os problemas enfrentados hoje nos aeroportos sejam solucionados o mais rapidamente possível, sem comprometer questões fundamentais como as de segurança. No que diz respeito ao controle aéreo, as medidas para resolver os problemas foram tomadas. Eles hoje são muito mais ligados aos aspectos meteorológicos, com aeroportos fechados, obviamente, por causa dessa dificuldade de visualização dos pilotos. Não é possível voar com visibilidade muito baixa para pousos e decolagens.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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