Brasil já começa a sofrer efeitos do aquecimento global

Quarto maior emissor de poluentes no mundo, segundo o Greenpeace, o Brasil já começa a sofrer os efeitos do aquecimento global. Os males causados pelo efeito estufa já são sentidos e vão piorar no país. As principais conseqüências são a alteração das paisagens vegetais e a ocorrência de alterações climáticas até então jamais vistas no país, como ciclones no Sul, rios secando na Amazônia e inundações por todo o país. Já se espera pelo aumento do nível do mar e pelo desaparecimento de sistemas biológicos, como decorrência do derretimento das massas de gelo nos pólos.

Estudos realizados pelo Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos, relacionado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, revela que a temperatura vai subir no Brasil. Na Amazônia, considerada os “pulmões” do planeta, a previsão é de que aumente 8 ºC até o ano de 2100.

Com isso, a floresta Amazônica, localizada no Norte do país, se tornará um ambiente seco e quente e se transformará em uma savana; a ilha de Marajó, uma das maiores do Brasil, localizada no Pará, perderá quase 40% de sua extensão para o mar; no Nordeste, onde estão as maiores áreas secas do país, está previsto um aumento de 4,5 ºC, o que levará à desertificação dessa região; no Centro-Oeste, com a diminuição das chuvas, o Pantanal, verdadeiro paraíso ecológico, terá suas espécies ameaçadas; no Sudeste brasileiro, parte da faixa de areia sumirá da orla marítima; e, na região sul, a elevação do mar provocará inundação das áreas com matas nativas.

O Ministério do Meio Ambiente divulgou estudo recente, mostrando que a seca e o avanço das águas sobre as praias brasileiras acabariam por criar uma nova classe, a dos "refugiados ambientais". O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) define refugiados ambientais como “pessoas que foram obrigadas a abandonar temporária ou definitivamente a zona onde tradicionalmente vivem, devido ao visível declínio do ambiente (por razões naturais ou humanas), perturbando a sua existência e/ou a qualidade da mesma, de tal maneira, que a subsistência dessas pessoas entra em perigo".

Ameaça ao planeta

No verão de 2006, foram registradas cerca de 40 mortes na França e outras 50 nos Estados Unidos por causa de altas temperaturas no hemisfério norte. A Holanda, Espanha e Alemanha também tiveram vítimas pela onda de calor.

Documento divulgado no último dia 2 de fevereiro, pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, organismo da ONU, garante, com 90% de certeza, que a população humana é responsável pelo aquecimento global com emissão de poluentes, principalmente dos gases quem vêm da queima de combustíveis fósseis. Os piores exemplos são os das usinas termelétricas e dos veículos automotores. As queimadas e o desmatamento também contribuem para esse processo. O ozônio, o gás carbônico e o monóxido de carbono despejados no ar formam uma camada nociva de gases e de difícil dissipação. Esse efeito estufa superaquece os pólos e derrete geleiras em níveis muito acima da normalidade. A conseqüência imediata é o aumento do nível do mar.

Na Antártica, cerca de três mil quilômetros quadrados se transformaram em água entre os anos de 1998 e 1999. Dezenas de ilhas da Oceania, entre elas Fiji, Nauru, Tuvalu e Vanuatu, correm o risco de submergir com o aumento do nível dos oceanos. Entre 1993 e 1999, o nível dos oceanos subiu entre 5 a 10 milímetros, de acordo com estudos da Nasa, a agência espacial norte-americana. Segundo a Organização das Noções Unidas, haverá uma elevação de quatro a seis metros no nível do mar, o que provocará tragédias jamais vistas no planeta.

Larissa Mercante

BRASIL

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey