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"Democracia nos Estados Unidos É Pura Fantasia": Entrevista com Stephen Lendman

20.09.2017
 

"Democracia nos Estados Unidos É Pura Fantasia": Entrevista com Stephen Lendman

16 anos sem memória, sem verdade e sem justiça. Atentados do 11/9, mudaram o curso da história trazendo a humanidade a uma atmosfera de medo e ódio jamais sentida desde a Segunda Guerra Mundial. Por causa daquele fatídico dia em que quase três mil pessoas morreram, a "Guerra ao Terror" já assassinou cerca de 2 milhões mundo afora, a maioria civis. Enquanto os maiores benficados com o 11/9 foram as indústrias petrolífera a armamentista, nem poderia ser diferente: a grande mídia trata de jogar no esquecimento aquele dia recheado de profundas contradições e comprovadas mentiras, até hoje não esclarecidas. E de não colocar, assim, em contexto as notícias, como sempre desconstruindo a realidade dos fatos.

Edu Montesanti

"Não vou viver para ver justiça pelo 11/9", diz o analista estadunidense Stephen Lendman, na entrevista a seguir, sobre as contradições e evidentes mentiras envolvendo os ataques em solo norte-americano que neste mês cumprem 16 anos sem memória, sem verdade e sem justiça, e que  mudaram completamente o destino da humanidade - para muito pior. 

Lendman comenta as consequências daqueles atentados e a negativa do presidente Donald Trump em relação às promessas de campanha, de investigar o dia que matou quase três mil pessoas supostamente atacadas por aviões suicidas, além de de cerca de duas milhões de vítimas da "Guerra ao Terror" até agora segundo dados conservadores (*), verdadeiro genocídio em um mundo repleto de medo e de ódio que assiste também ao cerceamento generalizado das liberdades civis, em nome de uma suposta segurança. 

Para Ledman, Trump, o Congresso e os tribunais estadunidenses, cooptados por poderes obscuros, não possuem nenhuma força. "Poderosos interesses monetários controlam tudo", pontua Ledman, o que, para o analista, explica a mudança de posição de Trump em relação à promoção de nova investigação pelo 11/9.

Genocídio em nome da segurança nacional do Estado mais terrorista da história que jamais permitiu investigação independente dento de casa segundo clamores públicos, nem muito menos internacional pelos que acusa de terem atacado seu território em 11 de setembro de 2001. "Guerra ao Terror" inconstitucional já que a Constituição dos Estados Unidos não permite guerra de agressão, isto é, sem que a nação tenha sido atacada por outro Estado antes, e contra todas as leis internacionais - inclusive a Carta das Nações Unidas, que em seu capítulo VII que apenas autoriza uso da força militar em caso de ameaça real de um Estado contra outro: o Afeganistão nunca representou nenhuma ameaça aos Estados Unidos, e no caso Iraque é bem sabido que se tratava de mais uma mentira do regime de Bush, que Saddam Hussein armazenava bombas de destruição em massa. 

Em setembro de 2004, um ano e meio após a invasão ao Iraque, o próprio secretário-geral da ONU aconsiderava, explicitamente, ilegal. "O 11/9 permitiu que os Estados Unidos se engajem em uma falsa Guerra ao Terror, travando uma guerra de terror contra a humanidade apoiando Estado Islamita, Al-Qaeda e outros grupos terroristas, usando-os como soldados imperialistas", observa Lendman enquanto nunca é demais lembrar que quem criou a Al-Qaeda, acusada de ter sido autora do 11/9, foram os próprios Estados Unidos a partir do final dos anos de 1970 a fim de combater os soviéticos em solo afegão. 

Pois aí mesmo reside uma das grandes "curiosodades" no que diz respeito aos maiores atentatos terroristas em território estadunidense de toda a história: Osama bin Laden, submetido à cirurgia em julho de 2001 - portanto, dois meses antes do 11/9 - em hospital de Dubai, segundo documentos daquele estabelecimento foi visitado amigavelmente por agentes da CIA. E mais: logo após a tragédia, enquanto nem sequer cidadãos norte-americanos podiam entrar nem sair do país, o regime de Bush fretou sigilosamente um avião para providenciar a saída da família Bin Laden do território estadunidense. O motivo: a segurança da família iemenita, de origem saudita. É este apenas um entre os inúmeros fatos contraditórios jamais esclarecidos, nem sequer comentados por Washington ao longo dos anos.

Outras grandes "coincidências" foram que, pela primeira vez na história, um setor da segurança aérea dos Estados Unidos simplesmente não trabalhou, enquanto todos os outros falharam - exatamente em 11/9, quando os serviços ativos de segurança permitiram que aviões supostamente - e sabidamente segundo a versão oficial - sequestrado sobrevoassem o território norte-americano por mais de uma hora. E um deles, o voo 77 da American Airlines esteve livre para atingir o local mais seguro do mundo: o Pentágono. Com um detalhe: nenhum destroço de avião foi encontrado no local, assim como nenhuma caixa-preta de nenhum dos quatro aviões supostamente sequestrados - segundo a versão oficial, elas acabaram destruídas apesar de elas não se destruírem com fogo nem através de colisões. Um passaporte de suposto sequestrador, contudo, foi "encontrado" em meio aos escombros pelo FBI, de cuja lista de 19 sequestradores pelo menos seis apareceram vivos, especialmente no Egito reclamando serem os homens da lista de suicidas, mas obviamente não terem se suicidado em 11 de setembro de 2001 nem jamais praticado atos de terror. 

Como insistem os ativistas pela verdade do 11/9 ao longo de todos estes anos: apenas pessoas dentro dos Estados Unidos poderiam executar toda aquela operação concertada, para que os ataques pudessem ter sido levados a cabo.

Saindo do campo das gritantes contradições para falar em algumas das comprovadas mentiras sem fim, vale destacar que as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova Iorque, mais fortes estruturas de aço do mundo, foram os primeiros edifícios da história a colapsar pelo fogo, em pouquíssimas horas, e inexplicavelmente segundo as leis da física: à velocidade de queda livre, isto é, como se abaixo de cada um dos 110 andares não houvesse nenhuma resistência, o que apenas é possível através da demolição controlada. Várias testemunhas, entre sobreviventes e transeuntes foram registradas afirmando ter visto e ouvido explosivos ao longo dos edifícios, segundos antes da queda. Há também diversos vídeos que apontam explosões ao longo dos prédios, o que caracteriza implosão. Washington sempre se recusou a explicar quem colocou aqueles explosivos ali.

Mais de dois mil arquitetos e engenheiros, muitos dos quais associados em organizações pela verdad do 11/9, afirmam que a versão oficial é impossível de se sustentar, ou seja, que o fogo derretou o aço e o ferro contido nas Torres, e que elas puderam ir ao chão em cerca de dez segundos. Além disso, estudos científicos com fragmentos dos escombros encontraram restos de dinamite, usada em implosões controladas, componente completamente diferente - inclusive na cor - da reação química de combustível com fogo. 

Às 11h da manhã de 11 de setembro de 2001, menos de duas horas após a queda das Torres, já havia sido declarado que a Al-Qaeda era a responsável pelos atentados, previamente a qualquer investigação policial. Mesmo assim, a "Guerra ao Terror" já estava declarada. Em menos de um mês mais tarde, em 7 de outubro de 2001 o país centro-asiático já estava invadido o que, como observa Michel Chossudovsky, impossível ocorrer visto que uma guerra leva meses ou até anos para ser empreendida. O Taliban sempre se dispôs a entregar Bin Laden a um tribunal internacional, mas Washington se recusava sempre, irredutível da ideia de atacar militarmente o Afeganistão; o líder da Al-Qaeda, por sua vez, sempre negou qualquer envolvimento com o 11/9, como por exemplo ementrevista de 28 de setembro daquele ano ao jornal paquistanês Ummat: "Não tenho conhecimento desses ataques, nem considero matar pessoas inocentes".

Pós-11/9, exatamente sob pretexto da seguança interna e global, os Estados Unidos têm espalhado bases militares sem precedentes na história totalizando hoje 737, com mais de 2.500.000 de pessoal militar estadunidense em todo o planeta. Certamente a maior Estratégia de Tensão da historia, à exata proporção das mentiras envolvidas na versão oficial dos fatos que, inclusive, reascendram a atual crise nuclear envolvendo Estados Unidos e Coreia do Norte: guerra nuclear que se trata de outro projeto dos políticos mais belicistas norte-americano, em consonância com as indústrias armamentistas e petrolífera, exatamente as maiores beneficiárias do 11/9. Conforme observa David Griffin em The New Pearl Haror: Disturbing Questions about the 9/11, a primeira coisa em uma investigação policial para se descobrir os culpados, é desvendar quem mais se beneficiou com o crime.

"Todas as nações que os Estados Unidos não controlam, estão vulneráveis ​​às guerras ou às revoluções coloridas para uma mudança de regime", diz Ledman. No caso especifico de Pyongyang, o pesquisador diz reconhecer o direito à auto-defesa para evitar a destruição, como ocorreu com Iraque e Líbia, que se desarmaram e se tornaram completamente vulneráveis ao Império de turno. "Ao longo da história, ela [Coreia do Norte] nunca atacou outro país, mas com toda a razão teme uma possível agressão dos Estados Unidos". 

Stephen Lendman, nascido em Boston, serviu dois anos ao Exército dos Estados Unidos, é analista internacional do sitio canadense Global Research, autor de diversos livros e frequentemente entrevistado pela mídia progressista de seu país.

A seguir, a íntegra da conversa com Lendman.

Edu Montesanti: Quais as consequências dos ataques do 11 de Setembro, para os Estados Unidos e para o mundo?

Stephen Lendman: Chamo 11/9 a mãe de todas as bandeiras-falsas. Foi encenado para permitir que Washington trave guerras ​​de agressão intermináveis contra Estados soberanos e independentes, um a um.

Todas as nações que os Estados Unidos não controlam, estão vulneráveis ​​às guerras ou àsrevoluções coloridas para uma mudança de regime. Forças obscuras em Washington desejam que todos sejam subservientes transformando-os em estados fantoches, saqueando seus recursos, e explorando seu povo.

A atual crise com ameaça de guerra nuclear entre Washington e Pyongyang é, em grande parte, outra consequência do 11/9 já que o então presidente dos Estados Unidos, George Bush, incluiu a Coreia do Norte no "Eixo do Mal" junto de Iã e Iraque no discurso do Estado da União em 29 de janeiro de 2002, exatamente quando os norte-coreanos haviam concordado em não desenvolver mais armas nucleares...

A situação da Coreia do Norte tem-se detriorado desde os anos de 1940, desconectada com o 11 de Setembro com exceção, talvez, pelo fato de os poderes em Washington terem incluído aquele país, entre outros, no que qualifica de regimes malignos. Estados Unidos, OTAN, Israel e seus criminosos aliados são os únicos malignos de que tenho conhecimento.

O 11/9 permitiu que os Estados Unidos se engajem em uma falsa Guerra ao Terror, travando uma guerra de terror contra a humanidade apoiando Estado Islamita, Al-Qaeda e outros grupos terroristas, usando-os como soldados imperialistas.

Tenho escrito muito sobre a Coreia do Norte. Acho que as guerras, as armas nucleares e outras armas poderosas são deploráveis, mas reconheço o direito de Pyongyang à auto-defesa.

Ao longo da história, ela nunca atacou outro país, mas com toda a razão teme uma possível agressão dos Estados Unidos, por isso tem se empenhado em poderosas maneiras de intimidação, a fim de salvar a nação e sua liderança da destruição.

Donald Trump, em campanha presidencial, afirmou que uma vez eleito, investigaria o 11/9, o que não tem feito nem dá o menor sinal de que fará isso. A que se deve essa desistência?

Todos os políticos mentem, Trump assim como todo o resto. Além disso, ele tem sido cooptado por poderes obscuros dos Estados Unidos. Ele é um homem de frente impotente para sua a agenda que possui. O mesmo vale à liderança do Congresso e à maioria dos membros do Congresso, junto com os tribunais.

Vemos que as pessoas não estão dispostas a enfrentar a verdade pelo 11/9, especialmente os norte-americanos. O 11/9 tornou-se um tabu entre as pessoas. Mike Berger, assessor de Imprensa de 911Truth.org, disse-me recentemente, "Já ouvi, muitas vezes: 'Se é verdade [que o 11/9 foi executado pelo governo dos EUA], simplesmente não quero saber'". Todo ativista pelo 11/9 que entrevistei ou converso, menciona a lavagem cerebral da grande mídia e o que eles qualificam de "barreiras psicológicas" como as raízes desta indiferença. O que o senhor pode dizer sobre isso?

A democracia nos Estados Unidos é pura fantasia. Nada disso existe. Os interesses dos poderosos, endinheirados colocam em prática as coisas. As pessoas não têm voz. As eleições são uma farsa; o negócio sujo, como sempre, é o que ganha.

Os principais meios de comunicação nos Estados Unidos são abomináveis, especialmente o New York Times, o Washington Post conectado com a CIA, e as farsantes notícias de TV.

O senhor ainda acredita em justiça pelo 11/9?

Eu não vou viver, jamais, para ver justiça pelo 11/9.

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(*) 1º dado, conservador: Em 2013, número de mortes por causas relativas à guerra, apenas noIraque, totalizavam meio milhão: http://www.huffingtonpost.com/2013/10/15/iraq-death-toll_n_4102855.html / 2º dado. Em 2006, anunciava-se já 650 mil mortos no Iraque: https://www.theguardian.com/world/2006/oct/11/iraq.iraq#=_=

 

São mais de 500 mil na Síria hoje, outro palco da "Guerra ao Terror": https://www.nytimes.com/2016/02/12/world/middleeast/death-toll-from-war-in-syria-now-470000-group-finds.html?mcubz=3

 

Além de Afeganistão, Iêmen, Sudão, Paquistão, Somália e Líbia, outros palcos da Guerra ao Terror" e dos próprios drones (neste último caso, exceto Sudão). 

 

Portanto, é possível afirmar que há cerca de 2 milhões de mortes segundo dados conservadores.

 


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