Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Análise da Produção Industrial no Brasil

Em 2006, as 764 maiores empresas industriais (com 1.000 ou mais pessoas ocupadas) representavam 0,5% do universo de 155.057 em atividade e concentravam 60% do valor da transformação industrial1 - R$ 333,3 bilhões de R$ 555,0 bilhões. As informações da Pesquisa Industrial Anual (PIA) - Empresa mostram que essa concentração aumentou entre 1996 e 2006, período em que as maiores empresas cresceram em importância na estrutura produtiva industrial. Pelos resultados da Pesquisa Industrial Anual – Produto, observa-se que 56,8% das vendas de produtos das empresas com 30 ou mais pessoas ocupadas eram gerados por aquelas que tinham 1.000 ou mais empregados em 2006.

As empresas industriais com 5 ou mais pessoas ocupadas no país empregavam cerca de 6,8 milhões de pessoas, auferiram receita líquida de vendas da ordem de R$ 1,3 trilhão e registraram, entre salários e retiradas, um total de R$ 118 bilhões, pagando salário médio mensal de R$ 1.343. Em média, cada empresa industrial ocupava 44 pessoas e obteve receita de R$ 9 milhões.


Em 2006, estavam em atividade 3.448 grandes empresas industriais (com 250 ou mais pessoas ocupadas), que representavam 2,2% do universo, empregavam cerca de 50,0% do total de pessoas ocupadas, com uma média de 980 pessoas ocupadas por empresa, pagavam 67,3% do total de salários e retiradas do setor, respondendo por 78,9% do valor da transformação industrial e por 76,7% da receita líquida de vendas.

A produtividade do trabalho2 era de R$ 82 mil para o total da indústria, sendo de R$ 130 mil nas grandes empresas, mais que o triplo do valor da produtividade das pequenas e médias (R$ 35 mil). As empresas com 250 ou mais pessoas ocupadas pagavam, em média, salários mais elevados, 5,3 salários mínimos, o dobro do pago pelas pequenas e médias (2,6 salários mínimos).

O indicador que mede o custo do trabalho3 era de 31,4% para o total da indústria em 2006 e de 27,8% nas grandes empresas, indicando, para estas, uma vantagem competitiva.

O número das grandes empresas industriais era elevado em refino de petróleo e produção de álcool (36,8%) e fumo (15,9%), setores onde respondiam por mais de 95,0% do valor da transformação industrial.

As grandes empresas industriais localizavam-se principalmente nas regiões Sudeste (52,2%) e Sul (25,1%). As demais áreas mostravam as seguintes participações: Nordeste, 12,6%; Centro-Oeste, 5,9%; e Norte, 4,2%. Nas grandes empresas, assim como no total do setor industrial, as maiores fatias do pessoal ocupado e do valor da transformação industrial continuavam concentradas na região Sudeste, com respectivamente 51,2% e 63,4%, bem acima da segunda área mais importante, a região Sul (com 24,5% e 16,0%, respectivamente).

Em relação à produtividade, tanto para o total das empresas quanto para as grandes, as regiões Norte (R$ 144 mil e R$ 237 mil, respectivamente) e Sudeste (R$ 104 mil e R$ 181 mil) estavam acima da média do país (R$ 82 mil).

Dentro do grupo das grandes empresas (250 ou mais pessoas ocupadas), as maiores, com 1.000 ou mais pessoas ocupadas, representavam 22,2%. Frente ao total da indústria, elas correspondiam a 0,5% do universo e detinham as seguintes participações nas variáveis analisadas: 31,9% do total de pessoal ocupado, 55,4% da receita líquida de vendas, 60,0% do valor da transformação industrial e 46,1% dos salários pagos.

Esse grupo das maiores empresas tinha receita média de R$ 973 milhões, produtividade superior (R$ 155 mil) ao do total da indústria (R$ 82 mil) e à das grandes empresas em geral (R$ 130 mil), além do maior salário médio (5,7 salários mínimos). O custo do trabalho era de 25,1%, menor que o observado no total da indústria (31,4%) e no total do grupo das grandes (27,8%).

Empresas com mais de mil pessoas ocupadas ampliam sua importância em dez anos

Em 1996, estavam em atividade 3.168 grandes empresas industriais (250 pessoas ocupadas ou mais). Em dez anos, esse número aumentou para 3.448 (8,8%), crescimento que entre as empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas foi bem mais elevado, alcançando 29,9% (de 588 para 764).

Em relação ao contingente de pessoas ocupadas, o movimento foi o mesmo, com as grandes empresas passando de 2,7 milhões de pessoas em 1996 para 3,4 milhões em 2006, crescimento de 24,9%, enquanto nas empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas o acréscimo ficou em 42,7% (de 1,5 milhão para 2,2 milhões). No período de dez anos, o tamanho médio das empresas industriais4 só se ampliou para o grupo das com 1.000 ou mais pessoas ocupadas (9,8%).

A análise da evolução das maiores empresas confirma o ganho de participação desse grupo na distribuição do pessoal ocupado na indústria ao longo de dez anos, passando de 29,4% em 1996 para 31,9% em 2006. O movimento é semelhante no que diz respeito à participação no valor da transformação industrial, que passou de 48,7% em 1996 para 60,0% em 2006.


Maiores empresas se destacam no refino de petróleo, na extrativa mineral e em celulose

O comportamento observado nessa classe de tamanho (1.000 ou mais pessoas ocupadas) tende a ser especialmente relevante nas atividades baseadas em economia de escala técnica, na diferenciação de produtos e no acesso a recursos naturais. No refino de petróleo e produção de álcool, por exemplo, as empresas com 1.000 ou mais pessoas ocupadas respondiam em 1996 por 83,4% do valor da transformação industrial, passando para 95,4% em 2006.

Vale citar também a evolução observada no setor de extração mineral: em 1996 as empresas com mais de 1.000 ocupados representavam 50,5% da produção, percentual que evoluiu para 71,9% em 2006. O movimento decorre do significativo aumento da produção interna de petróleo e minério de ferro e da crescente valorização desses produtos no mercado internacional.

No ranking das atividades com maior produtividade entre as empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas, o setor de refino de petróleo e produção de álcool ocupava a liderança em 2006 (R$ 1,019 milhão), seguido pelas indústrias extrativas (R$ 396 mil); metalurgia básica (R$ 328 mil); e de celulose e papel (R$ 280 mil). Na evolução do ranking , o primeiro segmento saltou do quarto lugar em 1996 para a liderança nos anos de 2000 e 2006, enquanto as indústrias extrativas, após ficarem em quinto em 1996, alcançaram o segundo lugar em 2000 e em 2006. A metalurgia básica também mostrou evolução, saindo de sétimo (1996) e oitavo (2000) para o terceiro lugar em 2006, enquanto celulose e papel teve ganho contínuo, de sexto (1996) para quinto (2000) e quarto lugar em 2006.


Maiores indústrias têm mais importância relativa no Nordeste e menos no Sul

Era na indústria nordestina que se observava, em 2006, a mais elevada participação das empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas tanto no valor da transformação industrial (68,4%), quanto no pessoal ocupado (43,8%). Nesse conjunto de empresas, os setores com o maior valor de transformação eram refino de petróleo e produção de álcool; alimentos e bebidas; produtos químicos; e indústrias extrativas, que concentravam 71,0% da produção total das empresas com mais de 1.000 ocupados.

No Sudeste, região com maior densidade e diversificação industrial, as empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas detinham 61,3% do valor da transformação industrial, 26,4% do pessoal ocupado e 1,8% do total de unidades locais, em 2006. Setorialmente, a presença desse grupo de empresas era bastante relevante em refino de petróleo e produção de álcool (95,2% do valor de transformação do setor) e indústrias extrativas (89,3%).

Já a região Sul caracterizava-se como a de menor importância relativa da produção das empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas. Em 2006, esse grupo respondia por praticamente a metade do valor da transformação industrial (50,2%), 27,5% do pessoal ocupado e por 1,7% das unidades locais. Cabe destacar, como exceção, a relevância das maiores empresas na indústria fumageira, setor onde alcançavam 29,7% das unidades locais, 69,8% do pessoal ocupado e 91,0% do valor de transformação.


Em dez anos, Sudeste perde participação na produção das maiores indústrias

Ao longo dos anos, a região Sudeste perdeu participação no valor da transformação industrial nacional das empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas, saindo de 71,6% em 1996, para 68,6% em 2000 e chegando aos 64,4% em 2006. O mesmo ocorreu com a região Sul, ao passar de 15,5% em 1996 para 14,7% em 2006. As demais regiões ganharam participação: Centro-Oeste, de 1,2% em 1996 para 3,3% em 2006; Nordeste, de 7,1% para 11,3%; e Norte, de 4,5% para 6,3%. Sudeste e Sul concentravam 48,1% e 24,0% do total do pessoal ocupado entre as empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas em 2006, percentuais inferiores aos registrados por essas regiões no universo da pesquisa (53,6% e 25,6%). Por outro lado, no Nordeste (18,8%) e Centro-Oeste (5,5%) havia maior participação do pessoal ocupado nessa classe de empresa (12,6%) que no total da indústria (4,6%), provavelmente refletindo uma maior presença de empresas mais intensivas no fator trabalho.

No valor da transformação industrial, as diferenças eram menos marcantes: as empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas nas regiões Sudeste (64,4%), Nordeste (11,3%) e Norte (6,3%) tinham participação próxima ao observado no total da indústria (63,1%, 9,9% e 6,0%, respectivamente).

Nas regiões Centro-Oeste e Norte, onde o parque fabril é formado por um conjunto menor de setores industriais, as empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas “determinavam” o perfil da atividade industrial. No Centro-Oeste, essa classe de empresas estava concentrada na atividade de alimentos e bebidas, com 77,1% do valor da transformação industrial, 78,0% do número de pessoas ocupadas e 59,7% das de unidades locais. Na região Norte, os setores predominantes eram os de indústrias extrativas; material eletrônico e de aparelhos e equipamentos de comunicações; refino de petróleo e produção de álcool; e outros equipamentos de transporte, que concentravam 75,7% do valor da transformação industrial das empresas com mais de 1.000 pessoas ocupadas, 58,1% do pessoal ocupado e 35,6% do número de unidades locais.


56,8% das vendas industriais são gerados pelas empresas de maior porte

A PIA - Produto levanta informações sobre a linha de produção das empresas industriais com 30 ou mais pessoas ocupadas, trazendo dados sobre a produção e vendas de cerca de 3.500 itens, que totalizaram em 2006 vendas da ordem de R$ 1,1 trilhão. O estado de São Paulo se manteve na liderança, respondendo por 41,5% das vendas totais, vindo a seguir Minas Gerais (10,4%), Rio Grandedo Sul (8,0%), Paraná (7,3%) e Rio de Janeiro (7,3%).

No ranking dos 100 primeiros produtos segundo o valor de vendas, destacavam-se os itens óleo diesel, com cerca de R$ 43 bilhões de vendas, e minério de ferro beneficiado (R$ 25,3 bilhões). As vendas de óleo bruto de petróleo (R$ 15,8 bilhões), como conseqüência da sua crescente participação na pauta de exportações, subiram, entre 2005 e 2006, da 8ª para a 6a posição no ranking nacional, enquanto os telefones celulares (R$ 13,7 bilhões) perderam posição relativa, de 6a em 2005 para 8ª em 2006.


Em 2006, 56,8% das vendas industriais das empresas com 30 pessoas ou mais ocupadas eram gerados por aquelas de maior porte (1.000 ou mais empregados). As empresas com 250 a 999 pessoas ocupadas respondiam por 23,1% das vendas; e as com menos de 250 pessoas, pelos 20,1% restantes. Considerando-se os 100 principais produtos em termos de vendas, os números mostram uma concentração ainda maior nas empresas com 1.000 ou mais empregados, cujas participação correspondia a 73,9% do total em 2006, percentual maior que o de 2005 (72,9%). Nesse grupo de produtos, as empresas de 250 a 999 pessoas contribuíam com 17,0% da receita de vendas; e as de menos de 250, com 9,1%.

No ranking dos produtos vendidos pelas empresas que ocupavam entre 30 e 249 pessoas, os principais destaques foram minério de ferro beneficiado, com 1,6% das vendas, álcool etílico não-desnaturado, anidro ou hidratado para fins carburantes (1,1%) e adubos ou fertilizantes NPK (1,0%). No grupo das empresas que empregavam 250 a 999 pessoas, sobressaíram-se os itens, álcool etílico não-desnaturado, anidro ou hidratado para fins carburantes (2,3%), açúcar cristal (2,1%) e etileno não-saturado (1,7%).

Por fim, nas empresas com 1.000 empregados ou mais, destacaram-se o óleo diesel (6,2%), automóveis de cilindrada > que 1.500 cm3 e/ou < ou igual a 3000 cm3 (4,0%) e minério de ferro beneficiado (3,4%).

Notas:

1 Valor bruto da produção menos o consumo intermediário.

2 Relação entre o valor da transformação industrial e o pessoal ocupado.

3 Razão entre as despesas com pessoal e o valor da transformação industrial.

4 Razão entre número de ocupados e número de empresas.

Prof. Dr. Ricardo Bergamini

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