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Rolling Stones em Lisboa : Foi algo nunca antes visto

26.06.2007
 
Rolling Stones em Lisboa : Foi algo nunca antes visto

O que se viu na noite de hoje, em Lisboa, foi algo nunca antes visto. Poucos minutos depois de começado o concerto de ontem à noite, e ao som de No Expectations, Ana Moura entrou em palco e cantou com os Rolling Stones perante cerca de 30 mil pessoas em Alvalade.

Anunciava Jagger que este “No Expectations” teria um sabor português, "romântico" – mas não se esperava que, depois de terem assistido, na passada semana, à actuação da fadista portuguesa numa casa de fados, trouxessem o fado para a sua casa.

E tornassem a sua música ainda mais universal. O público aplaudiu e a expressão de Ana Moura dizia tudo. Nunca o fado foi tão moderno, tão calças de gannga nem tão rock’n’roll. Ainda que o resultado estivesse loge da excelência.

 Grande parte do público era constituído por gente com mais de 30 anos. Mas também proliferavam muitos pais com os respectivos filhos já devidamente convertidos à devoção pela banda de "Satisfaction".

António Oliveira, de 48 anos, era um deles. "Já os ouço, sei lá, desde 1970". Esteve em todos os concertos que a banda de Jagger deu em Portugal e, como tal, não esperava grandes surpresas para o espectáculo de ontem. Mesmo assim, e apesar de considerar que "este deve ser igual ao concerto do Dragão", o fã não aguentou ficar em casa, não obstante, também, o preço exagerado dos bilhetes (69 euros era o mais barato). "Esse é que é o grande senão", lamentou. Na sua óptica, aquilo que mais lhe atrai nos Stones "é o misticismo". A seu lado, o filho, João Oliveira, corroborava as palavras do progenitor.

No que concerne à estrutura,a relva estava forrada com uma película de plástico almofadada que, ao final da tarde, convidava a um sentar preguiçoso . À volta abundavam os bares, as casas de banho e vendedores ambulantes que tentavam despachar binóculos a 10 euros. À frente, o palco metia respeito um ecrã gigantesco no centro com duas espécies de asas .Do palco saía ainda um corredor que penetrava pelo relvado fora.

O fogo de artifício dá o mote para a explosão: nos ecrãs representam-se milhares de partículas à deriva, frenéticas. Voam carros, aviões, e os rostos de cada um dos Stones são representados pela fusão rápida dessas partículas. E a rapidez eleva a adrenalina – de tal forma que, quando se ouvem os primeiros acordes e se olha para o palco, o brilho do casaco de Keith Richards parece torná-lo ainda mais incandescente. Os dados para uma enorme noite de festa estavam lançados – ao som de “Start Me Up”, claro.

Desfilaram sucessos e soltaram-se hinos, de “Paint It Black” a “Bitch”, “It’s All Over Now”, “Honky Tonk Women” ou “You Got Me Rocking”; “I’ll Go Crazy” marcou a homenagem a James Brown e “You Got The Silver” e “I Wanna Hold You” trouxeram um tímido Richards para o microfone principal. Com “Sympathy For The Devil” suspeitou-se que os Stones tivessem vendido a alma ao diabo e que isso justificasse a sua “juventude”. E era! Ou talvez essa sede esteja para sempre relatada naquele que foi o momento mais alto do concerto: “Satisfaction” (com direito a uma mega-língua insuflável a encher o palco!).

Foi esta uma noite de verdadeiro rock’n’roll. O rock que é feito de guitarras, sim, mas que transpira a sensualidade do rhythm’n’blues, que é quente com os arranjos dos metais e profundo com os arranjos de voz. O rock que também é feito de jams - que os Stones não recusam. É um rock de estádio mas não é arrogante nem distante; antes se cria íntimo – quando a banda sobe para um pequeno estrado que a leva, por três canções, até meio do recinto, numa viagem só possível por estarmos defronte de uma mega-produção. Os Stones estavam literalmente no meio de nós. E enquanto cantavam "It's only rock'n'roll..." numa mnve que vogava no meio da multidão, percebeu-se a sua missão.

Houve labaredas a envolver o palco e explosões de pirotecnia. Anunciava-se que este era o maior espectáculo de rock’n’roll do mundo – e os Rolling Stones cumpriram a promessa. “Vocês foram um público fantástico”, despedia-se Jagger, que no encore ainda tinha energia para fazer um sprint e correr até ao fundo do estádio, mesmo ao nível do seu público. Juntaram-se os quatro na boca do palco e agradeceram a devoção.

 Fonte Blitz


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