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Igreja Católica discute celibato

15.11.2006
 
Igreja Católica discute celibato

Papa Bento XVI  vai reunir amanhã os cardeais da Igreja Católica Romana para discutir três assuntos polêmicos: o celibato dos sacerdotes, a readmissão de padres casados e o caso do arcebispo emérito de Lusaca, Emanuel Milingo, que passou a apoiar o casamento dos padres e, inclusive, ordenou quatro homens casados .

Segundo dados de associações de sacerdotes casados, 25% dos padres católicos vivem em matrimónio.

Não está em causa uma mudança na regra do celibato, segundo informou o porta-voz citado pela agência de notícias Reuters, «mas sim uma reflexão sobre a dispensa da obrigatoriedade do celibato e sobre pedidos para a readmissão de padres casados» . Ou seja, a reunião não pretende revogar a regra, mas debruçar-se sobre certos «casos particulares». 


Fonte do decastéreo de D. José Saraiva Martins, o cardeal português que vai participar neste encontro disse ao Correio da Manhã que “é muito pouco provável que o Santo Padre abra, de alguma forma, as portas а possibilidade de Roma autorizar o casamento dos padres”.

 
Referindo que “o que o Santo Padre pensa sobre o assunto só ele é que sabe”, a mesma fonte sublinhou que “a discuss г o dos temas n г o pressupõe que haja alterações”.

Também D. Carlos Azevedo, porta-voz da Confer к ncia Episcopal Portuguesa (CEP) se mostra convicto de que nada vai alterar na quest г o do celibato dos padres.
“Não acho que vá haver alterações”, disse D. Carlos Azevedo ao CM, sublinhando que “é necess б rio aguardar pelo que vão dizer, o Papa e os cardeais, porque, como énatural, escapa-nos a intenção desta reunião”.

Actualmente, segundo associações de sacerdotes casados, existem 100 mil curas católicos casados: 20 mil nos Estados Unidos, 10 mil em Itália e 6 mil em Espanha, informa a agência de notícias Lusa. Havendo 400 mil sacerdotes católicos, significa que 25% não respeitam a norma do Vaticano.

Os padres casados defendem o celibato livre e sustentam que a imposição da Igreja católica não encontra base na Bíblia, nem na tradição, nem na teologia, e não significa um maior serviço à comunidade cristã, como precisaram os bispos no Sínodo de 2005.

Emmanuel Millingo é o principal motor desta reunião. Em Setembro o arcebispo jubilado da Zâmbia ordenara quatro sacerdotes casados, o que lhe valeu excomunhão automática da Igreja Católica Romana.

Contudo, Millingo rejeita a sua excomunhão e planeou uma convenção para Dezembro, em Nova Iorque, para mais de 1000 padres casados, e respectivas esposas.

Millingo é não só um acérrimo defensor do casamento, mas tentou ele próprio casar-se com uma sul-coreana em 2001 numa grande cerimónia, nunca reconhecida pelo Vaticano. Meses mais tarde, renunciou a união após um pedido do papa João Paulo II.

O casamento de padres foi proibido em 1139, mas já no século XV motivara críticas, tendo levado, entre outras razões, ao aparecimento das Igrejas protestantes.


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