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Um bode na sala

03.08.2009
 
Um bode na sala

Outros trinta e nove senadores maculam, igualmente ao Sarney, suas biografias. Alguns são alvos de inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, réus em ações penais e/ou envolvimento com nepotismo e atos secretos nos últimos anos. Este é o levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo que, seletivamente, reduziu sua pesquisa a apenas 30 membros do Conselho de Ética do Senado. (*)

Explicando: cerca de quarenta senadores foram amplamente citados (depois, convenientemente esquecidos) por toda a mídia nacional no início da crise do Senado, hoje crise do Sarney. Todos envolvidos com os atos secretos que enlameiam o Senado. Todos igualmente condenáveis por terem praticados atos de igual gravidade. Se menos praticaram, é por que tiveram menos poder e oportunidade da prática malsã.

O senador Cristovam Buarque tem ato secreto nomeando a esposa para cargo público; Artur Virgilio confessou haver bancado, com patrocínio (“meu, seu, nosso”, como costuma dizer a mídia) do Senado, um comensal do seu gabinete por quase dois anos na Espanha; Virgilio também usou indevidamente dez mil dólares para tratamento de pessoa da sua família em Paris; Demóstenes Torres, Heráclito Fortes e Eliseu Resende têm seus nomes em boletins sigilosos ou casos de nepotismo.

Efraim Morais deveria responder por 52 servidores do Senado que batem ponto na belíssima e prazerosa cidade de João Pessoa e por ordenar pagamentos de horas extras a servidores do seu gabinete em pleno gozo de recesso parlamentar. Tasso Jereissati acha normal fretar jatinhos pelas burras do Senado. Outro tucano, Flexa Ribeiro, apoderou-se de uma rua (!!!) na prazerosa e belíssima Belém para um projeto imobiliário privado.

Quase todos têm usado indevidamente verbas indenizatórias, como o senador Agripino Maia as usou para pagamento de condomínio em morada de alto luxo em praia do Nordeste. É o mesmo que pagar com cartões corporativos despesas com tapioca ministerial ou com um pênis de borracha para dona Ruth Cardoso usar no seu projeto social. (fato que fez nossa mídia encerrar o assunto da crise que criou para os cartões corporativos).

É diferente nomear a esposa ou afilhado de nomear o namorado da neta? É menos ético o ato antiético praticado em menor quantidade? Pensando bem: Lula não teria razão para titular essa turma de pizzaiolos? Pois bem: Com a caça ao Sarney, prepara-se uma pizza gigante no Senado, com ajuda da grande imprensa. Assim, serão preservados de investigação os senadores que costumam afagar a mídia. Tira-se o bode da sala, salva-se a República.


Em Boletim H S Liberal


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