Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Programa «Via Aérea» da tevê uruguaia na feira FEBRATEX 2010 de Blumenau

A valia do famoso jornalista da tevê uruguaia, Daniel Bianchi com três decênios mostrando sua cara na telinha fez que a FCEM, organizadora da maior feira de maquinaria têxtil da América – Febratex 2010 - convidasse essa camarinha em Blumenau de 10 á 13 de Agosto. O programa «Via Aérea» da Televisão Nacional do Uruguai vai refletir na prévia e após o evento tudo quanto estiver acontecendo e você pode acompanhar mergulhando no site do canal 5 de Montevidéu.

PRAVDA: Fora que no Uruguai não precisa apresentação nenhuma, os leitores lusófonos estão querendo conhecê-lo? Inícios da carreira? Nasceu em Fray Bentos? Hoje no Jornal Meio dia da Rádio CX 12 – Oriental?

BIANCHI: Nasci na cidade de Fray Bentos, no Departamento (Estado) de Río Negro, acima da beira do Rio Uruguai na divisa com Argentina. Desde moleque, estudante ainda,fiquei atraído pelos meios de imprensa. Essa forma intrínseca da adolescência me impulsionou nas primeiras experiências nas rádios-emissoras locais. Desde os meus inícios extremamente românticos até o presente na tevê e na rádio da capital aconteceram muitos fatos marcantes. Engatinhei no ambiente profissional na cidade de Mercedes (Depto. de Soriano, apenas 23 km da minha cidade natal), logo foi a vez de Montevidéu nas rádios CX 22 - Universal, CX 30 - Nacional, CX 26 - Sodre e CX 20 – Montecarlo. Também fui correspondente de vários meios de imprensa do continente Latino-Americano e da Europa.

Hoje, sou Diretor do Programa da tevé «Via Aérea», no Canal 5 que atinge o país todo – Televisão Nacional do Uruguai e o Depto. de Notícias de Rádio Oriental de Montevidéu, uma das emissoras com histórico mais importante no dial uruguaio. Também sou responsável de um programa – tipo magazine – apontando no ambiente empresarial, intitulado «Café com FM» na emissora FM del Sol da capital. Acho importante salientar que em cada um dos ambientes que acabei desenvolvendo minha tarefa tenho ganho amigos que na grande maioria dos casos continuamos mantendo esse relacionamento de amizade sendo parte de um processo de aprendizagem e progresso constante. Um convívio legal e conhecimento aplicado á prática da comunicação são instruções básicas – no mínimo no meu caso – para se aproximar nisso tão frágil que se chama felicidade.

P: Os inícios foram no Canal 4 – Monte Carlo TV de Montevidéu, como jornalista do telejornal desde o estúdio ganhando muita experiência até que conseguiu virar independente e trabalhar de mãos dadas com a coletividade espanhola no Uruguai, não é? Nome do programa?

BIANCHI: Falou. O programa intitulou-se «A Espanha de hoje» e logo mudou para «Espanha Vale». Esse programa foi o veículo para entrar em contato com a coletividade espanhola no Uruguai, que tem muito a ver com o progredir da vida deste país, de jeito específico na vida sócio-econômica atual. Foi este programa que me fez viajar pela Espanha toda (as grandes cidades e até os povoados), montando matérias e reportagens que pesquisaram e aprofundaram nesse convívio dos espanhóis e os antepassados. Surgiram inúmeras dicas, fatos, descobrimentos dos costumes, dia-a-dia e até reviravoltas na linguagem. Fora o alvo humano desse projeto jornalístico, também foi plataforma de divulgação de parcerias empresariais, oportunizando negócios binacionais.

Me sinto parte da coletividade espanhola no Uruguai (o sobrenome da mãe é Villalba, castelhano da gema) bem como os italianos também deixaram seu carimbo com o Bianchi. Uruguai é um país diluviano, criado por pessoas que nasceram nas barrigas dos navios, segundo um poeta. Isso aí é que nós somos, tendo até semelhanças com o resto dos países da região.

P: A camarinha o levou pelo mundo inteiro. Quais foram seus destinos marcantes? O que conhece do Brasil? Quais foram as cidades que visitou como jornalista?

BIANCHI: Não da para dizer que uma pessoa conhece um país por ter ficado uns dez dias lá Para conhecer um povo temos que sonhar nessa língua que ele curte. Só daria para ficar atentos de olhos bem abertos para descobrir que no final somos bem mais semelhantes do que a gente acha. As distâncias são resultado das culturas desses povos, aprofundando no nos genes humanos. Embora, as valias e desvalias são semelhantes e falam uma linguagem idêntica. Tenho conhecido lugarzinhos maravilhosos, como o caso desta África do Sul que acabou de sediar a Taça do Mundo de Futebol 2010, resgatada desse cruel racismo pelo grande Nelson Mandela. Visitei Argélia alcançando até os próprios barracos no Saara, Marrocos, as Ilhas Canárias, a primavera eterna de Portugal e sua magia, os países andinos, o México desconcertante, Cuba e o cativante Brasil, que é um país continente pela sua própria diversidade. A gente tem viajado bastante lá mas temos sempre mais algum cantinho aconchegante para descobrir...a partir da Amazônia, o Nordeste, descendo pela beira atlântica até o sul dos imigrantes..quanto riqueza focado desde qualquer angular possível».

P: Brasil vai ser quinta potência econômica do mundo no decênio que acabou de iniciar. Será que os vizinhos do continente precisamos ter contato estreito com o Brasil nos próximos anos?

BIANCHI: Não precisa desses grandes manchetes nos jornais para perceber quanto tem progredido o Brasil pois já é referência no mapa mundial, com crescimento permanente e se posicionando de jeito estratégico na economia e política do mundo. Fica claro que teríamos que fazer algumas alterações no bloco Mercosul para benefício de todos os sócios aprimorando esse grande ferramental que é o Brasil. De olho além do horizonte acho que precisa segurar a liderança no plano geo-politico que a história tem marcado para ele. Tem que interpretar essa vanguarda com as valias que a democracia lhe oferece. Nas divisas entre Uruguai e Brasil, fala-se «portunhol» que teria que ser uma faixa de integração, tanto quanto o «Espanglish» dos castelhanos que moram nos EUA. Trata-se de uma marcação que exprime com extrema clareza que os povos se dão além das línguas. Sempre com respeito, seria bom reforçar uma aliança regional, e os próprios resultados deste Mundial África do Sul 2010 estão falando mais alto pois o sucesso do Mercosul não acabou acontecendo só por acaso.

P: Quanto poderia influenciar nesse grande progredir do Brasil, a Taça do Mundo de Futebol 2014 e os Jogos Olímpicos Rio de Janeiro 2016?

BIANCHI: Esses grandes eventos poderiam ser as plataformas para fazer progredir planos e projetos urbanísticos, de desenvolvimento, turismo e cultura. Além do Mundial 2014 em si próprio como evento social e esportivo, a próxima Taça do Mundo teriam que encontrar o Brasil de mãos dadas com os países vizinhos, de jeito específico Uruguai e Argentina, como co-organizadores de eventos esquecendo que as divisas existem. Já é hora de planejar projetos da região juntos com a chance que o Brasil nos ofereça uma «carona» como sede bem do Mundial 2014 quanto dos Jogos Olímpicos Rio 2016. São idéias que adoro imaginar pois tratam-se de novas marcações de olho no futuro.

P: Brasil nem só é turismo. Negócios é imã para os estrangeiros no mínimo do continente americano e «Vía Aérea» acabou de receber convite da FCEM – www.fcem.com.br - como organizadora da maior feira de maquinaria têxtil da América toda. Reflita quanto ao assunto?

BIANCHI: O Brasil está estourando para o mundo de forma global. Hoje visualizamos um grande progredir quanto tem a ver com eventos de turismo e negócios, assunto que Uruguai vem se posicionando bem fora o tamanho pois é um destino cativante. Mais uma vez, não da para imaginar um progredir parcelado. Estamos na frente de uma evolução industrial que está sendo acompanhado por um aprimoramento da qualidade de vida da população e do investimento no turismo. É sinergia pura, o Brasil como referência no continente acho que tem condições para abrir mão dos vizinhos. Tomara que á nossa parceria com a FCEM continue logo fazendo que este primeiro degrau seja repleto de sucessos e a partir desse sucesso possa aumentar o alcance e os benefícios para todos os que avaliamos este projeto atual.

P: Qual é dia e horário do programa «Vía Aérea» no único canal uruguaio que atinge o país inteiro?

BIANCHI: Está certo. Acho fundamental salientar que a rede Televisão Nacional do Uruguai (TNU – www.tnu.com.uy), abrange o país inteiro, sendo a única rede com esse privilégio, alcançando até algumas regiões da fronteira. Desde que a net faz parte deste mundo globalizado mergulhando no site da rede TNU da para assistir á programação da rede e de jeito específico ao programa «Via Aérea» que vai ser o nosso veículo de divulgação da FEBRATEX 2010 no Uruguai na telinha. Acho que a TNU acabou tendo site tentando que os milhares de uruguaios que moram fora do país tivessem notícias na hora daquilo que está acontecendo no Uruguai mas neste caso é um ferramental fundamental para que a FCEM que acreditou em nossa proposta e todos os visitantes da FEBRATEX 2010 conheçam o conteúdo do programa, com olhar «castelhano» da maior feira de maquinaria têxtil da América Latina. O programa está no ar a cada domingo ás 16 h.

P: Acabou de montar parceria com a Revista MULTISERVICIOS da Argentina?

BIANCHI: A gente conhece quanto é importante Argentina para os uruguaios. Aliás, Argentina é mais uma grande engrenagem no desenvolvimento da região, e precisa fazer parte desta parceria conjunta. Essa tal aliança com um meio de imprensa da valia da revista MULTISERVICIOS acho extremamente interessante e com objetivos firmes e conjuntos no futuro. Vamos tentar jogar a semente para que de braços dados possamos progredir como um time único aumentando a qualidade do produto final.

P: Qual vai ser o conteúdo dos programas que vão envolver a Febratex 2010 – www.febratex.com.br

BIANCHI: Vamos tentar refletir a feira em si própria, sua dinâmica, o ritmo, os objetivos alcançados, os alvos e no balanço final tudo quanto acabou concretizando-se. Temos que levar em consideração que de nosso lado tentamos fazer progredir um projeto de integração; «integração», a palavra mágica a partir de hoje para nós. Fora que o nosso grande objetivo vai ser a cobertura jornalística da feira de negócios, vamos tentar mostrar a feira como parte de um ambiente global, num contexto, procurando mostrar mais algumas coisas deste Brasil sem fronteiras nem barreiras.

P: Caso surgir propostas de feiras da Argentina que é a outra grande referência dos uruguaios, daria para avaliar propostas continuando neste ambiente?

BIANCHI: Adoraríamos!! Pode ter certeza absoluta disso pois achamos que as feiras de negócios são bem mais que eventos específicos. São marcações impossíveis de ziguezaguear na rodovia do sucesso e ambientes ótimos para acordos entre empresários. Ou seja, todos aqueles que precisar olhar por cima daquele horizonte, os cérebros que criam a riqueza e o trabalho. Estas feiras acabam sendo veículos para fazer evoluir negócios e boas idéias além de bons contatos pessoais que por fora do desenvolvimento das comunicações, não tem substituto nenhum para um «aperto de mãos» com a possibilidade de compartilhar projetos, sabendo que não tem alvos impossíveis de atingir caso sonharmos juntos.

Foto: Daniel Bianchi (repórter e Diretor) e Martha Denis (câmara)

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai