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Histórias dos usos de marcar o corpo com tatuagens e body piercings

06.02.2009
 
Histórias dos usos de marcar o corpo com tatuagens e body piercings

Novo lançamento da Imprensa das Ciências Sociais Obra do sociólogo Vítor Sérgio Ferreira revela que as marcas corporais deixaram de ser privilégio exclusivo de grupos ditos alternativos para se tornarem causa de diferenciação social

“Fazer uma tatuagem ainda é fixe, ‘tás a ver? É um dia que te acrescentam mais uma peça. E tu vais mesmo à maneira. Sais da lá mesmo com uma moral”.

“A dor é sempre um incómodo. Continuo a sentir-me angustiado todos os dias que faço uma tatuagem. E continuo a ficar super satisfeito sempre que acabo uma tatuagem”.

Estes são dois dos muitos testemunhos recolhidos pelo sociólogo Vítor Sérgio Ferreira para a sua tese de doutoramento do qual acaba de resultar o livro “Marcas que demarcam – Tatuagem, body piercing e culturas juvenis”, da Imprensa de Ciências Sociais. Nesta obra, o autor, especialista em temáticas relacionadas com a condição juvenil, propõe-se a descobrir, compreender e interpretar sociologicamente o significado que os jovens atribuem a estes recursos corporais.

O trabalho de investigação levou Vítor Sérgio Ferreira a vários estúdios de tatuagem e body piercing em Lisboa e arredores, onde manteve contacto com profissionais e apreciadores destas marcas corporais, cujo número tem crescido significativamente. A imagem popular do tatuado exclusivamente associado ao operariado, ao marinheiro, ao militar, ao recluso, ao delinquente ou a outras figuras ligadas a guetos criminalizados e marginalizados ou, no caso, do body piercing, relacionado com comunidades homossexuais ou com subculturas nascidas nos países anglo-saxónicos, está desactualizada.

Tatuagens adquirem maior visibilidade social

Segundo o autor, as marcas corporais saíram da penumbra de algumas zonas sociais, deixando de ser privilégio exclusivo de grupos ditos alternativos para passarem a ser ostentados por homens e mulheres de estatutos e grupos sociais diversos, com principal incidência entre as mais novas gerações. E mais do que uma difusão generalizada, a notoriedade social das marcas corporais na sociedade portuguesa transparece sobretudo no facto de serem acessórios estéticos que, num curto espaço de tempo, adquiriram bastante visibilidade social em termos mediáticos, publicitários, artísticos, políticos e até mesmo académicos.

Praticamente inexistentes há duas décadas, os estúdios de tatuagem e body piercing proliferam na paisagem urbana, instituindo uma oferta cada vez mais numerosa e profissionalizada, alimentada por uma procura maior e cada vez mais diversificada. No início dos anos 90, apenas duas casas dividiam a clientela lisboeta – Bad Bonnes Tatoo e El Diablo. Hoje, são dezenas os estúdios os estúdios abertos em Portugal, já não apenas concentrados em Lisboa mas também dispersos pelos seus arredores e restante território português.

Longe da legitimidade social, apesar de tudo, já conquistada pela tatuagem e body piercing, está outro tipo de modificações corporais mais radicais como o branding, a scarification e a colocação de implantes subcutâneos, por exemplo. Embora ainda com fraca aceitação entre nós, estas são já práticas comercializadas em alguns estúdios nos EUA e várias capitais europeias.

Doutorado em Sociologia, Vítor Sérgio Ferreira tem vindo a desenvolver trabalho de investigação no ICS, nomeadamente, no âmbito do Observatório Permanente da Juventude, onde tem desenvolvido e coordenado vários projectos de investigação sociológica. Participa também em várias redes internacionais de investigação científica, constituídas em torno de temáticas relacionadas com a condição juvenil. Tem ainda desenvolvido trabalho de investigação no âmbito da sociologia da cultura e do corpo e colabora com regularidade, enquanto avaliador, nas revistas ‘Sociologia - Problemas e Práticas’ e ‘Análise Social’.

Fonte: Imago


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