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Gripe aviária: Vacina é a melhor arma

26.04.2006
 
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Gripe aviária: Vacina é a melhor arma

A partir deste mês, o Brasil estará apto a iniciar a produção da vacina contra o vírus H5N1, causador da atual epizootia* de gripe aviária. As doses serão fabricadas na unidade piloto instalada no Instituto Butantã, em São Paulo, em caráter experimental, a partir de recursos aplicados pelo Ministério da Saúde. Depois de produzida, a vacina será submetida a testes para aferir sua segurança e eficácia, constituindo-se em um importante aprendizado para que o país possa, no futuro, produzir a vacina contra a cepa do vírus que vier a ser responsável pela pandemia de influenza. A iniciativa é uma das ações do governo federal para se combater uma possível pandemia da doença. Até o momento, a epizootia de gripe aviária já causou a morte de mais de 200 milhões de aves.

O subtipo H5N1 além de se propagar rapidamente entre as aves, também acometeu pessoas que tiveram contato direto com os animais doentes, registrando-se a morte de 101 pessoas no leste da Ásia e no Oriente Médio. No Brasil, não há registro de casos da doença em aves ou em seres humanos, mas, desde o ano passado, o governo vem se preparando para enfrentar a entrada do vírus no país e para a possibilidade de um cenário futuro, onde esse subtipo do vírus da influenza aprenda a se transmitir entre pessoas.

Nesta entrevista ao Em Questão, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, fala como o governo vem atuando para proteger a população brasileira de uma futura pandemia de gripe, com a compra antecipada de medicamentos, investimento na produção de vacinas, orientações em pontos de entrada e saída do país, fortalecimento da capacidade de detecção precoce de casos etc. O secretário também explica como as campanhas de vacinação já realizadas anualmente pelo Brasil podem contribuir, em outros países do mundo, para se evitar uma futura pandemia de gripe aviária.

Em questão - Como o Brasil está se preparando para uma possível pandemia de gripe no mundo?

Jarbas Barbosa – As medidas internacionalmente reconhecidas como eficazes já foram adotadas no país. O Ministério da Saúde fez uma compra do medicamento anti-viral oseltamivir (Tamiflu), que tem efetividade contra qualquer um dos subtipos do vírus da influenza. O Brasil adquiriu noventa milhões de doses do Tamiflu, medicamento que será usado tanto para tratar as pessoas que adoeceram como para bloquear a transmissão do vírus. Pessoas que tiverem contato com alguém infectado e tomarem duas doses do Tamiflu em até 48 horas, têm uma grande chance de não vir a adoecer porque o vírus seria inativado e também não ocorreria transmissão do vírus. Outra ação importante diz respeito à vacina. O Brasil começou a construir, em 2003, uma fábrica de vacinas contra a gripe que pode produzir tanto vacina contra a gripe pandêmica como a vacina contra a gripe sazonal que utilizamos todos os anos para proteger os idosos. Essa fábrica, que é um investimento de R$ 30 milhões do governo federal e cerca de R$ 20 milhões do governo de São Paulo, será a primeira localizada num país não desenvolvido e coloca o Brasil numa situação diferenciada para responder à ameaça de uma pandemia. Como a fábrica só estará pronta em 2007, o Ministério da Saúde passou recursos adicionais para o Instituto Butantã e nós já temos uma unidade piloto pronta para começar a fabricar vacinas contra a gripe a partir do mês de abril. É lá que nós vamos fabricar as primeiras 20 mil doses contra o vírus H5N1 e depois testá-las para avaliar a sua efetividade. O Ministério da Saúde, em seu Plano de Preparação, elaborou, em conjunto com especialistas, normas técnicas para atendimento em hospitais de pacientes que possam ter contraído a doença, medidas de biossegurança, orientações para os médicos de como tratar os casos que sejam identificados, entre outras medidas importantes para antecipar as respostas a uma pandemia de influenza.

EQ - A vacina será a forma mais eficaz de se combater uma pandemia de gripe aviária? Como o Brasil vai atuar caso seja necessária uma vacinação em massa?

JB – Sim, a vacina será a melhor arma. O problema é que a vacina contra a gripe é específica para cada subtipo do vírus. Assim, só poderá ser iniciada a fabricação quando for conhecido qual o subtipo que está provocando a pandemia. O Brasil tem muita experiência em vacinações de grandes contingentes populacionais, tendo realizado campanhas de vacinação que imunizam milhões de pessoas ao mesmo tempo. Há países desenvolvidos que precisarão fazer simulações para aprender como se vacina milhões de pessoas em curto período de tempo. A Organização Mundial de Saúde recomendou, em novembro de 2005, aos países desenvolvidos que oferecem vacina contra a gripe para os idosos, que procurassem atingir uma cobertura vacinal de 75% até o final de 2005. O Brasil já atingiu, no ano passado, 86% de cobertura vacinal, o que demonstra a vitalidade do Sistema de Saúde brasileiro. Outra vantagem da alta cobertura vacinal contra a gripe sazonal é reduzir as possibilidades do H5N1 aprender a se transmitir entre seres humanos. Um dos caminhos que o H5N1 pode percorrer para realizar esse aprendizado é infectar uma pessoa que esteja também infectada com o vírus de influenza humana. A troca genética entre os dois vírus pode produzir umterceiro que seja capaz de se transmitir entre pessoas. Assim, quanto menos gente estiver infectada com o vírus da influenza humana, diminuem as chances de ocorrer esse fenômeno.

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