Brasil: Mercado de Trabalho

De 2003 a 2006, ocupação com carteira assinada cresceu 13,3% - No período, a população ocupada nas seis principais regiões metropolitanas do País aumentou em 8,6%, e o trabalho doméstico cresceu 18,4%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Desde 2003, o rendimento médio dos trabalhadores cresceu 5,6% ,e a população desocupada caiu 14,4%, enquanto o rendimento médio domiciliar per capita subiu 10,7%.

No período, a população ocupada nas seis principais regiões metropolitanas do País aumentou em 8,6%, e o trabalho doméstico cresceu 18,4%, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE. Desde 2003, o rendimento médio dos trabalhadores cresceu 5,6% ,e a população desocupada caiu 14,4%, enquanto o rendimento médio domiciliar per capita subiu 10,7%.

Em 2006, a população ocupada apresentou um crescimento médio de 2,3% frente a 2005 e de 8,6% em relação a 2003. A expansão da ocupação foi maior entre as mulheres, as pessoas com 50 anos ou mais, com 11 anos ou mais de estudo, os cônjuges e os filhos.

O grupo dos empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado teve a maior elevação (5,2%) entre 2005 e 2006. Os resultados de 2006, quando comparados com 2003, mostram que o contingente de trabalhadores domésticos aumentou 18,4% superando, inclusive, a ampliação do número de empregados com carteira assinada (13,3%) entre 2003 e 2006.

A expansão da ocupação no período 2005-2006 foi resultante da elevação observada no grupamento dos serviços prestados a empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (5,0%). No período 2003-2006 este grupamento apresentou crescimento de 15,5%, abaixo apenas do verificado nos serviços domésticos (18,4%).

Em 2006, o número de pessoas desocupadas, isto é, procurando trabalho,cresceu 4,0% em relação a 2005, mas em relação a 2003, houve queda (-14,4%). A média mensal da taxa de desocupaçãofoi estimada em 10%. Entre 2003 e 2005, esta estimativa era de 12,3% e 9,8% respectivamente.Já o rendimento médio mensal habitualmente recebido pela população ocupada foi estimado em R$1.045,75, subindo 4,3% em relação a 2005, e 5,6% frente a 2003.

Ocupação cresceu mais entre as mulheres

Em 2006, a média mensal de pessoas ocupadas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas cresceu 2,3% frente a 2005. Esta oscilação, embora positiva, evidencia uma desaceleração no ritmo de crescimento da ocupação em 2006 nas regiões de Salvador, São Paulo e Porto Alegre. Em relação a 2003, houve expansão de 8,6% na ocupação, sendo o maior incremento na região metropolitana de Belo Horizonte (14,1%). Recife foi a região com menor variação (4,6%) principalmente pelo baixo desempenho nos anos de 2004 e 2005.

A evolução da ocupação foi diferenciada por sexo tanto no período entre 2005 e 2006 quanto entre 2003 e 2006. Os dados mostram que a expansão foi mais intensificada entre as mulheres em ambos os períodos e para todas as regiões metropolitanas. Com isso a participação das mulheres dentre os ocupados passou de 43,0% em 2003 para 44,0% em 2006. A única exceção foi a região metropolitana de São Paulo em 2006 quando comparado com 2005 em que os homens apresentaram variação de 2,0% contra 1,7% para as mulheres.

Com relação à idade verificou-se a permanência de uma maior inserção entre aqueles com 50 anos ou mais e uma diminuição na parcela das pessoas entre 18 e 24 anos de idade em todas as regiões metropolitanas tanto em comparação com 2005 quanto com os valores médios de 2003.

O crescimento da ocupação foi sustentado pela parcela de pessoas com 11 anos ou mais de estudo que representavam, em 2006, 52,1% dos ocupados ante a proporção de 46,7% em 2003. Praticamente, todos os demais grupos apresentaram redução na sua participação como pode ser verificado na tabela a seguir.

Dentre as pessoas ocupadas 48,5% eram os principais responsáveis pela família, 22,3% eram cônjuges e 24,0%, filhos. Entre 2003 e 2006, em todas as regiões metropolitanas a expansão da ocupação foi acompanhada de uma maior participação dos cônjuges e filhos, à exceção do Rio de Janeiro, onde a distribuição das pessoas ocupadas segundo a condição na família permaneceu inalterada.

Em 2006, as pessoas ocupadas tinham uma jornada média semanal de 40,5 horas efetivamente trabalhadas. À exceção de Recife, todas as regiões metropolitanas apresentaram redução no número de horas trabalhadas entre 2003 e 2006.

Com relação aos empreendimentos os resultados mostram que a maioria estava ocupada naqueles com 11 ou mais pessoas (57,3%). No ano de 2006, observou-se a permanência da ampliação da ocupação nas organizações com 11 ou mais pessoas. Na região metropolitana de Salvador, ao contrário das demais, o crescimento da ocupação foi evidente nos empreendimentos com 1 a 5 pessoas.

As estimativas para a população ocupada que contribui para a previdência revelam que tanto no último ano quanto no período entre 2003 houve uma expansão superior a da população ocupada. Cabe lembrar que entre 2003 e 2006 o número de pessoas ocupadas aumentou 8,6% e, como mostra a tabela a seguir, entre aqueles que contribuem para a previdência a variação foi de 11,9%.

Número de ocupados contribuintes para a previdência cresceu 11,9% desde 2003

Em 2003, 61,2% das pessoas ocupadas contribuíam para a previdência em qualquer trabalho e em 2006 esta proporção cresceu para 63,1%. A região metropolitana que apresentou a maior participação de ocupados contribuintes foi Porto Alegre (67,9%) e a menor foi Recife (54,0%).

Dentre as pessoas ocupadas que contribuíram para a previdência em 2006, 57,6% eram homens e 42,4% mulheres. Com relação à idade verificou-se que 15,6% tinham entre 18 e 24 anos, 67,2% com 25 a 49 anos e 16,5% com 50 anos ou mais de idade.

População ocupada com carteira assinada só não cresceu em Salvador

A população ocupada foi desagregada em oito categorias: empregados com carteira assinada no setor privado, empregados sem carteira assinada no setor privado, trabalhadores por conta própria, empregadores, trabalhadores domésticos, militares ou funcionários públicos estatutários, empregados com carteira assinada no setor público e empregados sem carteira assinada no setor público. Os resultados revelam que, dentro da população ocupada, tanto no último ano quanto no período entre 2003 e 2006 aumentou gradativamente a participação dos empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado.

Entre as regiões, Salvador foi a única apresentar queda na comparação com 2003, uma vez que este grupo de trabalhadores passou de 36,0% para 35,6% da população ocupada. Em 2006, a região com a maior proporção desta categoria dentre os ocupados foi São Paulo (44,6%) e a menor Recife (33,7%).

População ocupada com carteira cresceu 13,3% desde 2003

Em 2006, a média das estimativas mensais para os empregados com carteira no setor privado situou-se em aproximadamente 8,4 milhões de pessoas no conjunto das seis regiões metropolitanas pesquisadas. Entre 2005 e 2006, este grupo cresceu 5,2%, contra uma variação de 2,3% na população ocupada. Entre 2003 e 2006 esta categoria de posição na ocupação também cresceu expressivamente: 13,3%, ou mais 985 mil pessoas. A região metropolitana de Belo Horizonte registrou elevação 20,9% e a de São Paulo, 14,6%.

Com relação aos anos de estudo, os resultados revelam que a parcela dos empregados com carteira de trabalho no setor privado com 11 anos ou mais de estudo passou de 53,4% em 2003 para 60,2% em 2006. Por outro lado, entre os menos escolarizados que não completaram o ensino fundamental (sem instrução ou com menos de 8 anos de estudo) houve redução nesta participação em todas as regiões investigadas.

Ao desagregar os empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado por grupamento de atividade foi possível identificar que o grupamento da indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água respondeu por 26,0% para o total das seis regiões. Em Porto Alegre a participação foi de 34,4% e em Salvador, 15,9%.

O grupamento do comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis, onde estão concentrados 20,5% dos empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado, apresentou uma distribuição mais homogênea entre as regiões metropolitanas.

Os dados revelam também que a Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou a maior contribuição (24,5%) do grupamento dos serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira dentre os empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado.

Número de empregados sem carteira cai 3,1% desde 2003

A participação média dos empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado no total de ocupados passou de 15,5% em 2003 para 14,8% em 2006. Esta redução decorreu do crescimento mais acentuado entre os empregados com carteira de trabalho assinada (13,3%), uma vez que entre 2003 e 2006 o contingente de empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado registrou variação de 3,1%.

Em 2006, os homens respondiam por 62,2% dos empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado e as mulheres 37,8%. No tocante à idade, a pesquisa apurou um crescimento na participação daqueles com 50 anos ou mais de idade de 11,8% em 2003 para 13,1% em 2006, o que também foi identificado em todas as regiões investigadas.

Com relação à escolaridade, também houve maior participação daqueles com 11 anos ou mais de estudo em todas as regiões metropolitanas investigadas pela Pesquisa Mensal de Emprego. Em 2006 dos empregados sem carteira assinada no setor privado, 32,5% eram sem instrução ou tinham menos de 8 anos de estudo, 23,2% tinham de 8 a 10 anos de estudo (ensino fundamental completo) e 44,3% tinham 11 anos ou mais de estudo (ensino médio completo).

Considerando os empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado desagregados por grupamento de atividade, houve entre 2003 e 2006 aumento da participação desta forma de inserção nos grupamentos dos serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira (de 14,1% em 2003 para 15,1% em 2006) e em outros serviços (de 22,7% para 23,7%).

Trabalho por conta própria caiu 1 ponto percentual

Os trabalhadores por conta própria (3,881 milhões de pessoas) representavam em 2006, 19,1% das pessoas ocupadas, mas em 2003 esta proporção era de 20,0%. A região com maior concentração desta forma de inserção foi a do Rio de Janeiro com 23,1% e a menor foi a de São Paulo, onde 16,1% das pessoas ocupadas eram trabalhadores por contaprópria.

Nesta categoria de trabalhadores também foi observado aumento da participação das mulheres, de 36,6% em 2003 para 38,0% em 2006 e daqueles com 11 anos ou mais de estudo de 32,7% em 2003 para 37,1% em 2006.

É importante destacar, além da crescente participação daqueles com 50 anos ou mais de idade que chegou a 31,0% em 2006 contra 27,6% em 2003, o fato de que entre os ocupados a parcela daqueles com 50 anos ou mais de idade situou-se em 18,5% em 2006. Esse comportamento foi mais expressivo na Região Metropolitana de São Paulo, onde a contribuição dos trabalhadores por conta própria passou de 27,7% em 2003 para 33,1% em 2006.

No tocante aos grupamentos de atividade, cabe destacar que em Recife, 43,2% dos trabalhadores por conta própria estão no comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis conforme a tabela a seguir.

Número de militares e funcionários públicos só não cresceu na região metropolitana do Rio de Janeiro

Dentre as pessoas ocupadas no conjunto das seis regiões metropolitanas, 7,4% eram militares ou funcionários públicos estatutários totalizando 1,495 milhões de pessoas em 2006. Esta proporção (7,4%) manteve-se estável entre 2003 e 2006, mas entre as regiões a evolução e a participação desta categoria é bastante diferenciada. No que se refere à evolução do contingente de pessoas nesta forma de inserção, o maior crescimento médio mensal em 2006 em relação a 2003 ocorreu na região metropolitana de Recife (26,3%) cujos militares e funcionários públicos estatutários passaram de 8,4% para 10,1% da população ocupada nesta região. A região metropolitana do Rio de Janeiro foi a única a apresentar redução entre 2003 e 2006 (-2,2%).

As mulheres eram maioria para o agregado das seis regiões metropolitanas (52,7%), mas em Recife e Rio de Janeiro elas respondiam por 45,9% e 45,3%, respectivamente. Com relação à idade, dentre os militares e funcionários públicos estatutários, 6,7% tinham entre 18 e 24 anos, 66,1% tinham entre 25 e 49 anos e 27,2% tinham 50 anos ou mais de idade. Cabe destacar a elevação daqueles com 50 anos ou mais, dado que em 2003 eles representavam 22,2% dos militares e funcionários públicos estatutários.

Categoria dos trabalhadores domésticos foi a que mais cresceu desde 2003

A participação dos trabalhadores domésticos dentre os ocupados era de 8,2% em 2006 contra 7,6% em 2003. Os resultados referentes a esse contingente (1,672 milhões em 2006) mostram que esta foi a categoria que mais cresceu entre 2003 e 2006 (18,4%). Esta trajetória ascendente é explicada pela expansão do número de trabalhadores domésticos nos anos de 2004/2003 (6,9%) e 2005/2004 (7,7%). O crescimento médio em 2006 com relação as estimativas de 2005 foi de apenas 2,8%.

Em 2006, dos trabalhadores domésticos, 94,4% eram mulheres, 1,3% tinham idade entre 15 e 17 anos de idade, 8,8% entre 18 e 24 anos, 67,5% entre 25 e 49 anos de idade e 22,1% tinham 50 anos ou mais de idade.

Com relação à escolaridade verificou-se, como nas demais formas de inserção, um aumento da parcela com 11 anos ou mais de estudo no período entre 2003 e 2006 (de 9,8% para 14,8%).

Em 2006, do total de trabalhadores domésticos, 34,8%, isto é, 581 mil pessoas, tinham carteira de trabalho assinada com destaque para a região metropolitana de Porto Alegre onde esta proporção atingiu 42,4%. Em contrapartida, em Recife, apenas 31,7% tinham carteira de trabalho assinada. Entre 2003 e 2006 a pesquisa apurou, com relação ao contingente de trabalhadores domésticos, crescimento de 16,7% daqueles com carteira de trabalho assinada e de 19,3% daqueles sem carteira de trabalho assinada.

Desde 2003, Serviços Domésticos foi o grupamentos de atividade que mais cresceu

Os resultados mostram que nos serviços domésticos (1.672 mil pessoas), que respondiam por 8,2% da população ocupada, houve estabilidade entre 2005 e 2006, mas no período entre 2003 e 2006 este grupamento foi o que mais cresceu (18,4%).

Também verificou-se que em 2006 persistiu a ampliação da ocupação nos Serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira de forma que a participação deste grupamento aumentou de 13,9% em 2005 para 14,3% em 2006. Com relação `as estimativas de 2003, este grupamento apresentou um crescimento de 15,5%, que corresponde a um acréscimo de 389 mil pessoas, também acima da expansão da população ocupada (8,6%).

Entre 2003 e 2006 os seguintes grupamentos apresentaram crescimento abaixo da média da população ocupada: indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (7,6%), construção (3,4%), comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis (5,4%), educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social (7,6%) e outros serviços (8,3%).

População Desocupada caiu 14,4% desde 2003

Os resultados da Pesquisa Mensal de Emprego, para as seis regiões metropolitanas investigadas, mostram que em 2006 houve uma reversão na trajetória de queda do número médio mensal de pessoas desocupadas presente nos anos de 2004 e 2005. A média mensal da população desocupada foi de 2,245 milhões de pessoas o que representou um crescimento médio mensal de 4,0% quando comparadocom as estimativas do ano de 2005. Esta expansão foi observada em todas as regiões metropolitanas, com exceção de Salvador que registrou queda.

A ampliação da desocupação no ano de 2006, no entanto, não foi suficiente para alcançar a média das estimativas mensais de 2003 (2.624 mil pessoas) e de 2004 (2.493 mil pessoas). A Região Metropolitana de Recife foi a única a crescer, em relação a 2003.

Entre 2003 e 2005, a diminuição do contingente de desocupados incidiu sobre ambos os sexos. A redução foi mais intensa entre os homens, e a parcela de mulheres cresceu neste período, passando de 54,6% em 2003 e 56,6% em 2005. Entre 2005 e 2006 quando, entretanto, houve elevação no número de desocupados diferentemente do observado nos anos anteriores, a participação das mulheres caiu para 55,2%. Esta redução na participação feminina deve-se ao fato de que em 2006 o número de mulheres registrou variação de apenas 1,5% contra elevação de 7,1% no contingente de homens nesta condição. A menor participação das mulheres entre os desocupados foi observada nas regiões do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

A elevação da desocupação esteve presente em todas os grupos etários analisados entre 2005 e 2006 registrando variações de: 1,6% entre aqueles com 15 a 17 anos de idade, 3,0% para aqueles com 18 a 24 anos, 4,9% para os com 25 a 49 anos de idade e 4,3% para as pessoas com 50 anos ou mais de idade. Com isso a parcela daqueles com idade entre 25 e 49 anos de idade passou de 46,5% em 2005 para 46,8% em 2006 e, em contrapartida, o percentual das pessoas desocupadas entre 18 e 24 anos de idade passou de 38,4% em 2005 para 38,2% em 2006. Cabe salientar, que entre 2003 e 2005 os resultados mostravam uma ampliação da participação dos jovens entre 18 e 24 anos de idade, sendo que em 2003 eles representavam 36,5% dos desocupados.

Com relação ao nível de instrução das pessoas desocupadas, conforme nos anos anteriores, verificou-se expansão dos mais escolarizados. Em 2006, aqueles com 11 anos ou mais de estudo representavam 47,9% dos desocupados contra 39,9% em 2003. Na região metropolitana de São Paulo a oscilação chegou a 9,6 pontos percentuais.

Entre 2003 e 2006 a participação daquelas pessoas que declaram nunca ter trabalhado anteriormente entre os desocupados aumentou gradativamente, chegando a representar 20,4% dos desocupados em 2006, contra 18,5% em 2003. A única região metropolitana com trajetória distinta foi Porto Alegre, onde a participação das pessoas que nunca trabalharam anteriormente diminuiu pelo segundo ano consecutivo.

Em 2006, taxa de desocupação média fica acima da de 2005

Entre maio de 2004 e abril de 2006, a taxa de desocupação esteve em todos os meses sempre abaixo das estimativas para o mesmo mês dos anos anteriores. A partir de maio de 2006 houve uma ruptura nesta tendência, e a partir de junho de 2006 a taxa de desocupação superou a de 2005, mas manteve-se bem abaixo dos resultados de 2003 e 2004.

Dessa forma, a média das estimativas mensais de 2006 (10,0%) superou a de 2005, mas foi inferior a dos anos anteriores. Nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, o indicador apresentou evolução similar. Em Recife houve crescimento da taxa de desocupação pelo segundo ano consecutivo. Por outro lado, em 2006 a taxa de desocupação caiu frente a 2005 nas regiões metropolitanas de Salvador e Belo Horizonte. Em Salvador a queda decorreu da redução do número de pessoas desocupadas (-11,3%), mas em Belo Horizonte esteve associada ao crescimento do número de pessoas ocupadas (5,9%).

A desagregação por sexo, permitiu identificar que em 2006 os homens registraram uma taxa de desocupação maior que o valor médio para 2005. As mulheres, ao contrário, mantiveram a trajetória declinante observada desde 2003 como pode ser visto na tabela a seguir, principalmente pelo comportamento do indicador nas regiões de Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

As taxas de desocupação por idade são bem mais elevadas entre os mais jovens com 15 a 17 anos (32,6%) e com 18 a 24 anos de idade (21,0%). Entre 2005 e 2006 houve redução de 1,0 ponto percentual entre aqueles com 15 a 17 anos de idade, para o agregado das seis regiões metropolitanas na comparação com as estimativas de 2003, todas as faixas etárias estudadas registraram redução como mostra a tabela a seguir.

No tocante à escolaridade verificou-se que aqueles com 8 a 10 anos de estudo apresentaram as maiores taxas de desocupação. Em relação a 2005, todos os estratos mantiveram-se estáveis. Na comparação com 2003 foi evidenciada queda, também nas três coortes: sem instrução e com menos de 8 anos de estudo, com 8 a 10 anos de estudo e com 11 anos ou mais de estudo, conforme mostra a tabela a seguir.

A evolução da taxa de desocupação de acordo com a condição na família acompanhou a trajetória da taxa de desocupação média agregada para o total da população com estabilidade entre 2005 e 2006 e declínio no período mais amplo entre 2003 e 2006.

Entre os grupamentos de atividade, o da construção foi o que registrou a maior queda na taxa de desocupação entre 2003 e 2006 (de 8,9% para 5,5%) principalmente em função do movimento observado na região metropolitana de São Paulo onde os valores médios desta estimativa oscilaram de 9,7% em 2003 para 5,5% em 2006.

O único grupamento a apresentar variação positiva noperíodo entre 2003 e 2006 foi o da indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água na região metropolitana de Porto Alegre.

Desde 2003, Rendimento Médio Real cresceu 5,6%

Em 2006, no agregado das seis regiões abrangidas pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, a média anual do rendimento médio mensal da população ocupada foi estimada em R$ 1.045,75, registrando um aumento de aproximadamente 4,3% em relação à média estimada em 2005. Cabe conferir, no quadro abaixo, que este comportamento foi similar em todas as regiões. Nas regiões metropolitanas de Recife e São Paulo o ganho anual foi superior a 5,0%.

Em 4 anos (entre 2003 e 2006), houve um ganho ainda mais expressivo no poder de compra da população ocupada no total das seis regiões pesquisadas (5,6%). À exceção da Região Metropolitana de Porto Alegre, as demais apresentaram variações na média anual do rendimento médio mensal acima de 5,0%.

Apesar da visível recuperação do rendimento da população ocupada nos últimos dois anos, conforme foi mencionado nos parágrafos anteriores, não foi retomado o poder de compra da população em relação ao ano de 2002*. No segundo semestre de 2006 o rendimento foi menor que o auferido para o mesmo período de 2002 (2,6%).

A retrospectiva do ano da Pesquisa Mensal de Emprego também traz análises do rendimento médio real da população ocupada segundo as formas de inserção, e os grupamentos de atividade.

Rendimento de militares e funcionários públicos cresceu 6,5% em relação a 2005

A análise do rendimento, no que se refere àforma de inserção no mercado de trabalho, mostrou que, 2006 foi um ano de ganho de poder de compra para todas as categorias.

Os empregados do setor privado (com e sem carteira de trabalho assinada) apresentaram em um ano aumento no rendimento em torno de 4,0%, enquanto que, para os trabalhadores por conta própria foi observado aumento de aproximadamente 5,0%. Já o rendimento dos empregadores teve alta de aproximadamente 2,2%.

A categoria que compreende os militares e funcionários públicos estatutários foi a que registrou maior crescimento em relação a 2005 para o conjunto das seis áreas pesquisadas (6,5%).

Regionalmente, os destaques foram o aumento de 7,2% no rendimento dos trabalhadores sem carteira de trabalho assinada na Região Metropolitana de São Paulo e o aumento de 12,1% na categoria dos trabalhadores por conta própria na Região Metropolitana de Porto Alegre.

Rendimento cresceu para todos os grupamentos de atividade

A análise da média anual do rendimento médio mensal para o conjunto das seis áreas no que tange os sete grupamentos de atividade, alvo de análise mensal na PME, mostra que houve ganho em todos os grupamentos de atividade em 2006.

Para o conjunto das seis áreas, que em quase todos os grupamentos de atividade os ganhos de 2005 para 2006 foram superiores aos observados no período de 2004 para 2005, com exceção apenas em dois grupamentos: Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveise Outros serviços (alojamento, transporte, limpeza urbana e serviços pessoais).

A categoria que compreende serviços domésticos foi a que apresentou maior crescimento anual de 2005 para 2006 (7,3%). Podemos afirmar que o aumento do salário mínimo, indexador principal desta categoria, foi o principal responsável por este comportamento. Nesta categoria que se concentram os mais baixos rendimentos.

Os grupamentos: Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social e Serviços prestados à empresa, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, onde estão concentrados os postos de trabalho com os maiores níveis de rendimento, apresentaram aumento entre 2005 e 2006 (5,1% e 2,7%, respectivamente). Nos anos de 2003, 2004 e 2005 o grupamento da Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social não apresentou variação significativa.

O aumento observado na média anual do rendimento médio mensal relativo aos serviços domésticos foi de aproximadamente R$ 25,00, contra R$ 70,00 registrado no grupamento da Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social.

O grupamento da Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água também apresentou resultados positivos. O rendimento cresceu 5,8% entre 2005 e 2006. À exceção da Região Metropolitana de Salvador (-1,7%) as demais apresentaram crescimento neste grupamento de atividade.

O grupamento da Construção, que vem apresentando quedas sucessivas no rendimento, apresentou, entre 2005 e 2006, um crescimento de 4,1%.

Rendimento médio domiciliar cresceu 9,1% desde 2003

Para o conjunto das seis regiões, em 2006, a média anual do rendimento médio mensal domiciliar estimada em R$ 1.777,83 apresentou crescimento de 5,5% entre 2005 e 2006. Se considerarmos o período de 2003 para 2006 o aumento foi de 9,1%.

Rendimento domiciliar per capita cresceu 10,7% desde 2003

A média anual do rendimento médio mensal domiciliar per capita foi estimada em R$ 648,46, para o agregado das seis regiões pesquisadas em 2006, e apresentou variação de 6,1% em relação a 2005. Embora esta estimativa naRegião Metropolitana de São Paulo fosse a mais alta dentre as regiões pesquisadas e a única superior a dois salários mínimos (R$ 761,60), o maior crescimento anual foi verificado em uma região metropolitana nordestina (Recife, 10,8%). Esclarecendo que foi verificada nesta região a menor média anual do rendimento médio mensal domiciliar per capita (R$ 411,42).

Nota:

A série histórica da PME, iniciada em março de 2002, não nos permite uma comparação anual, por esta razão a comparação foi feita entre os segundos semestres.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

Ricardo Bergamini
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http://paginas.terra.com.br/noticias/ricardobergamini

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Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey