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Queda do Brasil em Educação e a "Esquerda Moderada"

09.12.2016
 
Queda do Brasil em Educação e a

Queda do Brasil em Educação e a "Esquerda Moderada"

Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), através de provas feitas em 70 países, foram divulgados nesta terça-feira(6), e a posição do Brasil, historicamente sofrível, piorou ainda mais: ocupa agora a 63ª posição em ciências, a 59ª em leitura e  a 66ª colocação em matemática.

por Edu Montesanti

O responsável por isso é também, e sobretudo o Partido dos Trabalhadores. "Também", porque foi uma continuação, em determinados pontos piorada e em outros discretamente melhorada, dos catastróficos governos anteriores em relação às políticas educacionais e culturais, igualmente neoliberais (Fernando Henrique Cardoso, Itamar Franco, Fernando Collor de Mello, José Sarney e o regime militar que atrasou enormemente o país do ponto de vista cultural, gerando milhões de analfabetos, ditadura responsável, em grande medida, pela mentalidade escravocrata e reacionária, pelo colonialismo cultural que prepondera neste País).

 

Vale apontar as (ir)responsabilidades da autodenominada "esquerda moderada" brasileira agora, em tempos de aparente (nada mais que isso) "autocrítica". Até porque, desta culpa, certamente a "esquerda sóbria" se isentará. O mesmo setor que passou todos os anos deslumbrado com o poder, profundamente arrogante atacando aqueles que os alertavam que dariam com os burros do País e do próprio poder n'água. Éramos os da "esquerda radical", ou "ultraesquerda" patrulhados impiedosamente, não possui capacidade intelectual nem moral para isso: o principal objetivo segue, claramente, sendo volta ao poder e não a sociedade para quem a sectária "esquerda" tupiniquim em geral nunca falou, mas para si mesma fechada em seus acentuados interesses político-partidários.

 

Coando Mosquito e Engolindo Camelo: Contra Fatos Não Há Argumentos

 

Em contraposição ao Prouni, a "esquerda moderada" no poder esqueceu-se do investimento na construção de universidades federais, beneficiando assim o ensino privado, uma privada com aspecto de shopping center para onde são jogados os milhões de reais anuais dos consumidores de diplomas.

 

Foi criado o "mito das 14 universidades" supostamente criadas por Lula: este criou, na realidade, quatro - não acabadas ou em situação precária conforme artigo As (1)4 Universidades Criadas pelo Governo Lula, nesta ligação (belíssima pesquisa de Leonor Simioni e Rerisson Cavalcante). Leia também: Um Verdadeiro Espanto!, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo sobre uma dessas universidades criadas por Lula. Com depoimentos de professores e alunos, é trazida às claras a desesperada realidade do campus da Unidade Acadêmica de Garanhuns, vinculada à Universidade Federal Rural de Pernambuco. Para as outras 10 universidades, o ex-presidente simplesmente assinou papeis transformando faculdades em universidades, computando-as equivocadamente em seus discursos de construção de novas universidades, maquiando assim informações.

 

As cotas raciais em favor de negros, pardos e índios (geralmente pertencentes a classes de menor poder aquisitivo devido a históricas políticas excludentes) de ter acesso à educação superior gratuita, é medida justa mas que deveria ter sido paliativa; virou política definitiva, mais uma grande demagogia já que não se fortaleceu os ensinos básico e médio, proporcionando condições para que segmentos desfavorecidos pudessem, por seus próprios méritos com o passar dos anos, ingressar às principais instituições de ensino superior. Durante tal período, dever-se-ia qualificar o ensino fundamental e o médio, proporcionando às classes menos favorecidas futuras condições de competir nos vestibulares com igualdade por vagas nas universidades estaduais e federais, sem necessidade das cotas (as quais, de certa forma, dentro de sua urgente importância, acabam acentuando a segregação étnica).

 

Não se poderia esperar outra coisa de quem disse logo que venceu as eleições presidenciais de 2002: "Nunca fui de esquerda". Agora, ele os adeptos de sua seita política buscam, ironia do destino, respaldo naqueles que, em um passado nada remoto, tanto rotularam de radicais. Não sem se declarar hoje, oportunisticamente, "de esquerda".

 

A educação que não é emancipatória, faz com que o oprimido queira se transformar em opressor
Paulo Freire

 

A mídia tem a capacidade de educar e de imbecilizar a sociedade, não o contrário conforme tentam convencer os vendedores de lixo cultural da mídia predominante brasileira: "Produzimos o que a sociedade quer assistir", passando a ideia de que o cidadão é responsável pela programação de baixo nível. Pois o oligopólio midiático se acentuou nos anos do PT, a que pese a razoável política para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

 

Sobre o patrocínio petista à mesma mídia contra quem oportunisticamente esperneia hoje, a revista Carta Capital relatou em Publicidade Federal: Globo Recebeu R$ 6,2 Bilhões dos Governos Lula e Dilma, que "entre os jornais, O Globo foi o que mais recebeu verbas; a revista Veja recebeu mais de R$ 700 milhões no período. (...) Lula e Dilma investiram um total de R$ 13,9 bilhões para fazer propaganda em todas as TVs do país".

 

E pontuou ainda: "A parte destinada somente às emissoras da Rede Globo representa quase metade desse total. Apesar disso, a porcentagem destinada à Globo tem sido reduzida. Ao final do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2002, as emissoras globais detinham 49% das verbas estatais destinadas à propagada em TV aberta, chegaram a 59% durante o governo Lula e, no ano passado, a Globo ainda liderava com R$ 453,5 milhões investidos, mas do total, o valor representa 36%".

 

Nada se poderia esperar de quem disse, no velório do "doutor" Roberto Marinho: "Aí se vai um grande brasileiro, merecedor de três dias de luto oficial". Não se esperava que Luiz Inácio desrespeitasse aquela solenidade, porém, tentar convencer-nos de que era necessário dar "aquela puxada de saco" em nome da governabilidade, foi demais!

 

Aí está o resultado... Para o PT e para o processo de deseducação da sociedade, tão ou mais despolitizada que nunca. Mas cegados pela patologia do poder, nem diante das atuais circunstâncias e de uma educação ridícula, são capazes de dar o braço a torcer.

 

Já dizia Noam Chomsky: "Há que se ter ensino em massa. A razão é que milhões estão podendo votar, e deve-se educá-los a fim de que não incomodem. Em outras palavras, deve-se treiná-los para a obediência e servilismo, para que não pensem como o mundo funciona e, assim, não vão depois pegar no pé deles. (...) As escolas são projetadas para ensinar o que vai cair na prova. Não existe a preocupação com a capacidade dos alunos de pensar, de se superar, de levantar questões. (...) Isso acontece em toda parte. E possui a evidente técnica de emburrecimento da população, e também de controlá-la. Para a maioria das pessoas, não há escolha. É o mesmo que dizer que todos têm a chance de se tornar milionários.Tudo isso é uma forma de transformar a população em um bando de imbecis". 

 

Não esperemos que a "esquerda moderada" tupiniquim assuma a (ir)responsabilidade por isso.

 


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