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Não Somos Racistas

26.09.2006
 
Não Somos Racistas

Não somos racistas é um livro nascido do espanto. Movido pelo instinto de repórter, Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, começou a perceber que a política de cotas proposta pelo Governo Lula — e que pode ser aprovada em breve pelo Senado — divide o Brasil em duas cores, eliminando todas as nuances características da nossa miscigenação.

Ali constata, estarrecido, que, nesta divisão entre brancos e não-brancos, os "não-brancos" são considerados todos negros: “Certo dia, caiu a ficha: para as estatísticas, negros eram todos aqueles que não eram brancos. Cafuzo, mulato, mameluco, caboclo, escurinho, moreno-bombom? Nada disso, agora eram brancos ou negros. Pior: uma nação de brancos e negros, onde os brancos oprimem os negros. Outro susto: aquele país não era o meu”.

A tentativa de entender e reconhecer este novo país fez com que o jornalista, ex-aluno do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, revisse antigas leituras e pesquisasse documentos, livros e teses. O primeiro capítulo de Não somos racistas mostra como a política de cotas começou a ser construída no governo Fernando Henrique Cardoso. Mostra, ainda, como o jovem sociólogo Fernando Henrique foi uma das cabeças de um movimento que dominou parte da intelectualidade nacional nos anos 1950. Um movimento que se afastava do conceito de multiplicidade e democracia racial proposto por Gilberto Freyre em obras como Casa grande & senzala e dividia o Brasil entre duas cores: negros e brancos.

Com prefácio da socióloga Yvonne Maggie, uma das maiores estudiosas do assunto no país, o livro de Ali Kamel começou a se desenhar em 2003, quando ele passou a publicar, quinzenalmente, uma série de artigos sobre as cotas no jornal O Globo . Neles, constatava o sumiço dos pardos e dos miscigenados nas estatísticas raciais brasileiras. Apontava, também, para o fato de que o branco pobre tem a mesma dificuldade de acesso à educação que um negro pobre, levantando a hipótese de que o maior problema do país talvez não seja a segregação pela cor da pele - e sim pela quantidade de dinheiro que se carrega no bolso.

Não somos racistas aprofunda e sistematiza as idéias apresentadas pelo jornalista naqueles artigos: a negação da miscigenação; o “olho torto” das estatísticas, que escamoteiam problemas sociais na divisão da população por cores; a situação de negros e brancos no mercado de trabalho; o medo de que uma política de cotas, posta em prática, construa uma separação entre cores que nunca existiu, de fato, no Brasil, promovendo o ódio racial; os estudos científicos que provam que raças não existem e, portanto, não pode haver tratamento desigual para seres humanos iguais.

"Acusados de defender os privilégios de uma elite branca que se beneficiou e se beneficia com o racismo, o que na nossa so­ciedade é crime que envergonha, os críticos da política de cotas raciais ficam acuados. Se isso ocorre com aqueles que estão no meio acadêmico ou em ambientes menos formais, mais ainda com Ali Kamel que, além de cientista social e jornalista, é também um importante executivo de jornalismo das Organizações Globo. Exe­cutivos de grandes redes, usualmente, não manifestam suas posi­ções pessoais sobre temas nacionais. Por isso, sua participação no debate público é tão importante para demonstrar que as empresas da mídia são instituições formadas por alguns indivíduos que têm opiniões próprias, uma outra batalha que Ali Kamel vem travando com muitas patrulhas de plantão."

(do prefácio de Yvonne Maggie)

Título: Não somos racistas – Uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor

Autor: Ali Kamel

Nº de páginas: 144

Preço de capa sugerido: R$22

SOBRE O AUTOR:

ALI KAMEL é diretor de jornalismo da Rede Globo e trabalhou, como repórter e editor,

em diversas redações do país. Formado em Ciências Sociais pela UFRJ e em Jornalismo pela PUC-RJ, começou a escrever sobre a política de cotas numa série de artigos publicados em O GLOBO a partir de 2003; também escreveu, para o mesmo jornal, uma série de textos sobre islamismo, o mundo árabe e a situação política do Oriente Médio.


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