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Brasil: Estação de Teatro russo

11.09.2006
 
Brasil: Estação de Teatro russo

ESTAÇÃO DE TEATRO RUSSO-BRASIL apresenta:
O CAPOTE, em Belo Horizonte e São Paulo



A Funarte prossegue com as apresentações da Estação de Teatro Russo no Brasil, agora com a peça O Capote , de Gogol, com direção de Valéri Fókin. Em Belo Horizonte a peça será apresentada no Palácio das Artes, nos dias 1°, 2 e 3 de setembro e, em São Paulo , nos dias 5,6 e 7 de setembro, no Teatro Sesc Pinheiros.


O programa Estação de Teatro Russo no Brasil- 2006 é resultado de um convênio entre a Funarte com o Festival Internacional de Teatro Tchekhov, de Moscou e conta com o apoio do Ministério da Cultura de Brasil e da Agência Federal de Cultura e Cinematografia da Rússia.


O Capote


No palco, a história do funcionário pobre, solitário e sem alegrias, que um dia descobre que o capote que veste há muitos anos não serve mais para ser usado. Em sua existência insignificante, sem acontecimentos e repleta de humilhações, a compra de um novo capote é uma decisão difícil. Os meses de privações para economizar o dinheiro e o processo da confecção do novo capote transformam-se em um grande acontecimento na vida de Bachmátchkin, talvez o mais importante de toda a sua vida.


O novo capote traz alegrias que Bachmátchkin ainda não havia experimentado e o respeito dos colegas de trabalho. Mas uma tragédia acontece numa madrugada: Bachmátchkin é assaltado e o seu capote roubado. A humilhação e a perda do sentido da vida o levam à morte. O fantasma do ultrajado escriturário paira sobre a cidade e se vinga daqueles que não intervieram em defesa de uma criatura de Deus e riram de suas pequenas alegrias. O diretor Valéri Fókin entende esta narrativa como uma crueldade da enorme cidade de São Petersburgo em relação a este “homem insignificante”.


SOBRE O DIRETOR VALÉRI FÓKIN


Após terminar a escola Teatral Schúkin, Valéri Fókin trabalhou 15 anos como diretor no “Teatro Sovremennik”, em Moscou, sob a chefia de Galina Vóltchek. Neste período, Fókin encenou obras de Nabókov, Vampílov, Rózov, Volódin, Dostoiévski, Albee entre outros. Na década de 80, Fókin era o principal diretor do “Teatro M.n. Ermólova” de Moscou. Lá, suas realizações o transformaram no mais popular dos jovens diretores russos. Nesta época, a peça “Fale...”, marcou a vida teatral da cidade, criando um novo conceito cênico.


Hoje, Fókin é um dos mais importantes diretores da cena européia contemporânea, e seus espetáculos são apresentados nos palcos dos Estados Unidos, Polônia, Hungria, Alemanha, Suíça, Japão, França e Coréia do Sul.


SOBRE O AUTOR:


Mas o traço distintivo da obra gogoliana se revela também por meio de uma espécie de acumulação absurda de detalhes que fazem da realidade um aglomerado de elementos contraditórios, mas que a revelam na sua mais profunda essência, tornando esse caos fantástico e desconexo a sua mais fiel expressão. Tal procedimento está largamente empregado nas suas “histórias petersburguesas”, onde o fantástico, anteriormente buscado nas lendas e no folclore ucranianos, brota da própria realidade cotidiana e urbana de São Petersburgo. O conto “O capote” constitui, sem dúvida, um dos textos mais representativos dessa fase “petersburguesa”, cuja adaptação teatral do encenador russo Valéri Fokin, diretor do centro Meyerhold em Moscou, integra também essa expressiva mostra do teatro russo no Brasil.


FICHA TÉCNICA
Texto - Baseado em conto de Nicolai Gogol
Direção - Valéri Fókin
Cenógrafo – Aleksandr Boróvski
Compositor – Aleksandr Bakchi
Coreografia – Serguei Gritsai
Cenas com sombras – Iliá Eppelbaum
Maquiagem artística – Tatiana Chmíkova
Idéia do projeto – Iúri Rost
Assistente de direção – Iúri Faínkin
Ajudantes de direção – Svetlána Blédnaia, Galina Iaroslávtseva
Papel de Bachmátchkin – Marina Neiólova
O espetáculo é realizado com a participação dos criadores e realizadores das cenas com sombras : Viatcheslav ignátov, Maria Litvínova, Irina Míchkina
Conjunto musical “Sírin” sob a direção de Andrei Kótov

Nicolai Vassílievitch Gogol viveu entre 1809 e 1852. Toda a sua criação literária se desenvolveu na primeira metade do século XIX, período de grandes transformações em todos os níveis da sociedade russa. O nome de Gogol está ligado ao surgimento da “escola natural” russa. Bielínski e outros críticos da época consideraram Gogol como o representante de uma escola cuja característica principal seria a descrição realista da vida da população das cidades. O gênero predominante dessa tendência foi denominado “ensaio fisiológico”, com o qual o prosador russo guardaria estreita relação, principalmente pelo caráter de protesto do gênero, aliado à documentação “objetiva” de uma realidade social e humana.Nascido em 1946, Valéri Fókin é tido como o “artista do povo da Rússia”. Já recebeu o Prêmio Estatal da Rússia quatro vezes e foi agraciado também com o prêmio “Zolotáia maska” (Máscara de Ouro). Hoje, acumula as funções de diretor artístico do Teatro Aleksandríiski, em São Petersburgo , e diretor e orientador artístico do centro de Teatro e Cultura Vs. Meyerhold. Na peça O Capote , baseado em um conto homônimo do escritor russo Nicolai Gogol, o diretor Valéri Fókin mergulha no universo do autor construindo o espetáculo mais como uma “atmosfera” do que como uma “narrativa”. O papel do escriturário Bachmátchkin é da veterana atriz Marina Neiólova, que constrói uma figura andrógina como propõe o conto original.

Walter Caetano Costa


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