Author`s name Timothy Bancroft-Hinchey

Economia forte amplia as relações comerciais do Brasil

Economia forte amplia as relações comerciais do Brasil

Não sendo um país fechado em si mesmo, o Brasil não está imune aos ventos do progresso e da competição. É indiscutível que, atualmente, o País está mais apto a se beneficiar dos efeitos de uma economia globalizada. Muito diferente do cenário que teve de enfrentar há algumas décadas, em especial nos anos de 1970 e 1980, caracterizadas por políticas tarifárias protecionistas.

Dando continuidade à série de Política Externa, o Em Questão desta edição trata das relações comerciais, com base em estudos realizados pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE). “As negociações comerciais são hoje de importância vital. (Seja) Em relação à Alca, nos entendimentos entre o Mercosul e a União Européia, quer na Organização Mundial do Comércio, o Brasil combaterá o protecionismo, lutará pela (sua) eliminação e tratará de obter regras mais justas e adequadas à condição de país em desenvolvimento”, garantiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso de posse no Congresso Nacional, em 1º de janeiro de 2003.


Não sendo um país fechado em si mesmo, o Brasil não está imune aos ventos do progresso e da competição. É indiscutível que, atualmente, o País está mais apto a se beneficiar dos efeitos de uma economia globalizada. Muito diferente do cenário que teve de enfrentar há algumas décadas, em especial nos anos de 1970 e 1980, caracterizadas por políticas tarifárias protecionistas. Hoje, a tarifa média aplicada pelo Brasil situa-se em torno de 12%, sendo que a incidência mais elevada não ultrapassa os 35%.


O processo de abertura da economia brasileira aprofundou-se ao final da Rodada Uruguai do GATT, sigla inglês de Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, em 1994, gerando impacto considerável sobre as cadeias produtivas em diferentes setores. No que diz respeito aos investimentos, por exemplo, o País implementou, nas últimas décadas, uma política de retirada de obstáculos legais – inclusive constitucionais – à entrada de capital estrangeiro.

 E isto foi acentuado principalmente nos setores destinados à esfera petrolífera e financeira, além de outras áreas-chave da infra-estrutura do País, como informática e telecomunicações. “Vivemos um momento econômico muito mais favorável do que no passado, o que facilita a negociação externa”, esclarece o embaixador Roberto Azevêdo, subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do MRE.


Além da estrutura tarifária, o Brasil também diversificou seus parceiros comerciais, antes concentrados entre Estados Unidos e Europa Ocidental. Atualmente, 25% das exportações brasileiras direcionam-se à União Européia; 22,7%, ao Mercosul e apenas 15,7% à maior economia do mundo, os EUA. A Ásia tem uma fatia de 15,62%, enquanto a China, responsável por cerca de 40% do comércio brasileiro com a Ásia (6,69% do total de nossas vendas), firma-se como um dos parceiros comerciais mais dinâmicos do País.. “O Brasil é hoje, no setor agrícola, o que a China representa no setor de bens industriais para o mundo. Somos um gigante neste setor”, afirma o embaixador Roberto Azevêdo.

Rodada Doha – Ao longo dos últimos anos, não foram poucos os êxitos alcançados pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). As vitórias brasileiras nos contenciosos do algodão e do açúcar lançaram luzes sobre os subsídios agrícolas ilegais outorgados pelos países desenvolvidos a seus agricultores e exportadores de produtos agrícolas e contribuíram para estimular a demanda pelo desmantelamento dessas políticas de apoio interno no âmbito das negociações da Rodada Doha. A essas vitórias somou-se, em 2003, a criação do chamado “G-20”, grupo de países em desenvolvimento com interesses centrais em agricultura.


Graças à criação do G-20, foi possível reverter décadas de prevalência de um processo excludente. Da atuação do G-20 resultou uma nova configuração, significativa, nos pólos de poder no âmbito da OMC, o que permitiu que interesses e sensibilidades do mundo em desenvolvimento pudessem, de forma inédita, alçados ao centro do processo decisório multilateral.


A conclusão das negociações da Rodada Doha mantém-se como uma das grandes prioridades da política externa brasileira em 2008. A despeito da impossibilidade de se alcançar um acordo dentro do prazo estabelecido no lançamento da Rodada (até o final de 2005) é possível que a comunidade internacional esteja mais próxima de um resultado justo e equilibrado – como tem afirmado o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.


Total exportado em 12 meses supera US$ 60 bi pela primeira vez

Fevereiro de 2008 registrou três recordes históricos da balança comercial do agronegócio brasileiro: as exportações totalizaram US$ 4,4 bilhões – 28,8% acima do valor exportado no mesmo mês de 2007 – o que propiciou um superávit de US$ 3,3 bilhões. Pela primeira vez, também as exportações no período de 12 meses alcançaram cifra acima dos US$ 60 bilhões.


Os aumentos das vendas externas de carnes (31,5%); produtos florestais (28,3%), complexo soja (40,6%), cereais, farinhas e preparações (168%) e suco de frutas (105%) foram os principais produtos responsáveis pelo desempenho positivo da balança comercial do mês passado.


Confirmando a tendência de alta, as exportações de frango in natura foram acrescidas em 62,1%, índice proporcionado pela elevação de 34,4% nos preços e o incremento de 20,6% na quantidade exportada. O mesmo ocorreu com as carnes suína e de peru in natura que registraram aumentos nas vendas de 44% e 37,9%, respectivamente.


Considerando todo o complexo de carnes (aves, suína e bovina), o Brasil vendeu ao exterior, em fevereiro, US$ 1 bilhão, valor 31,5% maior diante dos US$ 765,9 milhões de fevereiro de 2007. Com relação à carne bovina in natura, os resultados foram afetados pelas medidas de suspensão temporária das importações do produto brasileiro pela União Européia. Houve redução de 9,4% no valor exportado (de US$ 280,5 milhões, em janeiro, para US$ 254,3 milhões, em fevereiro), resultado obtido por uma queda de 33,7% da quantidade exportada (3,6 mil t), mas com aumento de 36,8% do preço (US$ 8,1 mil/t).


O principal destino da carne bovina in natura foi a Rússia que, sozinha, importou US$ 74,4 milhões. Outros países apresentaram forte crescimento na importação de carne bovina in natura do Brasil, como Hong Kong (+ 405%, de US$ 4,3 milhões para US$ 21,8 milhões), Emirados Árabes Unidos (+ 202%, de US$ 2,9 milhões para US$ 8,8 milhões), Venezuela (+ 170%, de US$ 8,1 milhões para US$ 22,1 milhões) e Arábia Saudita (+ 163%, de US$ 5 milhões para US$ 13,2 milhões) sempre em comparação com janeiro.


O complexo soja também registrou alta em fevereiro. As vendas externas desses produtos foram 40,6% acima do valor exportado em igual período de 2007. Esse resultado foi possível graças ao aumento de 64,3% no preço médio da soja e seus derivados. Dentre os setores menos tradicionais na pauta de exportação, destacaram-se pelo incremento, as vendas de animais vivos (104,4%), produtos apícolas (81,4%) e lácteos (61,7%).


Marca histórica – O resultado recorde da balança comercial do agronegócio no período de 12 meses (fev2007-fev2008), com as exportações atingindo os US$ 60,2 bilhões, se deu em razão do excelente desempenho do comércio externo nos dois primeiros meses de 2008. No bimestre, as vendas somaram US$ 9,1 bilhões, com acréscimo acumulado de 24,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Carnes (+US$ 2,9 bilhões), complexo soja (+US$ 2,6 bilhões), cereais, farinhas e preparações (+US$ 1,6 bilhão) e produtos florestais (+1,1 bilhão) que, na comparação com igual período do ano passado, foram os setores que mais contribuíram para o alcance dessa marca histórica.


Importações – As importações do agronegócio alcançaram de US$ 1,1 bilhão no mês passado, o que significou uma variação de 88,5% em relações às importações registradas no mesmo período do ano anterior. Trigo (177,8%), borracha natural (111,7%), arroz (128%) e milho (496,7%) foram os produtos que determinaram esse aumento.

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