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Uma história diferente da crise de Gaza

29.07.2014
 
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No dia 12 de junho de 2014, as agências de notícias do mundo informaram que três jovens, moradores da cidade israelense do Gueto, foram raptados e possivelmente mortos. Dezoito dias depois, o governo de Israel descobriu os corpos dos jovens, que de acordo com relatório, tinham sido mortos a tiros.

Mahdi Zanjani*

Neste período, a imprensa israelense, em cooperação com o governo, criou uma atmosfera histérica. A campanha "nossos rapazes de volta" foi formada e uma busca na Palestina foi iniciada, resultando na prisão de centenas de pessoas.

Porém, ao aparecer uma gravação telefônica ligada a um dos adolescentes, outros fatores foram revelados. Aparentemente, um dos três jovens, logo depois levado por dois indivíduos árabes, pressionou a chamada de emergência do seu celular. Nesta gravação constam o barulho do disparo das balas e a voz de um homem falando em árabe, afirmando que matou todos eles. A notícia provocou rapidamente a reação e argumentos dos formadores de opinião em Israel. O fato é que os agentes e o exército israelense haviam se informado sobre a gravação, mas esconderam a questão da opinião pública.

O jornalista israelense Shalumi Aldar, escreve que "desde o momento do rapto dos três jovens, foi clara a criação de um eufemismo pelos políticos e militares. Enquanto a campanha "nossos rapazes de volta", foi uma operação do exército israelense para induzir a opinião pública, legitimando a licença para invadir a casa dos palestinos na região, sob o pretexto da busca dos adolescentes desaparecidos. Mesmo tendo conhecimento das gravações, houve uma insistência forjada de esperança, quando a única certeza era de que os corpos dos garotos, sem vida, retornariam para casa."

No prazo de 18 dias até o anúncio da descoberta dos corpos, as agências de notícias mundiais fizeram inúmeras manchetes do acontecimento. O estado de Israel seguia quatro objetivos com essa situação:

1. A utilização das notícias do rapto dos jovens, para procurar de casa em casa na cidade de Hebron, prendendo centenas de palestinos;

2. Enaltecer a fúria pública dentro de Israel e preparar a opinião pública para a entrada de um novo ataque à faixa de Gaza;

3. Tendo em vista que Israel sofre de um nível de isolamento internacional sem precedentes, condenado e até mesmo sancionado por muitos centros acadêmicos, grupos religiosos e organizações não-governamentais (ONGs), o governo israelita tentou criar um espaço emocional sobre esta questão, com a ajuda dos meios de comunicação no Ocidente, e os seus patrocinadores, com o objetivo de finalizar o processo do seu isolamento. Se a verdade fosse imediatamente declarada, não sobraria espaço para o oportunismo do incidente.

4- O alvo do estado de Israel era convencer o mundo para atacar a faixa de Gaza, dentro de aproximadamente três semanas. O objetivo do ataque, tal como consta na declaração do representante israelense nas Nações Unidas, é continuar a guerra até que o Hamas destrua o sistema de mísseis que está espalhado e escondido em algumas localidades de Gaza.

O objetivo estratégico de Israel neste momento é quebrar o acordo de reconciliação PLO e Hamas, celebrado em abril deste ano. O governo israelense acusou o Hamas por ter matado os três jovens israelitas. Enquanto não há nenhuma razão na prática para a realização deste ato, a explicação mais contundente é a de que Israel quer ajudar o governo de Netanyahu mobilizar a opinião pública contra os palestinos, em nível doméstico e internacional.

Nesta última quinta-feira,10 de julho, enquanto Tom Ron Prasur, representante de Israel, preparava o seu discurso no UN, foi ouvido o som de uma sirene no corredor. O barulho durou 15 segundos, deixando atordoados os que estavam no local. O som da sirene foi transmitido através do celular do representante de Israel, que o tinha posicionado na frente de um microfone. Depois da sirene, Prasur voltou aos participantes e disse que estes 15 segundos é o tempo que o povo israelense possui para tentar resgatar suas vidas do risco dos mísseis do Hamas. Após a reunião, ele continuou com a transmissão do som através do seu celular, enquanto passava nos corredores das Nações Unidas.

O governo de Israel, liderados por Netanyahu, não pretendia, mesmo antes do acordo de reconciliação em abril, negociar a paz com as autoridades palestinas, sob a desculpa de que a estrutura não representa a Palestina. Curiosamente, após o acordo com a OLP, Netanyahu declarou que, mesmo que o Hamas esteja interessado em continuar as negociações de paz, seu governo não está disposto a negociar no momento.

Na sequência dos recentes acontecimentos, um proeminente jornalista israelense Gideon Levy, do jornal Haaretz, escreveu (No site do Haaretz o artigo foi excluído, mas em muitos outros ainda pode ser acessado): "Israel não quer paz. Entre as coisas que eu escrevi, nunca achei que poderia estar tão errado como agora. Mas existem inúmeras evidências. Na verdade, pode ser dito que Israel em nenhum momento estava a fim de uma paz com base justa e um acordo que beneficia ambas as partes. Quase todos em Israel reivindicam repetidamente a paz. Mas não uma paz com justa, eles querem a paz e não a justiça".

O mundo ocidental, que a sua a política estratégica é apoio incondicional a Israel, deve estar atento ao fato de que o processo de transformação no Oriente Médio, nesses últimos 60 anos, mostra que tanto a região como o mundo, só alcançará a tranquilidade, quando o problema palestino for resolvido de forma justa. No passado foram mascaradas centenas de crianças inocentes na Palestina por ataques israelenses, foram bloqueados alimentos e água, mas nas profundezas dessa tragédia  humana, palestinos resistem. Eles sob pressão podem dobrar, mas nunca quebrar.

*Mahdi Zanjani, é adido cultural da Embaixada do Irã no Brasil

http://www.iranews.com.br/noticia/12441/uma-historia-diferente-da-crise-de-gaza%3E

 


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