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A crise do Capitalismo - as causas e a resposta necessária

27.10.2008
 
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Anunciam e prometem mais regulação e mais transparência, mas no que estão a pensar é salvar os infractores e o perverso sistema que os suporta e sustenta na versão neoliberal, aqui e na Europa do grande capital multinacional.


Nós temos visto o que tem sido a regulação no plano mundial e as promiscuas relações que se desenvolvem entre as instâncias reguladoras e os grandes interesses económicos.


Nós temos visto o que é a regulação e o que são as entidades reguladoras em Portugal.
Vimo-lo no controlo ao mercado dos combustíveis ainda há pouco tempo a assobiar para lado, enquanto os portugueses pagavam milhões de euros a mais na gasolina e no gasóleo. Vimo-lo no acompanhamento ao escândalo do BCP. Vê-se na regulação do mercado da energia com a ERSE que cada vez mais se comporta como agente dos grandes accionistas da EDP, em prejuízo dos consumidores e das pequenas e médias empresas.


É por isso que o Estado dito regulador, tão do agrado do PS de Sócrates, é uma farsa que apenas serve para isentar de responsabilidades o governo e deixar à mão invisível do grande capital económico e financeiro o domínio absoluto dos mercados. Falam de regulação, mas nada dizem sobre o que pensam fazer aos off-shores, esses paraísos fiscais onde predominam as actividades de fuga ao fisco e lavagem de dinheiro, tal como nada dizem sobre a livre circulação de capitais.


Não há operação de disfarce que possa iludir a identidade de valores, propósitos e objectivos da acção governativa do PS de José Sócrates com a parte mais substancial do programa neoliberal.


Sócrates põe-se na posição de quem olha a crise do lado de fora, tal como o PS, ensaiando uma inaceitável postura de desresponsabilização, ao mesmo tempo que aproveita a crise internacional para esconder o fracasso da sua política e o do sua responsabilidade no agravamento da crise no nosso país. Mas não pode pôr-se de fora nem desresponsabilizar-se quem, como o PS e os seus governos, tem dado força à fúria privatizadora das empresas estratégicas e dos serviços públicos, quem apoia e defende a política monetária neoliberal do Banco Central Europeu que secundariza o crescimento e o emprego ou quem faz do cumprimento do neoliberal Pacto de Estabilidade e Crescimento uma obsessão, com desastrosas consequências nas condições de vida dos portugueses.


Não se pode pôr do lado de fora quem durante os seus anos de governação desencadeou a mais feroz ofensiva ideológica de características marcadamente neoliberais, para a desacreditar e desclassificar a importância e valor das conquistas sociais da luta dos trabalhadores que depreciou e classificou como arcaica e os próprios direitos sociais adquiridos, como privilégios inaceitáveis.


Não se pode pôr de fora quem agiu no plano para atacar direitos e desequilibrar ainda mais a injusta distribuição do rendimento nacional com a sua política de desvalorização dos rendimentos do trabalho e que se prepara para culminar o seu mandato com um brutal ataque aos direitos históricos dos trabalhadores com a sua revisão do Código de Trabalho. E, se quisesse dar algum sinal concreto do seu arrependimento social-democrata suspendia as suas proposta que estão na Assembleia da República.


Tal como não se pode pôr de fora e desresponsabilizar-se pela evolução negativa da situação do país quem durante meses a fio, apesar dos alertas do PCP, negou e desvalorizou a crise e ocultou as suas previsíveis consequências.


Os últimos desenvolvimentos da situação nacional e internacional mostram que, apesar de se terem lançado milhões de euros e dólares para cima da crise para salvar o sistema financeiro, a crise continua e no horizonte se mantêm as negras perspectivas da recessão económica generalizada. Nem o anúncio da disponibilidade de novas e mais substanciais transferências dos estados nacionais se revelam capazes de conter a continua degradação da situação de crise.


A realidade está a demonstrar que não bastam medidas de recapitalização do sistema financeiro e que as soluções têm que ser encontradas no combate às causas que estão na origem da crise.


Os problemas de fundo exigem a superação da situação que mantém intocável o poder económico e político do grande capital económico e financeiro e profundas transformações de caracter antimonopolista.


No nosso país não há resposta à crise sem uma a ruptura com a política de direita e sem a afirmação e concretização de uma nova política de esquerda que tenha como objectivos a melhoria das condições de vida dos trabalhadores e da população, a dinamização da actividade económica, a criação de emprego, o reforço do papel do Estado na economia, a dinamização do mercado interno e o estímulo à actividade das MPME´s, o reforço do investimento, o combate aos déficits estruturais do país e a defesa da soberania nacional.


Não há resposta eficaz à actual tendência de agravamento da crise e ao seu alastramento com mais falências e aumento do desemprego sem medidas que promovam o aumento do poder de compra das massas que estimulem a procura e com ela a dinamização das actividades económicas em termos globais. Medidas que visem repor o poder de compra perdido ao longo dos últimos anos e de combate ao endividamento das famílias e uma mais justa distribuição dos rendimentos nacionais que não é compatível com a alteração para pior do código do trabalho.

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