Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Brasil: Pesquisa anual do comércio

Pesquisa Anual do Comércio – Fonte IBGE

Base: Ano de 2004

Brasil tinha 1,38 milhão de empresas comerciais em 2004

Com receita operacional líquida de R$ 798,2 bilhões em 2004, o comércio do País cresceu 11,7% em relação a 2003. Dentre seus três segmentos, o de veículos, peças e motocicletas teve um crescimento real de 18,6% (contra 14,2% para o varejo e 7,9% para o atacado).

Regionalmente, o comércio continuou a se desconcentrar. A participação do Sudeste, em receita bruta, caiu de 58,7% em 1996 para 53,4% em 2004. As outras regiões ampliaram sua participação e a do Centro-Oeste cresceu mais: de 6,6% para 9,0%.

Responsável por 32,6% da receita bruta do comércio brasileiro, o estado de São Paulo continuou liderando em 2004. Já o Rio de Janeiro (8,6%) caiu da segunda posição, em 1996, para a quarta em 2004, atrás de Minas (9,7%) e Paraná (8,8%).

Segundo a Pesquisa Anual do Comércio - PAC1, do IBGE, em 2004 o Brasil tinha cerca de 1,380 milhão de empresas comerciais, atuando através de 1,441 milhão de estabelecimentos que geraram uma receita operacional líquida de R$ 798,2 bilhões. Essas empresas ocupavam cerca de 6,681 milhões de pessoas, que receberam um total de R$ 45,2 bilhões, entre salários, retiradas e outras remunerações.

Em relação a 2003, houve um crescimento real de 11,7% na receita operacional líquida do comércio no País. O pessoal ocupado nessa atividade teve um acréscimo de 559 mil pessoas (9,1%) e a massa salarial teve um aumento real de 12,8% no mesmo período.

Em 2004, as empresas comerciais com 20 ou mais pessoas ocupadas eram cerca de 33 mil e, embora fossem apenas 2,4% do total pesquisado, suas receitas (R$ 592,0 bilhões) representavam 74,2% do total estimado para o comércio do País. Tais empresas ocuparam 2,329 milhões de pessoas e pagaram R$ 24,6 bilhões em salários (respectivamente 35,0% e 54,4% dos totais estimados para o segmento comercial).

Em 2004, as empresas com 500 e mais pessoas ocupadas (0,03% do total das empresas comerciais ativas) geraram R$ 243,4 bilhões ou 30,5% da receita estimada na atividade comercial pela PAC.

Por outro lado, as empresas com até 19 pessoas ocupadas (98,0% do total) foram responsáveis pela geração de R$ 225,4 bilhões, ou 28,2% da receita operacional líquida.

Com mais empresas e empregos, varejo gera menos receita que o atacado

Em 2004, o Varejo manteve-se como a segunda participação no total da receita líquida do comércio no País, e continuou a apresentar as maiores proporções quanto ao número de empresas e estabelecimentos e quanto ao pessoal ocupado.

Composto de 1,162 milhão de empresas (84,3% das empresas comerciais pesquisadas em 2004), o comércio varejista obteve uma receita operacional líquida estimada em R$ 333,5 bilhões (41,8% da mesma receita da atividade comercial). O varejo ocupava cerca de 5,083 milhões de pessoas (76,1% do total de ocupados na atividade comercial), que receberam R$ 29,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações, ou 64,5% do total dessas remunerações do comércio.

Em relação a 2003, a receita operacional do comércio varejista cresceu 14,2%, o número de postos de trabalho cresceu 8,5% (mais 399 mil ocupados) e as remunerações pagas aumentaram 12,4%.

Quanto à receita operacional líquida, os ramos em destaque foram os combustíveis e os hipermercados e supermercados. O primeiro gerou R$ 79,5 bilhões de receita operacional líquida (ou 23,8% da receita do varejo) e o segundo, R$ 78,9 bilhões, ou 23,6% do total.

O segmento de hipermercados e supermercados apresentou a maior participação na massa salarial do comércio varejista em 2004 (R$ 4,4 bilhões, ou 15,0% do total pago). A média salarial desta classe situou-se em 2,4 salários mínimos mensais, valor mais alto do varejo. A revenda de combustíveis e lubrificantes ocupou a segunda posição (juntamente com as lojas de departamento, eletrodomésticos e móveis) em termos de salário médio (2,2 salários mínimos mensais) e a primeira, em produtividade, alcançando R$ 285 693, deixando os hipermercados e supermercados com a segunda colocação (R$ 139.970). Ambos apresentaram produtividade mais elevada que a média para o conjunto do varejo, cerca de R$ 64.938.

O segmento de tecidos, artigos do vestuário e calçados ocupou cerca de 794 mil pessoas, ou 15,6% das 5.083 mil pessoas ocupadas no varejo, e concentrava 19,0% das 1 162 mil empresas varejistas.

Os hipermercados e supermercados ocuparam 562.540 pessoas (11,1% do total do varejo)em 8 915 empresas (0,4% do total varejista). Ou seja, em cada empresa existiam, em média, 135 pessoas ocupadas, média essa mais alta da encontrada para o conjunto das empresas do varejo (4 pessoas ocupadas) e a maior encontrada dentre as atividades pertencentes ao âmbito da PAC 2004. Em seguida, com média de 10 pessoas por empresa, destaca-se o segmento de combustíveis e lubrificantes cujo número de pessoas ocupadas (277.427) e número de empresas (28.523) representava 5,5% e 2,5% do total, respectivamente.

Comércio de veículos, peças e motocicletas foi o segmento que mais cresceu

Com 123 mil estabelecimentos, o comércio de veículos, peças e motocicletas gerou R$ 99,1 bilhões em receita operacional líquida, e representava 8, 6% do total de empresas com atividade comercial. Este foi o segmento do comércio que mais cresceu: em relação a 2003, sua receita operacional líquida cresceu 18,6% (contra 7,9% para o comércio atacadista e 14,2% para o varejista). Já os salários pagos pelo setor aumentaram 12,5% e seu pessoal ocupado ganhou mais 62 mil pessoas (11,3%).

Em 2004, a venda de veículos foi responsável por 66, 3% da receita operacional do segmento de veículos, peças e motocicletas, seguida do comércio de peças para veículos (mais de 25 %) e do comércio de motocicletas, peças e acessórios (cerca de 5%). As três atividades, em conjunto, apresentaram produtividade de R$ 156.525, pagaram em média 2,4 salários mínimos e ocupavam em média 5 pessoas por empresa.

O comércio de veículos automotores teve participação de 51,4% no total dos R$ 4,9 bilhões de salários pagos, 61,8% do total das 610 mil pessoas ocupadas e 74,0% das 118 mil empresas deste segmento.

Maior parte da receita líquida do comércio vem do atacado

O atacado foi responsável pela maior parcela da receita operacional líquida do comércio: R$ 365,6 bilhões, ou 45,8% do total. Composto, em geral, por empresas de porte mais elevado que as do varejo, o atacado realiza um alto volume de vendas por cliente.

Em 2004, no atacado estavam 14,8% dos ocupados no comércio e apenas 7, 1% das empresas. Em relação a 2003, a receita líquida do atacado teve um aumento real de 18,6%, enquanto o número de pessoas ocupadas cresceu 11,1% (mais 98 mil) e os salários pagos, 13,8% (variação real).

As empresas que revendem combustíveis e lubrificantes por atacado obtiveram maior participação no total da receita operacional líquida: 33,3% dos R$ 365,6 bilhões gerados no comércio por atacado. Este desempenho está relacionado, por um lado, à desregulamentação do setor e, por outro, à elevação dos preços dos derivados do petróleo.

Destacam-se, em seguida, as revendas de produtos alimentícios, bebidas e fumo cujas receitas corresponderam a 13,8% deste segmento. Elas contribuíram com as maiores parcelas de salários, pessoal ocupado e número de empresas: 20,5% do total dos R$ 11,2 bilhões de salários, 30,2% das 987.814 pessoas ocupadas e 34,0% das 98 109 empresas por atacado.

Participação do Centro–Oeste foi a que mais cresceu

Analisando-se a distribuição regional das empresas comerciais, em 1996 e em 2004, observa-se a perda de representatividade da Região Sudeste: em 1996, ela participava com 58,7% do total de receita bruta de revenda de mercadorias no Brasil e em 2004, caiu para 53,4%. As outras regiões ampliaram sua participação e o Centro-Oeste variou mais: de 6,6% para 9,0%.

Quanto aos salários, a Região Sudeste continua a mais representativa, mas reduziu sua participação de 61,5%, em 1996, para 58,2%, em 2004. As demais regiões ampliaram sua participação no período, especialmente o Centro-Oeste: de 5,7% em 1996 para 7,2% em 2004.

O Sudeste também continua a absorver a maior parcela da força de trabalho do comércio, mas sua representatividade caiu de 56,5%, em 1996, para 52,8%, em 2004. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste aumentaram suas participações no total e o Sul manteve a mesma posição. Novamente o Centro-Oeste apresentou o maior aumento relativo: de 6,5% para 8,3%.

Quanto ao número de estabelecimentos comerciais, a participação do Sudeste caiu de 53,3%, em 1996, para 49,8%, em 2004, e a do Nordeste foi a que mais cresceu: de 16,4% para 18,5%, no período.

De 1996 a 2004, caíram as participações do comércio varejista e do comércio de veículos, peças e motocicletas no total da receita bruta de revenda de cada região, e aumentou a participação do atacado.

Paraná alcança o Rio em receita

São Paulo foi o estado mais representativo em receita bruta de revenda, em ambos os anos analisados, mas perdeu participação relativa: em 1996 era responsável por 35,1% do total da receita bruta de revenda e, em 2004, por 32,6%. Os outros estados mudaram suas posições relativas.

Caiu 3,2 pontos percentuais a participação do Rio de Janeiro na receita do comércio, passando da segunda colocação, em 1996, com 11,9%, para quarta em 2004, com 8,6%. A Unidade da Federação com a segunda maior participação na receita comercial em 2004 foi Minas Gerais, apresentando aumento de 9,6%, em 1996, para 9,7%, em 2004. Em 1996, Minas Gerais era a terceira maior unidade da federação em receita, atrás do Rio de Janeiro.

Na região Sul, em 1996, a maior participação na receita bruta de revenda do Brasil, era a do Rio Grande Sul (8,1% - em quarto lugar) seguido do Paraná (7,8%, em quinto). Entretanto, em 2004 o Paraná ganha a primeira colocação na região (8,8%) e a terceira posição no Brasil.

A Bahia respondia, em 1996, por 3,8% (sexto lugar) do total da receita bruta de revenda no Brasil, passando para 4,2% (sétima posição) em 2004, mantendo-se como líder na região Nordeste.

No Centro-Oeste, Goiás permaneceu com a maior participação, mas em relação aos outros estados, Goiás altera sua posição passando do nono lugar em 1996 (2,4%) para o oitavo em 2004 (3,1%). Mato Grosso sobe duas posições no ranking brasileiro. Em 1996, a participação deste estado no total Brasil foi 1,4% e, em 2004, 2,4%, portanto, saiu da décima terceira posição para a décima primeira. Com este aumento de participação, o Mato Grosso ultrapassa Brasília que permaneceu na décima segunda posição.

Quanto à participação na receita bruta de revenda do País, o Amazonas foi o destaque da região Norte, passando da décima sexta posição (0,9%) em 1996 para a décima quinta (1,2%), em 2004.

1 Na PAC são pesquisadas empresas com atividades compreendidas na seção G da Classificação Nacional das Atividades Econômicas – CNAE 1.0., divididas em três segmentos: o comércio por atacado, o comércio varejista e, separadamente o comércio de veículos, peças e motocicletas. São tabuladas e analisadas informações sobre o conjunto das empresas comerciais pesquisadas e sobre aquelas com 20 ou mais pessoas ocupadas.

Ricardo Bergamini
ricoberga@terra.com.br
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