Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Brasil: Recuo da produção industrial

Na passagem de novembro para dezembro de 2008, os índices regionais da produção industrial, ajustados sazonalmente, recuaram em doze dos quatorze locais pesquisados, com Minas Gerais (-16,4%), Bahia (-15,6%) e São Paulo (-14,9%) apontando as reduções mais acentuadas.

Os demais recuos foram menores que a média nacional (-12,4%): Ceará (-4,1%), Pernambuco (-5,7%), Pará (-6,7%), Santa Catarina (-7,5%), Espírito Santo (-7,9%), Rio de janeiro (-8,2%), região Nordeste (-8,9%), Rio Grande do Sul (-10,0%) e Paraná (-11,3%). As únicas áreas que registraram acréscimo na produção entre novembro e dezembro foram Amazonas (0,9%) e Goiás (0,4%). Mesmo com a perda de ritmo, nos últimos três meses do ano, todos os locais fecharam o ano de 2008 com crescimento, à exceção de Santa Catarina (-0,7%) que, além dos fatores relacionados à crise, também sofreu os impactos da chuva que atingiu o estado.

Ainda na série com ajuste sazonal, no confronto com o trimestre imediatamente anterior, todos os locais pesquisados assinalaram perda de ritmo do quarto trimestre para o terceiro, refletindo os efeitos da crise financeira internacional a partir de setembro. Essa desaceleração é particularmente acentuada no Espírito Santo, que passa de -0,2%, no terceiro trimestre, para uma queda de 21,7%, no quarto, seguido por Minas Gerais (de 2,2% para -16,2%) e Rio Grande do Sul (de 3,0% para -10,3%).

Em relação a dezembro de 2007, o setor industrial nacional recuou 14,5%, menor marca de toda série histórica, mesmo com a diferença de dois dias úteis a mais em dezembro de 2008 em relação a igual mês do ano anterior. Nessa comparação, os índices regionais foram predominantemente negativos, à exceção de Goiás (1,1%), evidenciando o aprofundamento do ritmo de queda e um alargamento do conjunto dos locais com recuo na produção. Espírito Santo (-29,6%), Minas Gerais (-27,1%), Rio Grande do Sul (-15,5%), São Paulo (-14,5%), Bahia (-13,9%) e Santa Catarina (-10,8%) registraram recuos a dois dígitos. Os demais resultados foram: Ceará (-3,9%), Pernambuco (-6,2%), Paraná (-6,7%), Pará (-6,9%), Amazonas (-9,3%), Rio de janeiro (-9,6%) e região Nordeste (-9,7%).

Os sinais de desaceleração também ficaram evidentes no confronto do último trimestre de 2008 frente a igual período de 2007, com onze locais reduzindo a produção entre os dois período. Os únicos locais que sustentaram taxas positivas no quarto trimestre de 2008 foram: Pará (1,6%), Goiás (1,4%) e Paraná (1,0%).

Com a abrupta alteração no cenário econômico mundial, todos os resultados da produção industrial para o fechamento do ano de 2008, em nível regional, ficaram abaixo do acumulado até setembro, influenciados pela desaceleração da atividade que se deu de forma pronunciada no quarto trimestre do ano. Espírito Santo (9,2 p.p.), Minas Gerais (5,0 p.p.) e São Paulo (3,4 p.p.) registraram as maiores perdas entre os dois períodos por terem na sua estrutura industrial a forte presença da cadeia automotiva e de segmentos produtores de commodities , particularmente as metálicas (minérios de ferro e siderúrgicas), setores que desaceleraram acentuadamente no último trimestre.

AMAZONAS

Em dezembro, o setor industrial do Amazonas aumentou 0,9% frente ao mês anterior, na série livre de influências sazonais, após recuar 12,1% entre setembro e novembro. O índice de média móvel trimestral recuou 4,0% entre os trimestres encerrados em dezembro e novembro, terceira taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 6,1%.

Na comparação com dezembro de 2007, a queda foi de 9,3%, segunda taxa negativa, menor resultado desde os 11,7% de fevereiro de 2007. Com isso, o índice acumulado no ano ficou em 3,9%, abaixo do fechamento de 2007 (4,5%). Nos indicadores trimestrais, a produção no último trimestre de 2008 recuou 4,7% frente a igual período de 2007 e 6,1% na comparação com o trimestre imediatamente anterior - série ajustada sazonalmente.

O resultado negativo (-9,3%) no índice mensal pode ser explicado sobretudo pelos decréscimos em sete dos onze setores pesquisados, com destaque para a forte contribuição negativa de material eletrônico e equipamentos de comunicações (-35,1%), onde sobressaiu a redução na fabricação de telefones celulares e televisores; e, em menor medida, de edição e impressão (-22,5%) e produtos de metal (-22,8%), influenciados principalmente pelos recuos de DVD´s e aparelhos de barbear. Por outro lado, o principal impacto positivo veio de outros equipamentos de transporte (34,7%), pressionado pela maior produção de motocicletas.

No corte trimestral, observa-se que a indústria amazonense, que vinha sustentando resultados positivos há seis trimestres consecutivos, na comparação contra igual período do ano anterior, apresentou queda de 4,7% no quarto trimestre de 2008. Seis ramos contribuíram para a perda de ritmo entre o terceiro (6,1%) e o quarto (-4,7%) trimestres de 2008, com destaque para outros equipamentos de transporte, que passou de 22,2% para –5,0% entre os dois períodos, material eletrônico e equipamentos de comunicações (de 3,0% para -9,8%) e edição e impressão (de 20,1% para -12,4%).

No indicador acumulado no ano (3,9%), o crescimento foi resultado do desempenho positivo de seis segmentos, com outros equipamentos de transporte (16,7%), edição e impressão (22,2%) e material eletrônico e equipamentos de comunicações (2,7%) liderando as contribuições positivas sobre o índice global. Esses ramos foram influenciados, respectivamente, pelos itens: motocicletas; DVD´s; e telefones celulares. Em sentido oposto, produtos de metal (-15,1%) e máquinas e equipamentos (-11,7%) tiveram os principais impactos negativos, pressionados sobretudo pelos itens aparelhos de barbear; e aparelhos de ar condicionado.

PARÁ

Em dezembro de 2008, a indústria do Pará recuou 6,7% frente ao mês anterior, na série com ajuste sazonal, acumulando nos dois últimos meses uma perda de 11,3%. Na comparação com igual mês do ano anterior, também observa-se queda (-6,9%), interrompendo sequência de doze taxas positivas. No indicador acumulado no ano, o setor encerra 2008 com expansão de 5,6%, resultado acima dos 2,7% assinalados em 2007. No quarto trimestre de 2008, a produção superou em 1,6% a de igual período de 2007 mas ficou 3,6% abaixo do trimestre imediatamente anterior – série ajustada sazonalmente.

No confronto dezembro 2008/ dezembro 2007, a indústria paraense recuou 6,9%, queda explicada, sobretudo, pelo desempenho negativo observado na indústria extrativa (-21,7%), uma vez que a de transformação (8,0%) prossegue assinalando taxa positiva neste tipo de comparação. No primeiro segmento, sobressaiu a redução na extração de minérios de ferro. Na indústria de transformação, três dos cinco ramos registraram taxas positivas, com destaque para metalurgia básica (24,2%), por conta principalmente da maior fabricação de óxido de alumínio. Por outro lado, das duas atividades que apontaram queda, a contribuição negativa mais relevante veio do setor de madeira (-32,4%), pressionado, em grande parte, pelo recuo na produção dos itens madeira serrada e compensada.

Em bases trimestrais, a indústria do Pará reduziu o ritmo de expansão na passagem do terceiro (8,6%) para o quarto trimestre do ano (1,6%), ambas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. Entre estes dois períodos, cinco das seis atividades pesquisadas mostraram menor dinamismo, com destaque para a perda observada no setor extrativo, que passou de uma expansão de 12,4%, no terceiro trimestre, para uma queda de 4,0% no período outubro-dezembro, enquanto metalurgia básica (de 10,8% para 22,5%) assinalou o único ganho.

No indicador para o fechamento de 2008, a produção industrial paraense avançou 5,6%, com resultados positivos tanto na indústria extrativa (6,1%), por conta da maior extração de minérios de ferro, como na de transformação (5,1%). Nesta última, o principal destaque positivo ficou com o setor de metalurgia básica (11,3%), enquanto madeira (-24,0%) assinalou a única taxa negativa. Nestas atividades, sobressaíram os itens óxido de alumínio, no primeiro ramo, e madeira serrada no segundo.

Por fim, o índice de média móvel trimestral, que recua 2,7%, entre novembro e dezembro, acelera o ritmo de queda frente ao desempenho assinalado no mês anterior (-1,5%). Ainda na série ajustada sazonalmente, a produção industrial paraense recuou 3,6% no último trimestre do ano, em relação ao trimestre imediatamente anterior, revertendo a expansão de 4,5% verificada no terceiro trimestre de 2008.

NORDESTE

Em dezembro, a produção industrial do Nordeste, na série livre dos efeitos sazonais, caiu 8,9% em relação ao mês imediatamente anterior, terceira taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 12,9%. Com esses resultados, o índice de média móvel trimestral assinalou recuo de 4,4%, entre novembro e dezembro, acentuando a trajetória descendente observada desde outubro.

No confronto com dezembro de 2007, a indústria nordestina recuou 9,7%, terceiro resultado negativo consecutivo, enquanto no acumulado no ano, assinalou acréscimo de 1,4%, resultado abaixo do fechamento de 2007 (3,1%). Na análise trimestral, o quarto trimestre de 2008 apresentou queda de 5,2% frente a igual período em 2007 e –5,3% frente ao trimestre imediatamente anterior – série com ajuste sazonal.

A queda de 9,7% frente a igual mês do ano anterior refletiu, sobretudo, as taxas negativas observadas em nove dos onze setores pesquisados, com o principal impacto sobre o índice geral vindo de produtos químicos (-33,1%); e em menor medida, de têxtil (-29,1%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-43,5%). Nesses ramos sobressaíram, respectivamente, os itens etileno, polietileno; tecidos de algodão; eletrodos. Por outro lado, celulose e papel (12,8%) e vestuário (32,3%) exerceram as pressões positivas, principalmente em função da fabricação de celulose e camisas.

Em base trimestrais, o ritmo produtivo da indústria nordestina desacelerou no quarto trimestre (-5,2%), em relação ao terceiro (2,8%), ambas comparações contra igual período do ano anterior, sendo este o primeiro resultado negativo desde o quarto trimestre de 2003 (-4,8%). Entre os períodos julho-setembro e outubro-dezembro de 2008, nove ramos diminuíram sua participação, com destaque para produtos químicos, que passou de 2,2% para -19,5%; celulose e papel (de 45,9% para 9,4%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (de 2,2% para -29,0%).

O acumulado no período janeiro-dezembro de 2008 aumentou 1,4%, apoiado nos resultados positivos de sete ramos. As contribuições mais relevantes sobre a média da indústria vieram de celulose e papel (25,6%), alimentos e bebidas (3,9%) e refinode petróleo e produção de álcool (2,6%), impulsionados sobretudo pelos itens: celulose; amendoim; e álcool. Por outro lado, os impactos negativos mais expressivos vieram de produtos químicos (-4,8%) e têxtil (-6,5%), pressionados em grande parte pelos itens polietileno e tecidos de algodão.

CEARÁ

A produção industrial do Ceará de dezembro, ajustada sazonalmente, recuou 4,1% no confronto com o mês imediatamente anterior, após ter apresentado retração de 3,6% em novembro. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral decresceu 2,2%, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando queda de 3,9%.

A indústria cearense recuou 3,9%, em relação a dezembro de 2007, e cresceu 2,5%, no acumulado no ano. Na análise trimestral, o quarto trimestre decresceu 1,3%, em relação a igual trimestre de 2007, e 3,6%, no confronto com o trimestre imediatamente anterior (série ajustada sazonalmente).

O indicador mensal da produção industrial cearense mostrou retração de 3,9%, com taxas negativas em cinco dos dez setores industriais pesquisados. O maior impacto negativo veio do setor têxtil (-35,9%), por conta da queda da fabricação de tecidos de algodão e tecidos de malha de fibras sintéticas. Vale citar, também, calçados e artigos de couro (-8,7%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-28,1%), devido, respectivamente, à menor fabricação de calçados de plásticos e de couro, e transformadores. Por outro lado, as principais influências positivas foram observadas em produtos químicos (19,4%) e refino de petróleo e produção de álcool (30,5%), em função, respectivamente, do aumento na produção de tintas e vernizes para construção e óleo diesel.

Na análise trimestral, a indústria cearense mostrou perda de dinamismo, na passagem do terceiro (5,9%) para o quarto trimestre de 2008 (-1,3%), ambas comparações contra iguais períodos do ano anterior. Este movimento de retração é confirmado pela redução em seis atividades, entre o terceiro e o quarto trimestre. As principais contribuições negativas foram verificadas em calçados e artigos de couro, que passou de 0,5% para -16,6%; alimentos e bebidas (de 13,7% para 6,5%) e têxtil (de -5,3% para -14,0%).

No indicador acumulado no ano, a produção industrial do Ceará avançou 2,5%, com taxas positivas em seis dos dez setores industriais. Os maiores impactos positivos vieram de alimentos e bebidas (11,5%), produtos químicos (17,3%), e produtos de metal (17,5%), devido, respectivamente, à maior produção de amendoim e castanha de caju torrados; tintas e vernizes para construção; rolhas, tampas e cápsulas metálicas. Em sentido contrário, os principais recuos vieram de têxtil (-8,6%) e refino de petróleo e produção de álcool (-13,2%), por conta, respectivamente, da queda da produção de tecidos de algodão e óleo diesel.

PERNAMBUCO

Em dezembro, a produção industrial de Pernambuco ajustada sazonalmente recuou 5,7%, em relação ao mês imediatamente anterior, quarto resultado negativo consecutivo, acumulando perda de 9,4%. O indicador de média móvel trimestral assinalou a segunda taxa negativa (-3,1%), acumulando perda de 4,4% entre outubro e dezembro.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a indústria pernambucana recuou 6,2% frente a dezembro de 2007, enquanto no indicador acumulado no ano houve aumento de 4,2%. Na análise trimestral, os resultados do quarto trimestre de 2008 foram negativos, tanto frente a igual trimestre do ano anterior (-2,3%), quanto em relação ao terceiro trimestre do ano – série ajustada sazonalmente (-3,7%).

No indicador mensal, a produção industrial de Pernambuco caiu 6,2%, devido ao desempenho negativo de nove dos onze setores pesquisados. As principais contribuições negativas vieram de alimentos e bebidas (-5,9%), produtos químicos (-18,0%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-29,7%), devido, sobretudo, ao decréscimo na fabricação dos itens: açúcar cristal; borracha de estireno-butadieno; pilha ou bateria elétrica. Por outro lado, as influências positivas vieram de refino de petróleo e produção de álcool (33,2%) e metalurgia básica (8,8%), em grande parte por conta dos avanços de álcool e vergalhões de aço ao carbono.

Na análise trimestral, após a forte desaceleração observada entre o primeiro (13,8%) e o segundo trimestre de 2008 (1,0%), a indústria de Pernambuco apresentou maior ritmo de crescimento no terceiro (5,8%), voltando a desacelerar no quarto (-2,3%), todas as comparações contra iguais períodos do ano anterior. O menor dinamismo entre o terceiro e o quarto trimestres foi observado em nove ramos, com destaque para produtos químicos, que passou de 4,2% para -16,6% entre os dois períodos, alimentos e bebidas (de 6,0% para -1,3%) e produtos de metal (de 5,6% para -9,8%).

No indicador acumulado no ano, a indústria pernambucana cresceu 4,2%, com resultados positivos em oito atividades. Os principais impactos vieram de alimentos e bebidas (4,1%), metalurgia básica (9,5%) e refino de petróleo e produção de álcool (54,8%), influenciados pela maior produção dos itens: açúcar cristal; chapas e tiras de alumínio; e álcool, respectivamente. Em sentido contrário, as principais pressões negativas vieram de calçados e artigos de couro (-16,3%) e celulose e papel (-5,6%), em função sobretudo da menor fabricação de calçados de borracha; e sacos, sacolas e bolsas de papel.

BAHIA

Em dezembro, a produção industrial da Bahia ajustada sazonalmente recuou 15,6%, em relação ao mês imediatamente anterior, assinalando a quarta taxa negativa consecutiva, acumulando queda de 20,3%. Com estes resultados, o indicador de média móvel trimestral decresceu 6,7% e acumulou perda de 8,5%, após três meses de resultados negativos.

No confronto com iguais períodos de 2007, a produção industrial baiana mostrou retração de 13,9%, em relação a dezembro de 2007, e crescimento de 2,3%, no acumulado no ano. O quarto trimestre do ano recuou 5,5% no confronto com o mesmo trimestre do ano anterior, e 8,5%, em comparação ao terceiro trimestre de 2008 (série ajustada sazonalmente).

O indicador mensal da indústria baiana apresentou queda de 13,9%, com taxas negativas em seis dos nove setores pesquisados. O principal impacto negativo veio de produtos químicos (-41,1%), por conta da menor fabricação de etileno não-saturado e polietileno de baixa densidade, Em seguida vieram refino de petróleo e produção de álcool (-10,7%), em função da queda da produção de óleo diesel e naftas; e veículos automotores (-100,0%), devido à paralisação na produção de automóveis por conta de férias coletivas. Por outro lado, as maiores contribuições positivas vieram de alimentos e bebidas (16,5%) e celulose e papel (14,2%), em função, respectivamente, do aumento da produção de óleo de soja refinado, farinhas e “ pellets ” da extração do óleo de soja; e celulose.

Na análise trimestral, o quarto trimestre recuou 5,5%, resultado bastante inferior ao obtido no terceiro trimestre (6,1%), ambas as comparações contra igual trimestre do ano anterior. Esta perda de dinamismo é explicada pela redução da produção em sete das nove atividades, na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2008, com destaque para produtos químicos, que passou de 3,7% para -21,8%, celulose e papel (de 53,6% para 10,4%) e veículos automotores (de 0,5% para -42,6%).

No indicador acumulado no ano, a indústria baiana avançou 2,3%, com resultados positivos em sete dos nove ramos fabris. As maiores influências positivas foram assinaladas por celulose e papel (29,2%), alimentos e bebidas (4,0%), minerais não-metálicos (17,3%) e metalurgia básica (4,0%), por conta, respectivamente, da maior produção de celulose; cerveja e chope; massa de concreto; barras, perfis e vergalhões de cobre. Em sentido oposto, produtos químicos (-5,3%) e veículos automotores (-10,5%), em razão, respectivamente, da menor produção de polietileno de alta densidade, e automóveis, foram as duas atividades que assinalaram taxas negativas.

MINAS GERAIS

A produção industrial de Minas Gerais recuou 16,4%, na passagem de novembro para dezembro de 2008, quinta taxa negativa consecutiva, período que acumulou perda de 30,9%, já descontadas as influências sazonais. Vale mencionar que a queda deste mês foi a maior da série histórica. Assim, o índice de média móvel trimestral acentua o ritmo de queda ao registrar recuo de 10,2%, entre novembro e dezembro, quarto resultado negativo, acumulando, no período, uma perda de 16,2%. Ainda na série ajustada, no confronto com o trimestre imediatamente anterior, observou-se que o setor fecha o quarto trimestre do ano com queda de 16,2%, interrompendo sequência de dezoito trimestres com taxas positivas.

Frente a dezembro de 2007, o recuo foi de -27,1%, menor marca na série histórica nesse tipo de comparação. Com isso, o indicador acumulado fecha o ano de 2008 com acréscimo de 1,6%, resultado bem abaixo do assinalado até setembro (6,6%). Na análise trimestral, no período outubro-dezembro de 2008, observou-se redução de 12,7% na comparação com igual trimestre do ano passado.

A produção industrial mineira ficou 27,1% inferior a de dezembro de 2007, pressionada pelas quedas na indústria de transformação (-22,2%) e na indústria extrativa (-50,8%). Nesta última, que exerce a principal contribuição negativa no índice global, sobressai a redução na extração de minérios de ferro, decorrente da queda acentuada na demanda internacional. Na indústria de transformação, entre as dez atividades em queda, os destaque foram para veículos automotores (-55,9%), metalurgia básica (-35,5%) e outros produtos químicos (-35,1%). Nestes ramos, os maiores impactos negativos vieram das reduções observadas, respectivamente, em: automóveis; ferronióbio; e superfosfatos. Por outro lado, a pressão positiva mais relevante veio de alimentos (7,2%), por conta, sobretudo, dos itens iogurte de frutas e leite esterilizado.

Na evolução trimestral, o recuo de 12,7%, assinalado no último trimestre de 2008, reverte o elevado ritmo de expansão da indústria mineira ao longo do ano, que registrou 7,4% no primeiro trimestre, 5,9% no segundo e 6,7% no terceiro, todas as comparações contra igual período do ano anterior. Essa perda de dinamismo na passagem do terceiro para o quarto trimestre foi acompanhado por onze dos treze ramos industriais.

O indicador acumulado para o fechamento do ano mostra elevação de 1,6%, apoiado no crescimento de seis das treze atividades investigadas, com destaque para os avanços de minerais não-metálicos (11,3%), refino de petróleo e produção de álcool (11,6%) e alimentos (4,2%). Por outro lado, entre os ramos que assinalaram queda sobressaem os recuos vindos de outros produtos químicos (-4,7%) e têxtil (-7,3%), pressionadosem grande parte pelos itens adubos e fertilizantes e inseticidas, no primeiro, e tecidos de algodão, no segundo.

ESPÍRITO SANTO

A produção industrial do Espírito Santo caiu 7,9%, na passagem de novembro para dezembro de 2008, já descontadas as influências sazonais, quarta taxa negativa seguida, acumulando perda de 32,8% desde setembro. Com isso, o índice de média móvel trimestral ampliou o movimento de queda (-10,7%), entre novembro e dezembro, mantendo sequência de quatro resultados negativos, totalizando perda de 22,1% no período.

Na comparação com dezembro de 2007, a queda foi de -29,6%, a menor taxa da série histórica. O indicador acumulado no ano, que em novembro era 9,3%, fechou 2008 com aumento de 5,6%. Na análise por trimestres, verificaram taxas negativas tanto frente ao quarto trimestre de 2007 (-18,5%) como na comparação com o trimestre imediatamente anterior (-21,7%).

O indicador mensal recuou 29,6%, devido ao desempenho negativo de todos os (cinco) setores pesquisados. Neste confronto, metalurgia básica (-48,4%) e a indústria extrativa (-42,6%) exerceram forte pressão negativa na composição da taxa global, em que sobressaíram os decréscimos na fabricação de lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços, no primeiro ramo; e minérios de ferro, no segundo.

Na evolução trimestral, após sequência de doze trimestres positivos, sendo que os últimos quatro com crescimento de dois dígitos, a indústria capixaba mostrou forte desaceleração entre o terceiro (12,4%) e o quarto (-18,5%) trimestres de 2008, todas as comparações contra igual período do ano anterior. Os cinco segmentos perderam participação entre os dois períodos, destacando-se metalurgia básica, que passou de 18,8% no período julho-setembro para -37,5% no período outubro-dezembro; extrativa mineral (de 18,1% para -10,8%); e celulose e papel (de 7,6% para -15,2%).

No índice acumulado no ano, a produção capixaba cresceu 5,6%, com três ramos assinalando resultados positivos frente a 2007. Os maiores impactos positivos sobre a indústria geral vieram do setor extrativo (11,4%), impulsionado pelos itens gás natural e minérios de ferro, e da metalurgia básica (7,5%), por conta da expansão na fabricação de lingotes, blocos e tarugos de aço ao carbono. Em menor medida, minerais não-metálicos (4,7%) exerceu pouca influência positiva e, no sentido contrário, celulose e papel (-1,4%) e alimentos e bebidas (-0,9%) foram os impactos negativos.

RIO DE JANEIRO

Em dezembro de 2008, o índice da produção industrial do Rio de Janeiro ajustado sazonalmente recuou 8,2% frente ao mês anterior, terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando neste período uma perda de 12,0%. No confronto com dezembro de 2007, a produção também apontou taxa negativa (-9,6%), maior queda desde dezembro de 1995 (-11,5%). Com isso, o indicador acumulado no ano fecha 2008 com acréscimo de 1,5%, resultado abaixo dos 2,5% observados no acumulado até novembro. Nos índices trimestrais, a produção no período outubro-dezembro de 2008 foi menor tanto frente a igual trimestre do ano anterior (-3,7%) como na comparação com o trimestre imediatamente anterior (-4,4%), na série ajustada sazonalmente.

Em relação a dezembro de 2007, o setor industrial fluminense apontou recuo de 9,6%, com destaque para a contribuição negativa da indústria de transformação (-13,5%), uma vez que o setor extrativo prossegue em expansão (6,4%). No primeiro segmento, que mostra a terceira taxa negativa consecutiva, nove das doze atividades registraram queda na produção, com destaque para os setores de metalurgia básica (-46,2%) e de veículos automotores (-41,4%), ambos refletindo as paralisações técnicas e a concessão de férias coletivas. Nestas atividades, sobressaíram as quedas na fabricação dos itens barras de aço ao carbono, folhas-de-flandres e bobinas a frio de aços ao carbono, no primeiro ramo, e automóveis, caminhões e chassis para caminhões e ônibus, no segundo. Vale destacar, também, os recuos vindos de farmacêutica (-23,7%), outros produtos químicos (-14,9%) e borracha e plástico (-24,7%), pressionados, em grande parte, pelos itens remédios; herbicidas; e pneus. Entre os ramos que aumentaram a produção, o principal impacto veio de refino de petróleo e álcool (11,7%), influenciado sobretudo pela maior fabricação de óleos lubrificantes básicos e óleo diesel.

Na análise trimestral, com o recuo de 3,7% no período outubro-dezembro, a indústria fluminense interrompe quatro trimestres consecutivos de taxas positivas, mostrando clara perda de ritmo frente ao resultado do terceiro trimestre (5,3%), ambas comparações contra igual período do ano anterior. A perda de dinamismo na passagem do terceiro para o quarto trimestre reflete, sobretudo, o comportamento da indústria de transformação, que passou de um aumento de 4,8% para um recuo de 6,7%, uma vez que a indústria extrativa, que teve crescimento de 7,5% para 9,6%, mostra ganho de ritmo entre os dois trimestres.

No indicador para o fechamento do ano, a produção industrial do Rio de Janeiro encerrou 2008 com aumento de 1,5%, sobre igual período do ano anterior, mostrando resultado abaixo do alcançado em 2007 (2,1%). A indústria extrativa (5,3%), por conta da boa performance na extração de petróleo, figurou como influência positiva relevante na média global. Na indústria de transformação (0,6%), que assinalou ritmo deexpansão mais moderado, cinco dos doze ramos analisados registraram taxas positivas, ficando a principal contribuição na composição do índice geral com veículos automotores (15,8%), seguido por edição e impressão (5,8%) e outros produtos químicos (4,4%).

 Nestes ramos, sobressaíram os avanços nos itens caminhões e automóveis; jornais e cds; e herbicidas, respectivamente. Entre as atividades que reduziram a produção, destacaram-se, neste confronto, metalurgia básica, com decréscimo de 5,3%, e farmacêutica (-9,1%), influenciados, sobretudo, pelos recuos observados em folhas-de-flandres e barras de aço ao carbono; e medicamentos, respectivamente.

Com o comportamento negativo da produção industrial fluminense nos últimos três meses, o índice de média móvel trimestral prosseguiu apontando taxa negativa (-4,1%) e acelera o ritmo de perda frente aos dois últimos meses. Ainda na série com ajuste sazonal, no índice trimestre contra trimestre imediatamente anterior, também se observa queda (-4,4%) no período outubro-dezembro, após crescer 2,0% no terceiro trimestre do ano.

SÃO PAULO

Em dezembro, a produção industrial de São Paulo caiu 14,9% frente ao mês anterior, na série com ajustamento sazonal, terceiro resultado negativo consecutivo, com perda acumulada de 18,5%. Com isso, o índice de média móvel trimestral, em trajetória descendente desde setembro, acentuou a redução entre os trimestres encerrados em dezembro e novembro (-6,3%) e acumulou recuo de 8,3% nos últimos quatro meses.

Em relação aos indicadores que comparam iguais períodos de 2007, os resultados foram: -14,5% frente a dezembro de 2007, menor taxa desde março de 1996 (-16,6%), e 5,3% no índice acumulado no ano, acima da média nacional (3,1%), mas abaixo do fechamento de 2007 (6,2%). Nos indicadores trimestrais, a queda foi de 8,0% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, série ajustada sazonalmente, e de 4,3% em relação ao quarto trimestre de 2007.

No índice mensal (-14,5%), observou-se predomínio de resultados negativos, que atingiram dezesseis das vinte atividades pesquisadas, com destaque para veículos automotores (-44,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-60,5%) e máquinas e equipamentos (-27,7%). No primeiro segmento, que apresentou a segunda taxa negativa após seqüência de dezenove meses de aumento, a concessão de férias coletivas em várias empresas contribuiu para a queda na fabricação de automóveis, enquanto nos outros dois ramos sobressaíram os decréscimos em equipamentos para telefonia celular e centros de usinagem, respectivamente. Em sentido oposto, entre os setores que assinalaram aumento na produção, o principal impacto veio de outros equipamentos de transporte (135,1%), sobretudo em função da fabricação de aviões, seguido por farmacêutica (12,1%) e alimentos (3,7%), onde se destacaram a produção de medicamentos e açúcar cristal.

Na análise por trimestres, observa-se que a indústria paulista, depois de vinte trimestres consecutivos em crescimento, apresentou queda de 4,3% no último trimestre de 2008, na comparação contra igual período do ano anterior. Entre o terceiro (7,1%) e o quarto (-4,3%) trimestres de 2008, dezessete segmentos reduziram a produção, sobressaindo veículos automotores, que passou de 15,5% para -13,7%, máquinas e equipamentos, de 9,3% para -8,3%, e material eletrônico e equipamentos de comunicações (de 3,6% para -23,0%).

Na comparação trimestre contra trimestre imediatamente anterior (ajustado sazonalmente), o índice para o período outubro-dezembro ficou em -8,0%, após seqüência de doze resultados positivos, quando acumulou ganho de 18,4% nos últimos três anos.

No indicador acumulado no ano, o aumento de 5,3% foi influenciado pela expansão de quinze atividades. Neste confronto, outros equipamentos de transporte (57,4%), veículos automotores (9,3%) e farmacêutica (14,4%) lideraram em termos de impacto sobre o índice geral, impulsionados, sobretudo, pelos avanços observados em aviões; automóveis; e medicamentos, respectivamente. Por outro lado, perfumaria, sabões e produtos de limpeza (-5,9%) e alimentos (-1,5%) exerceram as principais pressões negativas, em grande parte devido aos decréscimos de creme dental e sucos concentrados de laranja.

PARANÁ

Em dezembro de 2008, o índice da produção industrial do Paraná ajustado sazonalmente caiu 11,3% frente a novembro, segunda taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 14,0% neste período. Com isso, o índice de média móvel trimestral apresentou redução de 4,6% na passagem de novembro para dezembro, após variar 0,3% no mês anterior.

Na comparação com dezembro de 2007, o recuo foi de -6,7%, primeira taxa negativa desde setembro de 2006 (-7,9%). O indicador acumulado no ano fechou 2008 com 8,6% de crescimento. Nos indicadores trimestrais, a produção no período outubro-dezembro de 2008 mostrou acréscimo de 1,0% frente a igual trimestre do ano anterior e queda de 4,8%, na comparação com o trimestre imediatamente anterior, na série ajustada sazonalmente.

No índice mensal, a produção paranaense caiu 6,7%, com nove das quatorze atividades pesquisadas com desempenho negativo. Veículos automotores (-46,1%), máquinas e equipamentos (-22,3%) e outros produtos químicos (-34,7%) exerceram os principais impactos negativos sobre a média global, influenciados, principalmente, pela menor fabricação de automóveis e caminhões; máquinas para colheita; e adubos ou fertilizantes. Por outro lado, as pressões positivas mais significativas vieram de edição e impressão (84,1%) e minerais não-metálicos (33,1%), decorrentes, sobretudo, dos aumentos de livros, brochuras ou impressos didáticos; e cimento.

Em bases trimestrais, observa-se a manutenção de resultados positivos há nove trimestres consecutivos, mas com significativa redução no ritmo de crescimento entre o terceiro (11,3%) e quarto (1,0%) trimestres de 2008, nas comparações contra igual período do ano anterior. Onze ramos acompanharam este movimento entre os dois períodos, com destaque para veículos automotores (de 36,1% para -3,4%), edição e impressão (de 50,8% para 18,3%) e máquinas e equipamentos (de 5,7% para -4,5%).

No indicador acumulado no ano (8,6%), nove ramos apresentaram taxas positivas, com as principais influências vindo de veículos automotores (23,8%), edição e impressão (32,3%) e celulose e papel (16,7%), impulsionados, em grande parte, pela produção de caminhões; livros, brochuras ou impressos didáticos; e cartolina, respectivamente. Por outro lado, as pressões negativas mais relevantes vieram de outros produtos químicos (-21,8%) e alimentos (-2,8%), com destaque para os decréscimos de adubos ou fertilizantes e açúcar cristal.

SANTA CATARINA

Em dezembro de 2008, o índice da produção industrial de Santa Catarina ajustado sazonalmente recuou 7,5% frente a novembro, acumulando nos últimos três meses de queda uma perda de 14,6%. No confronto com dezembro de 2008 o decréscimo foi de 10,8%, terceira taxa negativa consecutiva e a maior redução desde os 13,5% de abril de 2003. Com isso, o indicador acumulado no ano fecha 2008 com queda de 0,7%, revertendo os resultados positivos que eram observados neste tipo de comparação até novembro. Nos indicadores trimestrais, a produção no período outubro-dezembro de 2008, tanto na comparação com igual período do ano anterior (-7,5%) como em relação ao trimestre imediatamente anterior (-8,2%), foram negativos.

Em relação a dezembro de 2007, o setor industrial catarinense recua 10,8%, com perfil generalizado de queda que atinge dez das onze atividades pesquisadas. Nesta comparação, os impactos negativos mais significativos foram observados em máquinas e equipamentos (-21,5%), por conta principalmente da concessão de férias coletivas em importante empresa do setor, e veículos automotores (-29,2%). Nestes ramos, os itens que exerceram as principais pressões negativas foram, respectivamente, compressores para refrigeradores e congeladores; e carrocerias para caminhões e ônibus. Outras contribuições negativas relevantes foram dadas por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-25,0%), borracha e plástico (-11,1%), minerais não-metálicos (-14,2%) e têxtil (-7,6%), influenciados em grande parte pelos itens: motores elétricos; peças e acessórios de plástico para indústria automobilística; ladrilhos e placas de cerâmica; e toalhas de banho, rosto e mãos. Por outro lado, o setor de alimentos (4,1%) foi a única atividade com resultado positivo, cabendo ao itens carnes de aves e de suínas as principais influências.

Na evolução por trimestres, a atividade fabril catarinense recuou 7,5% no quarto trimestre de 2008 frente a igual período do ano anterior, e interrompe uma sequência de nove trimestres de taxas positivas. A perda de dinamismo, na passagem do terceiro (2,4%) para o quarto trimestre (-7,5%), teve perfil abrangente e foi observada em dez dos onze ramos investigados, com destaque para a redução verificada nos ramos de veículos automotores, que passou de 8,4% no terceiro trimestre para -16,2%, no período outubro-dezembro, máquinas e equipamentos (de -2,7% para -16,7%) e borracha e plástico (de 17,3% para -7,4%).

No indicador acumulado no ano, a indústria de Santa Catarina fecha 2008 com queda de 0,7%, desempenho bem abaixo do observado no encerramento de 2007 (5,4%). Na formação deste resultado, quatro dos doze ramos investigados mostraram taxas negativas, cabendo os principais impactos sobre o índice global aos setores de madeira (-26,0%) e de máquinas e equipamentos (-7,0%). Nestas atividades, os itens que mais pressionaram negativamente foram madeira serrada, no primeiro ramo, e compressores e refrigeradores, no segundo. Por outro lado, a contribuição positiva mais importante veio de borracha e plástico (7,2%), explicado pelo aumento na fabricação de tubos, canos e mangueiras de plástico e de peças e acessórios plásticos para a indústria automobilística, seguido por veículos automotores (4,0%), por conta do item carrocerias para ônibus e caminhões, e alimentos (1,4%), sustentado pelo crescimento na produção de carnes de suínos e de aves.

Com o comportamento negativo da atividade industrial desde outubro, o índice de média móvel trimestral em dezembro (-5,1%) manteve a trajetória de queda e acelera o ritmo de perda frente o mês anterior (-2,4%). O índice trimestre contra trimestre imediatamente anterior, ajustado sazonalmente, apontou queda no quarto trimestre de 2008 (-8,2%), revertendo a taxa positiva observada no trimestre anterior (1,2%).

RIO GRANDE DO SUL

A produção industrial do Rio Grande do Sul ajustada sazonalmente recuou 10,0% em dezembro, em relação ao mês imediatamente anterior, terceiro resultado negativo consecutivo, acumulando queda de 21,5% neste período. No confronto com dezembro de 2007 o decréscimo foi de 15,5%, a maior queda desde os 19,6% de março de 1996. Com isso, o indicador acumulado fechou o ano de 2008 com aumento de 2,5%, índice abaixo do registrado até novembro (4,0%). Nos índices trimestrais, os resultados foram negativos tanto no confronto com igual trimestre do ano anterior (-7,2%) como na comparação com o trimestre imediatamente anterior (-10,3%) – série ajustada sazonalmente.

No confronto com igual mês do ano anterior, a indústria gaúcha mostrou queda de 15,5%, refletindo sobretudo o recuo em nove dos quatorze ramos pesquisados, com os impactos negativos mais relevantes vindo de outros produtos químicos (-50,9%) e veículos automotores (-33,0%). Nestas atividades, observa-se perfil generalizado de queda, que atinge percentual superior a 80% dos produtos investigados, com destaque para etileno e polipropileno, no primeiro ramo, e automóveis e eixo, semi-eixo e outras peças para transmissão, no segundo. Vale destacar, também, os resultados negativos assinalados por metalurgia básica (-67,3%), explicado pelo recuo em todos os produtos pesquisados no setor, calçados e artigos de couro (-21,8%), por conta do item calçados de couro, e máquinas e equipamentos (-16,0%), com destaque para ferramentas hidráulicas e aparelhos de ar-condicionado. Por outro lado, a maior influência positiva na média global foi verificada em alimentos (3,5%), sustentada principalmente pelo crescimento na produção de carnes de bovinos.

Em bases trimestrais, a indústria gaúcha, no último trimestre do ano, recuou 7,2%, após apontar taxas positivas por oito trimestres consecutivos, todas as comparações contra igual período do ano anterior. A perda de dinamismo observado na passagem do terceiro (7,5%) para o quarto trimestre de 2008 (-7,2%) reflete, sobretudo, o desempenho negativo de treze dos quatorze ramos pesquisados, com destaque para veículos automotores, que passou de uma expansão de 27,9% para uma queda de 12,6%; outros produtos químicos (de 5,7% para –21,3%) e máquinas e equipamentos (de 31,4% para 7,4%).

No indicador para o fechamento do ano, a produção industrial do Rio Grande Sul encerra 2008 com avanço de 2,5% sobre igual período do ano anterior, mostrando crescimento menos intenso do que o alcançado no ano anterior (7,4%). Para este resultado, nove dos quatorze ramos apontaram taxas positivas, com os maiores impactos vindos de máquinas e equipamentos (22,1%), alimentos (7,8%) e veículos automotores (13,0%). Nestes setores, sobressaem os avanços observados em máquinas para colheita, tratores agrícolas e aparelhos de ar-condicionado, no primeiro, carnes de bovinos, no segundo, e reboques e semi-reboques e carrocerias para caminhões e ônibus, no último. Por outro lado, calçados e artigos de couro (-7,7%) e outros produtos químicos (-7,1%) exerceram as maiores pressões negativas, influenciados pelos recuos na produção de calçado de couro; e etileno e adubos e fertilizantes, respectivamente.

Com o menor dinamismo da produção industrial gaúcha nos últimos três meses, o índice de média móvel trimestral mantém a trajetória descendente iniciada em outubro, e acelera o ritmo de perda em dezembro (-7,6%) frente ao resultado do mês anterior (-2,8%). No índice trimestre contra trimestre imediatamente anterior, série ajustada sazonalmente, observa-se queda de 10,3% no período outubro-dezembro de 2008, revertendo assim a expansão de 3,0% no terceiro trimestre do ano.

GOIÁS

Em dezembro, a produção industrial de Goiás , na série livre de influências sazonais, apresentou variação positiva de 0,4% em relação a novembro, após ter recuado 4,1% no mês imediatamente anterior. O índice de média móvel trimestral, entre novembro e dezembro, prosseguiu apontando queda (-0,4%), quarta taxa negativa consecutiva, acumulando perda de 5,5%.

Nos demais indicadores, os resultados foram aumento de 1,1% em relação a dezembro de 2007 e de 8,5% no acumulado no ano, resultado bem acima dos 2,3% do fechamento de 2007. No corte trimestral, o aumento foi de 1,4% no quarto trimestre de 2008 em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto que, em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série livre de influências sazonais, houve recuo de 3,9%.

A atividade industrial goiana aumentou 1,1% no indicador mensal, após recuar 1,4% em novembro. Três dos cinco setores pesquisados contribuíram positivamente para este resultado, com destaque para minerais não-metálicos (15,5%), metalurgia básica (7,4%) e alimentos e bebidas (0,8%), onde sobressaíram, respectivamente, a fabricação de cimento; ferronióbio, e farinhas e ”pellets” derivados do óleo de soja. Em contraposição, produtos químicos (-8,3%) e extrativa mineral (-0,5%) reduziram a produção, principalmente devido ao decréscimo dos itens: adubos ou fertilizantes e amianto.

Em bases trimestrais, a indústria mantém sequência de seis resultados positivos, porém com significativa redução do ritmo de crescimento na passagem do terceiro trimestre de 2008 (9,3%) para o quarto (1,4%), ambas comparações contra iguais períodos do ano anterior. Esse movimento foi observado em quatro ramos, principalmente em produtos químicos, que passou de 17,8%, em julho-setembro, para -14,8%, em outubro-dezembro, e alimentos e bebidas, de 8,6% para 4,9%.

No indicador acumulado no ano, a expansão ficou em 8,5%, com quatrosegmentos apresentando taxas positivas nessa comparação. Alimentos e bebidas (9,8%) e extrativa mineral (13,3%) exerceram os principais impactos no resultado global, sobretudo devido ao aumento da produção de maionese, leite em pó, e amianto. Por outro lado, somente metalurgia básica fechou o ano com resultado negativo (-6,5%), principalmente em função da menor fabricação de ferroníquel.

Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Regional – Fonte IBGE

Base: Dezembro de 2008

Ricardo Bergamini
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