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"Notícias Falsas Matam a Mente", Diz Diretor da Apple

19.02.2017
 

"Notícias Falsas Matam a Mente", Diz Diretor da Apple

"As notícias falsas estão matando a mente das pessoas", afirmou sábado, 11, Tim Cook, diretor da Apple em entrevista ao jornal britânico The Daily Telegraph, ao mesmo tempo que cobrou atuação efetiva por parte de governos e empresas de tecnologia a fim de se combater o que classifica também de "grande problema do mundo todo".

por Edu Montesanti (*)



Para Cook, as empresas de tecnologia têm obrigação de eliminar as notícias falsas. Neste sentido, o diretor da Apple sugeriu que se lance uma ampla campanha de informação pública, semelhante àquelas voltadas a mudar os hábitos em relação à educação ambiental. 

"Tem que ser enraizada nas escolas, tem que ser enraizada no público", disse Cook. E acrescentou: "Tem que haver uma campanha maciça. Temos de pensar através de cada individuo. Precisamos da versão moderna de uma campanha de anúncio de serviço público. Isso pode ser feito rapidamente se houver vontade".

Durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, houve uma onda de notícias falsas no Facebook contra a democrata Hillary Clinton. Levadas às últimas consequências, diversos especialistas norte-americanos à época consideraram a possibilidade de as calúnias na rede social decidirem o pleito.

Naquela ocasião, o Facebook difundiu 20 notícias falsas que, de alta gravidade, favoreceram o então candidato à Casa Branca, o republicano Donald Trump. Cobrado por aquilo, Mark Zückerberg, proprietário da rede social, afirmou que se tratava de "loucura" denunciar a difusão de falsas informações na plataforma. 

Porém, funcionários anônimos do Facebook afirmaram: "É uma loucura que ele [Zückerberg] saia e negue o ocorrido, porque todos na empresa sabemos que as notícias falsas correram selvagemente em nossa plataforma durante o período da campanha eleitoral" nos Estados Unidos.

Zückerberg, então, pediu calma e prometeu resolver a questão o que, pelo visto, caiu no "esquecimento". Vale recordar que, em entrevista à Russia Today em maio de 2012, Julian Assange, criador e responsável por WikiLeaks, havia revelado que o Facebook é "a mais espantosa máquina de espionagem já inventada". 

Na entrevista, o jornalista australiano revelou o que pouco mais de dois anos depois o ex-contratista da CIA e da NSA, Edward Snowden, confirmaria: o Facebook transmite dados pessoais de seus usuários não apenas a corporações a fim de, através do milionário mercado da exposição da privacidade alheia, otimizar seus anúncios publicitários, como também aos serviços de inteligência dos Estados Unidos. 

Não sem razão, a própria CIA entregara à Casa Branca o relatório Global Trends 2030 - Alternative Worlds (Tendências Mundiais 2030: Novos Mundos Possíveis), em novembro de 2012: "[Os meios eletrônicos fornecem] Uma capacidade sem precedentes para [os governos] vigiar seus cidadãos". Zückerberg nunca se manifestou, e a indústria dos dados pessoais, da calúnia, da difamação e da manipulação indiscriminada das informações, ao que tudo indica, apenas cresce.

Tudo isso responde perfeitamente a enorme e crescente influência da rede social nas sociedades e na política mundial (sobretudo através de golpes suaves), bem como na repressão a movimentos sociais e mesmo contra indivíduos e profissionais que, de alguma maneira, representem ameaça ao sistema global. O próprio jornalista australiano Julian Assange, fundador e responsável por WikiLeaks, afirmou anos atrás que as próximas grandes guerras entre nações e de Estados contra a sociedade, serão travadas na Internet

No caso particular do Brasil, além da influência decisiva na "Primavera" versão tupiniquim de junho de 2013, atualmente o Facebook tem sido instrumento de acirramento do ódio fascista apoiando-se também em factoides e descaradas calúnias por parte de setores reacionários contra adversários políticos, especialmente Lula e Dilma - o primeiro gera histeria na direita brasileira, derrotada nas quatro últimas campanhas presidenciais e sabedora hoje de que, em 2018, perderá de longe para o ex-presidente petista, se este lançar sua candidatura.

 

Pois o ponto que mais impressiona em meio a toda essa barbaridade, jamais imaginada décadas atrás, é que embora não se trate de nenhuma novidade a praticamente ninguém, em nenhuma parte do mundo na era da revolução da informação através da Internet, as pessoas seguem expondo, alegremente, os detalhes de sua vida na plataforma do Zückerberg, "laranja" da CIA conforme igualmente revelado documentalmente (como sempre) por Assange - voz no deserto, a que pese sua fundamental importância às sociedades e à política global. 

 

Pois a ditadura da grande mídia tem sido, lamentavelmente e em grande parte por (ir) responsabilidade das próprias sociedades nesta era de globalização da informação, eficiente em sua arte de embaralhar o entendimento coletivo, retirando a consciência cidadã, hipnotizando e idiotizando em massa - como, aliás, sempre fez. 

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Edu Montesanti  é autor do livro Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror" (2012). Atua como jornalista freelancer; escreve para a revista Caros Amigos (Brasil), Pravda BrasilPravda Report (Rússia) e Global Research (Canadá). Escreveu para Truth Out (Estados Unidos), Diário Liberdade (Espanha), Observatório da Imprensa(Brasil) e Nolan Chart (Estados Unidos). É tradutor do sítio das Abuelas de Plaza de Mayo (Argentina) e da Associação Revolucionária das Mulheres do Afeganistão. Foi tradutor do sítio da ativista e escritora afegã Malalaï Joya, ex-parlamentar expulsa injustamente do cargo pelos senhores da guerra.  Ex-atleta de futebol - equipe juvenil do São Paulo F.C. campeã paulista de 1991, entre outras com curtas passagens pelo futebol profissional de Paraguai e Argentina -, realizou trabalho voluntário de natação e auxílio em hidroterapia em favor do Centro para a Integração Esportiva do Deficiente Físico (Ciedef), na Academia Companhia Athlética e no Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisade São Paulo, onde também fez curso de Medicina Esportiva. Além de trabalhos evangelísticos com Atletas de Cristo através de palestras e jogos beneficentes em institutos, escolas, igrejas e na extinta Casa de Detenção - Carandiru de São Paulo. Tem o também palestrante sobre Mentiras e Crimes da "Guerra ao Terror, e para equipe de futebol das categorias de base do Paraguai - www.edumontesanti.skyrock.com

 


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