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Prêmio russo "Minha Trilha" entregue às pessoas que em quaisquer circunstâncias nunca traem suas convicções

23.01.2007
 
Prêmio russo "Minha Trilha" entregue às pessoas que em quaisquer circunstâncias nunca traem suas convicções

A uns dias do aniversário natalício do famoso ator, poeta e cantor russo Vladimir Vissotsky (1938-1980), no Centro de Televisão “Ostankino” foi realizada a cerimônia de entrega do prêmio “Minha Trilha”, instituído em 1997 pelo Ministério da Cultura da Rússia, o Comitê para os Assuntos Culturais da Prefeitura de Moscou e pela Fundação Vladimir Vissotsky.

São distinguidos com esse galardão pessoas que em quaisquer circunstâncias, mesmo nas mais extremas, nunca traem suas convicções. A conceituada distinção já havia sido outorgada à conhecida cientista Natalia Bekhtereva ,a diretora do Instituto de Cérebro, ao pediatra Leonid Rochal, conhecido como um intermediário nas conversações com terroristas chechenos, ao ator teatral Nikolai Karatchentsev, o protagonista da Rock Opera russa Junona e Avos, ao famoso jogador de hóquei sobre gelo de décadas 70-80, Aleksandr Maltsev, ao atual ministro de Emergência, Serghei Choigu, à diretora teatral Galina Voltchek e outras personalidades.

Vladimir Vissotsky (1938-80) foi uma personalidade marcante de poeta, vagabundo e rebelde inconformista na Rússia brejneviana. Conhecido sobretudo como cantor (o poema aqui traduzido é notoriamente a letra de uma canção) e escritor de terríveis sátiras políticas que circulavam em "samizdat" (nas edições escritas a mão e divulgadas sendo copiadas de xerox).

 Foi também ocasionalmente actor de cinema. Desdenhou sempre o reconhecimento no Ocidente, de patrocínios duvidosos, em favor da sua via própria de intransigente autonomia crítica. Uma espécie de Woody Guthrie soviético, a sua morte precoce ajudou a fazer dele uma figura semi-lendária.

Aticem o fogo bem alto
Quero-me dissolver, fundir totalmente;
Estirado na ponta da minha bancada
Aniquilarei finalmente minhas dúvidas.
Deixar-me-ei invadir pelo calor.
Um vaso de água fria erradicará o passado.
E a tatuagem, feita na impressionável juventude,
Esvair-se-á azulada, na esquerda do meu peito.
Aticem o fogo bem alto,
Perdi-me já para este mundo vil.
Embriagar-me-ei pois em vapor,
e rugirei alto em meu delírio.

Que fés, que demolidas florestas;
Que remorsos, que longos caminhos percorridos!
No meu peito, lado esquerdo, um perfil de Estaline,
E no lado direito a minha Marinka, a face inteira.
Entгo por minha fé indivisa,
perdi meus lustros anos de Paraíso.
paguei pela minha insensatez
Com uma vida despida de alegria.
Aticem o fogo bem alto,
Perdi-me já para este mundo vil.
Embriagar-me-ei pois em vapor,
e rugirei alto em meu delírio.

Recordo-me de uma manhã bem cedo,
Apenas o tempo de gritar a meu irmão “socorro!”
- e dois jovens guardas, magnífica gente,
transportaram-me de uma Sibéria para outra.
E depois, na pista de corrida, entre os pântanos,
saturados pelas lágrimas e pela humidade,
tatuamo-nos com os seu perfil junto ao coração,
para ele ouvir o som dos nossos corações quebrando-se.


Não aqueçam mais a fornalha
Esta história causou-me arrepios
O vapor percorre-me o cérebro.
Necessito tanto sacudir o passado,
submergir no calor amigo do vapor;
mas as memórias latejam na minha cabeça,
e eu carrego em mim estes estigmas em vão
tentando afugentar com varas de vidoeiro
indeláveis recordações de dias passados.


Vladimir Vyssotsky

 Com Geosites.com



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