Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Brasil: Queda de produção industrial

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Regional – Fonte IBGE Base: Junho de 2009

Produção industrial cai em todos os 14 locais pesquisadas, no 1º semestre

A retração da atividade industrial em nível nacional, no fechamento do primeiro semestre de 2009 (-13,4%), alcançou os quatorze locais pesquisados pelo IBGE, com cinco registrando recuos acima da média nacional, frente aos primeiros seis meses de 2008. A maior queda foi no Espírito Santo (-29,3%), seguida pelo recuo em Minas Gerais (-21,3%), Amazonas (-16,8%), São Paulo (-14,4%) e Rio Grande do Sul (-13,5%). Os números refletem o menor dinamismo das exportações e dos setores produtores de bens de consumo duráveis (automóveis, telefones celulares, eletrodomésticos) e de bens de capital, confrontados com uma base elevada de comparação de junho de 2008, quando a indústria nacional registrou 6,3% de crescimento. Os demais resultados negativos foram registrados em Santa Catarina (-12,9%), Bahia (-10,2%), região Nordeste (-9,7%), Pernambuco (-8,9%), Rio de Janeiro (-8,5%), Pará (-7,6), Ceará (-6,8%), Paraná (-5,9%) e Goiás (-4,6%).

Na análise trimestral, todos os locais assinalaram taxas negativas no confronto do segundo trimestre de 2009 com igual período de 2008. Em nível nacional, observou-se redução no ritmo de queda na passagem do primeiro trimestre de 2009 (-14,6%) para o segundo (-12,3%). Dez dos quatorze áreas investigadas mostraram o mesmo movimento entre esses dois períodos, com Rio Grande do Sul (de -16,8% para -10,5%), Rio de Janeiro (de -11,4% para -5,6%), Minas Gerais (de -24,2 para -18,7%) e Amazonas (de -19,4% para -14,2%) assinalando os ganhos mais acentuados, enquanto Paraná (de -0,9% para -10,5%) foi o local que mostrou a perda mais acentuada.

Frente a junho de 2008, doze dos quatorze locais pesquisados apontaram recuo, sendo que as taxas negativas oscilaram entre os -25,2%, no Espírito Santo, e -3,2%, na região Nordeste. Com redução acima da média nacional (-10,9%), além do Espírito Santo, destacaram-se Paraná (-16,5%), Minas Gerais (-15,1%), São Paulo (-13,4%) e Amazonas (-11,8%). Os demais resultados negativos foram registrados no Rio Grande do Sul (-9,6%), Ceará (-9,2%), Rio de Janeiro (-7,4%), Santa Catarina (-6,7%), Pernambuco (-5,3%) e Pará (-4,3%). Os locais que registraram acréscimo na produção neste tipo de comparação foram Bahia (2,4%) e Goiás (1,1%), ambos refletindo o desempenho do setor de produtos químicos – o primeiro estado por conta de uma paralisação para manutenção em junho de 2008, e o segundo impulsionado por encomendas especiais no mês de junho deste ano.

Na passagem de maio para junho, oito dos quatorze locais pesquisados assinalaram taxas positivas, já descontadas as influências sazonais. Pará (10,2%), Goiás (7,4%) e Bahia (7,2%) apontaram os avanços mais acentuados. Minas Gerais (3,3%), região Nordeste (2,9%), Santa Catarina (1,4%), Rio Grande do Sul (1,1%) e Rio de Janeiro (0,5%) foram os outros locais que avançaram acima da média nacional (0,2%). Entre as seis áreas que registraram queda na produção, as maiores perdas ficaram com Paraná (-9,0%) e São Paulo (-2,0%).

Com a aceleração no ritmo produtivo do setor industrial nos primeiro seis meses de 2009, o índice trimestre contra trimestre imediatamente anterior, ainda na série com ajuste sazonal, mostrou avanço para o total nacional, passando de -7,7%, no primeiro trimestre do ano, para 3,4%, no segundo. Em termos regionais, 13 dos 14 locais pesquisados acompanharam esse movimento, com destaque para os avanços do Espírito Santo (de -12,8% para 6,5%) e de Minas Gerais (de - 10,7% para 7,8%). O Paraná foi o único local que apontou perda de ritmo (de 0,9% para - 6,7%).

AMAZONAS

Em junho, o setor industrial do Amazonas caiu 1,3% frente ao mês anterior, na série livre de influências sazonais, após crescer 12,1% em maio. O índice de média móvel trimestral aumentou 1,0% entre junho e maio, segunda taxa positiva consecutiva, acumulando neste período ganho de 2,6%.

O resultado negativo (-11,8%) na comparação com junho de 2008, a oitava taxa negativa consecutiva, pode ser explicado pelos decréscimos em sete dos onze setores pesquisados, com destaque para as contribuições negativas de material eletrônico e equipamentos de comunicações (-23,5%) e outros equipamentos de transporte (-32,9%), onde sobressaíram a redução na fabricação de televisores e rádios; e motocicletas e suas peças e acessórios. Por outro lado, os principais impactos positivos vieram de edição e impressão (30,4%) e alimentos e bebidas (10,5%).

Nos indicadores trimestrais, a produção no segundo trimestre de 2009 caiu 14,2% frente a igual período de 2008 e -0,3% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série ajustada sazonalmente, terceiro resultado negativo consecutivo, período em que acumulou perda de -16,4%. Entre os períodos janeiro-março e abril-junho, sete ramos mostraram melhor desempenho, com destaque para outros equipamentos de transporte, que passou de -48,7% para -32,6%, e edição e impressão (de 1,7% para 17,8%), todas as comparações contra igual período do ano anterior.

O indicador acumulado no ano ficou em -16,8% e o acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde setembro de 2008 (8,3%), atingiu -8,0%.

PARÁ

A produção industrial do Pará cresceu 10,2% em junho na comparação com maio, já descontadas as influências sazonais, após apontar queda por dois meses consecutivos, quando acumulou perda de 9,7%. O índice de média móvel recuou 0,2% em junho e mantém sequência de três resultados negativos, com redução acumulada de 3,4% no período.

No confronto com junho de 2008, o setor industrial paraense assinalou queda de 4,3%, sétima taxa negativa nessa comparação, com cinco das seis atividades apontando desempenho negativo. A redução do setor extrativo (-7,1%) exerceu a pressão mais importante sobre a formação da taxa global, seguida por minerais não metálicos (-47,7%), alimentos e bebidas (-12,6%) e madeira (-25,6%). Em sentido contrário, metalurgia básica (20,4%) apontou o único impacto positivo.

Na análise trimestral, o segundo trimestre de 2009 apresentou queda tanto frente a igual período em 2008 (-8,6%) como no confronto com o trimestre imediatamente anterior (-3,4%), na série com ajuste sazonal, com queda acumulada de 10,9% no período. A indústria paraense acentua a trajetória descendente, entre o primeiro (-6,6%) e o segundo (-8,6) trimestres de 2009, ambas as comparações contra igual período do ano anterior, e para esse movimento contribuíram quatro ramos, principalmente os de minerais não metálicos, que passou de -22,8% no período janeiro-março para -39,2% em abril-junho; alimentos e bebidas (de 9,3% para -16,4%); e metalurgia básica (de 21,3% para 18,6%).

O indicador acumulado no ano ficou com -7,6% e o acumulado nos últimos doze meses, que prossegue em trajetória descendente desde novembro do ano passado, atingiu -1,2% em junho.

NORDESTE

Em junho, a atividade industrial do Nordeste aumentou 2,9% em relação a maio, na série livre dos efeitos sazonais, segunda taxa positiva consecutiva, acumulando neste período ganho de 5,3%. O índice de média móvel trimestral ficou estável (0,1%) após dois meses de queda, quando recuou 1,4%.

Em relação a junho de 2008, o setor fabril recuou 3,2%, completando sequência de nove meses de taxas negativas. Nesta comparação, onde dez dos onze segmentos pesquisados reduziram a produção, os principais destaques negativos vieram de alimentos e bebidas (-8,1%), têxtil (-13,8%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-43,5%) e refino de petróleo e produção de álcool (-9,1%). Por outro lado, produtos químicos (25,9%) foi a única pressão positiva na formação da taxa global.

Nos indicadores trimestrais, na série com ajuste sazonal, a produção nordestina caiu 10,0% frente a igual período do ano anterior, enquanto que em relação ao primeiro trimestre de 2009, a redução foi de 1,3% – terceira taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 8,6%. A produção industrial mostra recuo pelo terceiro trimestre consecutivo, ao passar de -5,2% no último trimestre de 2008 para -9,4% no primeiro trimestre de 2009 e para -10,0% no segundo, todas as comparações contra igual período do ano anterior. A perda de dinamismo na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano foi acompanhada por seis ramos, com destaque para refino de petróleo e produção de álcool, que passou de -6,4% para -41,8%; alimentos e bebidas (de -0,8% para -7,9%) e têxtil (de -1,2% para -11,6%).

No fechamento do primeiro semestre do ano (-9,7%), dez setores tiveram desempenho negativo. O indicador acumulado nos últimos doze meses mantém a trajetória descendente desde setembro de 2008, atingindo -5,4%.

CEARÁ

Em junho de 2009, a produção industrial do Ceará ajustada sazonalmente recuou 1,7% no confronto com o mês imediatamente anterior, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando nesse período perda de 6,0%.O indicador de média móvel trimestral, que em maio variou -0,2%, acentuou o ritmo de queda em junho (-1,3%).

Em relação a junho de 2008, o setor fabril cearense registrou queda de 9,2%, completando sequência de oito meses de taxas negativas. Nesta comparação, onde sete dos dez segmentos pesquisados apontaram redução na produção, o principal impacto veio de alimentos e bebidas (-16,9%). Por outro lado, as principais pressões positivas vieram de calçados e artigos de couro (7,6%) e vestuário (8,9%).

No segundo trimestre de 2009, o resultado também foi negativo (-6,2%) frente a igual período do ano anterior, enquanto que em relação ao trimestre imediatamente anterior – série com ajuste sazonal – variou -0,1%. A indústria cearense reduziu o ritmo de queda entre o primeiro (-7,5%) e o segundo (-6,2%) trimestres de 2009, ambas as comparações contra igual período do ano anterior. Entre os dois trimestres, cinco ramos mostraram maior dinamismo, com destaque para calçados e artigos de couro, que passou de -10,6% em janeiro-março para 10,5% em abril-junho; e metalurgia básica (de -55,2% para -27,7%).

No fechamento do primeiro semestre do ano, a indústria cearense recuou 6,8%, com resultados negativos na maior parte (oito) dos segmentos pesquisados. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses (-2,1%), prossegue em trajetória descendente desde setembro de 2008 (3,8%).

PERNAMBUCO

A produção industrial de Pernambuco (ajustada sazonalmente) recuou 1,0% em junho frente ao mês maio, após aumentar 0,8% no mês anterior, e o indicador de média móvel trimestral recuou 1,1%, depois de crescer 1,0% no mês de maio.

Frente a junho de 2008, a indústria pernambucana recuou pelo oitavo mês consecutivo, com taxas negativas em sete das onze atividades pesquisadas. Na redução de 5,3%, as principais pressões negativas vieram de produtos de metal (-32,0%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-21,7%) e têxtil (-49,7%). Exerceram as principais contribuições positivas os produtos químicos (6,8%) e alimentos e bebidas (2,6%).

No corte trimestral, os resultados foram: -6,1% frente a igual trimestre de 2008 e -1,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior (série ajustada sazonalmente). A indústria de Pernambuco reduziu o ritmo de queda entre o primeiro (-11,0%) e o segundo (-6,1%) trimestres deste ano, ambas as comparações contra igual período do ano anterior. Para esse movimento contribuíram sete setores, com destaque para produtos químicos, que passou de -22,7% para -0,8%; metalurgia básica (de -23,3% para -5,9%); e alimentos e bebidas (de -1,4% para 1,2%).

Na queda de 8,9% observada no fechamento do primeiro semestre do ano, dez segmentos mostraram recuo. O indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde outubro de 2008, passou de -3,2% em maio para -3,7% em junho.

BAHIA

Em junho, a produção industrial da Bahia ajustada sazonalmente cresceu 7,2% em relação ao mês anterior, após aumentar 7,8% em maio, acumulando 15,6% de crescimento no último bimestre. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral avançou 1,1%, depois de decrescer 1,7% em maio.

No confronto com junho do ano passado, a indústria baiana cresceu 2,4%, interrompendo uma série de oito resultados negativos, apesar de somente duas atividades terem apresentado taxas positivas. A principal contribuição positiva veio de produtos químicos (30,0%), influenciado por uma baixa base de comparação, por conta de uma paralisação para manutenção em importante empresa do setor, e minerais não metálicos (0,5%). Em sentido oposto, as maiores influências negativas foram verificadas em refino de petróleo e produção de álcool (-9,9%) e metalurgia básica (-11,7%).

Na análise trimestral, a indústria baiana no segundo trimestre (-10,3%) praticamente repetiu o resultado do primeiro (-10,0%) e assinalou o terceiro trimestre seguido de queda, ambas as comparações contra igual período do ano anterior. Na passagem do primeiro para o segundo trimestre, os maiores ganhos de ritmo vieram do setor de produtos químicos, que passou de -19,7% para 8,9%, e de metalurgia básica (de -35,8% para -12,1%). Por outro lado, as maiores reduções foram assinaladas por refino de petróleo e produção de álcool, que passou de -8,1% para -42,7%, e por alimentos e bebidas (de 13,6% para -6,4%).

No acumulado no primeiro semestre, a indústria baiana recuou 10,2%, com queda na produção em seis dos nove setores. O indicador acumulado nos últimos doze meses passou de -5,2% para -4,9%, interrompendo a trajetória decrescente iniciada em setembro de 2008 (5,1%).

MINAS GERAIS

A produção industrial de Minas Gerais, descontadas as influências sazonais, avançou 3,3% na passagem de maio para junho, sexta taxa positiva consecutiva, acumulando nesse período expansão de 18,9%. Com a manutenção dos resultados positivos ao longo de 2009, o desempenho de junho confirmou a expansão da atividade industrial mineira, com o índice de média móvel trimestral avançando 2,0% na passagem de maio para junho, quarta taxa positiva nesse tipo de comparação.

No índice mensal, com redução de 15,1%, observou-se desempenho negativo mais intenso na indústria extrativa mineral (-21,7%) do que na indústria de transformação (-13,9%). Na indústria extrativa mineral, que exerceu o segundo maior impacto negativo na taxa global, a principal perda continua ligada a menor extração de minérios de ferro, pressionada principalmente pela redução da demanda externa. O setor de alimentos (8,4%) foi o único com avanço na produção.

No segundo trimestre de 2009, série com ajuste sazonal, a produção avançou 7,8% frente ao primeiro, revertendo as taxas negativas observadas nos dois trimestres anteriores (-16,5% no quatro trimestre de 2008 e -10,7% no primeiro trimestre de 2009). Em relação a igual trimestre do ano anterior, o nível da produção industrial no período abril-junho de 2009 fechou com -18,7%, reduzindo o ritmo de queda frente o primeiro trimestre (-24,2%). Esse movimento foi influenciado, principalmente, pela redução no ritmo de queda no setor extrativo, que passou de -44,2% no primeiro trimestre de 2009 para -27,3% no segundo de 2009, e na metalurgia básica (de -44,5% para -33,0%).

No fechamento do primeiro semestre do ano, a indústria mineira recuou 21,3% frente a igual período de 2008, com dez dos treze ramos apontando índices negativos. O índice acumulado nos últimos doze meses, em desaceleração desde fevereiro de 2008, perdeu 1,7 ponto percentual na passagem de maio (-10,3%) para junho (-12,1%).

ESPÍRITO SANTO

A produção industrial do Espírito Santo, em junho, prosseguiu apontando índices negativos na comparação com o mês imediatamente anterior, já descontadas as influências sazonais: redução de 1,2% em junho e de 1,3% em maio. O índice de média móvel trimestral, que aponta variação positiva de 1,5% entre os trimestres encerrados em maio e junho, permanece mostrando discreto movimento de recuperação. Nas demais comparações, no entanto, continua mostrandoas maiores reduções entre os locais pesquisados: -25,2% em relação a junho de 2008; -27,0% no 2º trimestre de 2009 contra o 2º trimestre de 2008; -29,3% no acumulado no ano e -16,6% no acumulado dos últimos doze meses.

O indicador mensal de junho apontou recuo de 25,2%, somando resultados negativos há nove meses consecutivos, com perfil generalizado de queda que atingiu quatro das cinco atividades pesquisadas. A principal pressão negativa na média global veio das indústrias extrativas (-47,0%) em razão, principalmente, do decréscimo no item minérios de ferro. Vale citar também os recuos de alimentos e bebidas (-41,5%) e de metalurgia básica (-16,8%). Em sentido contrário, o setor de celulose e papel, com aumento de 12,2%, é o único a revelar variação positiva.

No corte trimestral, a produção industrial capixaba revela uma ligeira redução no ritmo de queda entre o primeiro (-31,6%) e o segundo (-27,0%) trimestres deste ano, ambas as comparações contra igual período do ano anterior. Neste dois períodos, os resultados são negativos em todos os setores investigados, ficando as maiores quedas com indústrias extrativas, -54,6% no primeiro trimestre e -46,8% no segundo, e metalurgia básica (-41,4% e -29,7%, respectivamente).

O indicador acumulado para o primeiro semestre, ao recuar 29,3% frente a igual período de 2008, assinala a maior redução de toda a série histórica. Todos os setores pesquisados apontam taxas negativas. O índice acumulado dos últimos doze meses ficou em -16,6%.

RIO DE JANEIRO

Em junho, a produção industrial ajustada sazonalmente do Rio de Janeiro avançou 0,5% frente a maio, após crescer 0,6% no mês anterior. O índice de média móvel trimestral mostrou variação positiva de 0,3% entre maio e junho, quarto mês consecutivo de expansão neste indicador, acumulando nesse período um ganho de 4,4%.

O recuo de 7,4% na comparação com igual mês do ano anterior foi explicado, sobretudo, pela queda observada na indústria de transformação (-11,0%), uma vez que o setor extrativo (8,2%) permanece com taxas positivas desde abril de 2008. Na indústria de transformação, onde oito dos doze ramos mostraram taxas negativas, as principais contribuições vieram de metalurgia básica (-22,0%), outros produtos químicos (-32,0%) e refino de petróleo e produção de álcool (-15,2%). Entre os quatro ramos que expandiram a produção, a farmacêutica (15,5%) e bebidas (13,2%) exerceram os maiores impactos.

Na série ajustada sazonalmente, índice trimestre contra trimestre imediatamente anterior, a indústria fluminense assinalou expansão de 3,5%, revertendo dois trimestres consecutivos de queda, quando apontou -4,2% no último trimestre de 2008 e -6,9% no primeiro trimestre de 2009. O recuo de 5,6% na atividade fabril fluminense no segundo trimestre do ano mostrou clara desaceleração no ritmo de queda frente ao resultado do período janeiro-março (-11,4%), ambas as comparações frente a igual período do ano anterior. Esse movimento reflete, sobretudo, os avanços observados em oito das treze atividades pesquisadas, com destaque para o ganho de ritmo vindo dos ramos de refino de petróleo e produção de álcool, que passou de uma queda de 11,3% no período janeiro-março para uma expansão de 4,1% no trimestre seguinte; metalurgia básica (de -37,0% para -25,2%); farmacêutica (de -14,4% para 9,3%); e veículos automotores (de -31,3% para -13,1%).

O indicador acumulado no primeiro semestre do ano registrou redução de 8,5%, com perfil generalizado de queda que atingiu onze segmentos. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, acentua o ritmo de queda entre maio (-2,9%) e junho (-3,9%).

SÃO PAULO

Em junho, a produção industrial de São Paulo caiu 2,0% frente ao mês anterior, na série com ajustamento sazonal, após cinco resultados positivos consecutivos, com ganho de 7,4% no período. O índice de média móvel trimestral, com variação de 0,4%, manteve trajetória positiva há quatro meses, acumulando ganho de 4,1% desde março deste ano.

No índice mensal, que assinalou o oitavo recuo consecutivo (-13,4%), dezessete dos vinte setores tiveram desempenho negativo, com destaque para as contribuições de material eletrônico e equipamentos de comunicações (-64,8%), máquinas e equipamentos (-31,7%) e veículos automotores (-19,7%). Em sentido oposto, os ramos que assinalaram aumento na produção foram o farmacêutico (13,7%), outros equipamentos de transporte (16,9%) e máquinas e aparelhos e materiais elétricos (3,4%).

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, série com ajuste sazonal, a indústria paulista aumentou 2,7% no período abril-junho de 2009, após dois trimestres negativos, quando acumulou perda de 16,0%. A indústria paulista vem sustentando resultados negativos por três trimestres consecutivos, nas comparações contra igual período do ano anterior, porém com menor ritmo de queda entre o primeiro (-15,1%) e o segundo (-13,8%) trimestres deste ano. Doze atividades aumentaram suas participações entre os dois períodos, principalmente outros produtos químicos, que passou de -20,6% para -8,4%, veículos automotores, de -25,6% para -20,3% e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (de -17,1% para -6,5%).

O indicador acumulado do ano ficou em -14,4% e, nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde julho do ano passado, o indicador atingiu -6,4% em junho.

PARANÁ

Em junho, o índice da produção industrial do Paraná ajustado sazonalmente caiu 9,0% frente a maio, quarta taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 16,3%. O índice de média móvel trimestral assinalou o segundo recuo seguido (-4,6%), após assinalar -2,7% em maio.

Na comparação com junho de 2008, a queda de 16,5% foi o menor resultado desde janeiro de 1996(-17,1%). Treze das quatorze atividades pesquisadas tiveram desempenho negativo. As pressões negativas mais significativas vieram de veículos automotores (-29,6%), edição e impressão (-42,7%) e máquinas e equipamentos (-26,3%). Em sentido oposto, o único aumento veio de refino de petróleo e produção de álcool (0,4%).

Nos indicadores trimestrais, a produção no segundo trimestre de 2009 mostrou decréscimo de 10,5% frente a igual trimestre do ano anterior e de -6,7% na comparação com o trimestre imediatamente anterior - série ajustada sazonalmente. A indústria paranaense, que vem em trajetória decrescente desde o segundo trimestre de 2008, mostra clara desaceleração entre o primeiro (-0,9%) e o segundo (-10,5%) trimestres deste ano, ambas comparações contra igual período do ano anterior Esta perda de dinamismo foi observada em nove ramos, que reduziram sua participação entre os dois períodos, com destaque principalmente para edição e impressão, que passou de 154,5% para 12,5% e, em menor medida, celulose e papel (de 0,2% para -13,7%) e outros produtos químicos (de 15,6% para -10,5%).

No indicador acumulado no ano (-5,9%), dez segmentos reduziram a produção. O índice acumulado nos últimos doze meses, declinante desde março deste ano, apresentou variação de 0,1% em junho.

SANTA CATARINA

Em junho, a produção industrial ajustada sazonalmente de Santa Catarina apontou expansão de 1,4% frente a maio, quarto resultado positivo consecutivo, acumulando nesse período ganho de 4,5%. O índice de média móvel trimestral avançou 1,2% entre maio e junho, segundo resultado positivo consecutivo nesse tipo de comparação, acumulando ganho de 2,2% neste período.

No índice mensal, a produção catarinense registrou queda de 6,7%, com sete dos onze ramos pesquisados apontando taxas negativas. A principal contribuição negativa no total da indústria foi assinalada por veículos automotores (-53,5%). Por outro lado, entre as quatro atividades que registraram taxas positivas, a principal influência ficou com o ramo de alimentos (9,1%).

A produção do segundo trimestre de 2009 recuou 11,7% frente a igual período de 2008, mas avançou 1,3% na comparação com o trimestre imediatamente anterior - série ajustada sazonalmente. O ritmo de queda do segundo trimestre (-11,7%) frente ao resultado do período janeiro-março deste ano (-14,0%) diminuiu, sendo ambas as comparações contra igual período do ano anterior. Este movimento foi explicado, principalmente, por máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que passou de uma queda de 32,3% no primeiro trimestre para uma redução de 1,8% no período abril-junho, vindo a seguir alimentos (de -1,4% para 2,5%) e máquinas e equipamentos (de -20,2% para -16,1%).

No encerramento do primeiro semestre do ano, a indústria catarinense reduziu 12,9%. A taxa anualizada, indicador acumulado nos últimos doze meses, mostrou ligeira aceleração no ritmo de queda, passando de -7,2% em maio para -7,6% em junho.

RIO GRANDE DO SUL

Em junho, a indústria do Rio Grande do Sul voltou a assinalar crescimento na produção (1,1%) frente ao mês anterior, já descontadas as influências sazonais, após a variação de -0,4% em maio. O índice de média móvel trimestral, em trajetória positiva desde março último, aumentou 1,4% em junho.

A redução de 9,6% no confronto junho 09/ junho 08 pode ser explicado pelas quedas na maioria (nove) dos quatorze setores pesquisados, com destaque, em termos de influência no resultado global, para máquinas e equipamentos (-35,5%), veículos automotores (-21,4%), e calçados e artigos de couro (-26,0%). Por outro lado, entre os cinco segmentos que expandiram a produção, a maior contribuição veio de refino de petróleo e produção de álcool, onde o aumento de 20,4% foi pressionado, principalmente, pelo maior fabricação de gasolina.

Na série ajustada sazonalmente, o segundo trimestre de 2009 fechou com expansão de 3,8% em relação ao primeiro, após dois resultados negativos consecutivos, período em que acumulou perda de 15,7%. A atividade industrial gaúcha mostra redução do ritmo de desaceleração na passagem do primeiro (-16,9%) para o segundo (-10,5%) trimestres de 2009, ambas comparações contra iguais períodos do ano anterior. Entre janeiro-março e abril-junho, a maior influência para esse movimento de recuperação foi exercida por outros produtos químicos, que passou de -25,2% para 19,6%.

No primeiro semestre de 2009, frente a igual período de 2008, a redução no total da indústria foi de -13,5%, com doze atividades apontando queda na produção, e nos últimos doze meses foi de -6,9%.

GOIÁS

Em junho, a produção industrial de Goiás avançou 7,4% na comparação com o mês anterior, na série livre dos efeitos sazonais, após ter recuado 1,0% em maio. Com isso, o índice de média móvel cresceu 2,9% em junho, terceiro aumento consecutivo, acumulando ganho de 4,2%.

No confronto com junho de 2008, a indústria geral cresceu 1,1%, com três doscinco ramos com desempenho positivo. A principal contribuição para a formação da taxa global veio de produtos químicos (68,8%), impulsionado em grande parte pela maior fabricação de medicamentos. Em seguida, destacaram-se o setor extrativo mineral (5,7%) e metalurgia básica (6,6%), onde sobressaíram os acréscimos de amianto e ferroníquel. Por outro lado, a pressão negativa mais relevante veio de alimentos e bebidas (-10,1%), principalmente devido à queda na produção de maionese e leite em pó.

Na série com ajuste sazonal, em relação ao trimestre imediatamente anterior, a indústria goiana cresceu 4,2% na passagem do primeiro para o segundo trimestre, após dois trimestres em queda, quando acumulou perda de 6,7%. Na passagem do primeiro (-7,0%) para o segundo trimestre de 2009 (-2,4%), ambas comparações contra igual período do ano anterior, a indústria goiana reduziu significativamente a intensidade do ritmo de queda, contribuindo para este movimento a recuperação da produção em produtos químicos, que passou de -31,3% para 20,5%, e em menor medida, metalurgia básica (de -16,6% para 2,6%).

No fechamento do primeiro semestre do ano, o recuo de 4,6% foi influenciado em grande parte pelas retrações em quatro atividades. O índice acumulado nos últimos doze meses permanece em trajetória descendente desde agosto de 2008, atingindo 0,5% em junho.

Ricardo Bergamini
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