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A Intelligentsia e sua missão revolucionária

12.10.2008
 
A Intelligentsia e sua missão revolucionária

Adendo: Confesso que não estou totalmente satisfeito com a palavra intelligentsia. Agradeço sugestões de uma palavra melhor, uma palavra moderna que descreva essa dinâmica mas diminuta, infeliz, isolada e solitária parte da sociedade estadunidense de hoje que tanto deseja mudança dramática, radical, revolucionária.

O Manifesto Pessoal de um membro da intelligentsia.

- Não sou objetivo, posto que a verdadeira objetividade é um mito. Nem imparcial, o que é mais ou menos a mesma coisa. Não tenho nenhum desejo de não ser tendencioso. E queira Deus que eu nunca me torne a-partidário — oh, essa feia palavra hifenizada! Só esse hífen é o bastante para tornar-me partidário.

- Tradicionalmente, supõe-se que os jornalistas sejam objetivos e imparciais. Quem disse isso, porém? Minha resposta é que posso ser parcial e subjetivo o quanto quiser. O quanto for necessário. A propósito, a maioria dos jornalistas faz a mesma coisa, embora disfarce sua parcialidade com belos eufemismos. [Para a maior parte da mídia, e para o público, o mero fato de trabalhar num jornal comercial ou estação de tv constitui prova 'de facto' de ser-se um "profissional".]

- Como o grande Gabriel García Márquez ensinava a seus alunos de jornalismo, acima de tudo você precisa aprender a ser parcial. Esqueça regras a respeito de imparcialidade e de recurso aos fatos estabelecidas pelas pessoas medíocres. Bobagem! Dane-se o recurso aos fatos. Os tais fatos incontroversos! A obsessão com fatos cria pessoas de mentes tacanhas. Durante toda a nossa vida elas nos martelam com eles. Quando alguém diz 'Vamos agora ao ponto essencial da questão' ou 'os fatos são', é hora de ficar alerta. Então dois mais dois são quatro! Como se apenas as coisas que acontecem, ou que se diz acontecerem, valessem a pena! Os fatos obscurecem a verdade real. Lemos montanhas de fatos e acreditamos que sabemos o que está acontecendo, mas ainda não sabemos nada a respeito do centro das coisas, as verdades essenciais.

- Nenhum jornalista-escritor honesto pode permitir-se ser não tendencioso e objetivo. Afinal de contas, poucos de nós são acadêmicos.

- Ademais, imparcial em relação a quê? A mentiras? A hipocrisia desenfreada? A fraudes? O que há para ser-se imparcial a respeito, se não tais fatos odiosos? Como se devêssemos ser imparciais e não ter opinião a respeito dos fatos fictícios que criaram guerras no Afeganistão e no Iraque, que cimentam o caminho para a guerra contra o Irã, que esmagaram a Sérvia e criaram o Kosovo, que levaram a arengas e delírios — oh, os tais fatos! — contra Chávez na Venezuela, que apóia listas de nações bandidas e movimentos terroristas tais como o Hamas e o Hizbollah. Deveríamos ser imparciais em relação aos homens e às instituições — como Wall Street e seus subordinados fundamente incrustados no governo, frequentemente indistinguíveis da classe política — que nos deram repetidas recessões e depressões em nossa história, destriparam e maladministraram a economia estadunidense para atender a suas próprias agendas, criaram um reino de crescente desigualdade econômica e social, e agora, em 2008, ameaçam coroar sua roubalheira de alto nível com um assalto ao contribuinte estadunidense da ordem de triliões de dólares?

É seguramente uma questão do círculo de giz das massas que o Poder cultiva. Ninguém deve pisar fora dele. Não há necessidade de clonagem genética ou biológica.

Como nos lembra Baudrillard, o indivíduo já está clonado cultural e mentalmente ... por eles. Sentimo-lo em torno de nós cada dia, só em vivendo em nossa sociedade. O poder quer mais; o homem clonado é fácil de controlar.

O indívíduo é outra coisa.

Não rejeitamos a idéia do indivíduo integral que não pode ser dividido. No entanto, queremos ser semelhantes a nossos companheiros humanos, um animal social mas ainda assim diferente, mais do que uma cópia em tamanho reduzido dos outros seres humanos. Individualidade? Sim, mas não ao custo da eliminação dos outros.

Viva o viés!

Residente em Roma, Gaither Stewart é Correspondente Europeu do Jornal Online do Cyrano. Experiente jornalista e crítico, seus ensaios e relatos têm sido publicados por inúmeros sites preeminentes e na mídia impressa em todo o mundo.


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