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Sim ao Acordo Ortográfico!

12.05.2008
 
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Sim ao Acordo Ortográfico!

Há efectivamente necessidade para um período de adaptação porque os editores portugueses - ao contrário dos brasileiros - ainda não fizeram o devido trabalho de adaptação dos seus livros e edições à nova grafia e porque é necessário reimprimir todos os manuais escolares e distribuí-los a todas as escolas…

Depois de décadas de hesitação, o Governo aprovou finalmente o chamado "segundo protocolo modificativo" ao Acordo Ortográfico de 1991. Desta feita, ao invés do dilatado e desleixado prazo de 10 anos proposto pela ministra de Má-Memória-Lima, lança-se um prazo realista e bem mais adequado, de seis anos (ver AQUI ), provavelmente numa das primeiras marcas que na política deixa o novo ministro da Cultura, António Ribeiro . A decisão governamental terá ainda que ser submetida ao Parlamento e à Presidência, mas num e noutro caso, tal não deverá impedir a sua aprovação.

Há efectivamente necessidade para um período de adaptação porque os editores portugueses - ao contrário dos brasileiros - ainda não fizeram o devido trabalho de adaptação dos seus livros e edições à nova grafia e porque é necessário reimprimir todos os manuais escolares e distribuí-los a todas as escolas… De qualquer modo, existe ainda muito trabalho de divulgação a fazer. O texto do acordo (que consta no final deste texto, retirado directamente do site da universidade canadiana da British Columbia…

Sabemos que na blogoesfera e na opinião pública portuguesa a opinião dominante quanto a este Acordo é predominantemente negativa. A nossa posição é diametralmente oposta, o que de resto, não deixa de ser um traço dominante das posições que por aqui vamos assumindo. O acordo vai facilitar o ensino da língua e da grafia do português onde os níveis de alfabetização são mais baixos, em África e em Timor.

Citações Pelo Acordo:

«Para um país como Angola é muito importante aplicar o acordo, porque este vai fazer aumentar a circulação do livro e facilitar a aprendizagem e a alfabetização, que é, neste momento, a coisa mais premente para Angola e Moçambique.»
José Eduardo Agualusa, escritor angolano

«A gente quer marchar com Portugal. Avançar sem ele não faria sentido. O acordo, que é para unificar, já nasceria desunido, se o acto de adopção fosse isolado.»
Godofredo Oliveira Neto, escritor brasileiro

«A indefinição de Portugal está a emperrar o processo. Não se percebe e não quero admitir que os adiamentos sejam motivados pelos receios de 'brasileirização' da língua.»
Emerson Inácio, professor brasileiro

«É verdade que os brasileiros se prepararam. Nós não tivemos nenhuma política de defesa da língua, não tivemos uma política de expansão da língua no estrangeiro, não fizemos o trabalho de casa. Não vale a pena ser conservador quando não há nada a conservar.»
Francisco José Viegas, escritor português

«Eu creio que há aqui um medo estúpido de que o Brasil, através da ortografia, reconquiste os países africanos de língua portuguesa e os leve para o seu lado.»
João Malaca Casteleiro, linguista português

«A mudança deve começar na sala de aula e quando a nova ortografia chegar às escolas, toda a sociedade se adequará.»
Lauro Moreira, representante brasileiro em Lisboa na CPLP

«Não faz sentido que nos eventos internacionais, seja preciso redigir dois documentos (…) com a grafia de Portugal e a do Brasil.»
Marcos Vilaça, presidente da Academia Brasileira de Letras

«Seria muito importante, do ponto de vista editorial, que Brasil e Portugal estivessem juntos quando se formalizar a adopção do Acordo Ortográfico.»
Celso Amorim, ministro brasileiro das Relações Exteriores


Citações Contra o Acordo:

«Não vai mudar a fundo as coisas. As implicações que isso tem do ponto de vista económico sempre sobram para os países mais pobres.»
Mia Couto, escritor moçambicano

«O Acordo abre a porta ao Brasil nos países africanos, onde até agora não conseguiram entrar (…). Isto serve para beneficiar a indústria editorial brasileira. Como eles já têm tudo adaptado ao acordo, assim que entrar em vigor avançam imediatamente.»
Vasco Graça Moura, escritor português

«Os brasileiros têm um problema, nós não. Isto é um favor que a diplomacia portuguesa está a fazer à brasileira, e é triste que a língua sirva de moeda de troca.»
Vasco Teixeira, editor português

«Não trará nenhum ganho claro e lógico.»
Maria Helena Novaes Rodriguez, professora brasileira

Fonte: ciberduvidas.sapo.pt

O que parece esquecido hoje é que este Acordo Ortográfico já foi assinado em 1990 (curiosamente sob a batuta reinante do nefando Pedro Santana Lopes). Na época, o texto exprimia que o Acordo só ficaria em vigor depois de ratificado por todos os países de língua oficial portuguesa, e só posteriormente, no seio da CPLP é que se alterou o grau de exigência, reduzindo-o para apenas 3 ratificações. A recente ratificação do dito pelo pequeno (mas assim tornado sumamente importante) São Tomé e Príncipe, juntando-se assim ao Brasil e a Cabo Verde, que já o haviam ratificado tornou o acordo de 1990 efectivo a todos os seus signatários, Portugal incluído!

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