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O poder da guerra: uma abordagem evolutiva

30.07.2012
 
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Por Bruno Pereira

A guerra, sem duvida nenhuma, desempenha um papel fundamental na história da humanidade e através dela é que a sociedade se transformou no que é hoje. A história da humanidade e a história das guerras estão associadas, sendo que ascensão e queda de impérios, reinos e civilizações dependem quase sempre da aplicação de forças militares.

Apesar das muitas mudanças que tiveram lugar na história da guerra certas constantes permanecem. O sucesso na guerra pertence àqueles que se prepara melhor; e o treinamento o municiamento e a organização dos exércitos são os fatores centrais dessa preparação. (Pág. 06, Gilbert)

Até onde os estudos arqueológicos podem comprovar, os primeiros grandes exércitos foram os assírios que tinham grandes forças e estratégias. Essa civilização se encontrava na Mesopotâmia e Egito.

Os egípcios também tinham formidável organização militar e grande aparato bélico. Para ter o domínio de sua região eles empregavam formidáveis carros de guerras como bigas em campo de batalha. E, com seu poder e vitorias conseguiram construir uma das maiores civilizações que o mundo já viu a antiga civilização egípcia.

Com o avanço da tecnologia bélica e das novas formas de política, a Grécia surge como a grande transformadora do modo de fazer guerra no seu período. Uma das cidades-estado mais famosas, em se tratando de ter bons guerreiros, que era Esparta. Os seus guerreiros ganharam mais fama nos dias de hoje com o filme "300 de Esparta".

Na própria Grécia e na vizinha macedônia surge Alexandre, o Grande, sendo que seu invencível império conquistou o mundo antigo e promoveu com isso um modo de vida e cultura o Helenismo.

Os gregos foram responsáveis pela criação pela criação da principal unidade de infantaria de seu tempo, a falange. O tipo de guerra inextricavelmente associada a ela era o confronto decisivo entre dois corpos de soldados de moção lenta e grande disciplina, que avançavam de encontro um ao outro em formações cerradas e protegidas, até se engalfinharem em uma exaustiva troca de empurrões e punhaladas que só tinham fim quando um dos lados se rendia. (Pág. 16, Gilbert)

A pérsia foi a grande rival da Grécia antiga. Ocorreu então várias guerras, mas a Grécia permaneceu apesar de algumas derrotas até que o império Persa foi dizimado aos poucos até a chegada de Alexandre como novo dominador da Ásia menor e parte dos Bálcãs e Índia.

A morte de Alexandre gera uma grande fragmentação do poder em vários estados e entre seus generais com o avanço de Roma pela Europa e Mediterrâneo. Roma, apesar de intensa guerra e brigas, domina a todo o Mediterrâneo e partes da Ásia e África e vira então o maior império da antiguidade, criando um modo de viver, uma cultura com base em troca, sendo a guerra um importante fator para incorporações e transformações de valores. O derrotado torna-se dependente do vitorioso no campo econômico, mas no campo cultural alguma coisa muda, mas de grosso modo, permanece um exemplo e a cultura dos judeus que, apesar de terem sido perseguidos durante toda a história, mantém uma forte cultura ligada à religião, que contribuiu para o modo religioso e a criação do cristianismo.

Roma passou de república para império e tornou-se um grande império graças ao seu modo de fazer guerra e suas grandes legiões, que dominavam um vasto território, tudo isso em um breve espaço de tempo.

Em um único século Roma deixou de ser uma cidadezinha provinciana para tornar-se a mais poderosa cidade da Itália, com ambições no exterior que alarmaram a vizinha Grécia. A destreza militar dos romanos se devia principalmente à organização de seus soldados em legiões e centúrias, o que lhes dava flexibilidade no campo de batalha e um método eficiente de fazer a guerra, algo entre a compacta falange e as espaçadas fileiras celtas. (Pág. 26, Gilbert)

O vale do rio amarelo na Ásia atual China era composto de vários reinos até a unificação da China em um império composto por um imperador. Para tal feito, eles necessitaram de proteção durante séculos e construiu-se então um muro, conhecido até hoje como a famosa muralha da China.

Aos poucos surge Sun Tzu, que contribui e muito para uma nova filosofia na guerra, criando regras que inovam o modo de fazer guerra na China. A idéia a seguir contribui para o artigo.

O desenvolvimento de exércitos e táticas na China deveu muito às lutas que irrompiam freqüentemente entre as comunidades de maioria étnica e as tribos bárbaras do norte, que costumava invadir e saquear sua vizinha mais rica. Conseqüências interessantes desse fenômeno, promovidos, sobretudo pela obra de Sun Tzu, foram uma filosofia associada com a guerra e o reconhecimento de política e estratégias mais abrangentes nesse sentido. (Pág. 38, Gilbert)

Posterior a era dos impérios do mundo antigo, a Europa fragmenta-se com a queda do império romano em 476 d.c com a invasão dos povos bárbaros vindos a procura de alimentos e melhores condições de vida. A única estrutura que funciona posterior à queda de Roma é a Igreja que permanece capaz de modificar a estrutura e nomear os reis futuros da Europa, criando um modo de vida baseado na servidão, surgindo o feudalismo. Com isso, grandes exércitos e legiões desaparecem e apenas iram voltar com Napoleão Bonaparte.

Porem a Idade Média foi um dos períodos de mais lutas na Europa. Surge o termo "cavaleiro" para nobres que defendiam os seus feudos de invasões indesejadas. O modo de fazer a guerra era diferente, porém a luta e a guerra permanecem, a cavalaria ganha então grande importância para a guerra medieval.

No ocidente, o império romano cai. No oriente o império bizantino permanece firme e forte por um bom tempo. Outro império cresce com sua força militar invadindo a península ibérica, o império islâmico. Porém é detido pela Espanha e Portugal e são expulsos da Europa. Os mouros influenciam, com sua cultura, toda a Espanha.

Abarcando cerca de mil anos de conflitos, desde o século V até o XV, a Idade Média foi um período em que o guerreiro montado, trajando armadura ou não, dominou os campos de batalha. Isso se aplica especialmente às sociedades guerreiros nômades provindos das estepes da Eurásia e da Ásia central, que tiveram uma vultosa influencia em sociedades sedentárias tão distantes uma das outras como a China o sul da Ásia, o Oriente Médio e a Europa Central. (Pág. 40, Gilbert)

Quando tudo parecia que a unificação iria demorar muito mais que o esperado entre os povos europeus surge o famoso império Carolíngio, unificando a atual França, parte da Áustria e Alemanha e Itália. Carlos Magno merece destaque nesta unificação. Carlos Magno derrotou os pequenos reinos belicosos e trouxe a sua região uma medida de paz que não se via desde os tempos romanos.

O pode era grande em torno dele, conquistando, com a ajuda da Igreja, forte poder sobre a Europa, tornando-se o grande imperador de um breve período.

Vale ressaltar que além da evolução de armaduras e escudos e espadas para a guerra, com melhores metais, está a evolução de fortificações para a proteção dos nobres. Grandes castelos fora erguidos e, graças a essas fortificações, foi possível a sobrevivência de reis e nobres.

A Igreja desempenha seu papel de grande cartório da Europa na idade medieval, mas provoca entre os nobres, à ira de invadir e tomar Jerusalém, lugares santos para o cristianismo. Foi desse modo que organizou as cruzadas.

Com o avanço de técnicas, estratégias e principalmente armas, que foi possível através desse último o aparecimento da pólvora e armas de fogo que revolucionaria o período.

Aparece varias guerras na Europa e principalmente entre França e Inglaterra, a guerra dos Cem Anos. Com a grande guerra do norte, onde os exércitos se profissionalizam, aparece também às primeiras guerras ameríndias contra os índios da America, a busca por território e poder era grande em nome de Deus ou mesmo de um rei.

Em meio à forte autoritarismo e crescimento econômico, surge a burguesia, com as idéias iluministas e ocorre a grande revolução, a famosa Revolução Francesa. Nesse momento vai surgindo, aos poucos, o famoso Napoleão Bonaparte, general que se tornaria cônsul por golpe e imperador da França que dominaria toda a Europa e inovaria na estratégia de guerra.

Para ajudar o período foi marcado com a revolução americana e o processo de independência das Américas graças às idéias iluministas que proporcionaram a libertação da América do domínio político das metrópoles. Napoleão cai na campanha da Rússia e por ultimo na batalha de Waterloo.

A guerra civil americana faz com que os Estados Unidos se dividem entre norte e sul. Para o predomínio do poder econômico, o norte ganha e começa ai o expansionismo americano para oeste.

O século XIX foi um período transicional extremamente sangrento no campo bélico. No intervalo de cem anos entre a batalha de Waterloo, em 1815, e o inicio da primeira Guerra Mundial, os conflitos militares se desenvolveram mais rápido e dramaticamente do que em qualquer século anterior. Conforme novos avanços tecnológicos se difundiram e a Revolução industrial se impôs, mudanças na artilharia no transporte, nas comunicações e na construção naval alteraram completamente a face da guerra ao redor do mundo. (Pág. 180, Gilbert)

O poder volta a falar alto na Europa na unificação italiana e alemã. A guerra naval ganha força e guerras pulverizam-se no mundo, pequenas ou grandes. Na América, vemos a guerra hispano-americana. Também temos a guerra dos Bôeres, rebelião dos Boxers, e no começo do século XX ocorre a Guerra Russo Japonesa, que provocaria mais tarde revoluções no império Russo e o primeiro Estado socialista. O poder mudava na Rússia e incentivaria grandes mudanças.

De 1914 a 1918 acontecia o grande conflito do começo do século, a Primeira Guerra Mundial, que abalaria o mundo como vemos e mudaria políticas, tanto militares, como econômicas, no decorrer das décadas posteriores.

O mundo de 1750 a 1914 era um mundo de impérios. Até o começo do século vinte, o poder estava concentrado nas mãos de poucos e poucas democracias existiam até então. A seguir a idéia imprime o que foi dito.

As revoluções americanas e francesa mudaram as expectativas políticas do ocidente. Embora os resultados tenham sido contraditórios - os EUA surgiram como uma democracia em pleno funcionamento, enquanto à França ficou desestabilizada por quase um século -, a demanda pela liberdade política persistiu durante todo o séc. XIX. Uma onda de levantes nacionalistas trouxe à independência para grande parte da América Latina e a unificação da Itália e da Alemanha. Em outros países, entretanto, nações coloniais continuaram a dominar grande parte do mundo, impedindo o desenvolvimento político local. Mesmo regiões independentes, como China e Japão, sofreram intervenções ou interferências das potências européias. (Pág. 258 - 259, Philip Parker)

A origem da primeira guerra mudaria o mapa global. As origens da guerra são duas: as midiáticas, que estão nos bastidores do império austro-húngaro, que geraria a morte do arquiduque Francisco Ferdinando, mas por outro ponto as questões mais amplas do conflito foram à rivalidade nacionalista que havia desenvolvido na Europa durante o século XIX.

A "Grande Guerra" como era conhecida foi o maior conflito até a segunda guerra, porém foi a pedra inicial da Segunda Guerra Mundial, mudando o modo de poderes no mundo. Com a vitória da França, foi criado o tratado de Versalhes, que impunha regras e condições aos derrotados e à Alemanha. No campo tecnológico muito evoluiu, surgindo armas inovadoras e empregando a aeronáutica na guerra. Aviões em combate foram, pela primeira vez, usados num grande conflito.

Em 1929, com a quebra a bolsa de valores de Nova York, a Europa e o mundo em crise provoca, na política, o surgimento de um uma política nacionalista autoritária de direita e faz nascer o Fascismo e o Nazismo.

O Nazismo representado na figura de Adolf Hitler faria que Alemanha crescesse como grande potência do período, criando uma máquina de guerra capaz de dominar a Europa e aterrorizar o mundo capitalista. No campo militar, as armas evoluíram e as estratégias mudaram. A força aérea recebe forte importância e a força naval passa a contar ainda mais com submarinos que aterrorizariam o oceano atlântico.

Mas, mesmo com forte força militar e política a Alemanha, Japão e Itália são derrotados os Estados Unidos que se transforma na grande potência da segunda metade do século XX, criando uma cultura e um poder baseado no dinheiro e no consumo. Outra potência no pós-guerra é a URSS, baseada no socialismo. Surge a chamada Guerra Fria no mundo, com conflitos espalhados e financiados pelas duas potencias o mundo, dividido até a queda do muro de Berlim, quando os Estados Unidos foi o campeão dessa corrida armamentista e impôs seu poder no mundo contemporâneo em definitivo. O avanço tecnológico das ultimas décadas pós-guerra foi enorme. Surgem novas potências em desenvolvimentos nas duas últimas décadas e duas guerras marcariam a ultima década, provocada por uma nova ameaça o terrorismo.

As democracias ocidentais têm sido tradicionalmente alvo de grupos terroristas, sejam extremistas árabes organizações de esquerda (freqüentemente apoiada por regimes comunistas) ou nacionalistas violentos. Em seus esforços por alcançar metas muitas vezes extravagantes, tais grupos recorreram a raptos seqüestros e assassínios, com resultado no mais das vezes horrendas. A resposta foi a formação de unidade de elite para combater grupos terroristas. (Pág. 290, Gilbert)

Bem, percebe-se que com o fim da Guerra Fria, muitos acreditariam que haveria paz no mundo contemporâneo. Essa visão tão simplória não ocorreu e sim persistiram vários conflitos pelo mundo e a proliferação de armas nucleares e químicas só veio a agravar a instabilidade mundial. Nesta última década, o Oriente Médio permanece uma das áreas mais conturbadas pela guerra em todo o mundo, assolada por conflitos étnicos e religiosos e alvo dos interesses das grandes potências globais.

Por fim, percebe-se que a guerra tem uma grande importância no mundo atual e antigo. No passado, para impor modos civilizações e impérios e no futuro para impor um modo capitalista global em que a democracia pode torna-se uma faca de dois gumes. O mais prejudicado, em qualquer guerra, é o povo que foi e permanece sendo explorado por reis, nobres, elites, e poderes econômicos. Vemos que a guerra desempenha um papel de grande importância, sendo um instrumento final de uma negociação, e que provoca fatores de mudanças por onde passa.

BIBLIOGRAFIA

GILBERT, Adrian. Enciclopédia das Guerras: Conflitos Mundiais Através dos Tempos. São Paulo: M. Books, 2005.

PARKER, Philip. Historia Mundial: Guia Ilustrado Zahar. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.

*Bruno Pereira é historiador e membro do IHGG - Instituto Histórico de São José do Rio Preto - SP. Blog: http://historiabruno.blogspot.com

 


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