Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Brasil: Cresce produção industrial

Entre janeiro e fevereiro, os índices regionais da produção industrial ajustados sazonalmente avançaram em nove dos 14 locais pesquisados, com destaque para Bahia (13,7%), Espírito Santo (8,3%), Minas Gerais (5,7%), Paraná (5,7%) e região Nordeste (4,1%), onde o crescimento superou a média nacional (1,8%).

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Regional – Fonte IBGE - Base: Fevereiro de 2009

Em fevereiro, produção industrial avançou em nove das 14 regiões

Entre janeiro e fevereiro, os índices regionais da produção industrial ajustados sazonalmente avançaram em nove dos 14 locais pesquisados, com destaque para Bahia (13,7%), Espírito Santo (8,3%), Minas Gerais (5,7%), Paraná (5,7%) e região Nordeste (4,1%), onde o crescimento superou a média nacional (1,8%). Os demais locais com taxas positivas foram Rio Grande do Sul (1,6%), Pará (0,9%), Ceará (0,8%) e São Paulo (0,5%). Entre as cinco áreas com queda de produção, destacaram-se Pernambuco (-5,6%) e Santa Catarina (-4,6%).

Na comparação fevereiro 09/fevereiro 08, entretanto, o único local com aumento de produção foi o Paraná (1,5%), devido ao desempenho positivo do setor de edição e impressão. Nos outros 13 locais pesquisados, todos mostraram quedas de dois dígitos o índice recuou de forma significativa. Entre as áreas com queda superior à da média nacional (-17,0%) estão Espírito Santo (-29,5%), Minas Gerais (-26,0%), Amazonas (-20,8%), Rio Grande do Sul (-20,5%), Santa Catarina (-19,8%), Pernambuco (-17,5%) e São Paulo (-17,5%). Registraram queda, porém inferior à média nacional, Bahia (-10,0%), Pará (-10,2%), Ceará (-10,5%), Goiás (-11,1%), região Nordeste (-12,1%) e Rio de Janeiro (-13,2%).

No acumulado do primeiro bimestre, ocorreu recuo nas 14 regiões pesquisadas. As indústrias do Espírito Santo (-31,4%), Minas Gerais (-27,6%), Amazonas (-22,0%), Rio Grande do Sul (-20,6%) e São Paulo (-17,7%) registraram quedas maiores que a média nacional (-17,2%), devido à redução generalizada na atividade fabril que afeta ramos produtores de bens de consumo duráveis, intermediários e bens de capital. O setor de bens de consumo semi e não duráveis foi relativamente menos atingido.

No acumulado dos últimos 12 meses, o total da indústria recuou 4,1 pontos percentuais nos dois primeiros meses do ano em relação ao fechamento de 2008. No mesmo intervalo de tempo, todas as regiões mostraram perdas, com as reduções mais acentuadas ocorrendo no Espírito Santo (de 5,6% para -1,9), Minas Gerais (de 1,6% para -4,4%) e Amazonas (de 3,9% para -2,2%).

AMAZONAS

Em fevereiro, a produção industrial do Amazonas recuou 2,2% frente ao mês anterior, ritmo menos acentuado que em dezembro (-4,6%) e janeiro (-4,7%). A perda acumulada entre dezembro e fevereiro ficou em 8,5%. A média móvel trimestral se mantém há cinco meses em queda, com perda acumulada de 13,9%.

Em relação a fevereiro de 2008, a retração de 20,8% foi a quarta taxa negativa consecutiva. Dos 11 segmentos analisados, oito contribuíram para o resultado, com destaque para outros equipamentos de transporte (-49,4%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-31,0%) e alimentos e bebidas (-8,4%). As quedas foram determinadas pela retração na fabricação de telefones celulares e televisores; motocicletas e suas peças e acessórios; e preparações em xarope para elaboração de bebidas. Os principais impactos positivos vieram de edição e impressão (18,6%) e refino de petróleo e produção de álcool (7,2%).

O indicador acumulado nos últimos doze meses, em trajetória descendente desde setembro (8,3%), atingiu em fevereiro a primeira taxa negativa (-2,2%) desde julho de 2007 (-0,7%). No primeiro bimestre do ano, a queda ficou em 22,0%, retração maior que a do quarto trimestre de 2008 (-4,6%).

PARÁ

A indústria do Pará cresceu 0,9% em fevereiro, na comparação com janeiro. É a segunda taxa positiva consecutiva, acumulando ganho de 1,4% em dois meses. Já a média móvel trimestral recuou 1,4% entre fevereiro e janeiro, mantendo a trajetória descendente iniciada em novembro.

Frente a fevereiro de 2008, o recuo de 10,2% significa a menor taxa da série histórica iniciada em 2003. A taxa foi negativa em cinco dos seis segmentos, e a retração foi maior em produtos de madeira (-33,7%) e indústria extrativa (-22,6%), onde sobressaem, respectivamente, minérios de ferro e madeira compensada e serrada. O único impacto positivo veio de metalurgia básica (18,3%).

A taxa acumulada nos últimos 12 meses continua positiva (2,6%). No primeiro bimestre do ano, a queda de 8,8% supera a retração do último trimestre de 2008 (-1,6%). Houve redução em quatro dos seis ramos pesquisados, com destaque para indústrias extrativas (-20,9%) e de madeira (-44,1%).

NORDESTE

Em fevereiro, a produção industrial do Nordeste cresceu 4,1% em relação a janeiro, após avanço de 1,1% em janeiro. A média móvel trimestral, entretanto, recuou 1,3% e prossegue em trajetória descendente desde novembro.

Na comparação com fevereiro de 2008, a indústria nordestina recuou 12,1%, menor resultado desde maio de 1995 (-14,0%). É a quinta taxa negativa consecutiva, e 10 dos 11 segmentos apresentaram retração. O destaque fica com metalurgia básica (-28,4%), outros produtos químicos (-22,8%) e alimentos e bebidas (-4,6%), pressionados pelos itens: policloreto de vinila e etileno; barra, perfil e vergalhões de cobre; e açúcar demerara, respectivamente. A única atividade com crescimento foi minerais não-metálicos (1,9%).

A taxa acumulada nos últimos 12 meses, em queda desde setembro, atingiu -1,8% em fevereiro, primeira taxa negativa desde maio de 2004 (-0,3%). No acumulado do primeiro bimestre, retração de 11,5%, queda mais acentuada que a do último trimestre de 2008 (-5,2%). Das 11 atividades pesquisadas, nove tiveram retração – com destaque para produtos químicos (-26,3%).

CEARÁ

A produção industrial do Ceará avançou 0,8% em fevereiro na comparação com janeiro, após três meses de quedas, período em que acumulou perda de 7,5%. A média móvel trimestral caiu (-1,2%) pelo quarto mês seguido.

Na comparação com fevereiro de 2008, a produção caiu 10,5%, maior retração desde outubro de 2005 (-10,9%). Das 10 atividades pesquisadas, cinco tiveram resultado negativo, principalmente aparelhos e materiais elétricos (-46,1%), alimentos e bebidas (-19,5%) e calçados e artigos de couro (-14,2%), devido, respectivamente, a redução na fabricação de transformadores; de amendoim e castanha de caju torrados, além de biscoitos; e calçados de plástico. Os impactos positivos viram principalmente do refino de petróleo e produção de álcool (58,0%) e minerais não-metálicos (6,3%).

A taxa acumulada nos últimos doze meses cresceu 0,9%, mas mantém trajetória decrescente desde setembro (3,8%). No acumulado do primeiro bimestre, a retração de 7,7% foi puxada pelas taxas negativas em sete dos 10 setores analisados, com destaque para metalurgia básica (-55,0%).

PERNAMBUCO

A indústria de Pernambuco produziu, em fevereiro, 5,6% a menos que em janeiro, após crescimento de 5,8% no mês anterior, série com ajuste sazonal. O índice de média móvel trimestral também caiu (-2,5%), mantendo a trajetória descendente iniciada em novembro.

Em relação a fevereiro de 2008, a indústria pernambucana recuou -17,5% e registrou a menor taxa desde janeiro de 2000 (-19,5%). Todos os 11 ramos pesquisados tiveram desempenho negativo, com destaque para metalurgia básica (-50,8%), produtos químicos (-23,0%) e alimentos e bebidas (-7,9%), devido principalmente aos recuos na fabricação de chapas e tiras de alumínio; borracha de estireno-butadieno e açúcar cristal, respectivamente.

A taxa acumulada nos últimos 12 meses, em trajetória descendente desde outubro, atingiu -0,8% em fevereiro, primeira taxa negativa desde fevereiro de 2004 (-1,0%). No acumulado do primeiro bimestre, a queda de 12,2%, bem acima da observada no último trimestre de 2008 (-2,5%), ocorreu pelo resultado negativo de nove segmentos, com destaque para metalurgia básica (-25,8%).

BAHIA

Em fevereiro, a produção industrial da Bahia ajustada sazonalmente avançou 13,7% em relação a janeiro, ainda sem reverter a perda acumulada entre agosto de 2008 e janeiro de 2009 (-20,6%). A média móvel trimestral recuou 1,7% entre janeiro e fevereiro, ritmo menos acentuado que o verificado em dezembro (-6,7%) e janeiro (-6,0%).

Em relação a fevereiro de 2008, a indústria baiana registrou retração de 10,0%, a quinta taxa negativa consecutiva. Dos nove setores pesquisados, cinco exibiram queda na produção. As maiores contribuições negativas vieram de metalurgia básica (-24,6%), produtos químicos (-21,8%) e refino de petróleo e produção de álcool (-7,5%), devido à redução na fabricação de barras, perfis e vergalhões de cobre, e lingotes, blocos ou placas de aços ao carbono; etileno não-saturado e polietileno de baixa densidade; óleo diesel e nafta, respectivamente. Por outro lado, as principais influências positivas foram veículos automotores (35,9%) e alimentos e bebidas (16,6%).

A taxa acumulada nos últimos 12 meses recuou 0,9% e continua em trajetória descendente desde setembro de (5,1%). No acumulado no primeiro bimestre, a queda foi de 13,8%, mais acentuada que os -5,4% registrados no último trimestre de 2008, puxada principalmente pelas taxas negativas em seis dos nove setores fabris. Os maiores impactos negativos vieram de metalurgia básica (-35,1%), produtos químicos (-28,2%) e refino de petróleo e produção de álcool (-11,2%).

MINAS GERAIS

Em fevereiro, a produção industrial de Minas Gerais ajustada sazonalmente avançou 5,7%, após crescer 2,1% em janeiro. A média móvel trimestral apresentou decréscimo (-3,9%) e manteve a trajetória negativa iniciada em setembro, ainda que com ritmo menos acentuado que em dezembro e janeiro (ambos com -10,5%).

Na comparação com fevereiro de 2008, a indústria mineira recuou 26,0%, quarta taxa negativa consecutiva. O decréscimo foi mais intenso na indústria extrativa (-45,4%) influenciada pela forte redução na extração de minérios de ferro. A indústria de transformação (-22,5%) também mostrou queda, movimento acompanhado por oito dos 12 setores, com destaque para a metalurgia básica (-49,0%), por conta da forte redução em produtos siderúrgicos que atingem 84% dos 25 produtos investigados nessa atividade. Em seguida, vale citar as contribuições negativas vindas de veículos automotores (-25,2%), produtos de metal (-42,9%), outros produtos químicos (-30,5%) e máquinas e equipamentos (-43,3%), influenciadas pelos itens: automóveis e autopeças; latas de alumínio para embalagens e telas metálicas tecidas de fio de ferro e aço; superfosfatos e insenticidas para agricultura; e escavadeiras e eletro-portátil doméstico. Por outro lado, o impacto positivo mais relevante veio de alimentos (9,8%).

A taxa acumulada nos últimos 12 meses (-4,4%) perdeu ritmo em relação a janeiro (-1,6%), mantendo a trajetória de desaceleração iniciada em junho de 2008. No acumulado do primeiro bimestre, houve retração de 27,7% puxada pelos resultados negativos em 11 dos 13 ramos investigados. Metalurgia básica, com queda de 49,5% continua exercendo a maior pressão negativa, seguida pela indústria extrativa (-46,0%), veículos automotores (-27,3%) e produtos químicos (-32,7%).

ESPÍRITO SANTO

A indústria do Espírito Santo produziu 8,3% a mais em fevereiro do que em janeiro, na série com ajuste sazonal, após cinco taxas negativas, período durante o qual acumulou perda de 35,0%. A média móvel trimestral recuou 1,8% entre janeiro e fevereiro, sétima taxa negativa consecutiva.

Na comparação com fevereiro de 2008, a queda de 29,5% ficou ligeiramente abaixo das assinaladas em janeiro (-33,2%) e dezembro (-29,8%) últimos. Houve retração em quatro dos cinco ramos investigados, com destaque para indústrias extrativas (-60,8%), metalurgia básica (-32,7%) e alimentos e bebidas (-5,2%), impulsionados respectivamente por minérios de ferro; lingotes, blocos, tarugos ou placas de aço ao carbono; e bombons contendo cacau. O único impacto positivo ocorreu em celulose e papel (2,7%).

A taxa acumulada nos últimos 12 meses acelerou o ritmo de queda ao registrar -1,9%. Já o acumulado do primeiro bimestre (-31,4%) acentuou a perda do quarto trimestre de 2008 (-18,6%), com quatro setores registrando performance negativa. Destaque para os recuos assinalado por indústrias extrativas (-61,7%) e metalúrgica básica (37,9%).

RIO DE JANEIRO

A produção industrial do Rio de Janeiro caiu 1,7% em fevereiro frente a janeiro, na série com ajuste sazonal, quinta taxa negativa consecutiva, com perda acumulada de 14,7% nesse período. A média móvel trimestral, -3,9% entre janeiro e fevereiro, mantém ritmo de queda próximo ao observado nos dois últimos meses: 4,4% em janeiro e 4,0% em dezembro.

Na comparação com fevereiro de 2008, o índice recuou 13,2%, maior redução desde maio de 1995 (-26,9%). Das 12 atividades, 10 registraram recuo na produção, com destaque para metalurgia básica (-40,0%), pressionada pela queda em 92% dos produtos investigados, refletindo sobretudo as paralisações técnicas em empresas do setor. Destaque também para outros produtos químicos (-37,0%), veículos automotores (-45,5%) e refino de petróleo e produção de álcool (-21,4%), influenciados, sobretudo, pelos itens herbicidas; caminhões e automóveis; e óleo diesel, respectivamente. Já as indústrias farmacêutica (23,6%) e de bebidas (10,9%) apontaram os dois únicos resultados positivos.

A taxa acumulada nos últimos 12 meses (-1,6%), mantém a trajetória de desaceleração iniciada em setembro do ano passado (3,5%). Já o acumulado do primeiro bimestre (-13,1%) aponta aumento do ritmo de queda frente ao quarto trimestre de 2008 (-3,7%). As taxas negativas ocorreram em 11 das treze atividades pesquisadas, com destaque para metalurgia básica (-42,5%), veículos automotores (-35,6%), outros produtos químicos (-26,4%), refino de petróleo e produção de álcool (-12,6%), minerais não-metálicos (-19,9%) e alimentos (-14,4%). Somente indústrias extrativas (10,1%) e farmacêutica (18,1%) assinalaram resultados positivos nesta comparação.

SÃO PAULO

A indústria de São Paulo avançou 0,5% em fevereiro, na série com ajuste sazonal, após crescimento de 2,4% em janeiro. A média móvel trimestral (-4,7%) mantém trajetória negativa há seis meses, acumulando perda de 17,9%.

Frente a fevereiro de 2008, a queda de 17,5% na produção, quarta taxa negativa consecutiva, reflete o desempenho negativo de 16 dos 20 ramos investigados. Máquinas e equipamentos (-38,0%), veículos automotores (-27,8%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-57,4%) e outros produtos químicos (-21,8%) exerceram as contribuições mais significativas na queda, devido aos decréscimos em carregadoras-transportadoras; peças para o sistema motor e automóveis; equipamentos para telefonia; e tintas e vernizes para construção, respectivamente. Já outros equipamentos de transporte (69,6%) e farmacêutica (12,4%) exerceram as principais pressões positivas.

A taxa acumulada nos últimos 12 meses, em trajetória descendente desde julho, atingiu 0,8% em fevereiro, marca mais baixa desde fevereiro de 2004 (-0,3%). O acumulado no primeiro bimestre recuou 17,7%, queda mais acentuada que os -4,4% do quarto trimestre de 2008, pressionada pelos recuos em 17 dos 20 segmentos pesquisados, cabendo a veículos automotores (-30,8%), máquinas e equipamentos (-34,9%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-59,8%) e outros produtos químicos (-22,3%) as maiores contribuições para a queda.

PARANÁ

A produção industrial do Paraná avançou 5,7% em fevereiro frente a janeiro, na série com ajuste sazonal, após acréscimo de 8,2% em janeiro. A média móvel trimestral ficou em 0,4%, interrompendo dois trimestres de queda.

Em relação a fevereiro de 2008, o aumento de 1,5% foi a única taxa positiva entre os locais pesquisados. Das 14 atividades pesquisadas, seis assinalaram taxas positivas, cabendo à edição e impressão (184,5%) a contribuição mais importante. Este crescimento atípico foi explicado pelo aumento de encomendas governamentais de livros brochuras ou impressos didáticos para atender o início do ano letivo. Também exerceu impacto positivo relevante a indústria de alimentos (7,0%), com destaque para a fabricação de carnes e miudezas de aves; tortas, bagaços e farelos da extração do óleo de soja. Já os principais impactos negativos vieram de veículos automotores (-39,7%), máquinas e equipamentos (-29,4%) e madeira (-33,1%).

A taxa acumulada nos últimos 12 meses, declinante desde novembro do ano passado, atingiu 5,7% em fevereiro, seu resultado mais baixo desde agosto de 2007 (5,1%). Já o acumulado do primeiro bimestre recuou (-3,5%), marca abaixo da registrada no último trimestre do ano passado (1,0%). A produção caiu em oito ramos, com destaque para veículos automotores (-42,7%), máquinas e equipamentos (-24,6%) e madeira (-33,2%).

SANTA CATARINA

A produção industrial de Santa Catarina ajustada sazonalmente recuou 4,6% em fevereiro, na comparação com janeiro, após crescer 3,8% no mês anterior. A média móvel trimestral também caiu (-2,8%), quase o mesmo resultado do mês anterior (-2,7%). Manteve-se a sequência declinante de cinco meses, período no qual as perdas acumuladas chegaram a -13,2%.

Na comparação com fevereiro de 2008, a indústria catarinense recuou 19,8%, quinta taxa negativa consecutiva e a maior retração da série histórica iniciada em 1991. Houve queda generalizada nos 11 ramos investigados, com impactos negativos mais significativos em veículos automotores (-46,6%) e máquinas e equipamentos (-24,4%), pressionados pelos itens carrocerias para caminhões e ônibus; e compressores e refrigeradores, respectivamente.

A taxa acumulada nos últimos 12 meses passou de -1,8% em janeiro para -3,9% em fevereiro, acentuando a trajetória descendente iniciada em fevereiro de 2008 (-5,7%). Já o indicador acumulado no primeiro bimestre mostra queda de 16,2%, ritmo abaixo do resultado do último trimestre de 2008 (-7,4%). Os resultados negativos atingiram 10 das 11 atividades, com destaque para veículos automotores (-42,0%), máquinas e equipamentos (-18,4%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-42,2%) e borracha e plástico (-23,2%).

RIO GRANDE DO SUL

Em fevereiro, a indústria do Rio Grande do Sul cresceu 1,6% frente a janeiro, na série com ajuste sazonal, segundo resultado positivo consecutivo, acumulando ganho de 4,8%. A média móvel trimestral registrou decréscimo de 2,4% entre janeiro e fevereiro, mantendo a trajetória de queda iniciada em outubro, com perda acumulada de 17,4%.

Na comparação com fevereiro de 12008, recuo de 20,5%, praticamente repetindo o resultado de janeiro último (-20,7%). O resultado é reflexo de quedas em 11 das 14 atividades pesquisadas. As principais contribuições negativas vieram de veículos automotores (-34,2%) e de máquinas e equipamentos (-30,5%), seguidos por calçados e artigos de couro (-27,9%), outros produtos químicos (-26,8%) e alimentos (-14,3%). Sobressaíram, respectivamente, os recuos em automóveis e suas peças e acessórios; ferramentas hidráulicas de motor não-elétrico e máquinas para colheita; calçados de couro; polipropileno, etileno e polietileno; e sucos e concentrados de frutas e carnes de aves. O destaque positivo ficou por conta de refino de petróleo e produção de álcool (2,8%).

O acumulado dos últimos 12 meses (-2,5%) assinala o primeiro resultado negativo desde março de 2007 (-0,1%) e mantém a trajetória descendente iniciada em setembro (6,1%). Já o acumulado do primeiro bimestre, -20,6%, indica aceleração da queda na comparação com os -7,8% do último trimestre de 2008. Houve queda em onze atividades, com destaque para outros produtos químicos (-40,4%), veículos automotores (-34,3%), máquinas e equipamentos (-26,5%), calçados e artigos de couro (-27,1%) e alimentos (-13,1%).

GOIÁS

Em fevereiro, a produção industrial de Goiás ajustada sazonalmente recuou 0,5% frente a janeiro, após queda de 1,8% em janeiro, acumulando perda de 2,2%. A média móvel trimestral assinalou decréscimo de 0,5% entre janeiro e fevereiro, sétima taxa negativa consecutiva, com perda acumulada de 7,9%.

Na comparação com fevereiro de 2008, a queda de 11,1% foi a maior da série histórica iniciada em 2003. Ela se deve ao desempenho negativo dos cinco ramos pesquisados, com destaque para produtos químicos (-43,6%) e alimentos e bebidas (-5,3%). Nestes ramos os itens medicamentos e adubos ou fertilizantes, no primeiro; e leite em pó e tortas, bagaços e farelos de soja, no segundo, destacaram-se como principais impactos.

A taxa acumulada dos últimos 12 meses também perdeu ritmo, passando de 8,5% para 5,1% entre dezembro e fevereiro deste ano. Já o acumulado do primeiro bimestre ficou em -9,2%, desacelerando frente ao resultado do último trimestre de 2008 (1,6%), com decréscimo em quatro atividades, com destaque para produtos químicos (-36,3%) e alimentos e bebidas (-3,5%). O único resultado positivo foi assinalado por indústrias extrativas (2,8%).

Prof. Ricardo Bergamini