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Brasil: Sistema de Contas Nacionais

15.11.2009
 
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O crescimento do PIB sob a ótica da demanda decorreu, principalmente, do aumento de 5,8% da despesa de consumofinal em volume. O aumento de 6,3% na despesa de consumo das famílias foi impulsionado pelo crescimento de 5,4% da massa salarial real. Além disso, houve uma elevação nominal de 18,8% do saldo das operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para a pessoa física. Também cresceram a despesa de consumo da administração pública (5,1%) e a formação bruta de capital fixo - FBCF (13,9%) que foi positivamente afetada por uma redução média de 6% no custo de importação de bens capital.

Em 2007, a Formação Bruta de Capital Fixo teve a maior variação real para o período 2003 e 2007 e se manteve pelo segundo ano consecutivo com uma expansão superior aos demais componentes da demanda. O aumento em volume de 13,9%, frente ao acréscimo de 4,7% no preço levou a uma alta de 19,2% em valor corrente. Com isso, a taxa de investimento (FBCF/PIB) subiu de 16,4% em 2006 para 17,4% em 2007.

O desempenho do investimento foi impulsionado por máquinas e equipamentos que vem apresentando crescimento superior às demais categorias da FBCF desde 2004 e alcançou a proporção de 54,1% do total . Este segmento obteve, no ano, elevação de 24,9% em valor dada a variação de 22,0% em volume e 2,4% em preço.

A construção civil, que abrange desde obras em infra-estrutura até construções residenciais, teve sua participação reduzida de 40,4% em 2006 para 38,3% do total da FBCF em 2007. O aumento de 13,0% em valor corrente resultou de uma variação real de 5,5% e de uma elevação referente ao preço de 7,1%.

Em 2007, o resultado do Saldo Externo Corrente ficou deficitário, após quatro anos seguidos de superávit. O saldo negativo de R$ 6.592 milhões ocorreu principalmente, devido a diminuição do saldo externo de bens e serviços. Apesar de as exportações terem superado as importações em R$ 40.390 milhões, esse resultado é 41,3% menor que o registrado em 2006 (R$ 68.778 milhões). Parte desse resultado é explicado pela valorização cambial de 10,5% entre 2006 e 2007 e o dinamismo da atividade econômica doméstica.

Em termos reais, as importações de bens e serviços cresceram 19,9%, enquanto as exportações avançaram apenas 6,2%, gerando uma contribuição negativa do setor externo para o PIB (-1,5%).

Nas importações todas as categorias de uso apresentaram forte alta em volume, com destaque para bens de capital que cresceram 43,0%, indicando que o real valorizado favoreceu o nível de investimentos em máquinas e equipamentos das atividades econômicas.

As exportações dos bens de capital também cresceram (8,4%), especialmente pelo resultado da atividade outros equipamentos de transporte – impulsionado pela venda de aeronaves; caminhões e ônibus e material eletrônico e equipamentos de comunicações, respondendo pela metade do total exportado por essa categoria.

Ótica da renda

A expansão de 1,6% do número de ocupações entre 2006 e 2007 correspondeu a 1,5 milhão de novos postos de trabalho. Em termos relativos, a Indústria se destacou com a ampliação de 4,2% no número de vagas.

O crescimento da formalização e o aumento real dos rendimentos dos trabalhadores também têm sido determinantes qualitativos de uma melhora considerável das condições de trabalho. Os resultados do emprego formal em 2007 corroboraram este movimento, com alta de 4,3% das ocupações com vínculo1, bem superior ao observado nas ocupações sem o vínculo formal: autônoma (0,1%) e empregados sem carteira (-1,2%).

Os rendimentos dos trabalhadores já vinham assinalando acréscimos desde 2003. Tanto a remuneração dos empregados quanto a dos ocupados tiveram, em 2007, altas significativas (13,5% e 13,1%, respectivamente).

A repartição da renda gerada entre capital, trabalho e administrações públicas não sofreu alteração significativa em relação a 2006. Entre os componentes do fator trabalho, a remuneração dos empregados representou 41,3% da renda enquanto o rendimento misto, 9,0%. A proporção da remuneração do fator capital, representado no excedente operacional bruto, correspondeu a 34,4% e a relativa às administrações públicas, 15,2%. Contudo, ressalta-se que a parcela da remuneração de empregados vem numa trajetória ascendente nos últimos três anos, refletindo a evolução positiva do mercado de trabalho no período.

 Brasil – Fonte IBGE

Base: 2003/2007

Nota:

1 Em 2007, dentre os grupos e atividades divulgadas pelo SCN, a Indústria sobressaiu-se com a maior expansão no total de ocupações formais (6,0%) e neste segmento em particular, a indústria de extrativa mineral, com 9,8% e a Construção, com 7,5%. Em Serviços, onde o emprego com vínculo formal cresceu 4,1%, os destaques foram as atividades imobiliárias e aluguel (18,1%) e os serviços de informação (10,3%).

Ricardo Bergamini
ricoberga@terra.com.br
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