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"Programa do Jô" investigada por falar sobre clitóris

28.11.2007
 
"Programa do Jô" investigada por falar sobre clitóris

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, aparentemente pela iniciativa da embaixada de Angola, começou a investigar o "Programa do Jô", exibido depois do "Jornal da Globo" pela TV Globo, por suposta manifestação de preconceito, informou ontem a Folha OnLine.

O programa abordava a questão de mulheres e fala sobre o “clitóris em um país da África” e que comentários do apresentador podem ter manifestado preconceito em relação a hábitos e costumes culturais daquele continente, diz o comunicado da Procuradoria.

As entidades que levaram a denúncia ao MPF acusam o programa de desrespeito a comunidades negras.

A representação está sob os cuidados da procuradora dos direitos do cidadão Márcia Morgado.

O programa foi ao ar no dia 18 de junho de 2007, e trecho da entrevista está no YouTube .

No programa, Jô Soares e o entrevistado Ruy Morais falaram sobre costumes de algumas tribos de Angola, com o auxílio de fotos. Eles também comentaram sobre penteados tradicionais e vida sexual e compararam alguns com a vagina. O apresentador tece comentários sobre a aparência das mulheres retratadas nas fotos.

A procuradoria não informou qual trecho da entrevista especificamente os denunciantes tomaram como ofensivo.

A assessoria de imprensa do programa informou que não recebeu nenhuma notificação sobre o procedimento do MPF.

"É uma polêmica obviamente de quem não me conhece", disse Jô, a Folha OnLine.

"É um programa que está há 19 anos no ar e uma das maiores características dele é ser contra o preconceito", afirmou o apresentador.

Segundo Jô Soares, ocorre uma "tempestade em um copo d'água", mas, de qualquer forma, ele pediu desculpas a quem se sentiu ofendido pelo programa.

"Evidentemente se alguém se sentiu ofendido ou se alguma entidade se sentiu ofendida, eu peço desculpas", disse o apresentador.

A Embaixada de Angola, país mencionado na entrevista com Ruy Morais sobre costumes tribais angolanos, emitiu um comunicado com o título de "Equívocos num programa de televisão", no qual critica a atração comandada pelo humorista.

"Com a manifesta conivência do entrevistador, aparentemente apostado em estimular índices de audiência, recorrendo ao primarismo do culto ao bizarro, o entrevistado deturpou e manipulou tradições culturais e costumes locais, dando-lhes colorido anormal", publicou o informe.

"Mais uma vez, o apelo ao exotismo, real ou imaginário, foi usado como meio de marketing, para vender jornais, programas de rádio ou de televisão", divulgou a nota.

Para Jô Soares, a representação angolana se equivoca a lhe atribuir declarações que foram do entrevistado e também em as tachar de racistas.

"Imagina que vou permitir no meu programa alguma manifestação racista, ao contrário, meu programa defende todas as minorias", disse Jô.

"Eu já entrevistei antropólogos da importância do Darci Ribeiro sobre tribos brasileiras e sobre canibalismo e ninguém ficou com a impressão de que ele estava falando que todo brasileiro era canibal", disse Jô.

Notificação

Jô Soares disse pessoalmente à reportagem que nenhum membro de sua equipe foi contatado pelo Ministério Público Federal.

O apresentador afirmou ainda que, do período no qual foi ao ar a entrevista até agora, nenhuma ONG ou grupo entrou em contato com ele para manifestar desagrado com a entrevista.


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