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Urge preservar a memória da resistência antifascista em Lisboa

10.06.2019
 
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Urge preservar a memória da resistência antifascista em Lisboa

O PCP opõe-se ao encerramento, a pretexto de obras, da Biblioteca-Museu República e Resistência, «uma das guardiãs da memória da República e da resistência antifascista» no município de Lisboa.

Numa altura em que «se procuram trilhar caminhos e tomar decisões que prejudicam irremediavelmente este desígnio, ao pretender» encerrar a Biblioteca-Museu República e Resistência (BMRR), os eleitos do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) defendem a necessidade de «inverter esta decisão, preservando e valorizando a memória da República e da resistência antifascista na cidade de Lisboa, dando condições a quem trabalha e aos equipamentos municipais nesta área», lê-se numa nota enviada às redacções esta sexta-feira.

A intenção da Câmara Municipal de Lisboa (CML) de «encerrar para obras» a BMRR, sob pretexto de proceder a «intervenções há muito identificadas e que durante anos não obtiveram resposta», não convence os eleitos do PCP, que entendem que as intervenções «a isso não obrigam, nem tão-pouco à saída do espólio dali para outro sítio».

«O PCP conhece e acompanha o trabalho ali feito, há muitos anos, discordando da ideia que o PS quer passar de que a BMRR é "um museu silencioso, inoperante, não-apelativo, mesmo morto"», lê-se na nota, em que se sublinha que a BMRR «continua a ser usufruída» e que «as suas obras são consultadas, tem utilizadores».

A criação, naquele espaço, de uma biblioteca de bairro como justificação para o encerramento da BMRR também não convence os comunistas, que lembram que o «espaço, projectado pelo arquitecto Keil do Amaral, foi pensado e construído para albergar aquele espólio e cumprir uma função específica, tendo ainda um mural da autoria de Maria Keil único».

 

Os eleitos do PCP na AML não negam «a necessidade de existir uma biblioteca de bairro, generalista», mas mostram-se igualmente convictos de que há «outros espaços, na freguesia das Avenidas Novas e no Bairro do Rêgo, em particular, onde poderá ser instalada».

Para os comunistas, este processo assume semelhanças ao do encerramento da BMRR - Espaço Grandella, em Benfica, sendo que, até hoje, não existem informações relativas ao destino dado ao seu espólio, e a CML continua sem responder ao requerimento do PCP, de 2014, «apesar das insistências ao longo dos anos».

Preservar, valorizar, divulgar a memória do passado republicano e antifascista do povo português

Os eleitos do PCP na Assembleia Municipal de Lisboa dizem aguardar com expectativa a discussão e votação da sua recomendação «Pela preservação da memória da República e da Resistência Anti-fascista pelo Município de Lisboa», na qual se solicita à CML, entre outras coisas, que informe a AML sobre os critérios que presidiram à decisão de encerramento da BMRR, sem que as obras o justifiquem.

Recomenda-se ainda a não desagregação do acervo da BMRR, bem como o envolvimento dos trabalhadores em eventuais alterações à BMRR, ouvindo as estruturas sindicais que os representam.

Defende-se, além disso, que a CML deve dotar a BMRR de meios logísticos que permitam uma maior dinamização do espaço, assim como construir e implementar um plano efectivo de preservação, valorização e divulgação, na cidade de Lisboa, da memória e de um espólio que atesta o passado republicano e de resistência antifascista do povo português.

 

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