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EUA: Urgências – uma crise humanitária

04.07.2007
 
EUA: Urgências – uma crise humanitária

EUA: Urgências – uma crise humanitária

Uma análise da política de saúde nos Estados Unidos da América, pela nossa nova correspondente nos EUA/Canadá, Lisa Karpova. Edith Isabel Rodriguez, doente com intestino furado em agonia durante 45 minutos num hospital em Los Angeles, gritando com dores. Equipa médica nem a avaliou.

Edith Isabel Rodriguez, 43, morreu de um intestino perfurado em 9 de maio no serviço de urgência de Martin Luther King Jr.-Harbor Hospital em Los Angeles. Sua morte foi determinada acidental pelo escritório do médico legista de município.

Os parentes disseram que ela estava em dor durante 45 minutos antes de morrer. Uma câmara de segurança pode ter registrado a cena, mas a fita não foi divulgada por causa dos leis do estado sobre a privacidade do doente. Os funcionários do hospital foram rápidos em colocar a culpa nas enfermeiras.

"Sabemos que nós temos a responsabilidade de garantir que justiça seja feita para nossa mãe," disse filho do Rodriguez, Edmundo Rodriguez, 25. O namorado de Rodriguez, Jose Prado, usou um telefone público fora do hospital para chamar 911 e contou a um funcionário, através de um intérprete em espanhol:

"Minha esposa está a morrer e as enfermeiras não querem ajudar". O homem desesperadamente pleiteou para 911 enviar uma ambulância para retirar a mulher do hospital, mas tal é contra os procedimentos. O serviço 911 deve transportar aos hospitais, não retira os doentes.

Num relatório dos supervisores do município, o hospital é acusado de ter transgredido por não ter examinado medicamente a mulher. A pessoa que não conseguiu organizar o exame médico demitiu-se e outros na unidade de urgência "foram aconselhadas e foram avisados por escrito, por mensagens colocados nos seus arquivos pessoais”.

Vemos uma situação onde hoje o sistema dos cuidados de saúde é abrangido por corporações que fazem um lucro enorme. Os hospitais enfrentam séria falta de pessoal, freqüentemente propositadamente, para assegurar lucros máximos. Isto não é apenas porque há falta de enfermeiras e pessoal qualificado.

Se um trabalhador informa que não vem trabalhar por doença, normalmente não é substituído. Os horários de trabalho freqüentemente são feitos adiantadamente e não provisionam um mínimo adequado de pessoal.

Para os que lucram, os capitalistas, é mais fácil forçar uma enfermeira e outro pessoal a trabalhar sem os recursos necessários. Neste processo, os efectivos do hospital trabalham horas excessivas, são pagos muito pouco e são empurrados aos limites máximos. Isto freqüentemente resulta em serviços de enfermaria desadequados e uma deficiente atitude do pessoal relativamente às suas responsabilidades. Torna-se uma luta pela sobrevivência, terminar o turno sem cair ao lado de exaustão.

Não é só uma questão de uma falta de pessoal nas urgências - há também um segmento da sociedade que abusa as unidades de urgência dos hospitais, freqüentemente apresentando problemas médicos inexistentes ou menores.

Os relatórios indicam que Sra. Rodriquez foi considerada um "regular", significando que ela visitava a unidade regularmente. Mas isto não desculpa o fato que a equipa médica não conseguiu agir adequadamente neste caso. Ela não foi avaliada e os pedidos apresentados pela família não foram respondidos.

Essencialmente, o atual sistema dos cuidados de saúde não consegue responder às necessidades para um grande número de norte-americanos. Cuidados universais de saúde devem ser um direito básico de cada ser humano. Corporações com lucros enormes nunca fornecerão cuidados adequados para os que não têm recursos para pagar. Enquanto o governo consegue instalar as tropas no estrangeiro para enriquecer ainda mais outras corporações com vastos lucros, a muitos cidadãos norte-americanos faltam cuidados adequados de saúde.

Lisa KARPOVA

PRAVDA.Ru

EUA/CANADÁ


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