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Centenário da Irmã Lúcia

29.03.2007
 
Centenário da Irmã Lúcia

A irmã Lúcia é muito maior do que Madre Teresa de Calcutá e o Vaticano abriu uma excepção para acelerar o seu processo de beatificação.

" O padre Luís Kondor, a face mais visível da causa dos videntes de Fátima, refugia-se nessa "dimensão mundial" que atribui à vidente de Nossa Senhora de Fátima para justificar a afirmação de que "há abertura" da parte da Santa Sé para prescindir dos cinco anos, que costumam ser exigidos pelo direito canónico para dar início a qualquer processo de beatificação


Nas comemorações do centenário, que se realizaram ontem no santuário, não foi esta a grandeza que se espelhou: o programa optou por uma certa modéstia, admitindo-se que a Igreja Católica Portuguesa esteja a guardar a grande festa para Maio, quando se comemoram os 90 anos da primeira aparição na Cova da Iria.

Ainda assim, fiéis católicos e turistas acotovelavam-se à entrada da Basílica de Fátima, pelas 11.00. Contudo, muitos deles desconheciam qual era a intenção da cerimónia religiosa que ia começar, tal como acontecia um pouco por todo o santuário. Peregrinos portugueses, espanhóis - "estamos aqui pela mensagem de Fátima, não pelo centenário de Lúcia" - ou vindos de países asiáticos, continuavam a fazer os mesmos percursos de sempre, num recinto que nunca está vazio, sobretudo à hora do Terço.

Entre os devotos da irmã Lúcia, o padre Luís Kondor é certamente um dos maiores: há décadas que é um dos principais promotores da mensagem de Fátima. No seu entender, Lúcia já cumpre até o requisito da "fama de santidade", devido ao volume de crentes que têm feito chegar os seus testemunhos referindo graças recebidas por intercessão de Lúcia. O último chegou anteontem dos EUA.

 "É um documento muito completo, em que pessoas norte-americanas afirmam ter sido agraciadas", adianta o padre, convencido de que "será um documento importante para o processo".
Após os dois precedentes que constituíram os processos de Madre Teresa e João Paulo II, "é mais fácil" aclerar a beatificação, diz, mas reforça que para "receber a dispensa é preciso fazer o pedido" - pressionando, desta forma, o actual bispo de Coimbra a agir.

 É sobre D. Albino Cleto que recai a responsabilidade de se dirigir ao Vaticano, porque foi na diocese que tutela que Lúcia passou grande parte da sua vida e onde morreu. Kondor garante mesmo ter indicações da abertura da Santa Sé à dispensa dos cinco anos, devido à vontade expressa do papa João Paulo II. O bispo de Coimbra, por seu lado, diz que só fará o pedido "quando tudo estiver devidamente preparado". 

Fonte Diário  de Notícias


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