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Berlim ressuscita o ator River Phoenix

18.02.2013
 
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O ator River Phoenix, morto há 20 anos de uma overdose ressurgiu nas telas da Berlinale, no frescor dos seus 23 anos, no inédito filme póstumo Dark Blood. Isso graças aos esforços do seu realizador George Sluizer, que, em 2007, salvou as bobinas de celulóide, três dias antes de serem destruídas, e procedeu, em 2009, a uma longa montagem do filme, terminada no ano passado.

Quando River Phoenix morreu, inesperadamente, em 1993, faltando ainda 25% das filmagens, o pagamento dos custos do filme inacabado ficou a cargo de uma companhia de seguros, que detem agora os direitos de uso das películas rodadas e que estavam depositadas no Museu do Filme da Holanda. Em 2007, a companhia de seguros estava prestes a obter o acesso à propriedade desse material com o objetivo de destruí-lo.

Como diz George Sluizer, « os seguradores estão pouco interessados em cultura ou em salvar películas de filme, eles são poderosos e para eles o que interessa é dinheiro e, exceto se receberem 500 milhões de dólares, não vão assinar nenhum acordo de exibição do filme Dark Blood ».

Isso significa que o filme póstumo de River Phoenix, fora da competição do Festival de Berlim mas bem recebido pela crítica, talvez nunca possa ser distribuído para os cinemas e suas exibições ficarão restritas apenas a festivais.

Por que o diretor Sluizer assumiu a ressurreição do ator como uma missão a cumprir ? Porque ele também, sofrendo de doença grave, se locomovendo com dificuldade, sabe que logo vai morrer e não queria deixar ir para o lixo a memória do jovem e talentoso ator, precocemente desaparecido. Mesmo porque, explicou Sluizer, o filme trata de um território desértico dos índios americanos, no qual foi filmado, contaminado depois de experiência nucleares, temas pouco mostrados no cinema.

O ator River Phoenix vivia a personagem de Boy, um americano branco mas também com sangue índio, cuja esposa tinha morrido de um câncer causado por contaminação nuclear. Isolado no deserto, Boy tinha construído uma caverna repleta de esculturas de madeira, por ele mesmo feitas, que imaginava ter poderes sobrenaturais, e onde esperava o fim do mundo.

É ali que um casal de atores hollywoodianos aparece pedindo ajuda, em consequência de uma pane numa luxuosa Bentley, numa estrada desértica. Boy lhes dá socorro, providencia o envio do carro para a garagem mais próxima, porém, a seguir, se sente atraído pela atriz, cuja foto já vira no Playboy e imagina salvá-la do fim do mundo, na sua caverna encantada. Com esse objetivo, decide mantê-la em sua casa, provocando ciúme e medo no marido.

Esse filme, cujo ator principal morreu dez dias antes de filmar as últimas cenas, e que se transformou no fantasma da Berlinale, é um dos raros filmes americanos sem happy end tanto na vida real como na fição, como se fôsse marcado por uma maldição ou com efeitos indiretos de irradiação nuclear - o ator morreu, o diretor vai morrer, a personagem principal também morre e as latas de celulóides, mesmo digitalizadas, estão condenadas a não serem exibidas em nenhum cinema.

Rui Martins

 

 

 

 


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